A 24 de Abril de 2012 morria, nos meus braços, o meu filho Miguel.
Tinha 64 anos e não mentirei se disser, que desde os 12 anos foram quase
exclusivamente dedicados à política.
Não foram fáceis esses anos de “esquerda”, em que os estudos
ficavam sempre em segundo lugar, relativamente às obrigações escolares e ao que
eu considerava ser importante, ele adquirir do ponto de vista cultural.
Durante todos estes anos não houve dia em que me não
lembrasse dele, pese embora, só o tivesse conseguido chorar verdadeiramente,
anos depois da sua morte. O que se explica, penso, porque o seu partido político
se “apossou”, verdadeiramente, da sua morte.
O último pedido que me dirigiu foi que eu não virasse “mãe
chorosa” e que, pelo contrário, andasse para a frente com a minha vida. Foi o
que fiz e continuo a fazer!
Mas, confesso, não consigo apagar a mágoa que me causou a
falta de privacidade que envolveu o seu desaparecimento. É que para toda a
gente, a morte, constitui o ato mais privado de uma família.
Apesar disso reconheço que foi feliz por ter vivido a vida
que quis, como quis e com quem quis. Por muito que me tenham doído algumas
escolhas que fez, o meu coração vive apaziguado pela sua felicidade, o meu bem
mais precioso!