domingo, 29 de março de 2020

Ainda o SAMS


Ando incomodada com a situação criada com o encerramento das Centros Clinicos do SAMS. São milhares de utilizadores que, de um momento para o outro, se viram privados dos seus médicos assistentes, dos tratamentos iniciados, da fisioterapia, da terapia da fala, da acupuntura, do uso médico da piscina, da oftalmologia, da medicina oral, etc, etc.
Pensando nisto, ocorreu-me que se os sócios estão privados deste acesso, também não o deveriam pagar. Ou seja as quotizações correspondentes não deviam ser liquidadas, até a situação se encontrar normalizada. Pessoalmente não me agrada pagar aquilo que contratei mas não recebo.
Não sei o que pensam os outros sócios mas, como economista que sou, não creio que tenham pensamento muito diferente do meu. Não é justo pedir que paguemos aquilo que não recebemos. E é evidente que a Advanced Care não substitui a instituição.
Estou à vontade para escrever este texto, porque muitas vezes, aqui também, elogiei os SAMS, os seus serviços, os seus médicos e os seus enfermeiros. E receio bem que os utentes, todos nós, se transfiram para outros hospitais privados e deles se tornem clientes preferenciais...

HSC

sábado, 28 de março de 2020

Um povo incontrolável...


A manhã, no meu terracito, estava deslumbrante. O silencio que, por norma, o costuma envolver, era ainda mais profundo.
Peguei no tabuleiro e fui para lá tomar o pequeno almoço. O ambiente estava tão bom, tão sereno, tão luminoso, que o meu bacon com ovo estrelado me soube melhor do que qualquer refeição tomada num grande hotel de Paris. 
Foi isto que me fez pensar que é possível, às vezes, ser-se feliz com pouco. O café forte que se seguiu ao repasto e verdadeiramente me despertou, deu-me a consciência nítida deste facto. E ali fiquei sentada a ver o mar, os carros a passar na ponte sobre o Tejo, como se nenhum de nós estivesse numa pequena prisão.
Só bem mais tarde me lembrei que não era normal haver transito na Ponte, dado que estamos de quarentena. Mas se lá estavam as autoridades fiscalizadoras como era possível esta irregularidade? Não sei. Do meu terraço apenas se viam os carros a ir e a voltar...
Quando é que nos tornaremos adultos que não precisam de ser fiscalizados e punidos?!

HSC

quarta-feira, 25 de março de 2020

Poetar a vida

Quando me apercebi de que esta pandemonia ia tomar proporções bem mais graves do que se previa, decidi tomar a decisão radical de não publicar em Abril o meu novo livro, que está pronto para sair. Foi uma decisão dolorosa, quer para mim, quer para a editora, e que terá, como se calcula, no imediato alterações no meu orçamento já por duas vezes corrigido. A cada medida mais exigente que saía, impunha-se uma adaptação. Vivo exclusivamente do meu trabalho. Mas, apesar de felizmente não depender apenas da escrita,  o rombo, no médio prazo, vai ser sensível.
Felizmente tenho grande capacidade de adaptação e, depois da morte de um filho, aprendi que nada me pode ser pior. Por isso, espero que tudo o que me venha a acontecer, seja recebido com a maior serenidade e com a consciência de que, dentro dos meus limites, cumpri o que me pediram que fizesse. Por azar já estava confinada à casa,  por ter tido uma estranha pneumonia no fim do ano, pelo que desde Janeiro terei saido, talvez, meia dúzia de vezes, para estar com a familia. A maior adaptação, agora, é a que resulta de ter de somar aos três meses já decorridos, uns quantos que ainda ninguém sabe definir.
Talvez por estes factos, comecei a escrever um diário desta pandemia, em que misturo factos reais com estados de espirito pelos quais estes me fizeram passar. Como ando um pouco preguiçosa não escrevo todos os dias, mas quando o faço, tenho a noção da catarse que a escrita me permite.
Possivelmente irão aparecer muitas obras deste tipo, mas julgo que a forma como estou a faze-la é capaz de ser original. Esperemos pelo futuro próximo porque esse, sim, é que é a preocupação do presente. E que cada um, conforme as suas capacidades possa fazer algo que lhe lembre, para sempre, a provação pela qual estamos a passar.

HSC

segunda-feira, 23 de março de 2020

Apelo ao SAMS

"O Sindicato Independente dos Médicos – SIM, lamenta que a direcção do SBSI depois de ter denunciado o Acordo de Empresa, quando ao mesmo tempo defende com unhas e dentes a contratação colectiva dos seus associados com a banca nacional, aproveite oportunisticamente a catástrofe que se abateu no nosso Pais e no mundo e o estado de emergência que acaba de ser decretado, castigando os seus trabalhadores médicos, arremessando-lhes o Lay Off. 
Um sindicato, permitir-se usar uma medida altamente limitadora dos direitos dos seus trabalhadores, num momento para todos da maior fragilização, é  no mínimo, lamentável. 
Um presidente de um sindicado a contrariar fortemente os apelos dos órgãos de soberania no sentido de mitigar os fortes impactos sociais, é, no mínimo, irresponsável e antipatriótico. 
O SIM apela à direcção do SBSI que neste momento de fortes pressões no SNS proteja a saúde dos seus beneficiários e que CONTRIBUA para o esforço nacional de apoio ao País e à saúde dos seus compatriotas. 
O SIM apela a que volte atrás na decisão que afeta milhares de doentes. 
O SIM apela aos associados do SBSI, que continuam a pagar as respectivas quotizações, assim como aos bancos, que, sob todas as formas, o pressionem para que possam manter o direito à saúde e para que os SAMS não abandonem o esforço que, neste campo, tantos fazem pelo nosso País. 
O SIM solidariza-se com todos os médicos, enfermeiros e assistentes operacionais técnicos, acreditando que o bom senso ainda possa prevalecer sobre o oportunismo desta medida. 
Sem consultas de todo, nem sequer teleconsultas, ao contrário daquilo que todas as demais instituições fazem, os doentes a cargo dos SAMS irão sobrecarregar o já débil SNS. 
Sobrecarregar o SNS ou remeter à rede Advance Care parecendo com isso querer terminar com a assistência directa aos seus beneficiários, que construída com o empenho de tantos outros dirigentes e profissionais sempre foi um nome de referência. 
O SIM dará́ conhecimento deste apelo aos órgãos de soberania. 

Lisboa, 20 de março de 2020 O Secretariado Nacional 


Numa altura em que o pico da doença se aproxima e em que a ministra da saúde admite requisitar desde os privados até a espaços, que não sendo de saúde, permitem a instalação de laboratórios e camas, não se compreende uma decisão desta natureza, que é ainda mais grave quando o Hospital do SAMS, viu encerrada a urgência pela autoridade de saude, justamente no momento em que havia decidido nao admitir novos doentes.
As razões que levaram ao fecho do hospital têm solução. Há que aplica-la. O Centro Clínico não teve problemas e é necessário aos seus sócios. 
Bancários nós pagamos quotizações elevadas para termos um serviço de saúde nosso. Unamo-nos nesta frente de não perder o que é nosso e se está a tornar apetecível a diversos eventuais compradores. Unamo-nos na defesa daquilo que tanto nos custou e custa!
Senhora Ministra da Saúde, não consinta que quem quer que seja, se permita não estar ao seu lado na luta contra esta pandemia, fechando instituições que lhe podem vir a ser necessárias no alívio do SNS!

HSC

Nota Ressalvo nesta magoa o Dr Faustino Ferreira, Director Clinico dos SAMS, que com elevado esforço pessoal tudo fez para que os bancários não fossem prejudicados.

sábado, 21 de março de 2020

No dia da poesia

A poem by Kathleen O’Meara (1839–1888).

And people stayed home
and read books and listened
and rested and exercised
and made art and played
and learned new ways of being
and stopped
and listened deeper
someone meditated
someone prayed
someone danced
someone met their shadow
and people began to think differently
and people healed
and in the absence of people who lived in ignorant ways,
dangerous, meaningless and heartless,
even the earth began to heal
and when the danger ended
and people found each other
grieved for the dead people
and they made new choices
and dreamed of new visions
and created new ways of life
and healed the earth completely
just as they were healed themselves.


HSC

E o sexo?

Todos nós estamos submetidos a uma espécie de estado de sítio. De um momento para o outro familias que só se encontravam ao fim do dia, passaram a estar 24 horas juntas. E, na maioria dos casos, com os filhos também em casa, o que, se por um lado é uma alegria, por outro, de forma continuada, pode levantar algumas limitações.
Há uns dias uma amiga minha, confidenciava-me que desde que este pandemónio começou, não tinha relações sexuais com o marido. Confesso que só a muito custo contive o riso, porque eu poderia esperar tudo menos aquela confissão. E perguntei-lhe o evidente, ou seja, se ela tinha tentado falar com ele sobre o assunto. Tinha, mas ele afirmara que andava apenas cansado. Julguei mais prudente não a questionar sobre se ela tomava quaisquer iniciativas... sobretudo, porque sabia que ele sempre fora homem de grandes cansaços fora de casa.
Pensando neste caso e assim como fui das primeiras pessoas a denunciar que o mercado negro iria voltar em força, também agora temo que, passadas estas circunstâncias, possa haver uma subida de divórcios ou de separações.
Perdoem-me a rudeza do tema, mas quem apreciava muito o adultério está, neste momento, muito limitado, porque ninguém arrisca ter de declarar que foi infectado por uma amiga com quem manteve relações intimas.
E o sexo no casal não será ele também afectado pelo medo, pela depressão do estado de sítio, pela atenção redobrada que os filhos exigem, pelo cansaço de um dia passado em filas de abastecimento?
Julgo que depois desta pandemia muita coisa pode mudar na vida familiar em Portugal. A começar por aqueles que tanto gozavam com a castidade e se vêem, de repente, poder ficar sujeitos a ela...

HSC

segunda-feira, 16 de março de 2020

As bicicletas de lazer


A minha idade é conhecida e o facto de continuar a trabalhar também. Nunca a escondi, até porque considero um privilégio ter chegado a ela, trabalhando como trabalho. 
Já partilhei aqui o susto que tive e a minha desistência de me enfiar na confusão do supermercado a que me dirigi. Afinal acabei a fazer umas comidas apetitosas  e só com o que tinha em casa.
Hoje foi a vez da farmácia. Aqui era tudo mais ordenado, pelo menos na minha, a Linaida, que é um exemplo na forma como trata os seus clientes. Mas havia tanta gente com a minha idade... que eu me lembrei de sugerir que os jovens que têm essa maravilhosas bicicletas eléctricas de lazer com cestinho acoplado, se unam num movimento e lhes dêem uma utilização solidária, ajudando quem já tem o peso grande dos anos sobre os ombros. Era uma cadeia de gente que podia aliviar muito os que vivem sós e não têm quem os ajude!

HSC

sexta-feira, 13 de março de 2020

Abençoados os que se ocupam de nós!

Apesar de não estar em quarentena, o facto é que em Dezembro tive uma gripe que decorreu em vários episódios que me obrigaram a estar bastante em casa. Ou seja, neste momento, posso dizer que ainda não tive um dia normal neste ano de 2020. Foi preciso tal acontecer para eu ter bem consciência do esteio que, ao longo da minha vida, sempre me aguentou, deu força e foi indescutível suporte. Refiro-me à família e aos amigos.
Na família, eu que só tive dois irmãos, encontrei uma irmã na minha cunhada Paula que faz por mim o que ninguém mais faria. Muitas vezes olho para ela, uma novata de perto de 60 anos, doutorada, que gira mais do que muita gente de 30. Ela constitui a mão forte que nos une, nos entende, nos ajuda e que o meu irmão mais novo - um sortido que eu adoro - conseguiu descobrir, para poder fazer uma brilhante carreira de engenheiro que tem na mulher o back office indispensável à posição que hoje tem. E no meio disto tudo são o casal mais low profile,  mais discreto, que se possa imaginar.
Foi a intensa consciência desta força familiar que o "coronavirus" me proporcionou. Ela estava já muito presente em mim, que sou uma mulher de afectos. Mas a ameaça constante de que eu ou os que me restam possam ser afectados, fez aumentar a minha admiração por todos aqueles - enfermeiros, médicos, administrativos, cuidadores - que quase sem dormir tratam dos que precisam. O exemplo mais impressionante, foi o da enfermeira morta de cansaço junto ao computador onde tentava registar o que se passava. Abençoados aqueles que se ocupam de nós e, em particular, a minha mana Paula!

HSC

quinta-feira, 12 de março de 2020

A quarentena portuguesa

Eu sei que somos um povo privilegiado. Temos seres especiais como Mourinho, Ronaldo e Centeno. Temos praias maravilhosas e verdes como poucos se encontram. Temos serviços em que somos muito bons e um clima de encantar. Mas não sabemos prever, nem aprender com a história nossa ou dos outros. Por isso, temos fogos e inundações que dão origem a belos discursos mas não mudam em nada os nossos hábitos. Incluindo aqueles quem têm a responsabilidade de governar.
Itália, europeia, constitui um bom exemplo do que se não deve fazer. Era de prever tudo o que aconteceu, conhecendo-se o apetite dos chineses por aquele país. Mas ninguém pensou nisso. 
E claro, porque havíamos nós de pensar, se a doença não havia ainda cá chegado? Tinhamos Fátima a proteger-nos, Senhora que é sempre muito invocada por ateus nestas alturas. Assim, como é proibido proibir, o Covid 19 chegou cá de mansinho, mas com uma curva exponencial de infectados que não para de subir. 
Como é que isto aconteceu?Porque era esperado que acontecesse e, por isso, as medidas agora adotadas ainda não chegam para o que está para vir. Ou seja, por muito anti democrático que pareça, o nosso país só sairá data epidemia, se tiver a coragem de proibir certo tipo de comportamentos sociais. É que a liberdade individual vale muito pouco quando é o colectivo que está em risco!

HSC

domingo, 8 de março de 2020

No dia da Mulher

"Existem situações na vida que não se esperam. E e o pior, diante delas, é sentirmo-nos impotentes . 
Moro em Como, na zona onde o Coronavírus chegou sem ninguém esperar... Corrijo, sem ninguém acreditar, pois esperar, com tantos chineses que passam pelo norte da Itália, esperávamos sim! 
Escolas fechadas, academias fechadas, bares fechados depois das 18:00, e tantos, saindo de casa somente para o estritamente necessário. 
É uma situação estranha que nos leva a reavaliar algumas coisas. Nessa hora, ter um carro lindo, uma bolsa cara, roupas maravilhosas, serve para quê? Não teríamos nem como usar nem a quem mostrar. A ÚNICA coisa que passa a importar e que se pede a DEUS é a SAÚDE. Para si mesmo e para os nossos entes queridos. 
Na verdade, como gastamos tempo a correr atrás de nada ou a pedir a DEUS coisas que , tantas vezes, não nos servem para nada. Como somo fúteis na maior parte do tempo! Como não valorizamos o que é mesmo verdadeiramente valioso!
Estamos em casa. Inventamos jogos, os almoços e jantares tornam-se mais longos e cheios de conversa familiar, rimos e choramos juntos dos problemas e cuidamos uns dos outros. Ninguém tem para onde ir, ou coisas para fazer. A falta de tempo ACABOU!
Fechados em casa e " presos" por causa do tal Sr. Coronavirus, por mau caminho parece que, apesar de tudo, está a fazer-nos um grande favor. Livra-nos da arrogância, porque vemos que não somos nada e nem temos controle de nada. Livra-nos da cobiça, pois entendemos que não serve para coisa nenhuma. Mostra a nossa vulnerabilidade e então, a alguns mostra o caminho de volta à espiritualidade.
E por fim, faz-nos perceber a nossa "prisão" individual do dia a dia, pela tal falta de tempo e por temos que conter nossos sentimentos. E nos liberta. Nos deixa livres para termos medo, para nos sentirmos impotentes, para não corrermos atrás de nada... 
Afinal, o único trabalho que temos ou a única lição doméstica é a de tentar não adoecermos... 
E, por último, e talvez o mais importante, faz-nos REENCONTRAR os que amamos, a nossa familia, aqueles com quem vivemos na mesma casa, mas com quem, muitas vezes, nem sequer ouvimos ou falamos direito. 
E por fim, faz alguns de nós voltar a DEUS. Afinal, diante dessa nossa vulnerabilidade, é ELE e somente ELE que pode nos proteger... No balanço geral, o Sr. Coronavírus pode até nos matar, mas no fim de tudo, da forma mais dolorosa, acaba por nos ensinar a VIVER ! "

Um amigo, que me estima, mandou-me este texto no Dia da Mulher. Eu percebi a intenção. Perante a desgraça  todos somos o mesmo, ou seja, seres humanos sem qualquer distinção. 

HSC

terça-feira, 3 de março de 2020

Estranha forma de chorar...

Desde muito pequena reparava que, perante situações semelhantes, as pessoas tinham reações completamente diferentes. Isso sempre me surpreendeu porque entendia que a razão de uma dor era sentida por todos da mesma forma. O que se passa é bastante diferente. Há pessoas que parecem indiferentes perante a dor ou a alegria. Nuns casos será feitio, noutros será contenção ou falta dela. Era a vida, pensava depois.
Recentemente estive num velório e assisti a uma cena única. Uma mulher nova chorava copiosamente a morta, enquanto a família se mantinha triste e silenciosa. 
Ao dar um abraço ao meu amigo, perguntei-lhe se a jovem era próxima deles. Respondeu-me que não e que estava assim desde que havia entrado. O meu amigo, condoído, já lhe havia perguntado se ela era amiga da morta. 
Ela retorquiu-lhe que não e que "só ia a velórios para poder chorar". Aparvalhado com a resposta, e sem saber o que responder, voltou para o seu lugar. Quando ele me contou isto pensei que a jovem carecia de tratamento psiquiátrico.
Passada uma hora, limpou naturalmente as lagrimas, foi-se arranjar ao toilette, bebeu um café e saiu com o ar de quem tinha vindo de assistir no cinema a uma comédia! 

HSC

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O médico dos Presidentes


Durante muitos anos o meu médico foi o Prof. José Manuel Pinto Correia. Meu grande amigo, embora a sua especialidade fosse a gastro, o certo é que foi o meu primeiro internista. Tratou de todas as minhas maleitas, com excepção daquelas que decorriam da minha condição específica de mulher.
Mas, mesmo neste campo, curiosamente e até à sua morte, o meu ginecologista foi  um cunhado seu, que ele me indicou. 
Após a sua morte foi o meu bom amigo e cardiologista, Dr Pedro Abreu Loureiro, que acabou por desempenhar por muito tempo, o papel do José Manuel e, ainda hoje, não há pílula que eu tome, sem o ouvir primeiro. No fundo, a verdade é que tive sempre a sorte de ser acompanhada por amigos especiais que também foram excelentes médicos.
Mas, pouco antes do Zé morrer,  o seu conselho foi que eu escolhesse o Dr Daniel de Matos para o substituir. Como  não o conhecia, na altura, senti-me um pouco perdida, quase abandonada. 
Hoje, ao ler a excelente entrevista que este clínico deu ao jornal Público, lembrei-me do Zé e do seu conselho e ocorreu-me que, uma vez mais, ele tinha razão. Mas, como tudo na vida tem explicação, como é que eu conseguiria fazer um amigo num médico tāo ocupado com gente importante?! Apesar disso, fiquei a matutar na qualidade humana que se adivinha no Dr Daniel de Matos e que eu não tive a oportunidade de conhecer!

HSC

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O país das maravilhas

Adoro Portugal. Mesmo hoje, quando há mais razões para sair do que para ficar. Porque fiquei quando podia ter saído, penaliza-me e entristece-me quando o vejo diminuído, dependente e incapaz de reagir.
Julguei, um dia, que este estado de espírito só se verificava nas chamadas ditaduras. E que quando a democracia se instalasse nunca tal fosse possível. Porque, pensava eu, uma revolução não se faz apenas para ter mais liberdade. Faz-se, também e sobretudo, para que todos possamos viver melhor...
O que é que nos aconteceu? Somos, de facto, mais livres. Mas somos melhores? Vivemos em melhores condições? Temos mais educação? Somos mais cultos? Valorizamos mais a excelência? Temos valores mais autênticos?
Temo que a resposta a estas perguntas não seja a mais animadora. Pior, receio que alguém se preocupe muito com este tipo de questões. Lamentável!

Nota: Este texto foi escrito em 2006. Não lhe alterei nem uma vírgula. Continuo a pensar o mesmo!

HSC 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

O Valor dos velhos...

“...O convívio com os mais velhos compensa. Se esse convívio fosse procurado pelo valor que nos dá haveria concorrência pelo acesso a eles. Os velhos mostram-nos o que vai ser de nós. Mostram-nos que vale a pena aproveitar a idade que temos, seja qual for.Ajudam-nos a dar valor à juventude mas também nos tiram o medo de envelhecer, mostrando-nos que a velhice é uma coisa exterior e mecânica que só ocasionalmente consegue chegar à alma, cuja criancice é inviolável.É uma sorte e um elogio quando um velho escolhe passar tempo connosco. Como é que conseguimos esquecer-nos disso?"

Foi o Miguel Esteves Cardoso que escreveu estas linhas. Ele que já é avô e teve a sabedoria – que nem todos entendem – de escolher o tipo de vida que pretendia fosse o seu e que, aos olhos dos outros, parece bem afastado daquele que o seu início de vida profissional prenunciava.
Muitas vezes, quando me olho ao espelho ou me vejo interiormente, reconheço em mim a minha mãe e a minha avó. Nos gestos, na voz, no pensamento, tudo formas identitárias delas recebidas e que talvez a genética consiga explicar.
Do meu pai herdei um lado germânico, que convive muito mal com a desarrumação, a falta de sentido do compromisso, a noção de que a nossa liberdade é limitada face à liberdade dos outros, e pela necessidade imperiosa de momentos de silêncio.Talvez esteja aqui, nesta mistura tão variada, uma das razões por que tenho tantos amigos jovens que gostam da minha companhia..

HSC 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Bons velhos tempos


Para relembrar bons velhos tempos, embora eu me sinta muito satisfeita de viver os actuais!

HSC

sábado, 15 de fevereiro de 2020

O que é que eu estou aqui a fazer?


Depois de ter estado em casa fechada com um daqueles vírus gripais violentos, voltar à normalidade teve as suas dificuldades. A primeira, surgiu logo quando quis tirar o carro da garagem e ele não se mexeu, porque a bateria estava queda e muda. Tentei duas ou três vezes mais e, antes que afogasse o motor, tratei de chamar um amigo para me vir pôr os bornes na dita numa tentativa de a recarregar. Vá lá, ao fim de bastante tempo, pegou!
Depois para ir até ao supermercado, distraí-me e tive que voltar para trás e dar uma volta enorme. As compras, feitas sempre por lista, deram-me conta de que o virus também devia ter atacado os meus neurónios, já que parecia uma barata tonta à procura de produtos, cujo local conheço perfeitamente. Quando cheguei à caixa deu-me um ataque de riso porque estava tudo misturado, quando por norma, já arrumo as compras separadas para, depois em casa, ser mais fácil de arrumar. A rapariga da caixa, que já me conhece disse-me a rir "ó dra isto hoje nem parece seu, está tudo misturado"!
Enfim, quando cheguei a casa estava já mais normalizada e ri com gosto da desafinação que a gripe me provocara. A minha empregada viu-se grega para arrumar tudo, habituada que está ao meu estilo germânico. Ainda me lembrei que todo este desatino fosse, na minha idade, consequência do Dia dos Namorados...
Assim, para compensar tanta taroulhoquice, decidi que hoje me vingaria e iria com os amigos ao cinema ver qualquer coisa leve. Não sei quem teve a triste ideia de sugerir as Mulherzinhas. Eu ainda perguntei se não estavam doidos, que o filme era para adolescentes, mas garantiram-me que a crítica dizia muito bem. E, de facto, às 17h a sala estava cheia. 
Bom, foi uma espécie de desastre, porque não entendi patavina do filme que achei "chato" - desculpem a expressão - a valer. Devo ter lido o livro aos 12 anos, mas não me lembrava nada da história. Ora, a quem não se lembre da estorinha, vai acontecer-lhe o mesmo que a mim, ou seja, perguntar-se "mas o que é que eu estou aqui a fazer?"

HSC

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O Dia dos Namorados


Ela já não era nova e vinha de alguns desamores sarados. Ele ainda se estava a fazer homem barbudo. Na altura a diferença de idades não se notava e ela acreditou que talvez tivesse chegado a sua vez. de ser amada. Durante 11 anos ambos viveram como se fossem felizes. Ela fiel e convencida da fidelidade dele. Ele vivendo a vida como queria.
Mas, num certo dia dos namorados, em que combinaram jantar fora, ele não apareceu. Angustiada telefonou para os hospitais e para a policia. Ninguém sabia nada. 
Ele partira porque era, justamente, o dia dos Namorados. Ela ficou porque o tomou como o Dia dos Casados...


HSC

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Gosto: Jojo Rabitt


Fui ontem ver JOJO RABITT e, confesso-vos, nos primeiros cinco minutos do filme estava a perguntar a mim própria, “mas o que é isto?”. De facto, como não tinha lido nada acerca da história e apenas sabia que o não deveria perder, não estava preparada para o que ia ver.
Passados os tais minutos iniciais, entrei no espírito da pelicula e vi-a com grande prazer até ao fim, verdadeiramente surpreendida pela criatividade com que a História da época – o nazismo – é contada e vivida por uma criança de 10 anos.
A acção decorre na Alemanha, durante Segunda Grande Guerra e Jojo, o protagonista – surpreendente como actor - é um fervoroso adepto do nazismo, tendo Adolf Hitler como ídolo e amigo imaginário.
A sua “crença” é tal que mal pode esperar para se tornar membro da Juventude Hitleriana, que transforma crianças e adolescentes comuns, em perfeitos espécimes da raça ariana. 
Até...até ao dia em que conhece uma rapariga judia que a mãe mantém escondida no sótão de sua casa e que irá transformar toda a sua vida.
É uma comédia nos limites do absurdo, cujo realizador de ascendência judia Taika Waititi – que dá igualmente vida à personagem de Hitler, o amigo fictício do protagonista – consegue, de facto, surpreender-nos. 
Estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto, onde recebeu o prémio do público, "Jojo Rabbit" foi nomeado para seis Óscares, dos quais recebeu o de Melhor Argumento Adaptado. 

HSC

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Rir

O riso desencadeia mudanças físicas saudáveis ​​no organismo, fortalece o sistema imunológico, aumenta a energia, diminui a dor e protege-nos contra os efeitos nocivos do stresse. Além disso, é um remédio que não tem preço, é divertido, livre e fácil de usar é um poderoso antídoto para o stresse, a dor e o conflito. Nada é mais confiável para reequilibrar o corpo e a mente, do que uma boa gargalhada. O humor alivia os nossos fardos, inspira esperança e liga-nos aos outros. 
Os especialistas afirmam que o riso relaxa o corpo e uma gargalhada alivia a tensão física durante cerca de 45 minutos, já que estimula o sistema imunológico, provoca a libertação de endorfinas, que sendo substâncias químicas associadas ao bem-estar do corpo, promovem uma sensação geral de bem-estar. 
O riso faz-nos sentir bem. E a boa sensação que se experimenta quando rimos permanece connosco, mesmo depois do riso diminuir. O bom humor ajuda a manter uma visão otimista e positiva diante de situações difíceis, decepções e perdas.
Mais do que apenas um alívio perante a tristeza e a dor, o riso dá coragem e força para encontrar novas fontes de significado e esperança. Mesmo nos tempos mais difíceis, um riso – ou até mesmo um simples sorriso – pode fazer-nos sentir melhor, porque ajuda a relaxar e a suavizar emoções angustiantes. Ninguém pode sentir-se ansioso, irritado ou triste quando se está a rir.
O bom humor muda as nossas perspectivas, permitindo que vejamos as situações de modo mais realista e menos ameaçador. Uma perspectiva bem-humorada cria distanciamento psicológico, que fortalece as nossas relações ao desencadear sentimentos positivos e promover conexões emocionais. Quando rimos com outra pessoa, cria-se uma ligação positiva que funciona como um forte amortecedor contra o stresse, as divergências e a decepção.
O riso compartilhado é uma das ferramentas mais eficazes para manter as relações vivas e emocionantes. Toda a partilha emocional constrói laços de relacionamento fortes e duradouros, mas compartilhar o riso e a diversão, acrescenta alegria, vitalidade e resistência. O humor é, também, uma maneira poderosa e eficaz para curar ressentimentos, desavenças e mágoas. O riso une as pessoas em momentos difíceis.
Incorporar mais humor e diversão no nosso quotidiano pode melhorar a qualidade das nossas relações com os que amamos, com os colegas de trabalho, familiares e amigos. Usar o humor e o riso nos relacionamentos permite ser mais espontâneo, deixar de lado as posturas defensivas e expressar os nossos verdadeiros sentimentos. Experimente e verá!

HSC

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Chorar

Chorar é saudável e alivia a alma, diz o povo e tem razão porque, por norma, as emoções expressadas tornam-se em emoções superadas. São velhas crenças que o tempo irá, ou não, desmoronando. 
Eu gosto de rir mesmo sem nenhuma razão especial, mas aprendi com a vida, a chorar com total liberdade, porque não quero guardar lágrimas no meu coração. Se o fizesse só me fariam sentir frustrada ou ferida por muito tempo. É melhor deixá-las escorrer, até porque estudos recentes confirmam que chorar faz bem à alma.
Porém há muita gente para quem as lágrimas representam fraqueza, pelo que entendem que temos obrigação de as controlar e não as derramar, principalmente em público.
É um facto que não devemos chorar por tudo e por nada, já que a vida requer coragem. Mas, quando precisamos faze-lo porque nos sentimos derrotados, porque não deixar que essas lágrimas nos libertem de tal sentimento? Porque negar a nós próprios esse dom, quando todos nos esforçamos por acreditar que depois da tormenta virá a calma?
Chorar é saudável e liberta-nos da frustração e do stresse. Mesmo que as coisas não mudem por uma lágrima, sempre podemos tentar olhar, de novo, a situação, talvez com mais calma e mais empenho. Ou, quem sabe, para continuarmos a viver da melhor forma possível.

HSC

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Tanta inocência...


Afinal a sua inocência também tem um lado empresarial. A heróica Greta Thunberg acaba de registar o seu nome e o do seu Movimento como "marcas comerciais".
A inocente explicação é que estavam a utilizar abusivamente os dois nomes. Por quem, não se sabe!

HSC

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Os anos da Esmeralda

Há pessoas que adoram fazer anos. E pessoas que detestam. Eu não só gosto muito de fazer anos, como gosto de festejar os anos daqueles que amo. Uma amiga minha que é uma verdadeira esmeralda como pessoa e tem a sorte de levar o nome correspondente, pertence ao primeiro grupo e delicia-se a preparar o seu aniversario com imensas surpresas que fazem a sua alegria e a dos amigos.
Andava eu já a gozar, por antecedência, a festa e a preparar-me para zarpar para Cascais, para o novo espaço do Hotel Farol Design, antevendo as partidas que a aniversariante sempre nos prepara quando, no principio da semana, sou confrontada com um vírus gripal violentíssimo, repetição de um outro menos aguerrido, que já tivera de aguentar na semana anterior.
Uma lástima. Tomei tudo e mais alguma coisa, mas o meu rosto - lindo, como se sabe! - virara a encarnação da verdadeira fada má. Nada a fazer, perante a intransigência médica, que não fosse ficar presa em casa, com uma tosse cavernosa e um nariz de palhaço.
Fiquei tristíssima. A festa foi divertidíssima, os amigos foram obrigados a cantar velhas canções e como não podia deixar de ser, a nossa Esmeralda comandava o pelotão. Sorte teve o meu filho que estava fresco que nem uma alface e se divertiu por ele e por mim!
Agora vão-me mandando vídeos e fotos para mitigar a minha inveja. Mas para o ano, esperem por mim!

HSC

domingo, 19 de janeiro de 2020

2020?

Confesso que as eleições sucessivas a que este país tem sido submetido, devem rer provocado na minha cabeça uma fusão de neurónios tal, que quando pretendo perceber o que os distingue não atino uma.
Desisti, portanto, de entender o que está em causa e seguir com os meus interesses em frente no qual não estão, evidentemente, o que sairá ganhador desta corrida.
O ano de 2020 afigura-se-me tão complicado que talvez não valha a pena perceber quem ganha porque creio que a direita vai estar adormecida por muito bons anos, até que surja o príncipe que lhe tirará mação envenenada da boca.
Dediquemo-nos, pois, ao PC e ao BE que nos vão dar matéria mais que suficiente, para nos divertirmos um pouco com a EU e o ainda nosso Centeno!

HSC

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mas que falta de paciencia!


Já não tenho paciencia para os ingleses. Foram meses e meses a falar de Brexit, a dar o dito por não dito. Mas, vá lá, meio mundo podia vir a ter consequências sérias pela forma como o assunto fosse conduzido. E o país sempre era considerado o bastião da democracia.
Agora é a vez da Casa Real ou da Coroa como queiram chamar-lhe. Ligamos a televisão e lá saem os amores e desamores de Harry e da sua americana estrela Megan. Antes, já tínhamos vivido os amores proibidos da princesa Margarida com um homem divorciado, depois foram os do principe Carlos e de Diana e no passado já tinhamos tido a estoria do rei que abdicou para casar com um americana feita duquesa de Windsor.
Poupem-nos, por favor, a desenlaces insípidos como estes, em que não há uma ponta de aventura ou de emoção. São todos politicamente correctos dentro do que se considera incorrecto. Andou a desgraçada da rainha Isabel anos e anos a tentar ter uma Casa Real decente, para valorizar o papel das monarquias e dos Windsor - que, aliás, já não se haviam portado muito bem, no passado -, e saem-lhe estes exemplares que pisam sempre fora do caminho que lhes estava destinado.
Foi a mistura com a plebe, dizem os monárquicos. É o que acontece com as monarquias, dizem os republicanos. Mas, confessemos, estes últimos têm mais piada, mais "picante" nos seus casos amorosos. 
Mitterand tinha as duas mulheres no Eliseu e ninguém se importava. O Presidente  Hollande fugia de motorizada com o guarda costas para levar croissants quentinhos à sua estrela de cinema, depois de ter instalado no Eliseu a jornalista dos seus sonhos. Antes já Sarkozy tivera um divórcio agitado e um casamento com uma estrela da canção. E em Espanha os casos de Filipe, enquanto príncipe, fizeram correr rios de tinta. Não chega?
Arranjem-nos histórias a valer com damas arquejando e jovens de capa e espada a defende-las, mesmo que não se saiba de quê!

HSC

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Do "orgasmo" à contenção...

Neste fim de semana fui, com um amigo, almoçar a um restaurante onde vamos com frequência e que está sempre apinhado de gente, pese embora não ser barato. Come-se muito bem, é-se bem servido, tem-se uma carta diversificada e apesar de, hoje, não comer carne vermelha e na minha casa o núcleo duro alimentar ser o peixe e os legumes - também com alto nível porque, passe a imodéstia, sou boa cozinheira - o facto é que saio de lá sempre muito satisfeita,
Qual não foi o nosso espanto, ao vermos que às 14:00, a casa tinha apenas duas mesas ocupadas. E quando saímos, pelas 16:00, na sala ficaram quatro mesas. De seguida fomos ao cinema e a fila era reduzidíssima. À nossa frente estavam dois casais.
Como o cinema ficava num Centro Comercial, ainda tivemos possibilidade de ver umas montras. Passeava-se com facilidade e as casas comerciais estava vazias.
À noite, na televisão, ouvimos dizer que neste período festivo, na terrinha se tinham movimentado 8 mil milhões de euros. A fotografia estava feita.
Depois deste "orgasmo" despesista, as pessoas sabem que terão de o pagar, porque, ao invés do outro, o físico, o período que se lhe segue está longe de ser relaxante ou retemperante. E vem, então, a contenção e a inquietação de quem cometeu um "pecado". Mas do qual, só o próprio se pode absolver!

HSC