quinta-feira, 8 de setembro de 2022

The Queen

"Elisabeth Windsor, Queen of the United Kingdom, passed away. A role model of dedication to people and country. RIP"

A frase acima descreve, em poucas palavras, uma vida grandiosa de alguém que dedicou setenta anos da sua existência à frente dos destinos da Commonwealth. Quando nasci, ela tinha 10 anos e nada a preparava para o destino que viria a ter. Lembro-me bem dos momentos e situações que ditaram a sua vida.

E, não sendo monárquica - porque cresci numa família republicana -, esta forma de organização politica não me incomoda nada porque, entretanto, fui crescendo e aprendendo que são os países que devem escolher a forma como são governados. E, confesso, encontrei muitos príncipes entre os republicanos que conheci.

Então porque eram republicanos? A resposta a esta questão já deu origem a alguns bons livros que li. Mas cá bem no fundo, julgo que grande parte deles não o confessava por receio, medo mesmo, de ferir o "politicamente correto".

A rainha Isabel não poderia nunca ser uma Presidente da Republica. Deu, aliás, uma bela lição de como nós podemos, quando queremos, exercer um cargo para o qual não fomos preparados e exerce-lo de uma forma exemplar.

A rainha Isabel de Inglaterra foi rainha de outros países porque teve a suprema inteligência de nunca os abandonar. Para mim, representou uma rainha a nível mundial e , creio, como tal será sempre lembrada.

Que descanse em paz, ao lado do seu marido, já que sem ele, a viúva, apenas cumpriu os seus deveres de rainha!

HSC

sábado, 20 de agosto de 2022

Autopromoção


Não sou das pessoas que falam muito acerca do que escrevem, embora perceba quem o faça, porque os livros são escritos para serem lidos. Por isso, aqui venho eu dizer-vos que gostaria muito de ver na Feira, neste dia, aqueles que apreciam o que escrevo. Espero-vos muito contente.

Estarei igualmente no Stand da Penguin Random House pelas 16 horas, para quem queira ter os meus livros desta editora autografados.

A todos os que quiserem e puderem ficarei muito grata.

HSC

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Será uma questão de idade?

Durante muito tempo, convencionou-se que nas ligações sentimentais, o homem deveria ser mais velho do que a mulher. Ninguém discutia esse principio, nem mesmo, como no caso dos meus pais, um tinha o dobro da idade da outra.

Os tempos foram correndo e começámos a ter notícia de que, no outro lado do Atlântico, se dava inicio a um processo contrário, em particular no Brasil. Primeiro foram as atrizes, mas depois o movimento alargou-se e  começou a ser natural que tal acontecesse fora do meio artístico. 

Com a ligação especial que os dois países mantêm este posicionamento chegou cá, também. Hoje conheço vários casais nesta situação e a duração do matrimónio não dependeu do fator idade.

Amar tem um lado físico muito importante. A sexualidade é um dos vetores que convém ponderar, antes de uma união se tornar algo de mais sério. Mas essa sexualidade não depende da idade. Depende de um entendimento comum por aquilo que dá prazer a um lado e a outro. E mesmo esse prazer ir-se-á modificando ao longo dos anos. Melhorando nuns casos, piorando noutros. Por causa da idade? Não creio. É a nossa cabeça que comanda os nossos comportamentos. E se ela evoluir, em ambos, da mesma forma  teremos a chance de viver uma sexualidade fecunda e harmoniosa, porque qualquer deles procura cada vez mais, ter maior satisfação.

Claro que a idade traz, também, alguns problemas. Sobretudo, para a mulher cuja fertilidade tem limites. Assim, se para alguém ter filhos for uma prioridade, deve ter em atenção esse ponto. Mas também é verdade, que para os homens a partir de uma certa altura, a virilidade sofre, igualmente, alterações.

Todos nós sabemos isto. Mas não foi isto que impediu o jovem Macron, hoje com 44 anos, de casar com a sua professora, que vai fazer 70 anos, ou seja mais 24 do que ele. 

Escândalo? Na altura, claro que sim, embora se fosse o contrário, ninguém se admirasse. Depois, foi o ataque. O casamento teria sido o disfarce para uma eventual homossexualidade do marido. Depois, depois, habituaram-se e os franceses consideram, agora, que a sua primeira dama tem as mais belas pernas da França.

O amor é demasiado complexo para se adaptar a normas como esta. Como sempre, primeiro estranha-se e depois entranha-se. É mesmo isto que o amor é: algo que se entranha e apodera de nós!

HSC 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

OS IL DIVO






Numa passagem por Lisboa, uns amigos arrastaram-me para o concerto dos IL DIVO, de quem sabiam  eu ser grande admiradora. 

Depois da trágica morte de Carlos Marín por Covid, os restantes membros dos Il DIVO – David Miller, Sebastien Izambard e Urs Bühler, depois de várias dúvidas – tinham cantado juntos 17 anos - decidiram prosseguir com a sua tournée, mas agora em tributo ao colega falecido.

A digressão, anteriormente chamada For Once in My Life Tour, avançou agora com um novo nome –Greatest Hits Tour e incluiu um convidado especial – o barítono americano Steven LaBrie. É este espetáculo tão especial que os IL DIVO trouxeram dia 24 à Altice Arena e que a mim me deixou deliciada.

LaBrie é um excelente barítono, mas não é espanhol, nem tem a presença física de Marín, que era um belíssimo homem. Mas trouxe à segunda parte do programa uma série de canções moderníssimas que mostraram bem a capacidade vocal dele e do grupo que o acompanhou.

Pode ter-se saudades do grupo inicial e eu tive. Mas senti-me refrescada por dentro, por ter amigos que se lembram, na minha ausência, daquilo que eu gosto.

Foi uma bela noite que terminou num passeio por uma Lisboa renovada, limpa, com casas modernas que eu não conhecia, porque não ando habitualmente por aquelas zonas que, agora, se tornaram bairros de elites.

E vivo eu, na fina Lapa, onde tudo parece estar igual há 30 anos, quando para aqui vim…

HSC 

terça-feira, 19 de julho de 2022

Adeus Maria de Lourdes


Fui totalmente apanhada de surpresa com a morte da minha querida Maria de Lurdes.

Será muito difícil explicar como a nossa amizade nasceu. Mas guardo bem presente o almoço que tivemos depois da saída de "A minha cozinha" e do que ela então me disse.

"Eu sei que você é economista, tem um emprego invejável, mas é uma pena se deixar de publicar receitas que são um misto da cozinha da sua avó  e da cozinha da própria Helena. Se o continuar a fazer com a qualidade, gosto e fotos deste, eu prometo que lhe o apresentarei!

Assim foi. Daí nasceu uma ligação que jamais esqueci, nem esquecerei. Obrigada, minha querida, por toda a força e sobretudo pela bondade de ouvir as minhas experiências gastronómicas, que sempre nos divertiram muito.

Eu continuarei a ser a sua "cozinheira" e a fazer experiências pensando em si!

HSC

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Segredos de familia

Por mero acaso, ontem, liguei a televisão enquanto, deliciada, tomava no meu quarto o pequeno almoço. Raramente ligo a caixa das mentiras, porque dou ao tempo que estou comigo própria, muito valor. Cada vez mais..

No écran as imagens pareceram-me interessantes e, facto  mais raro ainda, voltei ao principio do filme. O título em inglês WE ONLY KNOW SO MUCH, traduzido, entre nós, por Segredos de Família, relata a vida  de uma constituída por seis membros que vivem juntos, mas cuja particularidade é estarem a passar por estádios muito diferentes da sua existência. No fundo, eles fazem desfilar os sonhos, as preocupações e os arrependimentos de uma certa América contemporânea. Mas o que antes foi um tipo de existência tipicamente americano é, na atualidade, um fenómeno que respeita a todos nós.

Fiquei a ver o filme até ao fim, porque, para quem tenha feito psicanálise, ele é um retrato, por vezes admirável, de um dos grandes problemas do mundo atual. Trata-se da  demência e das formas de que ela se reveste no mundo em que vivemos. E também, como é natural, da consciência que os próprios e os seus próximos acabam por ter dela.

As duas personagens mais velhas , pai e mãe, que vivem com os filhos estão senis. A geração que se segue, está desnorteada e a convivência com os progenitores, começa a fazer-lhes ter dúvidas sobre quem são. Recorrem, cada um por seu lado, aos meios de que dispõem para perceberem que vivem a vida que não querem mas que escolheram. E, finalmente os filhos, a nova geração, percebe que é necessário desfazer todos aqueles laços familiares, para poderem viver a sua própria vida, que nada garante, claro, consiga um modelo melhor, quando baseado, apenas, nos interesses individuais.

É um facto que o individuo se conhece muito mal a si próprio, embora considere justamente o contrário. Aqui, neste drama, isso é evidente. Na trama que se desenrola, normalmente dominada pela a dor, se despoleta algo de melhor, há alguém que sai a ganhar. O problema reside, justamente, no facto de ser pela dor que as pessoas se tentam reconstruir e não pela alegria, a qual, afinal, abre tantas possibilidades, que não exploramos nem aproveitamos, porque o individualismo como forma de existência, só contempla o próprio umbigo.

Quando o filme acabou, lembrei-me de um outro, que vira há pouco tempo, com essa atriz notável que se chama Annette Bening e que conta a história de um velho casamento falhado, no qual só quando este se dissolve é que cada um dos intervenientes. percebe e avalia os reais sentimentos que tem pelo outro. Só que já é tarde...

Estamos todos a atravessar um período, já longo, de incertezas que começam na guerra, nos valores, nas crenças, na saúde e até no amor. A família já não é o que era e os laços de sangue foram trocados pelos laços ideológicos. Os velhos põem -se em lares ou instituições luxuosas, porque ninguém os quer em casa. Os novos lutam para ser gente conhecida e bem paga e para isso usam de todas as formas de guerrilha e os outros, acabam por aceitar a vida que lhes é imposta.

No fundo, ninguém se questiona sobre a felicidade própria. Experimente o leitor listar o que o torna feliz e verá a dificuldade que existe em saber o que ela é, o que ela significa. Normalmente as respostas representam a satisfação dos nossos desejos. Mas será que a felicidade é só isso?!

HSC

domingo, 17 de julho de 2022

Abandono ou isolamento?

No tempo que atravessamos e a que curiosamente apelidamos  de "novo normal", há algo que me impressiona profundamente. É o abandono a que muitos de nós ficámos sujeitos, sobretudo após a pandemia. Esta, se por um lado, obrigou ao corte quase total com os nossos amigos e aos hábitos que com eles mantínhamos, por outro, veio obrigar os membros de algumas famílias a um convívio permanente, debaixo do mesmo teto, para o qual não estavam preparados. O que, de certo modo, também acentuou o isolamento de que muitos careciam para suportar o dia a dia. Assim, as medidas de controle da doença, trouxeram consigo movimentos contraditórios, que só acentuaram uma forma de vida propícia ao isolamento.

É este sentimento que o Cardeal Tolentino abordou numa interessante entrevista concedida ao jornal Público e que me atrevo a referir neste texto, porque. afinal, a sua preocupação é também a nossa, de que o isolamento possa vir a conduzir, sobretudo nos jovens, a um estádio de analfabetismo nas relações.

Mais do que a solidão, o que esta situação permitiu detectar foi a vulnerabilidade da sociedade em que vivíamos, na qual não nos demos conta de que estávamos doentes e não sabíamos, como o Papa Francisco  salientou recentemente.

Com efeito, esta, de "qualquer modo, ainda se define em relação ao outro, ao desejo ou a nostalgia de uma presença". O isolamento é pior, é uma forma de solidão negativa, de desagregação própria  e consequentemente da sociedade em que estamos inseridos..

Então o que é que nos pode pedir o futuro? Ou, de outro modo, como é que podemos encarar esse futuro? Para o Cardeal o futuro pede-nos uma capacidade de ler com maior realismo o que somos e o que podemos ser. E exige seguramente uma maior consciência do limite. 

Mas para isso, cada um, cada pais, cada continente, terá que olhar sem defesas o passado, encarar sem preconceitos o presente e sonhar o futuro que desejamos para o mundo. Mas sabendo que esse objetivo só se alcançará, um dia, pela educação e pela solidariedade. Porque, como disse acima, é preciso ter consciência dos limites.

Nós sabemos muito pouco sobre nós próprios. Mesmo quando julgamos que nos conhecemos, um pequeno incidente externo a nós, pode por em causa esse conhecimento e revelar que os fios que nos ligavam a uma serie de pessoas, deixou de existir. É nessa altura que se tem consciência da necessidade de "criar um novo futuro" em que cada fio se liga aos fios dos outros de uma forma mais consistente e verdadeira. 

É possivel? Francamente, não sei. É necessário. E para os que pensam como eu, a esperança faz parte integrante da vida!

HSC