Dizem que o
tempo cura tudo. Mas será que cura mesmo? Ou apenas ensina a conviver com o que
doeu?
A mágoa não
desaparece de um dia para o outro. Ela instala-se devagar, às vezes silenciosa,
outras vezes pesada como uma pedra no peito. Pode nascer de uma palavra dita
sem cuidado, de uma promessa quebrada ou de um silêncio que magoou mais do que
qualquer grito. No início, arde. Depois, parece adormecer. Mas esquecer…
esquecer é outra história.
Com o tempo,
aprendemos a olhar para a mágoa de forma diferente. Já não dói com a mesma
intensidade, já não nos tira o sono como antes. Contudo, ela deixa marcas. E
talvez não seja para ser esquecida totalmente. Talvez a mágoa exista para nos
ensinar algo — sobre limites, sobre amor-próprio, sobre quem merece permanecer
na nossa vida.
Esquecer
pode não ser possível, mas perdoar — aos outros ou a nós mesmos — pode ser
libertador. Não porque o que aconteceu deixou de importar, mas porque
escolhemos não carregar o peso todos os dias.
A mágoa pode
não se apagar da memória, mas pode perder a força. E quando isso acontece, já
não é uma ferida aberta — é apenas uma cicatriz. E as cicatrizes contam
histórias de dor, mas também de superação.