domingo, 14 de junho de 2020

Principios fundamentais

Nunca me importei de pedir desculpa se erro, como também sou tenaz se tenho a certeza de que estou certa.
Uma das atitudes que mais me revolta é ver a facilidade com que se julgam factos de há duzentos ou trezentos séculos, não com o o olhar do tempo, mas com o olhar de hoje. É´como se eu tentasse julgar a educação que os meus Pais me deram, pelos critérios que hoje existem...
E por mais que estes120 dias de reclusão em casa me tivessem custado, deram-me algo que não tem preço. Não quero, nunca mais, julgar a História fora do contexto em que ela foi vivida. Não quero pertencer ao grupo de pessoas que, atacadas por algo demoníaco, se sentem no direito de de destruir estátuas de gente à qual a ciência, a cultura e a política devem muito, só porque centena de anos depois, "descobriram" que elas tinham defeitos inqualificáveis para os dias de hoje.
Chega-se ao rídculo de retirar da lista de filmes da distribuidora HBO, uma das obras clássicas do cinema, como foi E TUDO O VENTO LEVOU, por razões lamentáveis. Não sou cliente. Se fosse, amanhã, no mínimo, cancelaria a minha adesão.
O ser humano dominado pela ideologia é capaz das maiores barbaridades. E se, de algum modo, a sociedade civil se não envergonhar e punir tal comportamento é porque, de facto, já não temos solução...


HSC

sábado, 6 de junho de 2020

A Esperança

Tenho diversos tipos de amigos, Dentre estes, uns são velhos amigos e outros são recentes. Como gosto de conviver, a primeira tentação numa sala cheia de gente é aproximar-me de alguém cujo olhar me diga alguma coisa.
Dado que tenho muitos amigos brasileiros, cada vez que nos reunimos vou conhecendo mais gente interessante. Aconteceu com uma delas essa empatia, esse adivinhar que lá dentro dentro dquela alma havia coisas boas para aprender.
Quando me preparava par os convidar para um jantar em minha casa - o marido é uma pessoa encantadora - juntamente com outros comuns conhecidos, o casal viajou para ver filhos e netos e quando voltou foi o inicio da pandemia.
Pois acreditem que desde essa data nos damos o bom dia e o boa noite diariamente, por vezes acompanhados de comentários que demonstram que já temos alguma confiança.
Esta manhã recebi dela a seguinte mensagem que partilho convosco:

"É preciso falar de Esperança todos os dias só para que ninguém esqueça que ela existe"

Já viram quanta verdade está contida nesta frase tão simples? E já tomaram consciência que se não falarmos dela diariamente ela se irá esboroando?!
Obrigada Selma, por me lembrares, sempre, que para tudo há uma saída. Basta ter esperança e paciência de esperar!

HSC

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desconfinei...


Depois de 4 meses passados entre os corredores da casa e duas idas ao Hospital, no ultimo sábado dei o grito do Ipiranga e resolvi fazer o que mais gostava, isto é "flanner". Não como em Paris que o fazia diariamente, mas adaptando-o ao sol intenso e ao mau estado geral das ruas onde moro dividida entre "queques" e gente pobre. Ou seja uma razoável mistura daquilo que, ainda hoje, é a população nacional.
Estes 120 dias de vaguear entre a sala, o escritório e o quarto. se foram completamente insólitos, permitiram que eu me pensasse, me analisasse, tomasse decisões e encarasse com alguma bonomia o que Ele, lá em cima, determinar que devo andar cá em baixo. Foi, sei-o hoje, uma dádiva cruel, mas de grande útilidade.
Neste preciso momento, não sei quem são as pessoas que voltarei a beijar ou abraçar. Nem sequer filho ou neto, que pouparei enquanto puder. Mas descobri, na realidade, que na vida nada mais importa que o afecto. E hei-de contar-vos como uma pessoa otimista como julgoo ser, viveu cada um destes dias em que fiz imensas descobertas sobre mim própria  e sobre ou outros!

HSC

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Em homenagem aos meus amigos

Desconfinei sábado. Bebi ar, sol, amigos e gargalhei como já me não acontecia há muito tempo. Tudo numa quinta fresquinha e com um menu delicioso. De retorno ao meu refúgio, lembrei-me de Fernando Pessoa e do seu - Poema do Amigo Aprendiz - que aqui partilho e dedico a todos os amigos que me apoiaram e suportaram nesta solitária caminhada, que durou cerca de quatro meses, ou sejam 120 longos dias, que tentei aproveitar para me conhecer melhor. A TODOS O MEU OBRIGADA!

Quero ser o teu amigo
Nem demais nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber,
Sem tirar-te a liberdade sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar, quando for hora de calar
E sem calar, quando for hora de falar
Nem ausente nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças, 
Dá-me tempo de aceitar nossas distâncias

HSC

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Clara de Sousa



Não sei há quantos anos conheço a Clara de Sousa. Mas há muitos, porque eu sou da fundação da Sic que abriu a 6 de Outubro e eu fui a autora do primeiro programa de entrevistas da estação, que foi para o ar a 11 desse mês. Durante muito tempo, para mim, abrir a televisão era ligar a Sic. Acredito que terá sido por essa altura que nos conhecemos. 
Tinha e tenho por ela grande admiração, que não vem de uma relação de amizade, mas sim do que sei que ela faz e é capaz de fazer. Já nos encontrámos nalguns trabalhos profissionais extra televisivos e a sua correção é sempre a mesma. Sabe o que vale, mas não necessita de o exibir.
Vem este introito a propósito de quê, perguntarão? Explico.
A Clara não só recebe muito bem - já comi maravilhosamente na sua casa - como cozinha com alto nível, embora discretamente chame aos seus cozinhados de comida caseira. 
Pois bem, há um meses ela inaugurou o Clara de Sousa.pt, site onde para além de receitas ótimas  mostra uma vasta linha de produtos ligados às várias actividades domésticas que vão da decoração aos bens específicos.
Quem assina sua "letter", tem todas as quintas feiras ótimos cozinhados e dicas para aproveitamento de materiais pelos quais, normalmente, nem se interessaria.
O site é muito clean, os vídeos muito bem explicados e acabamos por ter a surpresa de ver no computador, uma outra Clara, mais friendly e mais perto de nós. 
Mais uma vez não escondendo nunca as suas origens, esta novidade parece-me ser uma outra forma de homenagear a cozinha da sua mãe, como já fizera, antes, com os seus livros.
Bravo Clara, que sabe sempre levar por diante todos os seus projectos e que tem a gentileza de nos proporcionar que possamos partilhar deles!


HSC

domingo, 24 de maio de 2020

Adeus Maria


É com imensa comoção que escrevo estas linhas sobre Maria Velho da Costa - na vida real, Fatima Bivar - uma pessoa a quem me liga metade da minha vida e dos meus filhos.
De facto, ela é madrinha do Miguel e, na sala de partos, assistiu ao nascimento do Paulo de quem gostava muito. Este dois factos dão-vos, certamente, a natureza dos elos que nos ligavam e, portanto, a medida da minha dor. Apesar de no fim das nossas vidas, só esporadicamente estarmos juntas, cada vez que nos falávamos,  esse simples telefonema, era em si mesmo, uma alegria. 
Já partiu outra nossa comum amiga, a Isabel Barreno, que juntamente com ela e a Teresa Horta - que não conheço - havia de escrever um livro que provocou um abanão sério na sociedade portuguesa. 
Teve uma vida profissional preenchida e, acredito que, a seu modo, terá tido através dela, momentos de grande felicidade. Foi casada com um outro grande amigo meu, o Prof. Adérito Sedas Nunes - que, para muitos foi o pai da Sociologia em Portugal - de quem tem um filho - que segue as pezadas profissionais do progenitor.
De uma enorme cultura, com um sentido apuradíssimo do humor, ela foi uma parte importante da parte mais desinteressante da minha vida. Talvez por isso, os momentos que, nesse período,  passámos juntas - e foram muitos - são absolutamente inesquecíveis!
Adeus Fátima, com o meu abraço ao teu filho João.

HSC

terça-feira, 12 de maio de 2020

Ferias idilicas

Muito possivelmente já conhecem o texto que vou publicar. Mas eu recebi-o hoje deu-me um ataque de riso imenso. Aliás, depois de 125 dias confinada creio que até as desgraças acabam por ter um lado cómico que ninguém descobriria a não sermos nós... Aqui vai então o texto:

"Recebi finalmente no dia 29 de setembro o e-mail a confirmar para daí a 4 dias, segunda-feira, a minha reserva para duas pessoas no areal da Figueira da Foz (Praia da Claridade, sector KHR, fila 13, coluna 44). Conseguimos apanhar um “slot” horário jeitoso, das 11:35 às 11:50, e ainda por cima com vista para o mar, olhando por cima da cerca de acrílico, é certo, mas não se pode ter tudo. Como a reserva para o restaurante (avisadamente, comprei um pack em finais de maio, mal sairam as regras da DGS) estava marcada para as 14:05, teríamos ali duas horas para preencher, que nos autorizaram a passar confortavelmente dentro dos nossos carros, sem máscara com janela fechada, ou com máscara se aberta. Como não conseguimos manter a distância de dois metros dentro do carro entre mim e a minha namorada, que não reside comigo, cada um levou a sua viatura. O meu lugar para estacionamento, respeitando a regra de segurança lugar sim lugar não, ficava apenas a 500 metros da praia e o da Martinha (assim quis o destino que se chamasse a minha namorada) a 200. 
Como se pode ver, tudo previsto e excelentemente organizado, ou não fossemos nós considerados pela imprensa europeia como um exemplo de cidadania balnear, e pelo presidente da república como os melhores do mundo. Com grande excitação, logo pela manhã daquele dia limpo e completo telefonei para a Martinha, não se fosse ela esquecer a cópia autenticada do e-mail, atestado de negatividade Covid-19, alcool-gel, máscaras, toalha de praia descartável, luvas e botas de proteção. Chegámos à Figueira da Foz quase à mesma hora, e assim que arrumamos os carros foi só esperar que o segurança nos desse autorização para sair. 
Corremos um para o outro até ficarmos a uns sensuais 2 metros de segurança e piscarmos o olho numa ousada manifestação de paixão. Assim que sentimos o drone a sobrevoar as nossas cabeças foi só acompanhá-lo até aos nossos lugares com separação controlada por webcam. Cerca das 11:40 ouvimos pela instalação sonora a tão ansiada mensagem: “cidadãos com o código de sector KHR, fila 13, coluna 44, podem dirigir-se ao mar, à vossa esquerda, tendo permissão para entrar na água até à cintura, mantendo a etiqueta respiratória e distância de segurança. Dispõem de 7 minutos.”
Ainda hoje nos é difícil esquecer aqueles momentos felizes de liberdade. Só mesmo o almoço, passadas duas horas, se pode comparar em emoção. Como não residimos juntos, tivemos que ficar em mesas separadas, por acaso em salas diferentes, mas os telemóveis e o Skype resolveram tudo a contento, e pudemos saborear umas deliciosas courgettes com cenouras caramelizadas, sem glúten, de produção biológica da horta do restaurante. Divinal. 
Espero que não contem a ninguém, mas ainda nos conseguimos cruzar a caminho do wc e tocar de raspão nas mãos. Às 16 horas já estávamos de regresso a casa. Quase à saída da Figueira passámos por um grupo de 500 pessoas que dançavam ao som de uma banda a tocar musica popular portuguesa. Estupidamente, ainda perguntei a um policia se era algum festival, ao que ele me respondeu: “acha? Não sabe que isso é proibido? Não percebe que é uma atividade política?” Esclarecido e amansado, lá rumei à minha casa e a Martinha à dela.Enfim, um dia memorável. Para o ano há mais!"

Eu que já duvido que volte a ter férias, porque depois desta pandemia outras se seguirão - mais fortes ou mais fracas, consoante o pessimismo ou o otimismo de cada um - ao ler este texto lembrei-me da crítica que os meus filhos me fazem de querer marcar tudo com antecedência. De facto, neste caso não foi famoso!

HSC