quarta-feira, 8 de julho de 2020

Odiar quem odeia...

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, garantiu em entrevista ao Expresso que o Governo não vai lançar qualquer mecanismo de controlo ou bloqueio de discurso de ódio nas redes sociais, mas recorda que essa possibilidade está prevista por instâncias europeias. No entanto, será adjudicado um estudo capaz de apurar resultados mensais sobre o discurso de ódio na Internet .
Todos sabemos que a internet, pelo facto de não ser regulamentada, é um campo fértil para o tal discurso do ódio que a governante refere. Mas também sabemos que a democracia, entre muitos outros princípios, tem na liberdade de expressão um dos seus maiores pilares.
Portanto, tudo o que constitua uma proibição, ou uma limitação a essa liberdade, é um acto antidemocrático.
Pessoalmente mais do que o discurso do ódio, o que sinto que existe é a inveja, a má língua e, sobretudo, a calúnia. Podemos chamar a isto de ódio? Tenho dúvidas e mesmo alguma dificuldade em aceitar que, o que desse tal ódio lá possa existir, justifique qualquer medida governamental no sentido de censurar – porque é de uma censura que se trata – a opinião que os jornalistas ou os opinion makers possam expressar.
Parece-me então mais lógico que haja, à semelhança dos jornais, um a espécie de “estatuto” que regula os princípios a que devem obedecer os seus utilizadores. Deste modo quem lá escreve sabe  à partida o enquadramento e os riscos que corre.
Sem essa reserva estabelecida, as limitações ao “discurso” do ódio podem tornar-se, elas próprias, em ferramentas perigosas, e levar simplesmente pessoas de bom senso a transformarem-se em criaturas quem se tornam capazes de odiar quem odeia...

HSC

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Racismo

Passei toda a minha vida convivendo com brancos e negros. Uma tia materna casou com um negro fula cujas feições eram as de um belo romano com a tez era profundamente escura. Não havia nele, uma restea da sangue de branco.
É verdade que a noticia surpreendeu a maioria de nós. mas os meus avôs maternos entenderam que a sua obrigação era defender a felicidade da filha e o casamento realizou-se com a mesma pompa e circunstancia de todos os outros. Dessa união nasceram dois primos lindos. Uma rapariga de pele mate, olhos azuis e carapinha loira. Linda com o céu dos olhos do meu avô. Um rapaz bem escuro, mas uma verdadeira estátua de beleza nas feições. Cabelo claro e bem liso como o da minha tia.
Ao longo da minha vida foram sempre os meus primos preferidos e nunca pensei na cor deles ou na do Pai que era um tio adorável.
Ambos casaram. Ela com um "café com leite", como lhes chamávamos, que tiveram duas raparigas brancas onde se não suspeitaria qualquer dose de negritude. Ele casou com uma sueca de quem tem dois belos rapazes que todos vemos como brancos. Um deles casaria com uma angolana claríssima e tiveram agora um filho mulato, mas de olho verde.
Conto-vos toda esta história de casamentos mistos, que a mim sempre me parecem normalíssimos, porque há dias, num jantar em que o tema foi abordado, uma senhora dizia que não era de todo racista - e ao longo da vida havia-o de facto demostrado -mas...há sempre um mas nestas historias familiares, não se sentia capaz de um envolvimento sexual com alguém de outra raça. Não era capaz e perguntava aos restantes que a conheciam bem, se era por isto, por esta incapacidade, que tinha de ser considerada racista. Que pensa o leitor?

HSC

quarta-feira, 24 de junho de 2020

SAMBA DA UTOPIA


Uma música suave para aliviar os nossos dias de quarentena. Quase já não consigo recordar os rostos mais amados, mas a utopia ajuda a não desesperar e a ter esperança de que um dia virá, em que vamos para a rua gritar a palavra poesia!

HSC

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Uma bela data


Passaram ontem 97 anos sobre a a aventura que constituiu a primeira ligação aérea entre Portugal e o Brasil. Dois homens - Gago Coutinho e Sacadura Cabral - seriam os heróis de tal façanha.
Num tempo em que os heróis de outrora são apeados, mutilados e vandalizados, já ninguém se lembra de os celebrar. É pena, porque são essas figuras que fazem o nome de um país no exterior.
Hoje, já nenhuma criança sabe quem foi este dueto. Nem sequer conhecem o que foi a travessia do Atlântico Sul. Lamentável, porque se trata de uma bela história de amor pela pátria e pelo caminho de vida que escolheram.

Nota: Depois de ver o vandalismo que assolou a estatuária mundial, mais dia menos dia, não tenho qualquer dúvida, que de heróis esquecidos passarão a colonizadores e daqui à remoção das estátuas será um passinho...

Mas não quero deixar de relembrar com muito orgulho o discurso do meu tio na Assembleia, ao afirmar alto e bom som, que o sonho alcançado não pertencia a nenhum governo, mas sim a Portugal e aos portugueses!

HSC

domingo, 14 de junho de 2020

Principios fundamentais

Nunca me importei de pedir desculpa se erro, como também sou tenaz se tenho a certeza de que estou certa.
Uma das atitudes que mais me revolta é ver a facilidade com que se julgam factos de há duzentos ou trezentos séculos, não com o o olhar do tempo, mas com o olhar de hoje. É´como se eu tentasse julgar a educação que os meus Pais me deram, pelos critérios que hoje existem...
E por mais que estes120 dias de reclusão em casa me tivessem custado, deram-me algo que não tem preço. Não quero, nunca mais, julgar a História fora do contexto em que ela foi vivida. Não quero pertencer ao grupo de pessoas que, atacadas por algo demoníaco, se sentem no direito de de destruir estátuas de gente à qual a ciência, a cultura e a política devem muito, só porque centena de anos depois, "descobriram" que elas tinham defeitos inqualificáveis para os dias de hoje.
Chega-se ao ridículo de retirar da lista de filmes da distribuidora HBO, uma das obras clássicas do cinema, como foi E TUDO O VENTO LEVOU, por razões lamentáveis. Não sou cliente. Se fosse, amanhã, no mínimo, cancelaria a minha adesão.
O ser humano dominado pela ideologia é capaz das maiores barbaridades. E se, de algum modo, a sociedade civil se não envergonhar e punir tal comportamento é porque, de facto, já não temos solução...


HSC

sábado, 6 de junho de 2020

A Esperança

Tenho diversos tipos de amigos, Dentre estes, uns são velhos amigos e outros são recentes. Como gosto de conviver, a primeira tentação numa sala cheia de gente é aproximar-me de alguém cujo olhar me diga alguma coisa.
Dado que tenho muitos amigos brasileiros, cada vez que nos reunimos vou conhecendo mais gente interessante. Aconteceu com uma delas essa empatia, esse adivinhar que lá dentro dentro dquela alma havia coisas boas para aprender.
Quando me preparava par os convidar para um jantar em minha casa - o marido é uma pessoa encantadora - juntamente com outros comuns conhecidos, o casal viajou para ver filhos e netos e quando voltou foi o inicio da pandemia.
Pois acreditem que desde essa data nos damos o bom dia e o boa noite diariamente, por vezes acompanhados de comentários que demonstram que já temos alguma confiança.
Esta manhã recebi dela a seguinte mensagem que partilho convosco:

"É preciso falar de Esperança todos os dias só para que ninguém esqueça que ela existe"

Já viram quanta verdade está contida nesta frase tão simples? E já tomaram consciência que se não falarmos dela diariamente ela se irá esboroando?!
Obrigada Selma, por me lembrares, sempre, que para tudo há uma saída. Basta ter esperança e paciência de esperar!

HSC

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desconfinei...


Depois de 4 meses passados entre os corredores da casa e duas idas ao Hospital, no ultimo sábado dei o grito do Ipiranga e resolvi fazer o que mais gostava, isto é "flanner". Não como em Paris que o fazia diariamente, mas adaptando-o ao sol intenso e ao mau estado geral das ruas onde moro dividida entre "queques" e gente pobre. Ou seja uma razoável mistura daquilo que, ainda hoje, é a população nacional.
Estes 120 dias de vaguear entre a sala, o escritório e o quarto. se foram completamente insólitos, permitiram que eu me pensasse, me analisasse, tomasse decisões e encarasse com alguma bonomia o que Ele, lá em cima, determinar que devo andar cá em baixo. Foi, sei-o hoje, uma dádiva cruel, mas de grande útilidade.
Neste preciso momento, não sei quem são as pessoas que voltarei a beijar ou abraçar. Nem sequer filho ou neto, que pouparei enquanto puder. Mas descobri, na realidade, que na vida nada mais importa que o afecto. E hei-de contar-vos como uma pessoa otimista como julgoo ser, viveu cada um destes dias em que fiz imensas descobertas sobre mim própria  e sobre ou outros!

HSC