quarta-feira, 31 de março de 2021

A caixinha azul

Desde que me lembro de olhar para produtos de maquilhagem que a minha mãe e as minhas tias usavam, uma marca me ficou para sempre na memória, embrulhada numa caixinha azul que dizia simplesmente Nivea. Eu deliciava-me a ver as mulheres da família a espalhar, com todo o cuidado, o recheio da caixa pela cara e pescoço. A partir daí, julgo que terei repetido, durante anos, os mesmos gestos.

Chegada à idade adulta experimentei outras marcas com objetivos específicos, destinadas aos olhos ao pescoço, ao corpo. aos lábios, enfim, a um mundo infindável de promessas a quem os usasse. Não era tarefa fácil , mas experimentei as melhores e mais caras que havia no mercado. Fui envelhecendo com elas, mas sabendo que se não me achava mal como mulher, também sabia que isso só parcialmente se devia aos boiões que tinha em casa.

Até que, um dia, uma mão amiga me fez chegar a melhor gama da Nivea, na altura. E até falei disso aqui no blogue, porque a mudança que senti nos produtos que usei foi para mim magnífica. A pele não perdeu as rugas, mas as rugas ficaram nitidamente atenuadas. Os olhos perderam o ar cansado que muitas vezes me acompanhava e, sobretudo. eu via que valia mesmo a pena, dedicar aquele tempozinho a tratar de mim. E os amigos ajudaram, dizendo maliciosamente que eu fora ao bisturi. Não fui nem quero ir. Gosto dos produtos e aconselho-os por que os uso e já sei escolher aqueles que se destinam ao meu tipo de pele.

Porque fiz um poste sobre a Nívea? Porque assim como uma amiga me deu a conhecer os seus produtos, pode acontecer que, alguém que leia estas linhas, fique grato por isso. Convém esclarecer que não sou patrocinada, não recebo nada em troca, não tenho participação financeira na casa e não conheço ninguém da organização,

Antes de terminar vou contar-vos uma história. Em certo dia os jornalistas perguntaram a uma modelo famosa o que é que ela levaria para uma ilha solitária se apenas pudesse levar uma coisa. A resposta foi imediata. Levaria, disse, a caixinha azul da Nívea.,, Eu também responderia o mesmo!

HSC

sexta-feira, 19 de março de 2021

Um grande Pai

Julgo que um homem só percebe bem o seu próprio pai quando, por sua vez, passa por essa situação. Infeliz ou felizmente na época em que nasci, o Pai representava o dono de cada um de nós, aquele que garantia a manutenção da unidade familiar e, até em alguns casos, a pessoa que decidia o destino dos filhos.

O meu Pai foi um bocadinho de tudo isto, porque era o modelo da época e ele não via motivos para o alterar. Das duas carreiras da família - medicina e advocacia - o meu irmão mais velho escolheu a segunda e eu não tinha nada que escolher, porque finalizado o sétimo ano, devia preparar-me para casar. Até lá aprenderia línguas com uma "demoiselle" e piano com um professor. Este último teve a hombridade de esclarecer o meu progenitor que lhe parecia inútil continuar. Eu seria sempre alguém que gostava muito de música mas não sabia transmitir esse amor através de um instrumento.

Melhor foi o resultado tive com o francês, que por motivos vários, se tornou a língua da família. Devo assim ao meu pai o excelente domínio com que o falo. já não direi o mesmo do inglês oral porque o escrito domino-o razoavelmente. 

A tudo isto, meu querido Pai , acrescento a tua imensa preocupação com a minha formação literária e moral. Foste sempre a personificação daquilo em que acreditavas ser o melhor para mim. E eu nem sempre compreendi isso, porque entendia que o fito de todo esse meu primor educacional, se destinava a escolher parceiro à minha altura e constituir uma família tradicional.

Nisso falhaste. A minha família nunca foi tradicional, O marido escolhido pela brilhante inteligência, carecia de uma desastrosa educação dos afetos e ao fim de onze anos o problema resolvia-se com o divórcio. Mas não me queixei nunca. Deu-me dois filhos e ensinou-me a ver o mundo através dos seus olhos, ou seja de modo muito diferente do teu.

Os anos passaram, o marido partiu, os filhos deram-me algumas dores de cabeça e múltiplas alegrias e também partiram. E eu fiquei, finalmente, livre de viver a minha vida. Como eu quis. E continuo a faze-lo.

Mas não adivinhas as vezes que te reconheço, querido Pai, nos ensinamentos que me deixaste e que eu na altura me pareceram ser um pouco bizarros. E eram. Mas agora deixaram de o ser. porque são meus também. Obrigada, meu querido, por tudo aquilo em que acertaste. Mas, sobretudo, por aquilo em que não acertaste. Foste um grande Pai e um grande homem de quem muito me orgulho!

HSC

quarta-feira, 17 de março de 2021

A ordem artificial das coisas


Nestes últimos dias não se ouviu falar de outra coisa que não fosse o Tristão e Isolda do século XXI, personificados em Megan e Harry, dois príncipes fugidos da coroa britânica por razões raciais e de isolamento social. 

No principio as coisas começaram logo tortas, com o pai da noiva a vender fotos da família e a conceder entrevistas perturbadoras. Calado o progenitor, as coisas pareciam acalmar, o casamento foi um sucesso tendo sido o Príncipe Carlos e não a mãe da noiva. a leva-la ao altar. A progenitora vestiu-se como uma branca e se não fossem as múltiplas tranças do seu cabelo, dir-se-ia  tratar-se de uma europeia de tez escura. 

A trapalhada começa depois e parece que Kate, a cunhada rainha, terá tido que lhe dar umas lições sobre conduta real. A nossa americana que tinha tido uma vida de trabalho até chegar a atriz começou a sentir-se desapoiada e a chorar no ombro de Harry que tentou acalma-la. Porém, quando se apercebeu que a mulher estava com tendências suicidas resolveu "zarpar" para o Canadá, julgando que manteria fora todas as mordomias que tinha antes. Viu-se logo que não seria assim, quando se pôs o problema de quem pagaria a segurança do casal naquele país. Nessa altura, a Casa Real "tirou o cavalinho da chuva" e disse que não pagava nada porque eles tinham deixado de pertencer à dita Casa.

Perante isto. o casal percebeu que tinha de sustentar-se e fê-lo através de alguns contratos comerciais. Mas nem Hollywood os aproveitou, nem os americanos se interessam muito por príncipes. É quando surge, então, a hipótese de o casal dar uma entrevista de vida à conhecida Oprah, rainha das entrevistadoras de televisão. Claro que a coisa aparecia como sendo gratuita - quase me engasgo a escrever isto - e apenas com o desejo de bem clarificar o que tinha determinado a saída do Reino Unido.

Poupo-vos à descrição da entrevista porque o Pedro Boucherie Mendes fê-lo muito melhor do que eu faria. A produção, as luzes, o vestido, os silêncios adequados, a subtileza das respostas e das perguntas, pressupõe algo que foi muito bem preparado. O pobre Harry, muito pouco à vontade, lá confirma uma ou outra declaração da mulher e pouco mais. Pareceu-me ver nele uma certa tristeza disfarçada até à altura em que anunciaram que estavam à espera de uma menina, que seguramente para tranquilizar a Firma, como eles chamam à Corte inglesa, irá nascer branca de olhos azuis e cabelo louro.

A entrevista teve, é evidente, intenções bem mais vastas do que se pode supor. A monarquia inglesa com os escândalos que tem tido, encontra-se numa posição de fragilidade e só se aguentará pela estreita e estrita coesão dos seus membros. Esta entrevista dá uma "bolada" na Coroa que respondeu com um comunicado de duas linhas cheias de diplomacia.

O que se prevê como desfecho desta historia da realeza? Não sou, obviamente, a Maya que prevê o futuro. Mas tenho palpites, como toda a gente. Assim, palpita-me que a menina vai sair mais colorida que o irmão Archie, que casamento durará os habituais 5 ou 6 anos e depois desmorona-se num divórcio.

Para calar Megan ela irá receber uma choruda pensão e terá direito a uma casinha nas propriedades dos Windsor, à semelhança da outra cunhada que continua a viver com o ex marido, pese embora, viva de  programas televisivos e tenha amigos coloridos.

Claro que há outros fins possíveis, como foi o caso da duquesa de Windsor. Mas os tempos eram outros e a etnia hoje é tema com varias colorações. Por mim, desejo que sejam felizes e tenham muitos meninos, que encantem no futuro, a realeza!

HSC

segunda-feira, 8 de março de 2021

Nuno Fernandes Thomaz

Não me lembro como nos conhecemos. Ou melhor, sempre nos conhecemos. E sempre, mas sempre que estávamos juntos, nos riamos. Ambos tivemos duas vidas e ambos nos demos bastante na primeira, onde a Praia das Maçãs teve um papel essencial.

Desfeitas as nossas primeiras existências, a frequência com que nos víamos era menor. Mas mesmo assim, posso situar a Pastelaria Cristal, como um dos locais em que retomávamos as nossas conversas eivadas de um sentido do humor muito nosso.  

Teve uma carreira brilhante nos altos cargos por onde passou, mas isso nunca alterou a delicadeza que caracteriza a maneira como se dava aos outros. E, como em muitos casos acontece, sem que tivéssemos qualquer interferência nisso, um dos meus filhos havia de tornar-se um dos bons amigos de um seu filho.

O Nuno tinha ainda muito para fazer. O seu desaparecimento, para além da dor que provoca em todos os seus familiares e amigos, deixa um vazio grande nos projetos que esperava poder vir a realizar.

À família  um saudoso abraço e a garantia de que o Nuno estará presente nas minhas orações!

A 8 de Março

Eu sei que hoje é o dia do ano - dos 365 dias que ele tem - que se escolheu para "falar" da Mulher. De um lado aquelas que, são a maioria, e vivem em precárias condições de toda a natureza. Do outro, aquelas que por trabalho, sorte ou oportunidade conseguiram chegar ao nível dos homens. Estou e estarei sempre com as primeiras. Mas quando falamos no 8 de Março, são sempre as segundas, as escolhidas para falar delas e das outras que, por vezes mal conhecem, a  não ser pelos trabalhos que as mesmas lhes prestam.

Por isso todos os anos tenho dificuldade em dizer algo sobre o que ele representa. Para mim, enquanto este dia se celebrar, significa que muitas mulheres como eu, continuam a não ter acesso ao que eu e as minhas amigas temos e a que elas têm todo o direito. Por isso a única sugestão que faço é que as mulheres que conseguem libertar-se, escolham mulheres para as acompanhar no seu percurso!

HSC