domingo, 29 de março de 2020

Ainda o SAMS


Ando incomodada com a situação criada com o encerramento das Centros Clinicos do SAMS. São milhares de utilizadores que, de um momento para o outro, se viram privados dos seus médicos assistentes, dos tratamentos iniciados, da fisioterapia, da terapia da fala, da acupuntura, do uso médico da piscina, da oftalmologia, da medicina oral, etc, etc.
Pensando nisto, ocorreu-me que se os sócios estão privados deste acesso, também não o deveriam pagar. Ou seja as quotizações correspondentes não deviam ser liquidadas, até a situação se encontrar normalizada. Pessoalmente não me agrada pagar aquilo que contratei mas não recebo.
Não sei o que pensam os outros sócios mas, como economista que sou, não creio que tenham pensamento muito diferente do meu. Não é justo pedir que paguemos aquilo que não recebemos. E é evidente que a Advanced Care não substitui a instituição.
Estou à vontade para escrever este texto, porque muitas vezes, aqui também, elogiei os SAMS, os seus serviços, os seus médicos e os seus enfermeiros. E receio bem que os utentes, todos nós, se transfiram para outros hospitais privados e deles se tornem clientes preferenciais...

HSC

sábado, 28 de março de 2020

Um povo incontrolável...


A manhã, no meu terracito, estava deslumbrante. O silencio que, por norma, o costuma envolver, era ainda mais profundo.
Peguei no tabuleiro e fui para lá tomar o pequeno almoço. O ambiente estava tão bom, tão sereno, tão luminoso, que o meu bacon com ovo estrelado me soube melhor do que qualquer refeição tomada num grande hotel de Paris. 
Foi isto que me fez pensar que é possível, às vezes, ser-se feliz com pouco. O café forte que se seguiu ao repasto e verdadeiramente me despertou, deu-me a consciência nítida deste facto. E ali fiquei sentada a ver o mar, os carros a passar na ponte sobre o Tejo, como se nenhum de nós estivesse numa pequena prisão.
Só bem mais tarde me lembrei que não era normal haver transito na Ponte, dado que estamos de quarentena. Mas se lá estavam as autoridades fiscalizadoras como era possível esta irregularidade? Não sei. Do meu terraço apenas se viam os carros a ir e a voltar...
Quando é que nos tornaremos adultos que não precisam de ser fiscalizados e punidos?!

HSC

quarta-feira, 25 de março de 2020

Poetar a vida

Quando me apercebi de que esta pandemonia ia tomar proporções bem mais graves do que se previa, decidi tomar a decisão radical de não publicar em Abril o meu novo livro, que está pronto para sair. Foi uma decisão dolorosa, quer para mim, quer para a editora, e que terá, como se calcula, no imediato alterações no meu orçamento já por duas vezes corrigido. A cada medida mais exigente que saía, impunha-se uma adaptação. Vivo exclusivamente do meu trabalho. Mas, apesar de felizmente não depender apenas da escrita,  o rombo, no médio prazo, vai ser sensível.
Felizmente tenho grande capacidade de adaptação e, depois da morte de um filho, aprendi que nada me pode ser pior. Por isso, espero que tudo o que me venha a acontecer, seja recebido com a maior serenidade e com a consciência de que, dentro dos meus limites, cumpri o que me pediram que fizesse. Por azar já estava confinada à casa,  por ter tido uma estranha pneumonia no fim do ano, pelo que desde Janeiro terei saido, talvez, meia dúzia de vezes, para estar com a familia. A maior adaptação, agora, é a que resulta de ter de somar aos três meses já decorridos, uns quantos que ainda ninguém sabe definir.
Talvez por estes factos, comecei a escrever um diário desta pandemia, em que misturo factos reais com estados de espirito pelos quais estes me fizeram passar. Como ando um pouco preguiçosa não escrevo todos os dias, mas quando o faço, tenho a noção da catarse que a escrita me permite.
Possivelmente irão aparecer muitas obras deste tipo, mas julgo que a forma como estou a faze-la é capaz de ser original. Esperemos pelo futuro próximo porque esse, sim, é que é a preocupação do presente. E que cada um, conforme as suas capacidades possa fazer algo que lhe lembre, para sempre, a provação pela qual estamos a passar.

HSC

segunda-feira, 23 de março de 2020

Apelo ao SAMS

"O Sindicato Independente dos Médicos – SIM, lamenta que a direcção do SBSI depois de ter denunciado o Acordo de Empresa, quando ao mesmo tempo defende com unhas e dentes a contratação colectiva dos seus associados com a banca nacional, aproveite oportunisticamente a catástrofe que se abateu no nosso Pais e no mundo e o estado de emergência que acaba de ser decretado, castigando os seus trabalhadores médicos, arremessando-lhes o Lay Off. 
Um sindicato, permitir-se usar uma medida altamente limitadora dos direitos dos seus trabalhadores, num momento para todos da maior fragilização, é  no mínimo, lamentável. 
Um presidente de um sindicado a contrariar fortemente os apelos dos órgãos de soberania no sentido de mitigar os fortes impactos sociais, é, no mínimo, irresponsável e antipatriótico. 
O SIM apela à direcção do SBSI que neste momento de fortes pressões no SNS proteja a saúde dos seus beneficiários e que CONTRIBUA para o esforço nacional de apoio ao País e à saúde dos seus compatriotas. 
O SIM apela a que volte atrás na decisão que afeta milhares de doentes. 
O SIM apela aos associados do SBSI, que continuam a pagar as respectivas quotizações, assim como aos bancos, que, sob todas as formas, o pressionem para que possam manter o direito à saúde e para que os SAMS não abandonem o esforço que, neste campo, tantos fazem pelo nosso País. 
O SIM solidariza-se com todos os médicos, enfermeiros e assistentes operacionais técnicos, acreditando que o bom senso ainda possa prevalecer sobre o oportunismo desta medida. 
Sem consultas de todo, nem sequer teleconsultas, ao contrário daquilo que todas as demais instituições fazem, os doentes a cargo dos SAMS irão sobrecarregar o já débil SNS. 
Sobrecarregar o SNS ou remeter à rede Advance Care parecendo com isso querer terminar com a assistência directa aos seus beneficiários, que construída com o empenho de tantos outros dirigentes e profissionais sempre foi um nome de referência. 
O SIM dará́ conhecimento deste apelo aos órgãos de soberania. 

Lisboa, 20 de março de 2020 O Secretariado Nacional 


Numa altura em que o pico da doença se aproxima e em que a ministra da saúde admite requisitar desde os privados até a espaços, que não sendo de saúde, permitem a instalação de laboratórios e camas, não se compreende uma decisão desta natureza, que é ainda mais grave quando o Hospital do SAMS, viu encerrada a urgência pela autoridade de saude, justamente no momento em que havia decidido nao admitir novos doentes.
As razões que levaram ao fecho do hospital têm solução. Há que aplica-la. O Centro Clínico não teve problemas e é necessário aos seus sócios. 
Bancários nós pagamos quotizações elevadas para termos um serviço de saúde nosso. Unamo-nos nesta frente de não perder o que é nosso e se está a tornar apetecível a diversos eventuais compradores. Unamo-nos na defesa daquilo que tanto nos custou e custa!
Senhora Ministra da Saúde, não consinta que quem quer que seja, se permita não estar ao seu lado na luta contra esta pandemia, fechando instituições que lhe podem vir a ser necessárias no alívio do SNS!

HSC

Nota Ressalvo nesta magoa o Dr Faustino Ferreira, Director Clinico dos SAMS, que com elevado esforço pessoal tudo fez para que os bancários não fossem prejudicados.

sábado, 21 de março de 2020

No dia da poesia

A poem by Kathleen O’Meara (1839–1888).

And people stayed home
and read books and listened
and rested and exercised
and made art and played
and learned new ways of being
and stopped
and listened deeper
someone meditated
someone prayed
someone danced
someone met their shadow
and people began to think differently
and people healed
and in the absence of people who lived in ignorant ways,
dangerous, meaningless and heartless,
even the earth began to heal
and when the danger ended
and people found each other
grieved for the dead people
and they made new choices
and dreamed of new visions
and created new ways of life
and healed the earth completely
just as they were healed themselves.


HSC

E o sexo?

Todos nós estamos submetidos a uma espécie de estado de sítio. De um momento para o outro familias que só se encontravam ao fim do dia, passaram a estar 24 horas juntas. E, na maioria dos casos, com os filhos também em casa, o que, se por um lado é uma alegria, por outro, de forma continuada, pode levantar algumas limitações.
Há uns dias uma amiga minha, confidenciava-me que desde que este pandemónio começou, não tinha relações sexuais com o marido. Confesso que só a muito custo contive o riso, porque eu poderia esperar tudo menos aquela confissão. E perguntei-lhe o evidente, ou seja, se ela tinha tentado falar com ele sobre o assunto. Tinha, mas ele afirmara que andava apenas cansado. Julguei mais prudente não a questionar sobre se ela tomava quaisquer iniciativas... sobretudo, porque sabia que ele sempre fora homem de grandes cansaços fora de casa.
Pensando neste caso e assim como fui das primeiras pessoas a denunciar que o mercado negro iria voltar em força, também agora temo que, passadas estas circunstâncias, possa haver uma subida de divórcios ou de separações.
Perdoem-me a rudeza do tema, mas quem apreciava muito o adultério está, neste momento, muito limitado, porque ninguém arrisca ter de declarar que foi infectado por uma amiga com quem manteve relações intimas.
E o sexo no casal não será ele também afectado pelo medo, pela depressão do estado de sítio, pela atenção redobrada que os filhos exigem, pelo cansaço de um dia passado em filas de abastecimento?
Julgo que depois desta pandemia muita coisa pode mudar na vida familiar em Portugal. A começar por aqueles que tanto gozavam com a castidade e se vêem, de repente, poder ficar sujeitos a ela...

HSC

segunda-feira, 16 de março de 2020

As bicicletas de lazer


A minha idade é conhecida e o facto de continuar a trabalhar também. Nunca a escondi, até porque considero um privilégio ter chegado a ela, trabalhando como trabalho. 
Já partilhei aqui o susto que tive e a minha desistência de me enfiar na confusão do supermercado a que me dirigi. Afinal acabei a fazer umas comidas apetitosas  e só com o que tinha em casa.
Hoje foi a vez da farmácia. Aqui era tudo mais ordenado, pelo menos na minha, a Linaida, que é um exemplo na forma como trata os seus clientes. Mas havia tanta gente com a minha idade... que eu me lembrei de sugerir que os jovens que têm essa maravilhosas bicicletas eléctricas de lazer com cestinho acoplado, se unam num movimento e lhes dêem uma utilização solidária, ajudando quem já tem o peso grande dos anos sobre os ombros. Era uma cadeia de gente que podia aliviar muito os que vivem sós e não têm quem os ajude!

HSC