Não é um romance, não é um diário, mas é um conjunto de reflexões que nos permitem, eventualmente, escolher o caminho mais adequado à nossa felicidade. E essa foi a real intenção do ciclo que agora fecho. Estará nas livrarias em Outubro!
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
Não é um romance, não é um diário, mas é um conjunto de reflexões que nos permitem, eventualmente, escolher o caminho mais adequado à nossa felicidade. E essa foi a real intenção do ciclo que agora fecho. Estará nas livrarias em Outubro!
Só soube ontem, tarde, quando vinha de um jantar que acabou
tardíssimo, que o Joaquim tinha falecido. Fiquei em choque, porque ia sempre
sabendo como ele estava.
A nossa amizade vem de longe. Vem de uma entrevista que ele me
fez, quando eu era ainda muito jovem, e que, na altura, deu que falar. Não
tanto por mim que ninguém conhecia, mas pelo modo bem original, como ele me deu
a conhecer.
Meses passados sobre essa entrevista, ele convidou-me para
trabalhar com ele numa proposta publicitária, que lhe haviam feito. Há coisas
que nunca rejeito, se vierem de alguém em quem confio e de quem gosto.
Embarquei!
Joaquim Letria era uma pessoa com uma vida para além da
figura pública: os seus afetos, as suas relações, a intimidade, as
fragilidades, a maneira de estar com os outros e de enfrentar o passar dos
anos.
Sobre a sua morte, há uma distinção importante: saber que
alguém morreu não é o mesmo que conhecer as circunstâncias humanas da sua
existência. Por isso no caso dele não quero inventar pormenores sobre o que
sentia, sobre quem o acompanhou ou sobre a forma como viveu os seus últimos
momentos.
Talvez o que procuro seja algo mais pessoal: como era Joaquim
Letria enquanto homem, nos seus afetos, na sua vida familiar e na maneira como
encarava a vida e a morte.
É por aí que devemos olhar para ele.
“Uma
empresa europeia deve poder trabalhar na Europa como se a Europa fosse o seu
mercado.”
1. Uma
empresa, uma porta de entrada
Uma empresa
constituída legalmente em Portugal deveria poder tratar grande parte da sua
expansão para outros países europeus, através de um único sistema digital
europeu.
Não deveria
ter de aprender um sistema diferente em cada país.
2. Menos
papelada
Se uma
informação já foi entregue ao Estado português, não deveria ser necessário
voltar a entregá-la cinco vezes noutro país europeu.
3. Vender
para toda a Europa
Uma pequena
empresa de Braga, Beja ou Faro deveria poder vender os seus produtos ou
serviços em qualquer país da União Europeia com regras claras e fáceis de
compreender.
4.
Contratar pessoas com mais facilidade
Uma empresa
portuguesa que precise de contratar alguém noutro país europeu deveria
encontrar um processo simples para o fazer, sem uma montanha de burocracia.
5.
Crescer sem ter de ser uma grande empresa
Esta parte é
essencial.
As grandes
empresas conseguem contratar advogados, contabilistas e especialistas para
entrar em novos mercados.
Uma
pequena empresa não consegue.
Por isso, o
Mercado Único Empresarial deveria ser pensado primeiro para quem tem 5, 10, 20
ou 50 trabalhadores.
6. Um
princípio muito simples
Sempre que
uma empresa quisesse fazer uma algo legal num país europeu, a pergunta deveria
ser:
“É mesmo
necessário criar uma nova barreira?” Se for necessário, elimina-se.
E PORTUGAL?
Aqui está, julgo,
a parte mais interessante.
Portugal tem
muitas empresas pequenas e médias que poderiam crescer muito mais se fosse mais
fácil chegar aos 450 milhões de consumidores europeus.
Em vez de
pensarmos apenas:
“Como
trazer empresas estrangeiras para Portugal?”
também
deveríamos pensar:
“Como
levar as empresas portuguesas para a Europa?”
Uma empresa
portuguesa não deveria ter de se transformar numa multinacional para conseguir
vender em vários países.
Deveria
bastar ser uma boa empresa.
A ideia
poderia resumir-se assim:
Um país
para criar a empresa.
Uma Europa para a fazer crescer.
Dito de outro modo “Uma empresa europeia devia poder trabalhar na Europa, como se a Europa fosse o seu mercado.”
É este o título do meu novo livro, que dentro de dias, estará
nas livrarias. Fecha-se, com ele, um ciclo de quatro livros, que, há já uns
longos meses hibernava dentro de mim, à espera da minha disponibilidade de dar
a conhecer as alterações profundas que, entretanto, fui sofrendo.
Perante um
novo livro, o autor sente sempre qualquer coisa, difícil de explicar por
palavras. É uma mistura de alegria, emoção, orgulho e, talvez, também, um pouco
de medo. Porque ele nunca é apenas um conjunto de páginas impressas. É tempo,
pensamento, memória, inquietação e, muitas vezes, uma parte de nós, que
decidimos deixar à vista dos outros.
Há qualquer
coisa de profundamente íntimo quando seguramos, pela primeira vez, um livro que
escrevemos. Reconhecemos as palavras, lembramos os dias em que nasceram, as
dúvidas que nos acompanharam, os momentos em que pensámos desistir e aqueles em
que uma frase, finalmente encontrada, nos devolveu o entusiasmo. E percebemos
que, a partir daquele instante, o livro já não nos pertence inteiramente. Vai
partir ao encontro de outros olhares, de outras sensibilidades, de outras
vidas.
Escrevemos,
muitas vezes, para compreender melhor o mundo, para organizar o que sentimos
ou, simplesmente, para dar voz, àquilo que não conseguimos dizer de outra
maneira. Mas, quando o livro chega às mãos dos leitores, ganha uma vida
própria, que já não podemos controlar.
E há também
uma espécie de fragilidade neste momento. Por mais livros que tenhamos
publicado, cada novo livro traz consigo a vulnerabilidade de quem começa de
novo.
Por isso,
cada novo livro é, em simultâneo, uma despedida e um começo. Despedimo-nos de
um tempo que foi nosso e abrimos a porta a um tempo que será dos outros. E,
mesmo sabendo que nem todos irão gostar, que nem todos irão compreender, fica-nos
a felicidade de termos escrito aquilo que sentíamos ser necessário escrever.
Porque um livro novo não é apenas mais um livro. É uma parte de nós que ganha mundo. E há sempre uma emoção muito particular em deixar que esse mundo nos leia, nos descubra e, quem sabe, nos guarde um pouco dentro de si.
É cuidar de nós, sem esquecer os outros. É preservar a
autonomia, respeitar os nossos ritmos, aceitar as mudanças e aprender a
conviver com as limitações que o tempo, por vezes, nos impõe. É compreender que
pedir ajuda não diminui a nossa dignidade e que a experiência acumulada ao
longo dos anos constitui um património que merece ser partilhado.
Dar vida aos anos é, também, não adiar indefinidamente a
felicidade. É telefonar a quem temos saudades, dizer «gosto de ti» enquanto
vamos a tempo, perdoar quando o coração o permite, rir sem motivo especial e
saborear os pequenos prazeres que tantas vezes passam despercebidos na pressa
dos dias.
Há uma beleza particular na maturidade: a de quem já
atravessou tempestades, conheceu alegrias e desilusões, perdeu algumas ilusões,
mas aprendeu a distinguir o essencial do acessório. Com o tempo, percebemos que
nem tudo merece a nossa inquietação, que há batalhas que não precisamos de
travar e que a verdadeira riqueza está, muitas vezes, nas coisas mais simples.
Não se trata de fingir que o tempo não passa, nem de
transformar cada dia numa obrigação de felicidade. Há dias difíceis, solidões
que pesam e ausências que nenhuma palavra consegue preencher. Dar vida aos anos
é também aceitar essa realidade, sem vergonha da fragilidade, mas sem desistir
da esperança.
Porque viver não é apenas respirar, cumprir rotinas ou
esperar pelo dia seguinte. Viver é participar, sentir, criar, amar, aprender e
continuar a ter motivos para sair de casa, abrir um livro, passear à beira-mar,
encontrar amigos ou simplesmente contemplar o mundo com olhos atentos.
A longevidade é uma conquista. Mas a verdadeira conquista
está em dar qualidade, dignidade e significado a esse tempo adicional. Está em
construir uma sociedade que respeite os mais velhos, que combata a solidão, que
valorize a sua experiência e que não confunda idade com inutilidade.
Não queremos apenas acrescentar anos à vida. Queremos
acrescentar vida aos anos.
E talvez seja essa uma das maiores sabedorias que o tempo nos
ensina: não podemos escolher todos os acontecimentos que nos esperam, nem
controlar o número de anos que viveremos. Mas podemos, dentro das nossas
possibilidades, escolher a atitude com que enfrentamos cada etapa, a ternura
que oferecemos, a curiosidade que preservamos e a marca humana que deixamos nos
outros.
No fim, dar vida aos anos é continuar a sentir que vale a
pena estar aqui. É reconhecer que, enquanto houver vontade de amar, de
aprender, de partilhar e de sonhar, a vida não se esgota na idade que temos.
Porque os anos contam-se no calendário, mas a vida mede-se na
intensidade dos momentos, na profundidade dos afetos e na capacidade de
continuarmos a encontrar sentido em cada amanhecer.
A distinção entre igualdade de dignidade e igualdade
de recompensa é particularmente importante, quando discutimos justiça,
mérito e organização da sociedade.
A igualdade de dignidade significa reconhecer que
todas as pessoas têm o mesmo valor intrínseco, independentemente da sua
profissão, riqueza, estatuto social, talento, origem ou grau de sucesso. Um
médico, um agricultor, um professor, um empresário ou um trabalhador manual
merecem igual respeito enquanto pessoas. Esta igualdade é um princípio moral:
ninguém vale mais do que outro ser humano.
A igualdade de recompensa, pelo contrário, significa
que todos deveriam receber exatamente o mesmo resultado — o mesmo rendimento,
reconhecimento, posição ou benefício — independentemente do contributo, da
responsabilidade, do esforço, da competência ou do risco assumido. É uma ideia
muito diferente e, em muitos contextos, pode entrar em conflito com a própria
noção de justiça.
Uma sociedade justa não precisa, portanto, de confundir igual
valor humano com igual resultado social. Podemos defender que ninguém deve
ser humilhado, discriminado ou privado de oportunidades por aquilo que é, sem
concluir que todas as pessoas devam receber exatamente a mesma recompensa pelo
que fazem.
O desafio está em encontrar o equilíbrio: igual dignidade
à partida, oportunidades justas no caminho e reconhecimento proporcional da
responsabilidade, do mérito e do contributo. A desigualdade de resultados
pode ser legítima; a desigualdade de dignidade, nunca.
No fundo, trata-se de distinguir duas perguntas que
frequentemente confundimos: “Quanto vale esta pessoa?” e “Quanto deve
ser reconhecido aquilo que ela fez?”. A primeira deve ter uma resposta
universal — todas as pessoas têm a mesma dignidade. A segunda admite
diferenças, desde que essas diferenças sejam justificáveis e compatíveis com a
justiça.
O mundo do trabalho está a mudar. Durante muito tempo, a
produtividade e os resultados estiveram no centro das organizações. Hoje,
cresce a preocupação em conciliar desempenho com bem-estar, dignidade e
desenvolvimento pessoal.
Humanizar o trabalho significa reconhecer que, por detrás de
cada função, existe uma pessoa com capacidades, emoções, necessidades e
expectativas. Não significa diminuir a exigência, mas criar condições para que
o profissional possa realizar o seu trabalho com responsabilidade, autonomia e
equilíbrio.
A expansão da inteligência artificial e da automação torna
esta questão ainda mais importante. À medida que muitas tarefas são realizadas
pela tecnologia, ganham valor competências essencialmente humanas, como a
criatividade, a empatia, o pensamento crítico, a comunicação e a capacidade de
trabalhar em equipa.
Também as relações dentro das organizações estão a mudar.
Modelos de liderança mais participativos, baseados na confiança, na autonomia e
no reconhecimento, tendem a substituir formas excessivamente hierárquicas de
gestão. A flexibilidade e os modelos híbridos reforçam igualmente a necessidade
de encontrar um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal.
Mas humanizar o trabalho não pode limitar-se a palavras como
“bem-estar” ou “propósito”. Exige práticas concretas: respeito, escuta,
reconhecimento, igualdade de oportunidades e ambientes onde as pessoas possam
contribuir e desenvolver-se.
Num futuro marcado pela tecnologia e pela mudança constante, a questão não será apenas que trabalho faremos, mas também como queremos trabalhar e que lugar queremos dar à pessoa dentro das organizações.