É este o título do meu novo livro, que dentro de dias, estará
nas livrarias. Fecha-se, com ele, um ciclo de quatro livros, que, há já uns
longos meses hibernava dentro de mim, à espera da minha disponibilidade de dar
a conhecer as alterações profundas que, entretanto, fui sofrendo.
Perante um
novo livro, o autor sente sempre qualquer coisa, difícil de explicar por
palavras. É uma mistura de alegria, emoção, orgulho e, talvez, também, um pouco
de medo. Porque ele nunca é apenas um conjunto de páginas impressas. É tempo,
pensamento, memória, inquietação e, muitas vezes, uma parte de nós, que
decidimos deixar à vista dos outros.
Há qualquer
coisa de profundamente íntimo quando seguramos, pela primeira vez, um livro que
escrevemos. Reconhecemos as palavras, lembramos os dias em que nasceram, as
dúvidas que nos acompanharam, os momentos em que pensámos desistir e aqueles em
que uma frase, finalmente encontrada, nos devolveu o entusiasmo. E percebemos
que, a partir daquele instante, o livro já não nos pertence inteiramente. Vai
partir ao encontro de outros olhares, de outras sensibilidades, de outras
vidas.
Escrevemos,
muitas vezes, para compreender melhor o mundo, para organizar o que sentimos
ou, simplesmente, para dar voz, àquilo que não conseguimos dizer de outra
maneira. Mas, quando o livro chega às mãos dos leitores, ganha uma vida
própria, que já não podemos controlar.
E há também
uma espécie de fragilidade neste momento. Por mais livros que tenhamos
publicado, cada novo livro traz consigo a vulnerabilidade de quem começa de
novo.
Por isso,
cada novo livro é, em simultâneo, uma despedida e um começo. Despedimo-nos de
um tempo que foi nosso e abrimos a porta a um tempo que será dos outros. E,
mesmo sabendo que nem todos irão gostar, que nem todos irão compreender, fica-nos
a felicidade de termos escrito aquilo que sentíamos ser necessário escrever.
Porque um livro novo não é apenas mais um livro. É uma parte de nós que ganha mundo. E há sempre uma emoção muito particular em deixar que esse mundo nos leia, nos descubra e, quem sabe, nos guarde um pouco dentro de si.


