Nada tenho contra as cirurgias plásticas. Cada um é livre de
fazer o que entender com o seu corpo. Há quem invista em viagens, quem prefira
obras em casa e quem opte por remodelar a fachada. São escolhas!
Eu, por enquanto, decidi não entrar nessa corrida contra o
tempo. Até porque, convenhamos, o tempo costuma ganhar. E não há bisturi que
consiga convencê-lo do contrário!
Não tenho vontade de apagar as rugas, esticar o que a
gravidade, com a sua persistência habitual, resolveu fazer descer, nem de
trocar a minha expressão por aquela cara universal, ligeiramente imóvel, de
quem parece estar sempre à espera de uma fotografia.
As minhas rugas têm currículo. Já viram muitas gargalhadas,
algumas lágrimas, umas quantas indignações e, certamente, demasiadas surpresas.
Não são propriamente decoração, são experiência acumulada!
Também não ambiciono ter 30 anos para sempre. Seria até um
desperdício: já passei dessa fase e, felizmente, aprendi algumas coisas pelo
caminho.
Admiro quem se sente melhor depois de uma intervenção
estética. Mas não me seduz a ideia de entrar numa clínica com uma fotografia
antiga e sair de lá com uma versão atualizada, embora com algumas
funcionalidades expressivas desativadas.
Prefiro continuar a reconhecer-me ao espelho, mesmo que ele,
por vezes, seja pouco diplomático.
Não quero parecer mais nova. Quero parecer eu. Com rugas,
expressão, sentido de humor e alguma irreverência.
Afinal, envelhecer é inevitável. Ficar sem personalidade por
medo de parecer velha é que me parece uma cirurgia verdadeiramente dispensável!






