sábado, 7 de março de 2026

HUMOR E HUMILDADE

Eu sei que os humoristas me vão matar e considerar alguém que não entende o seu trabalho. Não é verdade. A família já foi -é – alvo de diversos tipos de “humores” …

O humor e a humildade são duas características essenciais que influenciam significativamente a maneira como nos relacionamos com os outros e como percebemos o mundo ao nosso redor. Embora possam parecer opostos à primeira vista, quando combinados de maneira adequada, podem resultar numa abordagem equilibrada e saudável da vida.

O humor, quando utilizado com inteligência e sensibilidade, pode ser uma ferramenta poderosa para promover conexões interpessoais, aliviar tensões e enfrentar desafios com leveza. A capacidade de rir de si mesmo e encontrar o lado engraçado das situações, pode ajudar a reduzir o stresse e a ansiedade, além de promover um ambiente mais descontraído e inclusivo nas interações sociais.

No entanto, é importante exercer o humor com humildade e respeito pelos sentimentos dos outros. O que pode parecer engraçado para uma pessoa pode ser ofensivo para outra, e é fundamental estar ciente das diferenças individuais e dos limites de cada um. Além disso, é importante reconhecer que o humor não deve ser usado como uma forma de ridicularizar ou menosprezar os outros, mas sim como uma forma de criar conexões genuínas e até promover um sentido de camaradagem.

Por outro lado, a humildade é uma qualidade que nos permite reconhecer as nossas próprias limitações, aprender com os erros e aceitar as contribuições dos outros. Ao cultivar a humildade, somos capazes de nos relacionar de maneira mais autêntica e empática com os que nos rodeiam, demonstrando abertura para diferentes perspetivas e experiências.

A combinação de humor e humildade convida a abordar a vida com uma atitude de leveza e aceitação, reconhecendo a importância de não nos levarmos a nós mesmos tão a sério e estarmos abertos ao aprendizado contínuo. Ao integrar essas duas qualidades e nossa maneira de ser e interagir com o mundo, podemos criar relações mais significativas e construir um ambiente mais positivo e inclusivo para todos.

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

O MUNDO ESTÁ LOUCO!

Quando soube a notícia dei uma gargalhada e disse que não me surpreendia que tal acontecesse e os restantes países aceitassem. De que se tratava, afinal?

Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, presidiu há dias a uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. A intervenção de Melania centrou-se em ligar educação, tecnologia e paz, incentivando governos e organizações a garantir que todas as crianças, mesmo em situações de conflito, tenham acesso à aprendizagem e ao conhecimento.

Foi a primeira vez na história, que uma primeira-dama presidiu a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde, além de defender a “paz através da educação”, fez um discurso pedindo que os membros do Conselho se comprometessem com a proteção da aprendizagem e do futuro das crianças em situações de guerra.

O que se pretendeu com isto? É uma evidência que tal situação não devia ter acontecido. Mas aconteceu. E se aconteceu, é porque ninguém se levantou para contrariar o evento, nem ninguém abandonou a sala, deixando a senhora a falar sozinha!

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

O QUE ME PARECE


Agora que já assentou a poeira e o tempo necessário para uma análise correta de um incidente que deu que falar, olhemos para ele com serenidade.

Um texto justo deve reconhecer que, em política, há sempre duas dimensões: a institucional e a partidária.

No caso da autarca de Coimbra perante a visita de um ministro à cidade, o comportamento deve ser analisado à luz do cargo que ocupa. Enquanto presidente da câmara, representa todos os munícipes, independentemente de divergências partidárias. Isso implica manter uma postura institucional, de respeito e cooperação, sobretudo quando estão em causa assuntos relevantes para o concelho.

Se houve críticas públicas, confrontação ou distanciamento, é legítimo que uma autarca defenda os interesses da cidade e pressione o Governo quando considera que Coimbra está a ser prejudicada. Essa firmeza pode até ser vista como sinal de defesa ativa do território. Contudo, a forma como essa posição é expressa faz diferença: o tom, o contexto e a abertura ao diálogo são determinantes para que a ação seja percebida como defesa institucional e não como mera disputa política.

Por outro lado, também é importante considerar que visitas ministeriais são oportunidades para reforçar compromissos, esclarecer impasses e promover soluções. Um ambiente excessivamente crispado pode comprometer esses objetivos.

Assim, a conclusão equilibrada parece-me esta: é legítimo que uma autarca confronte um ministro em defesa do seu concelho, mas espera-se que o faça com sentido institucional, respeito e foco nas soluções, evitando transformar um momento institucional numa “chicana” política.

terça-feira, 3 de março de 2026

Viver feliz, apesar da guerra

Viver feliz em tempos de guerra — mesmo quando ela acontece longe — não é ignorar a dor do mundo. É escolher, conscientemente, não deixar que o medo ocupe todos os espaços da vida.

A guerra chega-nos pelas notícias, pelas imagens repetidas, pelos números que parecem impossíveis. Conflitos como o da Ucrânia lembram-nos que a estabilidade é frágil. Há sofrimento real, perdas irreparáveis, vidas suspensas. E, ainda assim, aqui, longe das bombas, o sol continua a nascer. As crianças continuam a rir. O café da manhã continua a ter o mesmo cheiro.

Ser feliz apesar da guerra é um ato quase silencioso de resistência. É permitir-se celebrar aniversários, fazer planos, amar, aprender algo novo. Não por indiferença, mas porque a vida não pode ser totalmente sequestrada pelo horror.

Existe uma culpa subtil que às vezes acompanha essa felicidade — como se sorrir fosse desrespeitar quem sofre. Mas a felicidade não é traição; é preservação. Cuidar da própria saúde mental, manter vínculos, cultivar esperança são formas de não deixar que a violência se expanda para além das fronteiras físicas.

Também há outra dimensão: a felicidade pode tornar-se compromisso. Informar-se sem se afogar, ajudar quando possível, praticar empatia sem perder o equilíbrio. Viver bem, pode ser uma forma de honrar a paz que ainda se tem.

A guerra ensina, de maneira dura, que nada é garantido. Talvez por isso a felicidade, nesses tempos, deixe de ser superficial. Torna-se mais consciente, mais grata, mais atenta aos pequenos detalhes: uma conversa tranquila, um abraço demorado, uma noite silenciosa.

Viver feliz apesar da guerra é aceitar que o mundo contém luz e sombra ao mesmo tempo — e escolher, todos os dias, alimentar a luz sem fechar os olhos à realidade.

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O PERDÃO VALE MAIS QUE O ESQUECIMENTO?

Muitas pessoas acreditam que, para seguir em frente, é preciso esquecer o que nos magoou. No entanto, esquecer nem sempre é possível — e talvez nem seja o mais importante. O perdão, ao contrário do esquecimento, é uma escolha consciente. Ele não apaga o passado, mas transforma a forma como lidamos com ele.

Esquecer pode ser apenas uma consequência do tempo. As lembranças enfraquecem, os detalhes se apagam, e a dor perde intensidade. Porém, o sentimento pode continuar guardado, mesmo que silencioso. Já o perdão exige reflexão, maturidade e, muitas vezes, coragem. Perdoar é decidir não alimentar o ressentimento, mesmo lembrando claramente o que aconteceu.

Perdoar não significa concordar com o erro, justificar atitudes ou permitir que a situação se repita. Significa libertar-se do peso da mágoa. Quando alguém escolhe perdoar, deixa de ser prisioneiro da própria dor. O esquecimento pode aliviar, mas o perdão cura.

Além disso, o perdão fortalece relações e promove crescimento pessoal. Ele desenvolve empatia, compreensão e humildade. Em muitos casos, é o que permite reconstruir laços e restaurar a confiança. Mesmo quando não há reconciliação, o perdão interior traz paz.

Portanto, o perdão vale mais que o esquecimento, porque é um ato ativo de libertação. Esquecer pode depender do tempo; perdoar depende de decisão. E é essa decisão que transforma feridas em aprendizagem e sofrimento em amadurecimento.

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O ENCANTO DO LUAR

O luar sempre exerceu um fascínio profundo sobre a humanidade. Desde os tempos mais antigos, quando não havia luz elétrica e a noite era iluminada apenas pelas estrelas e pela Lua, o brilho prateado que se espalhava pela paisagem, despertava sentimentos de mistério, contemplação e poesia. O encanto do luar está na sua delicadeza: não ofusca como o sol, mas envolve tudo com uma luz suave, quase mágica.

Ao cair da noite, quando a Lua surge no céu, transforma cenários comuns em verdadeiros quadros vivos. As sombras tornam-se mais longas e suaves, os contornos das árvores parecem dançar com o vento, e o silêncio ganha uma presença especial. Sob o luar, o mundo parece desacelerar. Há uma sensação de calma que convida à reflexão, ao sonho e à imaginação.

A Lua também carrega simbolismos profundos. Está associada aos ciclos da vida, às marés, ao tempo e às emoções. Em muitas culturas, representa o feminino, a intuição e o mistério. Poetas e escritores encontraram no luar inspiração para versos românticos e histórias encantadas, enquanto enamorados o escolheram como cenário perfeito para promessas e declarações.

O encanto do luar não está apenas na sua beleza visual, mas na atmosfera que cria. Ele desperta memórias, traz à tona sentimentos escondidos e oferece um momento de pausa a meio da correria do dia a dia. Contemplar a Lua é, de certa forma, conectar-se com algo maior, eterno e silencioso.

Assim, o luar continua a encantar gerações, lembrando-nos de que há beleza na simplicidade e magia nos pequenos instantes. Basta erguer os olhos ao céu e permitir-se sentir o brilho suave que ilumina não apenas a noite, mas também o coração.

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A ÁRVORE DA VIDA

No meu escritório, está pendurado um azulejo com árvore da vida, que me foi dado pelo meu filho Miguel. Muitas vezes, é olhando para ele, que escrevo as minhas crónicas. Mais tarde havia de comprar uma que trago sempre comigo ao pescoço. Por isso para mim, esta Árvore da Vida, sempre foi mais do que um símbolo bonito — ela é quase um espelho da nossa própria história.

Quando penso nela, imagino raízes profundas, escondidas sob a terra. São as nossas origens, as pessoas que vieram antes de nós, as experiências que moldaram quem somos. Nem sempre vemos essas raízes, mas são elas que nos sustentam quando o vento sopra forte.

O tronco lembra o presente, o agora. É onde a vida realmente acontece. É aqui que enfrentamos desafios, crescemos, criamos marcas e seguimos em frente, mesmo quando não sabemos exatamente para onde os galhos se vão estender.

E os galhos… ah, os galhos são os sonhos. São os caminhos que escolhemos, as oportunidades que surgem, as mudanças inesperadas. Alguns crescem fortes, outros precisam ser podados, mas todos fazem parte do processo de crescimento.

A Árvore da Vida fala sobre ciclos. Sobre perder folhas e, ainda assim, continuar viva. Sobre aceitar que há estações de flores e estações de silêncio. Ela ensina que crescer nem sempre é visível, mas é constante.

No fundo, ela é um sinal delicado de que estamos todos conectados — à nossa história, às pessoas que amamos e ao mundo ao nosso redor. E que, mesmo nos dias mais difíceis, ainda estamos enraizados em algo maior.