domingo, 19 de janeiro de 2020

2020?

Confesso que as eleições sucessivas a que este país tem sido submetido, devem rer provocado na minha cabeça uma fusão de neurónios tal, que quando pretendo perceber o que os distingue não atino uma.
Desisti, portanto, de entender o que está em causa e seguir com os meus interesses em frente no qual não estão, evidentemente, o que sairá ganhador desta corrida.
O ano de 2020 afigura-se-me tão complicado que talvez não valha a pena perceber quem ganha porque creio que a direita vai estar adormecida por muito bons anos, até que surja o príncipe que lhe tirará mação envenenada da boca.
Dediquemo-nos, pois, ao PC e ao BE que nos vão dar matéria mais que suficiente, para nos divertirmos um pouco com a EU e o ainda nosso Centeno!

HSC

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mas que falta de paciencia!


Já não tenho paciencia para os ingleses. Foram meses e meses a falar de Brexit, a dar o dito por não dito. Mas, vá lá, meio mundo podia vir a ter consequências sérias pela forma como o assunto fosse conduzido. E o país sempre era considerado o bastião da democracia.
Agora é a vez da Casa Real ou da Coroa como queiram chamar-lhe. Ligamos a televisão e lá saem os amores e desamores de Harry e da sua americana estrela Megan. Antes, já tínhamos vivido os amores proibidos da princesa Margarida com um homem divorciado, depois foram os do principe Carlos e de Diana e no passado já tinhamos tido a estoria do rei que abdicou para casar com um americana feita duquesa de Windsor.
Poupem-nos, por favor, a desenlaces insípidos como estes, em que não há uma ponta de aventura ou de emoção. São todos politicamente correctos dentro do que se considera incorrecto. Andou a desgraçada da rainha Isabel anos e anos a tentar ter uma Casa Real decente, para valorizar o papel das monarquias e dos Windsor - que, aliás, já não se haviam portado muito bem, no passado -, e saem-lhe estes exemplares que pisam sempre fora do caminho que lhes estava destinado.
Foi a mistura com a plebe, dizem os monárquicos. É o que acontece com as monarquias, dizem os republicanos. Mas, confessemos, estes últimos têm mais piada, mais "picante" nos seus casos amorosos. 
Mitterand tinha as duas mulheres no Eliseu e ninguém se importava. O Presidente  Hollande fugia de motorizada com o guarda costas para levar croissants quentinhos à sua estrela de cinema, depois de ter instalado no Eliseu a jornalista dos seus sonhos. Antes já Sarkozy tivera um divórcio agitado e um casamento com uma estrela da canção. E em Espanha os casos de Filipe, enquanto príncipe, fizeram correr rios de tinta. Não chega?
Arranjem-nos histórias a valer com damas arquejando e jovens de capa e espada a defende-las, mesmo que não se saiba de quê!

HSC

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Do "orgasmo" à contenção...

Neste fim de semana fui, com um amigo, almoçar a um restaurante onde vamos com frequência e que está sempre apinhado de gente, pese embora não ser barato. Come-se muito bem, é-se bem servido, tem-se uma carta diversificada e apesar de, hoje, não comer carne vermelha e na minha casa o núcleo duro alimentar ser o peixe e os legumes - também com alto nível porque, passe a imodéstia, sou boa cozinheira - o facto é que saio de lá sempre muito satisfeita,
Qual não foi o nosso espanto, ao vermos que às 14:00, a casa tinha apenas duas mesas ocupadas. E quando saímos, pelas 16:00, na sala ficaram quatro mesas. De seguida fomos ao cinema e a fila era reduzidíssima. À nossa frente estavam dois casais.
Como o cinema ficava num Centro Comercial, ainda tivemos possibilidade de ver umas montras. Passeava-se com facilidade e as casas comerciais estava vazias.
À noite, na televisão, ouvimos dizer que neste período festivo, na terrinha se tinham movimentado 8 mil milhões de euros. A fotografia estava feita.
Depois deste "orgasmo" despesista, as pessoas sabem que terão de o pagar, porque, ao invés do outro, o físico, o período que se lhe segue está longe de ser relaxante ou retemperante. E vem, então, a contenção e a inquietação de quem cometeu um "pecado". Mas do qual, só o próprio se pode absolver!

HSC

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O superavit

Falta Ben Uron, faltam médicos, fecham urgências e nós somos informados, tranquilamente, pelos orgãos de comunicação que a alternativa pode ser ir a um hospital que fica a 100 quilómetros.
Mas estamos todos contentes porque Mario Centeno, com as suas cativações, nos vai deixar muito possivelmente um superavit orçamental histórico... para aplicar, quem sabe, no buraco de 60 milhões, agora descoberto dos títulos à guarda do Novo Banco. Mas ainda continuamos na Europa!

HSC

domingo, 29 de dezembro de 2019

Para pensar!

Hay quienes no pueden imaginar un mundo sin pájaros, hay quienes no pueden imaginar un mundo sin agua; en lo que a mí se refiere, soy incapaz de imaginar un mundo sin libros. A lo largo de la historia el hombre ha soñado y forjado un sinfín de instrumentos. Ha creado la llave, una barrita de metal que permite que alguien penetre en un vasto palacio. Ha creado la espada y el arado, prolongaciones del brazo del hombre que los usa. Ha creado el libro, que es una extensión secular de su imaginación y, de su memoria.

                                             Jorge Luis Borges, 1985

Cuando Jorge Luis Borges escribió estas palabras las redes sociales no existían y los libros seguían siendo la base del conocimiento y también una de las principales fuentes de la información. Lamentablemente para mucha gente esto hoy ya no es así. Pero depende de nosotros, en tanto creyentes de las virtudes de la lectura y de la necesidad de contrastar nuestros saberes, que los libros sigan siendo una extensión secular de nuestra imaginación y de nuestra memoria, que sigan siendo sinónimos de saber y de conocimiento. Por eso nuestra libertad consiste, en buena medida, en la posibilidad de elegir lo que leemos.
Para que en este 2020 a punto de empezar seamos capaces de ejercer en plenitud nuestras libertades, te deseo un MUY FELIZ AÑO NUEVO.

                                            Carlos Malamud

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Gosto: As esculturas de Joana Durão


Há peças que, numa casa podem fazer toda a diferença. Um pintura, um espelho, uma talha, uma escultura. Durante algum tempo não fiz algumas viagens, para poder comprar peças que me encantavam. Umas de autores já com nome, outras de autores que eu intuía viriam a ser conhecidos. E, como a primeira metade da minha vida foi passada entre artistas do mais diferente universo, acabei aprendendo muito com eles.
Vem este intróito a proposito de Joana Durão, uma artista plástica que muito aprecio, mas que pouca publicidade faz de si. Tornou-se conhecida de um certo publico erudito que, de algum modo, a tem vindo dando a conhecer. A sua entrada na escultura não foi, contudo, imediata, dado que a sua vida começou por outras poisos.
Nascida num meio familiar ligado às artes, quer pelo lado materno - o seu avô era o Dr Guilherme Possolo, reconhecido perito de arte - e o pai um apreciado arquitecto com vasta obra pelo país e que desenhava e pintava muito bem,
Conviveu desde sempre neste meio mas foi pelo fado que a sua vida começou, tendo chegado, curiosamente, até gravado dois discos para a Philips.
Já depois de casada, trabalhou em vários tipos de artes, até que, com mais de cinquenta anos, resolveu lançar-se na primeira experiência de escultura, fazendo a cara de um neto seu, cuja aprovação foi geral.
E foi assim que começou. Gostou tanto, que procurou a escultora, Goretti Ortega, com quem teve aulas durante dois anos, até à primeira exposição que foi um sucesso e que a levaria a Florença para fazer um estágio com o escultor António di Tommaso. 
Outras exposições foram surgindo que sempre esgotaram as suas peças. Mas insistindo em querer aperfeiçoar-se, fez mais um estágio em França, com a conhecida escultora americana, Martine Vaugel. 
Seguiram-se várias exposições , todas elas sucessos de venda. A que se realizou na Art Embassy, sobre o tema das bailarinas, muitos dias antes da data prevista para terminar, já estava tudo vendido. 
Mais exposições e estágios se haviam de realizar sempre com as peças esgotadas, prosseguindo aqueles últimos com escultores de renome, como foi o caso do escultor brasileiro Israel Kislansky, com quem fez dois estágios.
Entre 26 de Fevereiro e 1 de Março próximos irá expor na “Artist 2020 Madrid”, que se vai realizar na Semana da Arte Contemporânea na capital.
Joana Durão não consegue imaginar-se a fazer mais nada que não seja arte. "Sou assim desde que me conheço", costuma dizer.
As peças que dela são lindíssimas e só a posso vivamente recomendar para quem possa e goste de belas esculturas. Sei do que falo, acreditem!

HSC

Nota: Quem estiver interessado em ver as suas peças - para além de algumas que estão na net - pode combinar com ela através do telemóvel 965341792 ou pelo mail joanadurao@netcabo.pt. E se quiser consultar na net pode fazer-lo em

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Natais...

O Natal da minha infância pouco ou nada tem que ver com o de hoje. A alegria com que faziamos os presentes para a família é o oposto do consumismo frenético, quase indecoroso, com que  os "despachamos" agora, dando à época uma versão, que de bíblica, tem muito pouco.
O carinho com que as nossas mãos preparavam as prendas tinha um valor precioso, porque com cada uma delas ia uma boa parte daqueles que as tinham feito. 
Lembro-me bem da alegria que tive quando entreguei à minha avó Joana uma pregadeira para alfinetes e agulhas, em forma de coração, que conseguira fazer às escondidas da familia. Ou do presente da minha mãe ser um cachecol tricotado por ela e que, ainda hoje, conservo e uso.
Não sei a razão pela qual se deu esta profunda transformação, mas acredito que ela tenha a ver com a forma como hoje encaramos a vida. O "tempo" dedicado aos outros é cada vez mais reduzido. As novas tecnologias substituíram o beijo, o abraço, a ternura do olhar por "emogis" e uma grafia abreviada. É a vida, dirão. É uma certa forma de vida, direi eu.
De facto, não se trata de saudade de um passado que não volta mais. Trata-se, sim, de não perder valores para ganhar competências. Porque estas só têm sentido, quando enquadradas no enriquecimento social e humano de cada um de nós. E esse não se compra, por atacado, no Natal.

HSC