Falo por mim, mas julgo que, no fundo, ninguém gosta de pagar
impostos, porque mexe com algo muito básico: aquilo é o nosso dinheiro. Foi
ganho com tempo, esforço, às vezes até com sacrifício… e, de repente, uma parte
desaparece antes sequer de passar pelas nossas mãos. Não é uma escolha, não é
opcional — é imposto. E só essa ideia já causa resistência.
Depois há aquela sensação meio irritante de não saber bem
para onde vai. Sabe-se que, em teoria, está a financiar coisas importantes —
hospitais, escolas, estradas — mas no dia a dia, nada disso é assim tão
visível. O que se sente é mais o que sai, do que o que volta.
E também pesa a confiança. Quando há notícias de má gestão ou
desperdício, mesmo que não seja tudo assim, fica a insidiosa dúvida: “estou a
contribuir para algo que funciona… ou só a alimentar um sistema ineficiente?”
Isto corrói um bocado a aceitação.
Ao mesmo tempo, há um certo conflito interno. Porque, sendo
honestos, todos queremos viver num sítio com serviços públicos a funcionar,
segurança, apoio quando é preciso. Só que ninguém gosta muito da parte de pagar
por isso — especialmente quando algo, parece pouco transparente ou injusto.
No fim, talvez não seja tanto o “odiar impostos”, mas mais
uma mistura de perda, falta de controlo e alguma desconfiança. E isso é uma
combinação difícil de engolir. Muito difícil mesmo!