quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Nada retornará...

É muito cedo para se fazer uma análise sociológica do que se passou com os portugueses em consequência da pandemia que ainda atravessamos. No meu caso particular, sinto que algumas características minhas se alteraram bastante. Neste momento apenas me dou conta delas, mas o seu grau de profundidade continua desconhecido. Para usar uma linguagem vulgar, talvez a noção de finitude seja a mais marcante de todas elas. Antes eu sabia, agora sinto que o tempo é que irá determinar o que ainda farei e como o farei.

Falo disto porque a despedida do Sousa Tavares do jornalismo - sejam quais forem as verdadeiras razões - despoletou em mim uma sensação de que, a partir de certa altura da vida, há um "tempo certo" para se tomarem determinadas atitudes e decisões.

Ora o confinamento o que é que nos trouxe de verdadeiramente novo? Foi tempo. Tempo para pensar em nós próprios e nos outros. Mas também a inutilidade de discutir aquilo que já não se irá passar na nossa vida. De repente, dei-me conta da facilidade com que os "velhos" - porque, de facto, já não são jovens - que nos governam, tomam medidas cujas consequências, muitos delas, já não terão, sequer, oportunidade de ver realizadas.

Reconhecer este facto, deveria levar-nos a três tipos de decisão. A primeira, começar jovem para haver tempo de aprender. A segunda, aproveitar bem o ensinamento dos mais velhos e aperfeiçoar tudo quanto possa ser melhorado. A terceira, saber "sair" a tempo de não serem os outros a dispensarem-nos.

Parece-me que MST percebeu tudo isto muito bem. Se ele é ou não, capaz de suportar as consequências desta perceção, é outra história. Mas isso é o que acontece, quando começamos a perceber que a finitude,  faz parte da nossa vida, não vem de roldão, e portanto, vai passar a ser companheira fiel daqueles que não souberem preparar-se para envelhecer. Dito de outro modo, para o bem e para o mal, nada já mais voltará a ser o que era! 

HSC 

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Cry macho - O caminho para a Redenção

 

Fui há dias ver o ultimo filme de Clint Eastwood. Antes, faço já prévia declaração de interesses. Sou uma fã incondicional deste homem, que começou nos filmes de cowboy spaghetti e se tornou num ator e realizador de grande qualidade. 

Quanto mais envelhece - tem 91 anos - mais clara e límpida se torna a visão da América que os seus filmes nos transmitem. "Cry macho - O caminho para a redenção" é uma história dentro de duas ou o contrário se preferirem. Ele não disfarça, em nenhuma altura, a sua idade e ela nota-se, não na sua cabeça, mas no seu corpo.

Durante uma hora e pico vemos a caminhada de um garoto e de um velho assistindo a uma espécie de transfusão de valores entre os seus dois mundos. A mim, comoveu-me a aceitação da idade e o jubilo, a alegria, que lhe dá continuar a falar connosco, fazendo filmes. 

Talvez porque a idade e o trabalho sejam valores a que sempre atribuí muita importância ou  porque, sendo um pouco mais nova do que ele, sempre o senti muito próximo daquilo em que acredito. E que faz do pensamento e do trabalho um dos grandes alicerces da nossa vida. Vida que, mesmo aos 91 anos, pode trazer muitas surpresas, pelas quais devemos ficar gratos. Ou, se preferirem redimidos.

Consta que ele já está a preparar um novo filme. Gostava muito de ainda ser viva para o poder ir ver!

HSC

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

MST - Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares despediu-se, no último domingo, de 45 anos de jornalismo e fê-lo com uma entrevista à mais alta figura do Estado, o Presidente da Republica Portuguesa.

Não é do entrevistado que pretendo falar, mas sim do entrevistador. Nunca fui fã do Miguel, pela rudeza e sobranceria que frequentemente revelava, pese embora, muitas vezes tenha concordado com o conteúdo daquilo que dizia.

Há já mais de quarenta anos, ele "meteu-se" com um dos meus filhos. Como seria de esperar, não perdi um minuto a responder-lhe na mesma moeda. A "formiga" que eu era na época, ousou, assim, ripostar ao pequeno "génio" que nele já despontava. Nunca tive retorno, como era natural.

No domingo que passou, quando o vi, com toda a correção, fazer o seu ultimo trabalho jornalístico, senti pena. Há muitas razões para se gostar ou não do Miguel Sousa Tavares. E também há bastantes razões para - sendo filho de Sophia de Melo Breyner e de Francisco Sousa Tavares-  se perceber o receio de uma eventual comparação. Estou à vontade, porque conheci ambos e de ambos tenho boas lembranças.

Porém, quarenta e cinco anos de jornalismo, foram mais do que suficientes para ele criar a sua própria marca, o seu MST e ser avaliado pelo que realmente é e, não mais, pelo filho de quem foi. E, porque não temos, infelizmente, assim tantos bons jornalistas, não será de ver com grande gaudio a sua saída da ribalta.

Pessoalmente e não sendo sua fã, sinto que irá faltar "alguém" ao jornalismo de qualidade, em Portugal. Não deixarei, por isso, de o acompanhar, quer na coluna do Expresso, quer nos livros que venha a escrever. E, desejo, sinceramente, que ele nunca venha a ter saudades do tempo que agora termina.

HSC

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Família

"Família é prato difícil de preparar. 

São muitos ingredientes. 

Reunir todos é um problema...

Não é para qualquer um. 

Os truques, os segredos, o imprevisível. 

Às vezes, dá até vontade de desistir...

Família é prato que emociona. 

E a gente chora mesmo. 

De alegria, de raiva ou de tristeza. 

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. 

Tontice!

Tudo ilusão!

Família é afinidade, é à Moda da Casa. 

E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. 

Outras, meio amargas.

Outras apimentadíssimas.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. 

A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. 

Muita coisa se perde na lembrança. 

Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete

Família: 

Feliz quem tem e sabe curtir, aproveitar e valorizar..."           

Família é projeto de Deus!


Então...

Amem-se, 

Perdoem -se, 

Aceitem-se, 

Tolerem-se 

e vivam como se hoje fosse o último dia que vocês vão estar com a sua família. 

Excerto de

"O Arroz de Palma", 

de Francisco Azevedo.

Semana Nacional da Família.

Temos família de sangue, família do coração, família do trabalho, família de amigos. Viva às famílias que construímos ao longo da vida com a graça de Deus!

HSC

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Novos tempos Lisboa

Todos os que me conhecem sabem da minha aversão à politica partidária. Mas também saberão que não descuro o exercício do voluntariado, seja ele de que natureza for, desde que eu possa e saiba desempenhar.
A minha cidadania tem-se construído com base na palavra. A minha carreira com base no ensino da economia/ econometria. E não tinha a mínima intenção de sair de qualquer delas.
Com a palavra, julgo ter influenciado algumas pessoas a darem o melhor de si, em prol dos outros. Com a profissão terei, acredito, ajudado alunos a descobrirem em si faculdades de que nem se tinham dado conta.
Pois bem, faltava-me deixar de ser "expectadora" política. Faltava-me a capacidade - julgava eu - de passar para o lado de lá, e tentar ser uma "fazedora". Dois homens, hoje dois amigos, puxaram por mim e levaram-me ao campo desconhecido. Apenas com uma condição: a de continuar a ser independente. Esses homens chamam-se Carlos Moedas e Luis Newton. Um candidato a Lisboa. O outro recandidato à Junta de Freguesia da Estrela, onde vivo há 60 anos.

Em ambos deposito a minha confiança. E com ela a minha ousadia de tentar ser autarca na Estrela, servindo os dois e servindo os outros. Foi preciso passarem mais de seis décadas de vida para, familiarmente, eu ter o direito e as condições de, sendo livre, fazer um discurso político e assistir a um comício. O que prova bem que, nunca é tarde para sonhar e dar forma aos nossos sonhos!

 

HSC 


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Guiada pelas estrelas


Falei-vos, há uns dias, da surpresa que tinha tido por receber em casa um livro com o titulo deste poste e cuja autora era Maria Helena Barradas, uma velha amiga dos tempos de liceu. Era um primeiro livro, feito aos 80 anos, de uma pessoa que tinha tido uma vida extremamente interessante, quer pessoal quer profissionalmente. E prometi que o iria ler e depois escrever sobre ele.

Num tempo muito ocupado, li-o durante uma semana com toda a atenção. Primeiro, a autora tem um domínio da língua evidente; depois a história é de uma grande riqueza emocional. Escrita umas vezes na primeira pessoa do singular, outras, na terceira pessoa, a história vai fluindo como se fizéssemos parte dela.

Percebe-se que ali está muito de autobiográfico, mas o olhar de quem escreve é o da serenidade, o de quem fez, há muito tempo, pazes com a vida. A mim, que presenciei alguns daqueles anos, tocou-me a ternura com que o passado e o presente são olhados.

Num período de pandemia e de uma certa forma de agressão verbal que caracterizou os últimos meses da sociedade portuguesa, a leitura desta vida passada ao papel, traz-nos alguma paz interior. Só isso bastaria para eu aconselhar a sua leitura . Mas a obra vai muito mais longe e aponta para que, cada um, antes de tudo o mais, se saiba perdoar a si próprio. A não perder!

HSC

sábado, 11 de setembro de 2021

Sentimentos

Já aqui vos contei que a pandemia me havia permitido descobrir - é o termo justo - alguns aspetos meus que estavam, ainda, bem escondidos. Lembro-me que durante o período em que fiz análise, o meu médico me ter dito que, quando ele a desse por terminada, eu iria progressivamente lobrigar em mim aspetos dos quais eu nem me dava conta. Tinha razão.

Com efeito, ou a pandemia mudou muito a sociedade em que vivo, ou eu tive a tal oportunidade rara de me olhar de forma algo diversa. Felizmente, isso foi muito claro no ultimo ano e meio. E acabou por ser completamente confirmado, com o "retiro aberto" que fiz esta semana, com o Cardeal Tolentino e que versou sobre as "crises" por que todo o ser humano passa para recomeçar.

Os que convivem mais de perto comigo, pressentem essa diferença, mas não a sabem clarificar. Dizem-me "estás diferente , mas não sei explicar o que é"! E eu respondo que é muito cedo para eles compreenderem, a fundo, a minha transformação, e que um tempo virá, apesar do pouco tempo que me possa restar, em que eles irão perceber a força que acontecimentos exógenos podem ter sobre nós.

Ainda não é o tempo. Ainda não senti que, sem uma explicação, os amigos deixariam de me entender. Mas, creio que esse tempo virá, antes do meu acabar!

HSC

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Jorge Sampaio


Há pessoas cuja personalidade é tão complexa, que se torna difícil sabermos quem realmente são, ou se são aquilo que pretendem parecer ser. Sobretudo, quando a sua existência é longa e muito diversificada. Se a politica interfere, essa perceção é, ainda mais, difícil.

Conheci Jorge Sampaio, advogado, nos já perturbados fins dos anos sessenta. Por razões de natureza familiar, acompanhei uma boa parte do seu percurso. Não foi, no meu caso, um caminho fácil, porque ele foi uma das pessoas que mais me magoou na minha vida. Levei quase cinco décadas a tentar conciliar-me com essa mágoa. 

Hoje todos o elogiarão o seu caráter, a sua carreira e a sua importância na construção do Portugal que temos. Para para mim, termina, enfim, uma dor que, por ser única, me impediu de o olhar como a maioria dos portugueses. Está sanada a tristeza que, ao longo de tantos anos, ainda continuava a aflorar à minha mente. Que descanse em paz é o que, agora, lhe desejo!

HSC

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Amigos

 Hoje é o dia universal da poesia. Vale a pena ler este texto  dedicado aos amigos. 💖


 "Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.

 Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

 Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade boémia, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

  

Nota O texto foi atribuído a Fernando Pessoa, mas a atribuição foi considerada falsa e posterior à morte do escritor                                                            

sábado, 4 de setembro de 2021

Isabel da Nobrega


Conheci-a há muitos anos e a empatia foi mútua. Creio que terá sido Natália Correia quem ma apresentou. Não nos víamos muito, mas quando isso acontecia, era uma lufada de vida que eu recebia. Viveu como quis e suportou o julgamento daqueles que, não tendo a sua coragem, não desdenhariam, porém,  de viver o que ela viveu.

Eu gosto muito da sua obra e sempre me penalizou que ela tivesse apostado mais em Saramago do que em si própria. E não perdoo a Saramago - que considero um grande escritor que muito lhe deve - ter eliminado, posteriormente, o se nome dos livros que lhe dedicou.  

O passado não se apaga com gestos desta natureza e o reconhecimento do que devemos a alguém também não. Cheguei a pegar-me com Carlos do Carmo, num programa do Herman, por causa deste gesto lamentável por parte do escritor.

A literatura nacional perdeu uma Mulher que tem uma obra importante. Pena foi que se apagasse como escritora, face a desgostos que, aqueles que com ela viveram, não souberam reconhecer. À família, de quem sou muito amiga, mando um abraço com imensa ternura. E a ela desejo, do fundo do coração, que a sua luz ilumine todos aqueles que, como eu, a admiravam bastante!

HSC

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Reciprocidade

É costume afirmar-se que que existem amores que não exigem reciprocidade. E o exemplo mais utilizado é aquele que liga pais e filhos. Há mesmo quem afirme que dava a vida por um filho, mostrando com esta frase a incondicionalidade do seu amor.

Pois eu não concordo. Amor sem reciprocidade não é amor. É egoísmo e dificilmente se suporta por muito tempo. Quando se ama, a expetativa é que o outro sinta o mesmo por nós. Se tal não acontece, que sentimento é esse que liga duas pessoas num só sentido?

Pessoalmente, não me passaria pela cabeça manter qualquer tipo de relação com alguém que eu sentisse que me não amava. Entre isso e perder a pessoa para quem eu pouco representava, preferia prescindir dela. Sentimento semelhante, é aquele que diz que os pais amam os filhos igualmente. Não é verdade. As manifestações de amor podem ser semelhantes, mas a intensidade delas pode ser diferente. Eu não amo das mesma forma um filho que me maltrate e um filho que me encha de ternura. Nem seria justo dar o "mesmo" amor a pessoas que são diferentes. O que se pode pedir aos pais, é que tentem amar os filhos como eles precisam de ser amados, de modo a que possam sentir-se seguros desse amor que lhes é tão necessário.

Amei profundamente os meus pais, mas amei-os de forma diferente. Amei e amo profundamente os filhos que tive. Mas amei-os como entendi que eles precisavam de ser amados. E, creio não me ter enganado, porque o amor que recebi deles também tomou formas diferentes. O mesmo se passa com os netos. E aqui o sentimento de reciprocidade é, pelo menos para mim, muito importante, porque eles têm várias avós com comportamentos naturalmente diversos. E eu quero ser amada como os amo a eles. Seria tremendamente injusto, a meu ver, que tendo netos diferentes, lhes desse afeto idêntico.

A maioria das pessoa não pensa assim, porque este não é o pensamento politicamente correto. Mas sem terem consciência disso vivem com alguma amargura a sua vida, ao sentirem que não são correspondidas. Não deveriam faze-lo, porque amor com amor se paga e, quem não cultiva os seus amores, pouco pode esperar deles!

HSC


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Memórias

Como reagir quando, passados trinta anos, uma pessoa que nos magoou muito, nos quer pedir perdão? Pedir perdão não é a mesma coisa do que pedir desculpa. De facto, pode perdoar-se algo, continuando a considerar que o gesto que se perdoa se mantém indesculpável.  

Aconteceu recentemente comigo e, a minha primeira reação, foi nem sequer admitir falar sobre o assunto. Mas perante a insistência, pensei com a cabeça e não com o coração. Este não desejava ser importunado, com algo que o tinha magoado.. A razão entendia que se alguém se queria redimir de alguma coisa, eu deveria permitir essa possibilidade e escutar o que importava que me fosse dito. Demorei meses a tomar a decisão racional, tentando não esquecer o que, na época dos acontecimentos, também tinham sido atitudes de grande estima.

Este domingo, por razões várias, veio-me à mente, a luta interna que tive de travar para aceder ao tal pedido de perdão e a sensação com que fiquei depois de o conceder. Por formação, o perdão é algo que faz parte dos valores em que acredito. Se assim não fosse, não poderia ser católica. Mas também é verdade que, não sendo santa, há traições que me custam a deglutir. Prefiro pensar que a pessoa não existe e não me deixar dominar por sentimentos negativos.

Pois bem, só ontem, domingo, é que tive a consciência plena do perdão que havia concedido há um ano. Mas senti-me tremendamente aliviada. O detonador continuava a existir, mas já não tinha qualquer força. Não retomei a relação no ponto em que a cortei. Não seria possível, nem eu o desejava. Mas deixou de me incomodar que tivesse acontecido e permitiu que eu pudesse relembrar os momentos de alegria que também então vivi!

HSC

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Helena Barradas


Conhecemo-nos no Liceu D. Felipa de Lencastre. Perdemo-nos uns anos, quando ela casou. Reencontramo-nos quando ela se divorciou e vivemos tempos inesquecíveis, sempre em bando com os nossos filhos. Perdemo-nos, de novo, quando ela foi trabalhar para o Brasil. Mas aqui eu fui lá matar as muitas saudades que tinha. 

No Brasil havia de encontrar o amor que, por tanto a amar, veio para Portugal viver e casar com ela. Era um casamento sereno e o marido era das pessoas mais afetuosas que conheci. Nesse retorno, lá nos encontrámos de novo e a sua casa em Cascais era como se fosse minha.

Ela teve três filhos, qualquer deles cheios de qualidades. Havia de perder um deles como eu perdi o Miguel. Anos mais tarde morreria o marido. Não nos víamos há bastante tempo, porque apesar de Cascais não ser longe, a escrita e as circunstâncias da minha vida nessa época, eram bastante complicadas.

Há dias, o correio trouxe-me uma encomenda. Abri. Era um livro da Helena Barradas com uma dedicatória que evocava a nossa perene amizade. O título GUIADA PELAS ESTRELAS, resume muito do que foi s vida desta mulher que venceu adversidades de monta, foi uma excelente mãe e também uma ótima filha.

Seria difícil apontar um defeito a esta lutadora que, no fim da sua vida e depois de se inscrever num Curso de Escrita Criativa, resolve editar um romance. Vou lê-lo, com a certeza de que lhe não faltará tudo o que fez da sua vida uma experiência única. Mas queria sobretudo apresentar-vos uma Mulher que a vida não vergou e que nunca baixou os braços.

Nem todos os seus sonhos se terão realizado. Mas nem a esses, ela, alguma vez, fugiu! 

Um abraço daqueles fortes que sempre demos, minha querida Helena

HSC

PS O livro encontra-se à venda na Livraria Ferin. 

domingo, 1 de agosto de 2021

A força da vontade

Já aqui contei que, no período da pandemia, sofri três intervenções cirúrgicas. Duas ao coração e uma á mão direita que, de tanto escrever, resolveu rebelar-se e deixar o canal cárpico em estilhaços. Só quem já passou por este problema pode avaliar as dores terríveis que provoca.

Esta situação, ligada ao risco Covid19, levou a que tudo o que antes me mantinha em ordem, fosse à vida e eu tivesse engordado cerca de 10Kg. O Natal fora o ponto de partida, com as malvadas doçarias de toda a espécie, que comi, e o resto era a compensação para tudo o que eu gostava e, não podia fazer.

Até que há três meses olhei para mim e não me reconheci. Não sou uma pessoa para pactuar com aquilo de que não gosto e, aquela visão, deu-me a noção de como, sem dar por isso, eu deixara de gostar de mim. Foi nesse preciso momento, há três meses, que decidi que "tinha mesmo" de voltar ao meu peso antigo. De voltar a ser eu.

Não se tratava , com esta idade, de um concurso de beleza. Mas, sempre fui uma pessoa que gostava de se arranjar, e as obrigações sociais da minha vida profissional, também muito contribuíram para isso. Cada idade tem a sua beleza, o seu interesse, o seu encanto e eu não estava disposta a abdicar do que tivesse. Penso que a minha cabeça valeu sempre mais do que a minha beleza, mas isso não era determinante de eu abandonar qualquer delas.

 Foi, confesso uma luta draconiana, mas hoje celebro o resultado dessa força de vontade com que Deus me dotou, oferecendo-Lhe os 10Kg que perdi. Voltei a ser a Helena que era e aprendi que, se quiser continuar a sê-lo, não poderei mais fazer, o que durante o ultimo ano fiz. E aprendi também a ser feliz com esta pequena limitação. Se um dia faço asneira, no outro compenso, com a frugalidade necessária.

É, de facto, verdade que querer é poder. Mas para querer, a força de vontade é a arma indispensável!

HSC

sábado, 31 de julho de 2021

Pedro Tamen


Morreu, ontem, alguém que, para além de amigo, é um dos grandes nomes da poesia nacional. O Pedro Tamen fez parte de um ciclo muito importante na minha vida e é a ele que devo o meu gosto pela poesia. Foi ele que me ensinou como se lê, se ouve, se compreende, enfim, se ama tal estilo de escrita.

Pertencemos todos ao chamado "grupo de católicos progressistas", que hoje está já muito dizimado. Restam poucos dessa época e, alguns desses poucos que ainda existem, não se encontram nas melhores condições físicas. 

Quando liguei a televisão e recebi a noticia, tive a sensação de ter levado um murro no estomago. Era mais um amigo com quem partilhei muito caminho da minha vida, que partia sem avisar. Que as portas do céu se abram para o receber e os amigos que lá temos, se juntem para o abraçar!

HSC 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Por outro lado

Há muitos anos que não lia tanto como neste último da pandemia. E o que é curioso é que li, sobretudo poesia - muito boa - e, surpreendam-se, livros de economia, de história e de sociologia. O resultado foi tão compensador que, este fim de semana, perguntei a mim própria, como foi possível terem-me passado ao lado, alguns livros recentes, essenciais a quem nunca deixou de estudar questões económicas, pois economista é o que considero que sou por gosto e formação. É maravilhoso e, simultaneamente, surpreendente, verificar a evolução que se tem vindo a dar nestas áreas.

Menos feliz tenho sido nos concertos e nos ballets, espetáculos que antes não perdia e que, neste período, têm sido mais negligenciados. Já o cinema, uma das minhas grandes paixões, perdi-o quase completamente, nas salas que lhe são dedicadas e onde gosto de os ver. Compensei com as várias plataformas existentes, mas o facto é que vê-los na penumbra do meu quarto ou da sala não dá o mesmo prazer.

Levada,  quase à força pelo meu filho mais novo, assisti a um bom filme numa hora indigesta. Antes, clamava porque ele só queria ir às sessões da meia noite e eu detestava vir para casa sem parar num lugar calmo para beber e comer algo, antes de me deitar. Agora, ando tão habituada a estar em casa que virei doméstica quer a trabalhar ou a ler e, faço votos para que que ninguém me perturbe...

Enfim, o sol deixa-me como os lagartos. Detesto apanhá-lo, mas não posso andar o verão todo a fugir dele. Assim, este fim de semana silencioso, permitiu-me ler, ouvir música, pensar e ficar em casa, dando graças a Deus por filhos e netos, serem gente adulta com vida própria.

Foram todas estas circunstâncias que permitiram, afinal, que eu fizesse o balanço da minha valorização pessoal em período de pandemia. E conclui, como sempre, que em quase tudo que de mau acontece, há sempre um lado bom escondido, de que nem sempre nos apercebemos!

HSC

domingo, 18 de julho de 2021

Obrigada doce Nívea!

Neste quadradinho em que vos vou dando conta das observações desta "mente privilegiada" - gaba-te cesto -, fui-vos dando conta das efemérides pelas quais passei em 2020, embora elas já tivessem começado a dar  sinal nos finais do ano anterior. E, no meio desta espécie de diário público, havia-vos confessado que era fã dos produtos Nívea. 

Foi com a sua diversidade que ao longo de muitos anos, fui mantendo em bom estado, aquilo que fisicamente Deus me deu. E contei-vos da minha surpresa, quando da primeira cirurgia, o médico me recomendou usar creme Nivea para acelerar a cicatrização. Seguiram-se outras duas operações mas o conselho manteve-se, embora os médicos fossem diferentes.

Pois bem, verifico que a marca trata muito bem os seus clientes fieis. Com efeito, nos três meses que se seguiram à última intervenção, feita em Abril, a Nívea cuidou que nada me faltasse dos produtos que eu eventualmente necessitaria. Foi perfeito e eu não quero deixar de agradecer à Paula Pimentel, diretora geral da Beiersdorf Portugal e à sua equipa, o carinho com que me trataram. 

Bem hajam pelo exemplo que deram, que só veio, afinal, reforçar a preferência que tenho mantido!

HSC

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Porque será?

Quem entre neste país sabe que há um dualismo intransponível constituído pela política e pelo futebol. Nesta matéria não interessa a cor do clube ou a cor das ideologia. Todos estão ligados pelo pior laço da corrupção sem rosto.

Os clubes de futebol são enormes empresas, pouco fiscalizadas, e com  que a fiscalização de contas nos partidos políticos, sabe-se que  não é melhor .

Assim, cada vez que rebenta um escândalo no futebol, vêm logo, de roldana, uma série de nomes ligados à politica e vice versa. Se é na politica que o escândalo rebenta, surgem logo nomes ligados ao desporto envolvidos nos processos.

Não seria possível que políticos e dirigentes futebolísticos assumissem a sua situação de cidadãos comuns quando se inscrevem num clube ou num partido sem misturarem as opções livremente feitas?

É que já é cansativo para a maioria dos portugueses ouvir o diz e o desdiz no campo da governação. Começa a ser insuportável ouvir, simultaneamente, as historias rocambolescas dos clubes desportivos. 

A cada ano corresponde sua cor. O ano passado foi o verde. Este ano estamos virados para o encarnado. Por favor, poupem-nos!

HSC 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Eu e o OBSERVADOR

Tenho uma assinatura premium do jornal online OBSERVADOR. Quando essa assinatura foi feita eu tinha uma conta net cabo, que ia dando cabo da minha cabeça, desde que deixou de ser da ZON.

Hoje entrei em contacto com as assinaturas do referido jornal, para alterar o meu mail, dado que estava a ter dificuldades em aceder aos artigos que os assinantes premium tinham. A senhora, muito atenciosa, que me atendeu disse-me que conseguia fazer a alteração do mail, mas que a renovação deixava de ser automática e no dia 29 de Julho eu teria que fazer uma nova assinatura.

A coitada teve de me ouvir. Então, eu tenho a atenção de avisar a empresa de que o meu mail fora alterado - não por minha vontade, mas porque a net cabo foi vendida e não funciona - e o OBSERVADOR, por esse facto, não mantém a renovação automática e obriga-me a fazer uma nova assinatura a partir de 27/7?

Não consegui entender a lógica do raciocínio e disse-o à minha interlocutora. Mais, considerava a imposição da nova assinatura um tratamento pouco elegante - não encontro outra palavra - para quem tinha tido o cuidado de informar, em tempo oportuno, uma alteração desta natureza.

Fiquei irritada e, claro, não vou renovar a assinatura no dia 29, data em que nem sequer sei onde estarei. Assim, o jornal perde uma leitora sem qualquer importância, mas eu procedo de acordo com o meu conceito de justiça relativamente a uma obrigação que considero inaceitável.

E é deste modo, por normas de pouco sentido, que certas empresas, às vezes sem saberem porquê, perdem clientes!

HSC

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Tirem-me deste filme!

 Então não é que, há um mês, a minha caixa de correio passou a ser inundada por uns cavalheiros, vindos através de um endereço hi5, que dizem estar muito interessados em me conhecer?

A primeira vez que isto aconteceu, o riso aqui em casa foi total. Além do interesse manifestado, os mail's vinham acompanhados das fotos respetivas. O que ainda provocou mais riso na família e amigos...

Acontece que passei a receber dezenas de mail's destes e a coisa começou a irritar-me. Não sou uma mulher livre. Mas se o fosse, não seria, com certeza, através deste tipo de contacto, que iria encontrar companhia. O que surpreende é que estas agências, que não devem trabalhar de graça, não possuam, pelo menos, uma  mailing list atualizada dos possíveis candidatos.

Enfim, cada um ganha a vida como pode. Mas se há aí tanta gente gira e disponível, porque carga de água, é que eu fui apanhada nesta idade, com tais pretensões? Felizmente que vivo rodeada de gente inteligente, senão este tipo de brincadeiras podia criar problemas, a pessoas com outras características.

HSC

sábado, 3 de julho de 2021

A nossa Isabel


Acabo de saber que a Dra Isabel Galriça Neto, esse coração de ouro, que trata as  famílias sejam elas de direita ou de esquerda, aceitara presidir à Assembleia Municipal de Lisboa. E como a conheço muito bem, sei o que este compromisso lhe vai representar um enorme esforço pessoal e profissional.

O País e, particularmente Lisboa, precisam de pessoas com a envergadura desta mulher. No caso concreto, mesmo os seus adversários a respeitam e é esse clima que deveria presidir a estas eleições que, quase desapareceram do mundo televisivo, em prol da cultura futebolística do país. 

Aproveitando então a época, belo golo o Dr Carlos Moedas obteve. Que tenhamos mais pessoas assim. Que conhecem o país e sobretudo o estado da sua saúde!

HSC

quarta-feira, 23 de junho de 2021

A minha Lisboa

Assisti recentemente a um encontro com o Carlos Moedas. Confesso que confirmei tudo o que no seu programa me aproxima da Lisboa que eu, um dia, ainda gostaria de ver. Força Carlos Moedas!

HSC 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Ele há com cada uma!

Nunca me passaria pela cabeça que desabassem no meu mail, centenas de "senhores", a pretenderem entrar em contacto comigo. As primeiras dezenas de fotografias recebidas apaguei-as de imediato e nunca mais pensei no assunto. Mas a coisa tornou-se tão viral que resolvi devolver os mails. Infelizmente vieram de volta, Nessa altura irritada com tal invasão do hi5, tentei na net encontrar maneira de me livrar de tal assédio. Nada. Tudo o que consegui  foram mails que não aceitavam ou não existiam. Vou, portanto, ter que tomar outras medidas mais drásticas. 

Mas se estas agencias pretendem levar a bom termo o seu trabalho, não deveria ser prioritário saber a que tipo de pessoas se dirigem? Ou seja elaborarem uma lista de gente com quem possam vir a ter algum sucesso?!

É, de facto, quase irónico receber fotos de homens cuja idade deve  variar entre os 30 e os 80, que andam certamente à procura de uma avó. Admitindo que estas linhas possam ser lidas por algum deles, aviso já que não sou uma mulher livre e que os netos que tive me chegam perfeitamente!

HSC

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Novidades

A Ofélia - o estúdio criativo do Grupo Your - que foi buscar o nome e a inspiração a uma personagem do Hamlet de Shakespeare, a qual procura o equilíbrio entre a força do furacão e a personagem, teve a ideia de criar um podcast próprio, dedicado às “Mulheres Sem Medo”. O seu objetivo é oferecer uma visão das mulheres sobre os grandes temas da atualidade. E, de algum modo, pôr o mundo feminino a falar sobre assuntos que lhes são próprios, sem medo de quebrar tabus que, de alguma forma, ainda as condicionam.

Apresentado por Marta Aragão Pinto, Diretora Executiva da Ofélia, acompanhada por Sara do Ó, Founder & CEO do Grupo Your, cada programa terá uma “Mulher Sem Medo” como convidada, que falará livremente deste mundo ainda pouco (re)conhecido das nossas aspirações, dos nossos sonhos, das nossas limitações e do desejo de termos um papel próprio na sociedade em que vivemos.

O podcast vai estar disponível a partir do mês de Julho com Helena Sacadura Cabral como primeira convidada, a quem foi dada a honra de iniciar de iniciar este ciclo que, espero, será uma grande inspiração e referência não só para as duas apresentadoras, como para todas aquelas que o vierem a acompanhar. 

Em Setembro, arrancam as gravações da segunda temporada, com convidadas ainda por revelar. Todo este primeiro ciclo estará disponível nas nossos redes socais: Facebook, Instagram, Youtube e ainda no Spotify. Preparem-se porque vão ter algumas belas surpresas!

HSC

A prova



 Aqui ficam as provas da minha afirmação que tanta celeuma deu nas redes sociais. Não sou pessoa de medos e sou extremamente resiliente face ás difamações com que, em certos períodos, tentam atacar-me ou aos meus. Os espaços que ocupo nas redes sociais são espaços de debate, de conversa, de quotidiano, e, se possivel, de rir e de alegria. Por isso, bullyng ideológico comigo não dá!

HSC

terça-feira, 25 de maio de 2021

Quem é que entende?

Cheguei a esta bela idade, com o que os médicos classificavam, quando era criança de um "sopro cardíaco". Na altura tinha tido "anginas" e admitiu-se que a origem do mesmo, pudesse ter sido o alojamento de estreptococos no coração. E a opinião clinica geral, era de que com o crescimento tudo viria a normalizar-se. Não veio. 

E, uma vez, sentindo-me mal n Banco de Portugal, fui ao Gabinete Clínico onde o simpático médico de serviço me mandou fazer logo ali um eletrocardiograma. Resultado. depois confirmado por uma serie de outros exames, apontava a válvula aórtica como danificada. A partir daí, o meu querido amigo  cardiologista Pedro Abreu Loureiro e eu tentamos mante-la a funcionar. Foram longos anos de amizade e luta conjunta.

Um dia, há um ano, no Corte Inglês senti-me mal - só eu para lá ir no borburinho do Natal - e a partir daí não havia mais esperas. Era necessário fazer duas cirurgias. Uma para colocar um stent na aorta e outra para colocar a nova válvula. Já aqui vos falei da perícia que é necessário possuir para realizar tal intervenção e da forma quase irreal como o Dr Rui Teles a conduziu.

Chegada aqui, depois deste longuíssimo prólogo, vem a verdadeira questão que me levou a escreve-lo. É que dois dos medicamentos que tenho de tomar - Concor 2,5 e Homepassduo - não têm qualquer comparticipação. Tão pouco o terá a Aspirina 100 que daqui a um mês irá substituir o ultimo daqueles.

Felizmente posso pagá-los. Mas há muito mais pessoas que não podem. Qual é então a lógica que preside a que medicamentos indispensáveis ao bom funcionamento de um órgão vital, não mereçam ao SNS, aquela ajuda que muitos outros merecem, pese embora a sua discutível função?

Agora acredito que muitos cidadãos se sintam menorizados face a outros no plano da saúde. E este meu exemplo não é o mais gritante. Outros haverá, até piores. Por isso entendi levar ao conhecimento dos que me leem este meu caso.

Não sei qual a entidade que estabelece a lista dos medicamentos comparticipados. Mas como a evolução cientifica e tecnológica tem a velocidade do vento, seria bom rever anualmente estas listas face ao aparecimento de novos produtos farmacêuticos. Se não, quem é que entende casos como este, que suponho, deve estar adormecido?!

HSC


sábado, 15 de maio de 2021

A tal caixinha azul!


Se o ano de 2020 não foi dos melhores, o que se se lhe seguiu não tem sido brilhante. Com 36 livros publicados em vinte e tal anos, era muito natural que, mais tarde ou mais cedo, viesse a sofrer as consequências de tanto clic no meu computador.

Há uns quatro anos, os braços e as mãos começaram a dar-me dores insuportáveis e eu resolvi ir ao médico. Diagnóstico, após uma série de exames, revelou em ambos o síndroma do canal cárpico, cuja solução era operar. Para não fazer as duas ao mesmo tempo, escolhi a mão esquerda. Não guardo dessa intervenção grandes recordações. Mas, como por milagre, as dores do braço direito desapareceram e eu não tive que fazer a segunda intervenção.

Há cerca de um mês comecei a sentir que o lado direito, após o fim do ultimo livro, o PASSO A PASSO, estava a começar a dar sinais. Como da primeira vez fora operada por um ortopedista, desta não tive hesitação e fui para um neurocirurgião muito simpático, que olhou para mim e me disse que me iria operar. Mas, por um processo menos invasivo que o anterior e que não levaria mais de 5 pontos. Assim foi.

Vim para casa com total mobilidade dos dedos, sem dores, mas com um entorpecimento do polegar, indicador e médio. Como já não sou uma jovem, esses sintomas, disse-me, levariam ainda bastante tempo a desaparecer.

Quando tirei os pontos perguntei-lhe o que devia fazer em seguida. Fez um grande sorriso e disse-me. Pode fazer tudo. O que não deve é esquecer-se de fazer massagem na cicatriz, 3 vezes ao dia, com CREME NÍVEA. Aí foi a minha vez de dar uma gargalhada e de lhe explicar a minha ligação sentimental aqueles produtos, que até na doença me eram aconselhados!

Aqui têm, como cremes que sempre usei na saúde, me são seriamente receitados, agora, na doença... Repito aqui o que já disse antes: não tenho qualquer ligação à marca que não seja confiar nas suas qualidades. Pelos vistos estou certa, porque até o médico me manda usa-la!

HSC

sábado, 1 de maio de 2021

Parabéns!


Se fosse vivo seria Parabéns a primeira palavra que eu lhe diria hoje. Seguida do habitual beijo e do "que continues a ser feliz". Ele daria a sua sonora gargalhada e responderia "parabéns mãe, pelo filho que criaste". Ambos nos riríamos muito e  só o veria à noite porque o 1º de Maio era, também, o dia das celebrações politicas em que sempre andou metido. Hoje até acredito que o seu parto foi difícil, porque neste dia ele já só queria ver o mundo, para comemorar...

Acordei bem disposta, sonhei com ele e apeteceu-me passear por uns cantos onde ele costumava pousar. Foi o que fiz e conversamos um bom bocado. Contei-lhe que  já só tinha os pontos do punho para tirar, dei-lhe noticias da família e prometi que logo adormeceria a ouvir uma das suas musicas preferidas. Foi uma bela manhã passada em conjunto que me deixou feliz. Agora só me faltava mesmo dar um beijo ao André, o neto que tanto amo, tão parecido com o pai, e que é a melhor pessoa que conheço! 

HSC

sábado, 24 de abril de 2021

Miguel


Fez hoje move anos que o meu filho faleceu. Acordei com um dia triste mas com a alegria de ter aberto os olhos a pensar nele. Queria aqui agradecer as mensagens que recebi por sua causa, mostrando que ele, afinal, continua vivo no coração de muita gente.

Passamos o dia juntos, e fez-me muito bem, já que vou fazer uma  intervenção cirúrgica e durante uns dias não poderei estar com ele como é costume. Assim, ate 1 de Maio, data do seu aniversario, em que julgo que já estarei novinha em folha!

HSC

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Sem palavras


 Não são necessárias palavras. A Inglaterra deve prestar-lhe sentida homenagem. Paz a sua alma!

HSC

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Jorge Coelho


Segundo ele, ainda eramos primos pelo lado Sacadura. Parece que, de facto, será verdade. Mas, seja ou não, Jorge Coelho era uma pessoa com quem sempre simpatizei, pelo seu gosto de viver, pela sua "capacidade de nos dar a volta" e pela sua simpatia natural. Pese embora o PS, o seu partido, nem sempre me ter convencido - infelizmente, também, nenhum dos outros conseguiu, até hoje, tal proeza -  o facto é que me tratou sempre com muita amizade e a sua morte é mais um daqueles murros no estomago, que ultimamente tenho sofrido.
Numa época este primo irá, daqui para o futuro, ser sempre lembrado com saudade. Será pelo Natal, em que  todos os anos "aquele queijinho" da Serra com mel ou doce de abóbora aparecia na minha casa. 
Outros lhe louvaram a carreira, o politico e o sentido do humor. Eu lembrá-lo-ei sempre pela grandeza de alma com que o vi. Que descanse em paz! 

HSC

KATALIN KARIKÓ

 HSC

quarta-feira, 31 de março de 2021

A caixinha azul

Desde que me lembro de olhar para produtos de maquilhagem que a minha mãe e as minhas tias usavam, uma marca me ficou para sempre na memória, embrulhada numa caixinha azul que dizia simplesmente Nivea. Eu deliciava-me a ver as mulheres da família a espalhar, com todo o cuidado, o recheio da caixa pela cara e pescoço. A partir daí, julgo que terei repetido, durante anos, os mesmos gestos.

Chegada à idade adulta experimentei outras marcas com objetivos específicos, destinadas aos olhos ao pescoço, ao corpo. aos lábios, enfim, a um mundo infindável de promessas a quem os usasse. Não era tarefa fácil , mas experimentei as melhores e mais caras que havia no mercado. Fui envelhecendo com elas, mas sabendo que se não me achava mal como mulher, também sabia que isso só parcialmente se devia aos boiões que tinha em casa.

Até que, um dia, uma mão amiga me fez chegar a melhor gama da Nivea, na altura. E até falei disso aqui no blogue, porque a mudança que senti nos produtos que usei foi para mim magnífica. A pele não perdeu as rugas, mas as rugas ficaram nitidamente atenuadas. Os olhos perderam o ar cansado que muitas vezes me acompanhava e, sobretudo. eu via que valia mesmo a pena, dedicar aquele tempozinho a tratar de mim. E os amigos ajudaram, dizendo maliciosamente que eu fora ao bisturi. Não fui nem quero ir. Gosto dos produtos e aconselho-os por que os uso e já sei escolher aqueles que se destinam ao meu tipo de pele.

Porque fiz um poste sobre a Nívea? Porque assim como uma amiga me deu a conhecer os seus produtos, pode acontecer que, alguém que leia estas linhas, fique grato por isso. Convém esclarecer que não sou patrocinada, não recebo nada em troca, não tenho participação financeira na casa e não conheço ninguém da organização,

Antes de terminar vou contar-vos uma história. Em certo dia os jornalistas perguntaram a uma modelo famosa o que é que ela levaria para uma ilha solitária se apenas pudesse levar uma coisa. A resposta foi imediata. Levaria, disse, a caixinha azul da Nívea.,, Eu também responderia o mesmo!

HSC

sexta-feira, 19 de março de 2021

Um grande Pai

Julgo que um homem só percebe bem o seu próprio pai quando, por sua vez, passa por essa situação. Infeliz ou felizmente na época em que nasci, o Pai representava o dono de cada um de nós, aquele que garantia a manutenção da unidade familiar e, até em alguns casos, a pessoa que decidia o destino dos filhos.

O meu Pai foi um bocadinho de tudo isto, porque era o modelo da época e ele não via motivos para o alterar. Das duas carreiras da família - medicina e advocacia - o meu irmão mais velho escolheu a segunda e eu não tinha nada que escolher, porque finalizado o sétimo ano, devia preparar-me para casar. Até lá aprenderia línguas com uma "demoiselle" e piano com um professor. Este último teve a hombridade de esclarecer o meu progenitor que lhe parecia inútil continuar. Eu seria sempre alguém que gostava muito de música mas não sabia transmitir esse amor através de um instrumento.

Melhor foi o resultado tive com o francês, que por motivos vários, se tornou a língua da família. Devo assim ao meu pai o excelente domínio com que o falo. já não direi o mesmo do inglês oral porque o escrito domino-o razoavelmente. 

A tudo isto, meu querido Pai , acrescento a tua imensa preocupação com a minha formação literária e moral. Foste sempre a personificação daquilo em que acreditavas ser o melhor para mim. E eu nem sempre compreendi isso, porque entendia que o fito de todo esse meu primor educacional, se destinava a escolher parceiro à minha altura e constituir uma família tradicional.

Nisso falhaste. A minha família nunca foi tradicional, O marido escolhido pela brilhante inteligência, carecia de uma desastrosa educação dos afetos e ao fim de onze anos o problema resolvia-se com o divórcio. Mas não me queixei nunca. Deu-me dois filhos e ensinou-me a ver o mundo através dos seus olhos, ou seja de modo muito diferente do teu.

Os anos passaram, o marido partiu, os filhos deram-me algumas dores de cabeça e múltiplas alegrias e também partiram. E eu fiquei, finalmente, livre de viver a minha vida. Como eu quis. E continuo a faze-lo.

Mas não adivinhas as vezes que te reconheço, querido Pai, nos ensinamentos que me deixaste e que eu na altura me pareceram ser um pouco bizarros. E eram. Mas agora deixaram de o ser. porque são meus também. Obrigada, meu querido, por tudo aquilo em que acertaste. Mas, sobretudo, por aquilo em que não acertaste. Foste um grande Pai e um grande homem de quem muito me orgulho!

HSC

quarta-feira, 17 de março de 2021

A ordem artificial das coisas


Nestes últimos dias não se ouviu falar de outra coisa que não fosse o Tristão e Isolda do século XXI, personificados em Megan e Harry, dois príncipes fugidos da coroa britânica por razões raciais e de isolamento social. 

No principio as coisas começaram logo tortas, com o pai da noiva a vender fotos da família e a conceder entrevistas perturbadoras. Calado o progenitor, as coisas pareciam acalmar, o casamento foi um sucesso tendo sido o Príncipe Carlos e não a mãe da noiva. a leva-la ao altar. A progenitora vestiu-se como uma branca e se não fossem as múltiplas tranças do seu cabelo, dir-se-ia  tratar-se de uma europeia de tez escura. 

A trapalhada começa depois e parece que Kate, a cunhada rainha, terá tido que lhe dar umas lições sobre conduta real. A nossa americana que tinha tido uma vida de trabalho até chegar a atriz começou a sentir-se desapoiada e a chorar no ombro de Harry que tentou acalma-la. Porém, quando se apercebeu que a mulher estava com tendências suicidas resolveu "zarpar" para o Canadá, julgando que manteria fora todas as mordomias que tinha antes. Viu-se logo que não seria assim, quando se pôs o problema de quem pagaria a segurança do casal naquele país. Nessa altura, a Casa Real "tirou o cavalinho da chuva" e disse que não pagava nada porque eles tinham deixado de pertencer à dita Casa.

Perante isto. o casal percebeu que tinha de sustentar-se e fê-lo através de alguns contratos comerciais. Mas nem Hollywood os aproveitou, nem os americanos se interessam muito por príncipes. É quando surge, então, a hipótese de o casal dar uma entrevista de vida à conhecida Oprah, rainha das entrevistadoras de televisão. Claro que a coisa aparecia como sendo gratuita - quase me engasgo a escrever isto - e apenas com o desejo de bem clarificar o que tinha determinado a saída do Reino Unido.

Poupo-vos à descrição da entrevista porque o Pedro Boucherie Mendes fê-lo muito melhor do que eu faria. A produção, as luzes, o vestido, os silêncios adequados, a subtileza das respostas e das perguntas, pressupõe algo que foi muito bem preparado. O pobre Harry, muito pouco à vontade, lá confirma uma ou outra declaração da mulher e pouco mais. Pareceu-me ver nele uma certa tristeza disfarçada até à altura em que anunciaram que estavam à espera de uma menina, que seguramente para tranquilizar a Firma, como eles chamam à Corte inglesa, irá nascer branca de olhos azuis e cabelo louro.

A entrevista teve, é evidente, intenções bem mais vastas do que se pode supor. A monarquia inglesa com os escândalos que tem tido, encontra-se numa posição de fragilidade e só se aguentará pela estreita e estrita coesão dos seus membros. Esta entrevista dá uma "bolada" na Coroa que respondeu com um comunicado de duas linhas cheias de diplomacia.

O que se prevê como desfecho desta historia da realeza? Não sou, obviamente, a Maya que prevê o futuro. Mas tenho palpites, como toda a gente. Assim, palpita-me que a menina vai sair mais colorida que o irmão Archie, que casamento durará os habituais 5 ou 6 anos e depois desmorona-se num divórcio.

Para calar Megan ela irá receber uma choruda pensão e terá direito a uma casinha nas propriedades dos Windsor, à semelhança da outra cunhada que continua a viver com o ex marido, pese embora, viva de  programas televisivos e tenha amigos coloridos.

Claro que há outros fins possíveis, como foi o caso da duquesa de Windsor. Mas os tempos eram outros e a etnia hoje é tema com varias colorações. Por mim, desejo que sejam felizes e tenham muitos meninos, que encantem no futuro, a realeza!

HSC

segunda-feira, 8 de março de 2021

Nuno Fernandes Thomaz

Não me lembro como nos conhecemos. Ou melhor, sempre nos conhecemos. E sempre, mas sempre que estávamos juntos, nos riamos. Ambos tivemos duas vidas e ambos nos demos bastante na primeira, onde a Praia das Maçãs teve um papel essencial.

Desfeitas as nossas primeiras existências, a frequência com que nos víamos era menor. Mas mesmo assim, posso situar a Pastelaria Cristal, como um dos locais em que retomávamos as nossas conversas eivadas de um sentido do humor muito nosso.  

Teve uma carreira brilhante nos altos cargos por onde passou, mas isso nunca alterou a delicadeza que caracteriza a maneira como se dava aos outros. E, como em muitos casos acontece, sem que tivéssemos qualquer interferência nisso, um dos meus filhos havia de tornar-se um dos bons amigos de um seu filho.

O Nuno tinha ainda muito para fazer. O seu desaparecimento, para além da dor que provoca em todos os seus familiares e amigos, deixa um vazio grande nos projetos que esperava poder vir a realizar.

À família  um saudoso abraço e a garantia de que o Nuno estará presente nas minhas orações!

A 8 de Março

Eu sei que hoje é o dia do ano - dos 365 dias que ele tem - que se escolheu para "falar" da Mulher. De um lado aquelas que, são a maioria, e vivem em precárias condições de toda a natureza. Do outro, aquelas que por trabalho, sorte ou oportunidade conseguiram chegar ao nível dos homens. Estou e estarei sempre com as primeiras. Mas quando falamos no 8 de Março, são sempre as segundas, as escolhidas para falar delas e das outras que, por vezes mal conhecem, a  não ser pelos trabalhos que as mesmas lhes prestam.

Por isso todos os anos tenho dificuldade em dizer algo sobre o que ele representa. Para mim, enquanto este dia se celebrar, significa que muitas mulheres como eu, continuam a não ter acesso ao que eu e as minhas amigas temos e a que elas têm todo o direito. Por isso a única sugestão que faço é que as mulheres que conseguem libertar-se, escolham mulheres para as acompanhar no seu percurso!

HSC

domingo, 28 de fevereiro de 2021

É preciso dar tempo ao tempo

Depois de todos os tristes acontecimentos que partilhei convosco esta semana, ontem deitei-me sem sono, sem lágrimas mas com a garganta tão apertada que nela, acho, não cabia um feijão frade. Acontece-me sempre este aperto, quando estou emocionada e não consigo chorar. Não houve livro, revista ou programa televisivo que conseguissem alterar o meu estado de espírito. Já altas horas da madrugada, decidi que era melhor levantar-me e vir para a sala ouvir Vivaldi no meu Spotify. Fechei os olhos e julgo ter repassado mentalmente tudo o que me acontecera. E que, tendo sido invariavelmente mau, ao lado do que muitos meus amigos passaram, não era nada. 

Tudo bem, não via o neto instalado no Algarve, mas falava com ele e ficava compensada. As amigas, em grupos de três e às distâncias convenientes vinham ver-me ou eu ia vê-las. O meu filho quase diariamente almoçava ou jantava comigo e, apesar de tudo, eu ainda fora capaz de escrever outro livro que estará nas livrarias em meados de Abril. Então, porque é que nesta época da Quaresma, eu não oferecia pelos outros as dificuldades que tinha sofrido e agradecia ao Pai estar "vivinha da costa"?

Se assim pensei melhor o fiz. E aninhada no Vivaldi, acabei por adormecer e pregar um susto à minha Melania - sim, é o nome fino da georgiana que tenho em casa há um ano - que ao ver-me a dormir na sala, pensou que me tinha acontecido alguma coisa. Aqui, ri com a aflição dela. Depois, olhei através da janela o sol maravilhoso que despontava e a vida pareceu-me outra vez cheia de promessas!

HSC

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Jimmy Risso-Gill

Não consigo situar quando conheci o casal. Mas foi há muitos anos, durante os quais se cimentou uma bela amizade que, de algum modo, cresceu externa aos seus outros amigos. Ao contrário do que é habitual, eu apreciava ambos de forma diferente, mas gostava muito de conversar com o Jimmy. Era um homem nascido em Inglaterra com uma curiosa história de vida, que poucos conheciam e de que ele pouco falava. A mulher, Isabel, era de uma enorme vitalidade e se nunca fora pobre, por herança paterna, creio, tornara-se uma pessoa com um elevado estilo de vida. Com ela podia falar-se de qualquer coisa porque os seus interesses eram muito diversificados.

Com o Jimmy era diferente. Sempre senti nele uma serenidade que parecia assentar em algo bem profundo. Em vários fins de semana que passei a sós com ambos, aproveitei muitas vezes para o ouvir falar do seu modo de ver o mundo e o meu apreço por ele vem daí. Era impossível não se gostar do Jimmy e eu aprendi isso por experiência própria.

Em determinada altura o casal foi viver para Londres e aí a nossa amizade deixou de ser alimentada como antes. Mas eu ia sabendo deles por amigos comuns. E foram justamente esses amigos que, ontem, me disseram que o Jimmy Risso - Gill havia falecido em Portugal, vitima deste desgraçado vírus que já nos dias anteriores havia levado o Alberto Romano, nosso comum amigo.

Deus sabe por que razão as tragédias acontecem. Mas se o ano 2020 foi difícil de suportar, o de 2021 não começa da melhor maneira. Onde quer que estejas, meu caro Jimmy, terás sempre amigos à tua volta. E que Deus proteja a Belucha e lhe dê força par ela aguentar este dramático incidente é o que, do fundo do coração, lhe desejo.

HSC

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Adeus Alberto Romano


 Foto Expresso
Ao longo da nossa vida, vamos estabelecendo relações de amizade. Umas perduram, outras perdem-se por caminhos diferentes dos nossos e, outras, mantêm-se adormecidas por razões muito diferentes. Falo disto hoje aqui, porque esta maldita doença matou um dos melhores seres humanos que cruzou a minha vida. Falo de Alberto Romano que entre muita obra que fez no seu concelho de Cascais esteve muitos anos à frente do ACP Automóvel Clube de Portugal. Amigo fiel e dedicado havia perdido a sua lindíssima mulher há cerca de dois anos. Tentou superar a dor dessa perda com a ajuda de bons amigos que sempre teve. Aliás, a sua história pessoal, dava um romance extraordinário na pena de quem o conhecesse bem. Houve um período da minha existência em que a nossa relação de amizade nos aproximou e eu pude conhecer melhor as lutas que teve de travar. Por isso, quando soube do que sofreu com o Covid, o meu coração teve um aperto e, eu que não sou nada passadista, acabei por relembrar um período da minha vida, com muita saudade. Estejas Alberto onde estiveres, terás, lá no alto, aqueles que amaste e partiram antes de ti. E continuarás a ter, aqui, todos os que te conheceram e já sentem saudades tuas!

 HSC

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Alguém me ajuda?

Devo, neste ano de confinamentos e desconfinamentos, a minha resiliencia, ao filho, aos amigos, à leitura e à música. Sem eles eu não teria atravessado este periodo da mesma forma. Ler e ouvir musica, fazem-me tanta falta como comer. Nunca acreditei que se fechassem livrarias e se proibissem os poucos supermercados que têm livros de os venderem. Não pode ser pelo perigo de contágio, porque senão não tocaríamos nos alimentos que vamos comprar. como tocamos. Sejamos sérios: nas lojas de alimentação os riscos são muito maiores do que nas livrarias. E, se temem algo, então, distribuam luvas de plastico para que os possamos folhear. Mas, por favor, não nos impeçam de alimentar o espirito, com livros e música, do mesmo modo que não nos impedem de alimentar o corpo. Estamos a criar uma noção de familia que não tem sobre que falar, a menos que sejam novidades tecnológicas. E é se falarem, porque uma grande parte dos jovens já passam 7horas agarrados ao computador - a olhar sabe-se lá para quê, ou a fazer sabe-se lá o quê - e já nem as refeições tomam em conjunto. Temo que se tenha perdido a riqueza das histórias de adormecer ou a atenção que os avós - hoje na maioria ainda a trabalhar - dedicavam aos netos. Quando eu era pequena deliciava-me a ouvir o meu avô, engenheiro militar, a contar as situações porque tinha passado. E as melhores prendas que me podiam dar eram livros. Tão importantes, como foi O PRINCEPEZINHO, o primeiro livro que li sem ajuda de ninguem, no vocabulário. Senhora Ministra da Cultura não impeça os cidadãos de lerem num período em que já nem histórias pessoais possuem, fechados que estão, no mundo estreito da sua casa, com uma televisão que parece ter gala em só nos falar nos mortos ou nos quasi vivos. Dê-nos, por favor, livros e musica para animar o nosso desanimo. HSC

sábado, 30 de janeiro de 2021

No meu caso

Eu sei que todos temos direito a pensar livremente, ou melhor acredito que assim será e continuará a ser.

Ontem foi votada uma lei na Assembleia da Republica que respeita ás condições em que uma pessoa pode pedir e alcançar pôr fim à sua vida. Votação feita numa altura em que todo o país se mobiliza para salvar vidas. Se fosse humorista, estava garantida matéria suficiente para uma série de rábulas. Como não tenho esse mister, para mim a questão põe-se a outro nível e o resultado alcançado enche-me de tristeza. Mas sei, também, que quem tivesse dinheiro acabava com a sua vida ou com a dum filho que trouxesse no ventre, indo ao estrangeiro fazê-lo. São factos. Num caso todos os contribuintes suportam a decisão de um. No outro, é o próprio que decide e suporta a sua decisão. Estamos aqui no plano economicista.

Mas existem outros ângulos pelos quais a questão pode ser vista. Uma é ética e dela depende o juramento de Hipocrates que todos os médicos fazem, de tudo tentarem para salvar a vida que deles depende. Não creio que esses médicos sejam, alguma vez, obrigados a fazer  o contrario. É outro facto.

Nova visão possível é a que deriva de uma posição religiosa. Não tenho conhecimentos suficientes para saber se haverá alguma religião que aceite - já não falo em preconize - a livre escolha de morrer. Mas, para países onde uma parte importante da população se diz católica e para a qual o bem supremo é a vida, o dia de hoje é de uma enorme tristeza. Arrisco-me a pensar que essa tristeza é mais funda, por estarmos a viver um período em que os mortos diários não param de crescer, nem a luta titânica para os salvar.

Não quero tomar posições moralistas porque a minha é totalmente ditada pela religião que pratico, a qual não me coloca num plano diferente dos demais. Ninguém pede para morrer, se estiver em situação de normalidade. Pede para morrer, quem já não se encontra psicologicamente em condições de querer viver.

A lei, quando se aplicar, não obriga ninguém a segui-la. Pode apenas não ser praticada por aqueles que sigam critérios éticos semelhantes aos meus. E esses estarão hoje mais tristes. Se um dia eu for colocada perante tal provação, o que peço é que, não havendo nada a fazer, seja esse o critério a seguir. Nada fazer. Ou seja, não quero que me prolonguem desnecessariamente a vida. Desliguem as maquinas e deixem o meu corpo seguir o seu natural caminho para Deus.

HSC

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Um medo singular

Seja por que razão seja, recebo muitas cartas sobre casos pessoais. A sua reunião, sociologicamente tratada, permitiria fazer um retrato importante de algumas classes sociais neste país. Às vezes fico com o coração tão apertado que preciso parar a sua leitura. 

Esta situação começou no Diário de Lisboa, jornal onde iniciei o meu caminho de cronista. Continuou, depois, nas varias publicações por onde passei, incluindo a televisão, e tem-se mantido apesar de neste momento apenas me dedicar ao estudo da Economia e à escrita de livros.          

Os temas abordados são, por norma, pessoais. Mas de há, talvez, dois anos para cá, começaram a ser mais analíticos, tentando enquadrar os problemas sentidos, nas questões sociais do país. Sempre me tocou muito este tipo de confiança - felizmente nunca recebi nenhuma carta que me tratasse mal - porque era revelador que algumas das minhas mensagens chegavam mesmo às pessoas.

Porque é que falo disto? Porque, curiosamente, nos meses mais recentes, sinto nessas pessoas uma atroz ansiedade por poderem vir a ter o virus, mas acompanhada de uma espécie de temor relativo ao que lhes poder acontecer, a alguma coisa incontrolável e a que a sociedade - toda ela dedicada ao Covid - não consiga responder. A ideia com que fico é a de que as pessoas temem ter qualquer outra doença e não terem quem as trate. E dão-me exemplos de graves de sintomas que deviam ser tratados e que o não são porque essas pessoas se sentirem desamparadas e com medo dos hospitais e Centros de Saude.

É muito claro par mim, que fiz psicanálise, o que isto pode significar. O medo não identificado é muito compreensível nesta altura. E as autoridades ligadas à saude, irão defrontar-se não só com as doenças não tratadas que possam ter-se desenvolvido, mas também, com uma população que está a necessitar muito de apoio psicológico.

Nós não somos, creio, um país com elevada taxa de suicídios. Este sol, que faz a nossa alegria, deve contribuir para que isso aconteça. Mas, com confinamentos intermitentes, com juízos que nos colocam como os melhores e depois os piores da Europa, com responsáveis que têm opiniões díspares e com uma sociedade que saiu de umas eleições presidenciais e se prepara para umas autárquicas, o clima anímico varia da doença, à politica e ao futebol, tudo questões de natureza emotiva, que não ajudam nada do ponto de vista psicológico.

Ninguém sabe como e quando isto vai acabar. Ou se chega a acabar. Eu considero-me uma pessoa resiliente por educação e formação. Mas, não só o meu tempo será curto, como ao longo da minha existência, tentei preparar uma velhice que fosse a compensação do muito que trabalhei. Resultado, chego ao fim do caminho enclausurada em casa, a ver desaparecer os amigos e com um conceito de liberdade muito limitado. Diria que me sinto aprisionada.

Impõe-se que aguente e não ceda, Mas preciso de sentir que as medidas a que estou a dar estrito cumprimento, são as certas para o meu país e o bem estar de todos os portugueses. As dúvidas que nos assombram é que dão cabo de nós!

HSC

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Rosalina Machado


Soube tardiamente da morte de Francisco Machado, uma pessoa muito estimável e fiquei triste. Qual não foi a minha mágoa, quando tive conhecimento de que decorridas 24h, era a mulher, Rosalina, que partia. 

Rosalina Machado pertencia ao grupo daquelas pessoas de quem dificilmente se não fica logo amigo. Conheci-a há largos anos, num período da minha vida em que trabalhei bastante em publicidade e num tempo em que as grandes mulheres dessa área não chegavam aos conselhos de administração. Rosalina foi, sempre, uma pessoa de trabalho, pese embora a imagem social de alta roda que parecia encarnar, dado o meio em que se movia e a impecabilidade de vestuário e arranjo pessoal, com que se apresentava.

Amiga do seu amigo, suave quando era preciso e mão forte quando se tratava de vida profissional. O Francisco, seu marido, estava sempre ao seu lado e foram raras as vezes em que não estive com os dois. Tenho uma imensa pena do filho e dos dois netos que, de um dia para o outro, vêem partir progenitores e avós.

Juntos na vida, juntos na doença, juntos na morte. Como se a vida de um se não justificasse sem a do outro. Adeus Rosalina e Francisco que, certamente, irão de mão dada no caminho que vos falta percorrer!

HSC

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Ainda cá estamos?

Terminaram ontem as eleições e já temos um renovado presidente. Só resta desejar-lhe um bom mandato!

Assim, hoje não deveria escrever nada porque, após o momento histórico que nos foi dado viver ontem, a única coisa que uma jovem como eu, devia fazer era dormir e descansar.

Até porque acabado o interludio das eleições presidenciais, restam-nos agora para animar o pessoal, o futebol e o Covid 19, que têm deixado algumas pessoas à beira de um ataque de nervos. De facto para além dos eruditíssimos comentadores do jogo dos pés, todos os dias abrimos a televisão com a frase calista de que "hoje foi dia em que houve mais infectados", ou mais mortos.

Compreendo a necessidade de informar. E, de facto, dessa informação, já sabemos que nenhum de nós pode adoecer, porque estando tudo acima do nível máximo, a nossa unica solução é esperar que aconteça alguma coisa numa ambulância ou num carro. 

Então - sugiro eu que sou ignorante e não governo -  talvez valha a pena não saber tanto e não dar tanta informação que faz ruido e ansiedade em quem tenha menos preparação. E nós não somos propriamente um país de eruditos. Assim, se todos os noticiários de domingo derem o real estado da situação, não seria preferível a esta diária e continua subida da pandemia que afecta e cria uma permanente ansiedade? Não será isto menos penalizador, para quem espera uma vacina? A informação semanal não será mais eficaz para o estado anímico da população em geral, do que esta detalhe sobre a subida exponencial diária ?

HSC

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A falsidade na politica


A internet possibilita-nos o que há de melhor e de pior no mundo. Hoje recebi uma mensagem que atribuía ao nosso Cardeal Tolentino de Mendonça uma declaração de natureza politico partidária que, para quem o conhece, só poderia ser falsa. Fiquei tão indignada que lhe mandei a mensagem. Minutos depois, tive a resposta não só da confirmação da falsidade da noticia, como tive conhecimento de que a mais dois altos representantes da Igreja, acontecera o mesmo. E enviou o link respectivo:

https://agencia.ecclesia.pt/portal/portugal-declaracoes-de-cardeais-portugueses-sobre-eleicoes-presidenciais-sao-falsas/

Que a esquerda ou a direita se sirvam de um homem como Tolentino de Mendonça para atacar a Igreja já será uma heresia. Mas que se sirvam do respeito e funções que o mesmo merece, para lhe atribuir declarações que visam um determinado partido, revela bem a natureza da política em Portugal. É tão baixo e tão vil o acto, que só lhe dou publicidade, por denegrir um membro da Igreja à qual pertenço, um homem que tem honrado Portugal como erudito que é e, enfim, porque se trata de um amigo ao qual devo o sentido da palavra "aceitar" e arriscaria dizer "perdoar".

Só faço um pedido. Que todos aqueles que acreditaram numa alarvidade desta natureza, façam tudo o que esteja ao seu alcance para que a verdade seja reposta. 

HSC

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Bem me parecia...


Nós somos um povo cheio de qualidades e alguns defeitos. Dentre estes últimos, a inveja e a desobediência têm-nos trazido algumas trapalhadas, porque a noção de compromisso tem entre nós um significado diferente do geral. Entregar a horas algo a que nos comprometemos é uma excepção. Eu, que tenho uma marca germânica acentuada, sofro imenso com o trabalho em equipes que tenham pessoas desorganizadas,
O fim de semana ia, do meu ponto de vista, pôr a nu a nossa capacidade de obedecer às mais recentes determinações. Assim, fui trabalhar para o escritório, fazendo um caminho mais longo que o habitual. 
O que vi? Jardins e beira mar com pessoas a passear ou a correr sem máscara e outros a praticarem exercícios conjuntos igualmente desmascarados e longe de manterem as distancias recomendadas. Estive uns minutos a observar a ligeireza com que estas atitudes eram tomadas, já que no meio deste maralhai de gente, até  havia representantes da autoridade,
Sai-se cinco minutos de um carro e apanha-se uma multa, que pode ser choruda. Impõe-se um confinamento "very light" e o pessoal, sobretudo, jovens dos 15 aos 20, e aí andam eles a treinar o físico sem qualquer cuidado, como se fossem imunes ao que se passa.
Há aqui três graus de responsabilidade. A do governo que não manda fiscalizar, a dos pais que não exigem aos filhos o cumprimento das leis -  e alguns até nem as praticam eles próprios - e os jovens que com o seu comportamento põem em risco a vida dos que são cumpridores.
Que fazer? Só com uma qualquer punição, esta gente entra na ordem. Se pagassem 500€ na altura ou fossem para a esquadra até que os paizinhos os pagassem, de certeza que o panorama mudava. Ponham a autoridade a fiscalizar e a fazer cumprir. Talvez aí o governo achate a curva e ensine  a que as disposições aprovadas são para cumprir!

HSC

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Até os pássaros dançam


Relaxe uns momentos. Lembre-se ultima vez que dançou e com quem. Estranhe o tempo que leva sem se entregar nos braços de alguém e rodopiar. E prometa a si próprio, dançar sempre que lhe apetecer. Sozinho ou acompanhado, porque sonhar faz bem e movimentar-se ainda faz melhor. Não deixe que a pandemia ou o medo do ridículo o impeçam de fazer o que gosta!

HSC

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

As voltas da vida

As voltas que a vida dá são surpreendentes. Durante anos e anos, o povinho dava ao pessoal que vivia na linha do Estoril uma certa forma de falar, com uma acentuação muito especial. O nosso Herman e a Maria Ruef imitavam na maravilha essa espécie de dialecto.

O tempo foi passando e as "tias" da Linha, como lhe chamavam, pese embora tentarem continuar com o dito sotaque, o som já não saia o mesmo, porque a revolução lhes azedou um pouco a forma de comunicar.

Mas, curiosamente, sendo o Alentejo tido como uma das regiões mais vermelha do país, foi justamente nele, que essas familias começaram a comprar segundas casas, para onde iam quando não conseguiam deslocar-se para as suas estancias de sky habituais.

Assim, hoje, com a pandemia, foi vê-los fugir das casas urbanas para se refugiarem no "seu" Alentejo que, de um momento para o outro, deu um passo para o futuro. Está mais povoado, as moçoilas mais bem arranjadas e as tias passeiam-se nas Feiras, encantadas com aquilo que por lá encontram.

Eu não tenho segunda casa em lado nenhum, mas tenho amigos. A minha familia materna é toda alentejana. Agora uma parte da Lapa, também está lá refugiada. E, um destes dias, no Alvito, num cafezinho modesto onde parei, dei de caras com umas dessas tias numa mesa e  noutra, solitário, o pai da manas Mortágua do Bloco de Esquerda. Como não conhecia bem nenhuma das familias limitei-me a dar uma boa tarde à entrada e ambas as mesas me responderam. Mas, agora, com sotaque já alentejano.

Mais dia menos dia, as tias da Linha e as da Lapa vão tornar aquela região numa nova Comporta, ultimamente de tradições um pouco recomendáveis. Esperemos que não, porque o Alentejo tinha uma beleza muito especial e eu ainda gostava de lá ter uma casinha em Vila Viçosa.

HSC

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A importância de ser doutor

 Um dos aspectos mais agradáveis de se trabalhar em comunicação é o de sermos chamados pelos nomes e não levarmos acoplado a partícula que define o nosso grau de instrução. Nos 15 anos em que trabalhei em televisão e revistas, nunca fui mais do que a Helena. 

Ao contrário nas restantes funções publicas por onde passei o tratamento era sempre o de senhora dra e por mais que eu insistisse em que me chamassem pelo nome, nunca consegui o objectivo. Curiosamente e, após o 25 de Abril, o novo tratamento usado é o antipático "você" que, pronunciado no plural, por algumas apresentadoras de certos programas, fere o tímpano mais duro, até mesmo ao ponto em que dói. A expressão os "senhores espectadores" desapareceu da linguagem dessas apresentadoras - uso o feminino porque os homens nessa matéria são mais educados - que decidiram tratar-nos a todos pelo fatal jargão.

Ou seja, passou-se do oitenta para o oito. E hoje, em tudo o que é balcão, o você pegou e ja ninguém estranha se lhe perguntarem "você quer a bica cheia ou normal" ou mesmo "você tem de sair porque a casa vai fechar". E por mais educado que se seja, retribuindo com o uso de " a senhora ou o senhor", já nada adianta. O hábito está tão incrustado que nem mesmo alguém de 90 anos se livra de tal tratamento...

Suponho que o mesmo tenha nascido com a pretensão de nos tornar todos iguais. Acontece que o seremos perante a Lei ou a Constituição. Mas nem que tal seja garantido na teoria, a prática mostra que isso não será suficiente. A única arma possível para tornar as pessoas verdadeiramente iguais é a educação. Mas esta acentua cada vez mais a diferença, ao pretender privilegiar aqueles que são diferentes!

HSC