Continuo a cumprir a minha decisão de mudar de vida,
procurando, pouco a pouco, construir uma forma diferente de estar no mundo.
Uma das coisas que mais me tem surpreendido é descobrir como
essa mudança me tornou mais disponível para aquilo que acontece à minha volta.
E há algo especialmente valioso nisso: não se trata apenas de “mudar de vida”
em abstrato, mas de começar a viver de outra maneira, prestando atenção ao
que nos pode trazer prazer e sentido.
Tenho-me alegrado com acontecimentos culturais que, de outro
modo, provavelmente nem saberia que existiam. Concertos, exposições, peças,
conversas, livros, encontros — pequenas oportunidades de sair da rotina e de me
deixar surpreender por coisas novas. São momentos que talvez pareçam simples,
mas que têm para mim um significado especial, porque representam uma vida mais
aberta, mais curiosa e mais atenta.
Percebo agora que mudar de vida não significa,
necessariamente, fazer grandes mudanças de um dia para o outro. Pode, também, significar
a recuperação da curiosidade, aceitar convites, experimentar coisas diferentes
e permitir que o mundo nos traga possibilidades que antes não procurávamos.
E é precisamente essa sensação que quero conservar: a de que
ainda há muito para descobrir e de que, quando nos abrimos a novas
experiências, podemos encontrar alegria em lugares e acontecimentos que antes
nem faziam parte do nosso horizonte.