quinta-feira, 12 de março de 2026

A Agonia do Homem Ocidental

A expressão agonia do homem ocidental refere-se à sensação de crise cultural, espiritual e moral que muitos pensadores identificam na civilização ocidental contemporânea. Ao longo da história, o Ocidente construiu valores fundamentais como a razão, a liberdade individual, a ciência e a democracia. Contudo, nas últimas décadas, diversos autores argumentam que esses pilares parecem enfraquecidos, gerando um sentimento de perda de sentido e de identidade.

Uma das causas dessa “agonia” seria o afastamento progressivo das tradições que durante séculos orientaram a sociedade ocidental, especialmente as tradições filosóficas e religiosas. Com o avanço do materialismo, do consumismo e da lógica de mercado, muitos indivíduos passaram a orientar suas vidas sobretudo pelo sucesso económico e pelo prazer imediato, deixando em segundo plano questões profundas sobre ética e propósito.

Outro fator frequentemente apontado é a rápida transformação social e tecnológica. O desenvolvimento científico trouxe enormes benefícios, mas também gerou novas incertezas. A aceleração da vida moderna e as mudanças constantes podem provocar sensação de desorientação.

Apesar do tom pessimista presente na ideia de “agonia”, a história do Ocidente mostra que períodos de crise também podem abrir espaço para reflexão, renovação e novos caminhos para a sociedade.

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Um tempo de coisas simples

Pertenci a um tempo em que a felicidade cabia em pequenos gestos. Um tempo em que brincar na rua até o pôr do sol era a maior aventura do dia e voltar para casa com os joelhos sujos de terra era sinal de uma infância bem vivida.

Era um tempo em que as conversas aconteciam olhos nos olhos, sentados na calçada ou à volta da mesa. Não havia pressa em responder mensagens, porque as mensagens eram dadas com a voz, com risos e com silêncio partilhado.

Pertenci a um tempo em que um pedaço de pão com manteiga, um copo de leite quente ou uma fruta colhida do quintal tinham um sabor especial. Não porque fossem raros, mas porque eram vividos com calma.

As tardes eram longas, o tempo parecia maior e a vida era feita de coisas que não custavam dinheiro: subir às árvores, correr atrás de uma bola, ouvir histórias dos mais velhos ou simplesmente observar o céu.

Pertenci a um tempo em que a simplicidade não era pobreza, era riqueza. Riqueza de momentos, de presença, de afetos verdadeiros.

Hoje o mundo mudou, tudo é mais rápido, mais barulhento, mais conectado. Mas dentro de mim ainda vive aquele tempo de coisas simples. E talvez seja essa memória que me lembra, todos os dias, que a verdadeira felicidade continua a morar nas pequenas coisas.

 

domingo, 8 de março de 2026

O Dia da Mulher aos Olhos de Hoje

O Dia Internacional da Mulher é mais do que uma data no calendário. Hoje, ele representa um momento de reflexão sobre as conquistas alcançadas pelas mulheres ao longo da história e, ao mesmo tempo, sobre os desafios que ainda precisam ser superados.

Durante muitos anos, as mulheres lutaram por direitos básicos como o acesso à educação, ao trabalho, ao voto e à igualdade de oportunidades. Graças à coragem e à determinação de tantas que vieram antes, hoje vemos avanços importantes em diversas áreas da sociedade. No entanto, ainda existem desigualdades, preconceitos e barreiras que precisam ser enfrentadas.

A forma de encarar, hoje, o Dia da Mulher, ultrapassa o gesto delicado de oferecer flores ou enviar mensagens bonitas. É um convite à consciência coletiva: reconhecer o valor, a força e a contribuição das mulheres em todos os espaços — na família, no trabalho, na ciência, na política, na cultura e na construção de um mundo mais justo.

Mais do que uma celebração, esta data deve ser um lembrete da importância do respeito, da equidade e das oportunidades iguais para todos. É também um momento para ouvir as vozes femininas, apoiar as suas causas e promover mudanças reais na sociedade.

Assim, o Dia da Mulher, visto pelos olhos de hoje, deve ser entendido como um símbolo de luta, resistência e progresso. Nos dois sentidos, já que hoje o que nós pretendemos é, sobretudo, respeito. E um futuro onde ser mulher não signifique enfrentar limitações, mas sim viver com liberdade, dignidade e igualdade.

 

sábado, 7 de março de 2026

HUMOR E HUMILDADE

Eu sei que os humoristas me vão matar e considerar alguém que não entende o seu trabalho. Não é verdade. A família já foi -é – alvo de diversos tipos de “humores” …

O humor e a humildade são duas características essenciais que influenciam significativamente a maneira como nos relacionamos com os outros e como percebemos o mundo ao nosso redor. Embora possam parecer opostos à primeira vista, quando combinados de maneira adequada, podem resultar numa abordagem equilibrada e saudável da vida.

O humor, quando utilizado com inteligência e sensibilidade, pode ser uma ferramenta poderosa para promover conexões interpessoais, aliviar tensões e enfrentar desafios com leveza. A capacidade de rir de si mesmo e encontrar o lado engraçado das situações, pode ajudar a reduzir o stresse e a ansiedade, além de promover um ambiente mais descontraído e inclusivo nas interações sociais.

No entanto, é importante exercer o humor com humildade e respeito pelos sentimentos dos outros. O que pode parecer engraçado para uma pessoa pode ser ofensivo para outra, e é fundamental estar ciente das diferenças individuais e dos limites de cada um. Além disso, é importante reconhecer que o humor não deve ser usado como uma forma de ridicularizar ou menosprezar os outros, mas sim como uma forma de criar conexões genuínas e até promover um sentido de camaradagem.

Por outro lado, a humildade é uma qualidade que nos permite reconhecer as nossas próprias limitações, aprender com os erros e aceitar as contribuições dos outros. Ao cultivar a humildade, somos capazes de nos relacionar de maneira mais autêntica e empática com os que nos rodeiam, demonstrando abertura para diferentes perspetivas e experiências.

A combinação de humor e humildade convida a abordar a vida com uma atitude de leveza e aceitação, reconhecendo a importância de não nos levarmos a nós mesmos tão a sério e estarmos abertos ao aprendizado contínuo. Ao integrar essas duas qualidades e nossa maneira de ser e interagir com o mundo, podemos criar relações mais significativas e construir um ambiente mais positivo e inclusivo para todos.

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

O MUNDO ESTÁ LOUCO!

Quando soube a notícia dei uma gargalhada e disse que não me surpreendia que tal acontecesse e os restantes países aceitassem. De que se tratava, afinal?

Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, presidiu há dias a uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. A intervenção de Melania centrou-se em ligar educação, tecnologia e paz, incentivando governos e organizações a garantir que todas as crianças, mesmo em situações de conflito, tenham acesso à aprendizagem e ao conhecimento.

Foi a primeira vez na história, que uma primeira-dama presidiu a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde, além de defender a “paz através da educação”, fez um discurso pedindo que os membros do Conselho se comprometessem com a proteção da aprendizagem e do futuro das crianças em situações de guerra.

O que se pretendeu com isto? É uma evidência que tal situação não devia ter acontecido. Mas aconteceu. E se aconteceu, é porque ninguém se levantou para contrariar o evento, nem ninguém abandonou a sala, deixando a senhora a falar sozinha!

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

O QUE ME PARECE


Agora que já assentou a poeira e o tempo necessário para uma análise correta de um incidente que deu que falar, olhemos para ele com serenidade.

Um texto justo deve reconhecer que, em política, há sempre duas dimensões: a institucional e a partidária.

No caso da autarca de Coimbra perante a visita de um ministro à cidade, o comportamento deve ser analisado à luz do cargo que ocupa. Enquanto presidente da câmara, representa todos os munícipes, independentemente de divergências partidárias. Isso implica manter uma postura institucional, de respeito e cooperação, sobretudo quando estão em causa assuntos relevantes para o concelho.

Se houve críticas públicas, confrontação ou distanciamento, é legítimo que uma autarca defenda os interesses da cidade e pressione o Governo quando considera que Coimbra está a ser prejudicada. Essa firmeza pode até ser vista como sinal de defesa ativa do território. Contudo, a forma como essa posição é expressa faz diferença: o tom, o contexto e a abertura ao diálogo são determinantes para que a ação seja percebida como defesa institucional e não como mera disputa política.

Por outro lado, também é importante considerar que visitas ministeriais são oportunidades para reforçar compromissos, esclarecer impasses e promover soluções. Um ambiente excessivamente crispado pode comprometer esses objetivos.

Assim, a conclusão equilibrada parece-me esta: é legítimo que uma autarca confronte um ministro em defesa do seu concelho, mas espera-se que o faça com sentido institucional, respeito e foco nas soluções, evitando transformar um momento institucional numa “chicana” política.

terça-feira, 3 de março de 2026

Viver feliz, apesar da guerra

Viver feliz em tempos de guerra — mesmo quando ela acontece longe — não é ignorar a dor do mundo. É escolher, conscientemente, não deixar que o medo ocupe todos os espaços da vida.

A guerra chega-nos pelas notícias, pelas imagens repetidas, pelos números que parecem impossíveis. Conflitos como o da Ucrânia lembram-nos que a estabilidade é frágil. Há sofrimento real, perdas irreparáveis, vidas suspensas. E, ainda assim, aqui, longe das bombas, o sol continua a nascer. As crianças continuam a rir. O café da manhã continua a ter o mesmo cheiro.

Ser feliz apesar da guerra é um ato quase silencioso de resistência. É permitir-se celebrar aniversários, fazer planos, amar, aprender algo novo. Não por indiferença, mas porque a vida não pode ser totalmente sequestrada pelo horror.

Existe uma culpa subtil que às vezes acompanha essa felicidade — como se sorrir fosse desrespeitar quem sofre. Mas a felicidade não é traição; é preservação. Cuidar da própria saúde mental, manter vínculos, cultivar esperança são formas de não deixar que a violência se expanda para além das fronteiras físicas.

Também há outra dimensão: a felicidade pode tornar-se compromisso. Informar-se sem se afogar, ajudar quando possível, praticar empatia sem perder o equilíbrio. Viver bem, pode ser uma forma de honrar a paz que ainda se tem.

A guerra ensina, de maneira dura, que nada é garantido. Talvez por isso a felicidade, nesses tempos, deixe de ser superficial. Torna-se mais consciente, mais grata, mais atenta aos pequenos detalhes: uma conversa tranquila, um abraço demorado, uma noite silenciosa.

Viver feliz apesar da guerra é aceitar que o mundo contém luz e sombra ao mesmo tempo — e escolher, todos os dias, alimentar a luz sem fechar os olhos à realidade.