terça-feira, 10 de dezembro de 2019

As crises...

Como todos sabemos as crises não constituem uma experiência agradável. São de origem muito diversa e nem sempre têm solução. As mais difíceis, para além das da alma, são as da política. Porque ou atingem a alma do partido onde se dão ou, em situações mais graves, atingem os países onde se verificam-
Os portugueses têm, historicamente, passado por várias. Os seus partidos também. Nenhum lhes escapa. São as dores do crescimento, diz-se. 
Deve ser isso que aconteceu na crise que o Livre atravessou. É que só após 22 horas de trabalho e uma dezena de audições, decidiu não aplicar qualquer processo disciplinar à sua única deputada, Joceline Katar Moreira.  Quanto às declarações feitas pela mesma na comunicação social de "que foira eleita sozinha e não tivera qualquer tipo de apoio da direção do partido", o mesmo, através da sua Assembleia, lamenta profundamente que elas tenham sido produzidas e que não tenha existido um pedido de desculpas pelas mesmas, esperando que esta situação se não venha a repetir. Partido não só tolerante face a crises, como com quem as provoca! Surpreendente...

HSC

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Venha daí!


Não é uma apresentação. Não é um lançamento. É um encontro com amigos a quem direi  - em não mais de cinco minutos - umas palavras sobre estas "Escolhas". Decidi assim para poder falar com as pessoas que por lá tenham gosto de aparecer. Nada de formalismo. Apenas conversa e autógrafos para quem desejar. Se puderem e sobretudo se nquiserem estejam comigo. Eu ficarei muito contente. 

HSC

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Finalmente!

Finalmente, vamos poder descansar um pouco do fastidioso relato das viagens feitas em veleiros pela ativista Greta Thunberg, as quais não devem, aliás, ter saído baratas aos seus dedicados patrocinadores.
É que surgiu um novo movimento pelo clima. Chama-se World War Zero e junta John Kerry, Bill Clinton, Leonardo Di Caprio e Schwarzenegger. E também quer sensibilizar os políticos para a necessidade de responder à crise climática e unir "aliados inesperados" na mesma luta.
Foi fundado pelo antigo secretário de Estado John Kerry. e pretende ser “uma nova coligação” que junta “políticos de topo, líderes militares e celebridades de Hollywood, para lutar por uma resposta à crise climática”, diz o The Guardian.
A filiação está aberta a todos. Para isso, basta entrar no site do World War Zero e inscrever-se para passar a fazer parte do referido movimento.
Confesso que estou um pouco cansada desta loucura colectiva contra os aviões que se pretendem substituir por veleiros ou, vá lá, por comboios, como se isso fosse a grande formula de salvar o planeta. 
Assim, declaro que gosto mais deste WWZ, que só usa veleiros em tempo de férias e não os usa para atingir os seus objectivos ou marcar presença nas selectíssimas conferencias sobre a matéria.

HSC

domingo, 1 de dezembro de 2019

De novo, a regionalização...

..."Enquanto o país anda distraído com as peripécias da deputada Joacine e o anedotário dos cofres de José Sócrates, estão a ser tomadas decisões que ninguém sufragou e que comprometem o nosso futuro: os autarcas, comissários, gente que vive no Estado e do Estado reuniu-se num encontro da Associação Nacional de Municípios Portugueses e, fazendo tábua rasa do referendo de 1998, anunciaram ao país que a regionalização é para avançar. António Costa idem e Marcelo disse que não e talvez sim um bocadinho."...

                                    Helena Matos in Observador


A regionalização foi a única vez em que, publicamente, integrei um grupo que defendia objectivos de natureza política. O mesmo viria a sair vencedor no referendo de 1998. E o seu comportamento foi, aliás, exemplar. Criado com fins perfeitamente definidos, logo que o seu objectivo foi alcançado, apresentou contas e naturalmente desfez-se. 
Tenho a ideia, vaga, de que, à época, Marcelo estava connosco e contra a regionalização. Não asseguro o nome dele, mas lembro muitos outros, pessoas muito respeitáveis, que deram a cara pelo projecto.
Passaram uns anos e o processo de aprovação, em secretaria, da mesma regionalização que foi chumbada pelo referendo de 1998, está em marcha desde Julho deste ano, pela mão de João Cravinho, na qualidade de Presidente da Comissão Independente para a Descentralização.
O assunto é demasiado grave e tem implicações tão sérias para o país, que não consigo acreditar que tal decisão vá por diante, sem que sejamos todos chamados a pronunciar-nos sobre a questão. Aguardemos pois que os portugueses acordem e estejam atentos ao que se está a passar...

HSC

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Os filhos do divorcio

O PS entregou no Parlamento um projeto para alterar o Código Civil e estabelecer uma preferência pelo regime da residência alternada, em caso de divórcio ou separação judicial, sem necessidade de acordo mútuo entre os progenitores.
Compreendo a proposta do PS, mas receio que o cônjuge economicamente mais débil fique em desvantagem face à criança. E temo que esta decisão venha a permitir uma forma encapotada de alguns pais se furtarem à pensão de alimentos.
Na guarda conjunta, a regra actual, que considero justíssima, sobretudo relativamente aos pais, não há pensão de alimentos. Mas o problema permanece. Se um dos cônjuges não tiver a mesma capacidade financeira do outro, como é que vão dividir as despesas comuns de modo a garantir que a criança se não ressentirá? Quando um pode dar conforto, brinquedos e diversão e o outro, apenas o mínimo que um baixo salário consinta, com qual tenderá a criança a querer ficar?
O amor não se compra, dizem alguns. Mas isso é quando se é adulto. Pedi-lo a uma criança, é esquecer que ela é, de facto, uma criança, cujos valores morais ainda não estão estruturados.
Oxalá o PS tenha pensado bem no assunto, porque a entrega dos filhos às mães, que foi a regra durante muito tempo, trouxe para estas tremendos sacrifícios que deveriam ter sido partilhados com os pais.

HSC

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Ser persistente!

Há 12 anos abri este blog. Aqui cada um diz o que pensa e até se estabelecem diálogos entre os comentadores. Nunca o fechei, nem sequer por um pequeno período de tempo. 
Hoje numa entrevista a propósito do meu ultimo livro dei-me conta disto, deste tipo de intervenção pública. Tem sido uma obra de persistência, que considero como uma espécie de voluntariado na área da cidadania. E, confesso-vos,  julgo poder dizer que senti uma ponta de orgulho nesta resiliência.
A todos os que me acompanharam nesta década, aqui fica o meu mais sincero obrigada! 

HSC

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Ser velho...



"Na operação "Censos Sénior 2019", realizada durante todo o mês de outubro, a GNR sinalizou em todo o país cerca de 42 mil idosos que vivem sozinhos e/ou isolados ou em situação de vulnerabilidade devido à sua condição física, psicológica ou outra que possa colocar a sua segurança em causa."
Quando se lê uma noticia destas surgem sempre duas questões. Uma é a de saber que sociedade estamos nós a construir. A outra é a de indagar que modelo familiar está por trás de tanta solidão.
Sei bem que o Estado pode criar instituições de apoio a este tipo de idosos. Mas isso é só uma parte do problema. A outra reside no nosso tipo de familia em que todos trabalham - na melhor das hipóteses - e não podem ocupar-se dos velhos.
Mas há uma terceira e inquietante questão que nos deveria fazer meditar. É que hoje os velhos são um peso para um tipo de vida familiar que pensa mais no "ter" do que no "ser". E que deusificou de tal modo a juventude que tornou quase uma vergonha a condição de ser idoso.
Pertenço a uma geração em que os novos se ocupavam dos mais velhos, pelo respeito e amor que estes lhes mereciam. Pertenço, também, à geração dos idosos que vivem sozinhos. E pertenço, felizmente, à geração dos idosos que têm o privilégio de continuar a trabalhar e a viver desse trabalho. 
Posso, por tudo isto, ficar triste quando leio uma notícia como esta. Mas posso e devo lembrar o Estado e as famílias que ser idoso é algo que irá acontecer à maioria das pessoas e que só isso deveria já obrigar-nos a discutir modelos viáveis para que tal não aconteça de forma tão brutal.


HSC