terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O que falta roubar?

Como se sabe há ocasiões em que a desgraça quase dá vontade de rir. Acontece com todos nós. Uma pessoa cai na rua e fica numa posição fora do comum e aqueles que assistem ajudam, mas muitas vezes a rir com o caricato da situação. 
Ora parece que é o que está a acontecer ao país. Roubam-se armas em Tancos, pistolas Glock na policia e agora até equipamento médico num hospital. Mas o que é que se passa na terrinha, em matéria de segurança? Como é que se consegue levar de um hospital equipamento destinado a exames de estômago e intestinos - quem já os fez sabe como são -, sem a cumplicidade de alguém que pertença à instituição alvo do furto? Confesso que tenho alguma dificuldade em imaginar a saída de material deste tipo, sem que ninguém desse por isso, já que não são propriamente caixas de cartão.
Julgo que estas situações se estão a repetir vezes demais e que se impõe que as autoridades competentes ajam com a "urgente competência" que tais casos impõem. A menos que queiramos interrogarmo-nos sobre o que falta roubar. Nem me atrevo a falar nisso, não vá ser acusada de dar sugestões...

HSC

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Bohemian Rhapsody


Tem estado um Janeiro pleno de dias solarengos e temperaturas baixíssimas. Esta conjugação provoca em mim uma certa letargia. Nuns momentos apetece-me gozar o sol, noutros anichar-me no meu canto e ler a ouvir música. 
A semana que passou foi complicada porque perdi uma amiga que morreu e podia estar viva, se não se isolasse tanto, e foi submetido a uma intervenção cirúrgica um amigo por quem tenho muito apreço. Assim, o fim de semana anunciava-se cinzento e eu cortei o mal pela raiz, escolhendo um restaurante dos muitos que pululam no ultimo andar do Corte Inglês, que me serviu uma péssima refeição. Mas o erro foi meu que o escolhi contra a opinião de alguém que me sugeria que fossemos a outro.
No entanto, depois fui compensada com Bohemian Rhapsody o belíssimo filme que vi sobre a vida de Freddie Mercury, um cantor, pianista e compositor de quem sempre fui fã e de quem tenho quase todos os discos. 
É a história de uma vida especial e que fala de afectos também especiais. É, por isso, muito mais do que um documentário. É o encontro e o desencontro que atinge muitos de nós. Mas, neste caso, com a agravante de se tratar de um artista. Que praticamente só se aceita como é, quando o tempo de vida já lhe é muito escasso.
Não é uma película para toda a gente. É para ser vista por pessoas que gostem de rock e não tenham preconceitos de nenhuma natureza. Para esses, são duas horas que fazem pensar em como todos somos diversos e como essa diversidade pode ser uma das nossas maiores riquezas.
Para mim foi importante tê-lo visto, porque apesar de saber alguma coisa sobre a história pessoal do artista, verifiquei que afinal sabia muito pouco.
Por fim, uma palavra para o actor, Rami Malek - para mim desconhecido -, que encarna o protagonista. A sua interpretação é tão boa que dificilmente se encontraria quem fizesse melhor. O seu trabalho tem sido muito elogiado. 
O filme recebeu o prémio para o melhor filme de 2018 nos Globos de Ouro e tem sete nomeações para os Bafta 2019. A critica especializada tem sido bastante dura. Todavia, a opinião do espectador é bem diferente, como se vê por estas linhas. A não perder, antes que se vá embora, porque já está há bastante tempo em cartaz.

HSC

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Dias felizes


                        

Foi no Petit Vingtième - jornal católico belga - que Tintin se estreou, a 10 de Janeiro de 1929. Uma certa esquerda nunca lhe perdoou a sua viagem pelos sovietes e o seu anti-comunismo. Como se isso fosse defeito...
Teria hoje 90 anos, uma bela idade. Curiosamente, parece que o tempo não passa por ele. Continua com o mesmo aspecto enérgico e defensor dos pobres e desprotegidos. Mas tão actual que, quer eu, quer o meu filho e os meus netos continuamos a lê-lo com idêntico prazer, o que pode considerar- se um verdadeiro um espanto, de tão contemporâneo que é. A jovialidade que o caracteriza constitui, também, uma arte de associação que infelizmente se perdeu.
Estes livros acompanharam-me a vida inteira. E muitas vezes, posso garantir-vos, terão transformado dias pesados, nalgumas horas bem felizes!

HSC

sábado, 5 de janeiro de 2019

Altíssima Definição


Acabei de ouvir o programa Alta Definição, do Daniel Oliveira, cuja entrevistada foi Cristina Ferreira. Como declaração prévia, devo esclarecer que admiro ambos. Já aqui, uma vez, o disse. Mas isso não me impede de criticar o que entenda ser menos bom. Não foi, felizmente, até agora, o caso.
Daniel tem um raríssimo condão para "tirar" das pessoas, quase em silêncio, o que elas têm de melhor. Com efeito, ele questiona um mínimo, para dar largas e brilho ao seu entrevistado. Sei do que falo, porque já fui ao seu programa e considero que essa foi uma das cinco melhores entrevistas que me fizeram. Alem dele, Pedro Rolo Duarte, Manuel Luis Goucha, Cristina Ferreira e Fátima Lopes são as restantes a que me refiro. A todos devo um muito obrigada pelo profissionalismo e pelo afecto demonstrados.
Daniel é, para mim, um caso muito especial, porque quando a entrevista ia para o ar, o Miguel acabara de falecer e ele teve a extrema delicadeza de me perguntar se eu queria ou não que ela fosse emitida. Quis, mas jamais esquecerei esse gesto. O que nele pressenti, indiciava que a sua vida pessoal iria ser o suporte essencial do sucesso da sua vida profissional. Julgo não me ter enganado. Ele irá fazer da SIC uma nova estação televisiva.
Cristina Ferreira que, na segunda feira, iniciará o seu novo programa, mostrou-nos hoje no Alta Definição quem é aquela mulher que eu conheci no Porto há já alguns anos . Ela não se lembrará certamente desse encontro. Mas eu registei-o e nas breves palavras que trocámos, tive a noção de que estava ali alguém com potencial para ser melhor aproveitado.
Ao longo dos anos que foram passando tivemos vários contactos na promoção dos meus livros e nessa altura ela já tinha uma posição na televisão. Já era admirada e também criticada. Pertenço ao grupo de quem sempre admirou a dupla Manel/Cristina, um caso pouco comum na tv portuguesa. 
Mas também confesso ter, a partir de certa altura, pressentido que ela não poderia durar eternamente, já que o meu amigo Manuel, em televisão fizera tudo o que queria e a juventude de Cristina  teria ainda, certamente, sonhos por realizar. É que a vida, neste aspecto e nesta área, é mais cruel para as mulheres do que para os homens. E ai daquelas que o não percebam!
Com efeito, face à tendência crescente de, no entretenimento se recorrer, cada vez mais, às jovens no ecrã, os próximos 10 anos seriam decisivos para Cristina.E ela percebeu-o.
Não sei nada do que se passou na transferência entre canais. Nem quero saber. Sou amiga e admiradora dos três e quero manter-me como tal.
Voltando à entrevista - como sempre muito boa -, Cristina explicou bem quem é e quem pretende continuar, genuinamente, a ser. Não teve tabus em falar do que devia falar, não fez teatro para explicar a sua mudança, como muitos detractores estariam à espera que fizesse e mostrou bem a sua força, sem esconder as suas fragilidades.
Gostei muito de a ver e de a ouvir. Se vou gostar do programa ou não, só daqui a uns dias poderei saber. Para já, como admiradora dela e do Daniel, só lhes posso desejar muito sucesso.
E ao meu querido Manuel Luis desejar que se bata pelo seu programa, como sempre faz com tudo o que é importante na sua vida.

HSC

Os Stylos Rouges



Os professores em França, inspirados nos chamados Gilets Jaunes resolveram criar no Facebook um movimento denominado Stylos Rouges que já conta com 46000 adesões e cujo objectivo é, entre outros, a melhoria salarial da profissão.
Contrariamente aos sindicatos que não estão presentes em todos os estabelecimentos escolares, as redes sociais permitem discutir em directo, com a vantagem de agrupar privado e publico, escolas e colégios, mas também os principais conselheiros de educação.
Não descartando a ação salarial, este movimento pretende criar um caminho paralelo que impulsione os objectivos pretendidos dado que nem toda a classe se encontra sindicalizada.

Movimentos desta natureza retiram, como é evidente, força aos sindicatos. E, acredito, terão nascido pelas medidas, muitas vezes demasiado agressivas, que estes últimos preconizam.
Se este tipo de actuação política, que parece acentuar-se, pega, os sindicatos podem ter que ser forçados a rever muitos dos seus métodos e políticas. Não há dúvida que as redes sociais vieram, sob muitos aspectos, mudar radicalmente a nossa forma de viver...e o equilíbrio de forças vigentes!

HSC

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A nossa origem



O ano de 2019 começou da melhor forma para equipa de cientistas que está a seguir a sonda New Horizons. Depois de ter revelado de perto o rosto de Plutão e da lua Charon, a sonda norte americana seguiu caminho para fora do sistema solar e dá agora a conhecer, no primeiro dia do ano, um dos asteróides mais antigos e um dos mais distantes alguma vez visitado por um objeto terrestre.
Nunca antes uma equipa de sondas espaciais analisou um corpo tão pequeno, a tão alta velocidade e tão longe no abismo do espaço.
As imagens inéditas e únicas foram tiradas a uma distância aproximada de 27 mil quilómetros e revelam um asteróide constituido por duas esferas rochosas unidas.
De ponta a ponta, o Ultima Thule, mede 33 quilómetros de comprimento. A equipa que está a trabalhar os dados enviados pela sonda batizou as duas esferas do astro. Ultima para a esfera maior (19 quilómetros de diâmetro) e Thule para esfera menor (14 quilómetros de diâmetro). 
Os mais curiosos irão certamente questionar como se terá formado este "oito" espacial em forma de boneco de neve. A equipa de cientistas explica que as duas esferas, provavelmente, ter-se-ão unido já numa fase final da formação do sistema solar, colidindo as duas massas de forma pouco violenta e acabando por ficar unidas. 
Esta visita constitui para a história da exploração espacial uma oportunidade única. O asteróide Ultima Thule, é diferente de tudo o que já se viu, abrindo "novos horizontes" sobre os processos que construíram os planetas há quatro mil milhões e meio de anos.
Mas os primeiros dados e fotos, agora recebidos na Terra, serão apenas o início da grande aventura a alta velocidade, que a New Horizons preconizou. No futuro mais imagens de maior resolução e novos dados irão continuar a chegar e a ser analisados. Esperemos os resultados da sua análise.

Para quem, como eu, vem de um mundo de silêncio, uma notícia desta natureza, não pode deixar de ser empolgante. É que ela irá prosseguir algo – a nossa origem -, que o homem procura há muitos séculos. E irá permitir, muito possivelmente, definir e enquadrar o nosso futuro, até agora feito de conceitos e preconceitos.

HSC