Lembro-me do primeiro dia em que nos vimos, como se o tempo
tivesse parado só para nos dar espaço. Não houve nada de extraordinário à
primeira vista — o mundo continuava igual, as pessoas passavam, os sons eram os
mesmos — mas dentro de mim algo mudou de lugar.
Os teus olhos encontraram os meus por um instante que pareceu
maior do que ele realmente foi. E, naquele breve segundo, senti uma estranha
familiaridade, como se já te conhecesse de antes, de algum sonho esquecido ou
de uma memória que nunca vivi.
As palavras que trocámos foram simples, quase banais, mas
carregavam um peso diferente. Cada sorriso teu parecia ter intenção, cada gesto
parecia dizer mais do que mostrava. Eu tentava agir com naturalidade, mas por
dentro havia um turbilhão silencioso que não sabia explicar.
Foi um encontro comum para qualquer outra pessoa. Mas, para
mim, foi o começo de algo que ainda não tinha nome — uma história que começou
sem aviso, naquele exato momento, em que os nossos caminhos decidiram
cruzar-se.
E, desde então, nunca mais fui exatamente o mesmo.