segunda-feira, 8 de julho de 2024

O INDEFESO CORAÇÃO

O indefeso coração é como uma flor frágil no campo vasto da existência, sujeito aos ventos imprevisíveis da vida. Cada batida é um testemunho da sua vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, da sua resiliência. No seu pulsar incessante, ele guarda os segredos mais profundos, as esperanças mais íntimas e as dores mais agudas.

Esse coração, muitas vezes exposto e desprotegido, é um baú de sentimentos puros e intensos. Ele é a origem dos amores mais arrebatadores e das tristezas mais profundas. O seu compasso, por vezes irregular, revela a batalha constante entre o medo e a coragem, entre a dúvida e a fé.

Quando o indefeso coração se abre, ele se entrega por completo, despido de defesas, esperando apenas ser acolhido. É nessa entrega que reside sua maior beleza e seu maior risco, pois a mesma abertura que permite o amor também permite a dor. No entanto, é justamente essa capacidade de sentir profundamente, que faz dele a essência da humanidade.

Em cada descompasso, o coração aprende a se refazer, a se reconstruir das ruínas das desilusões e a florescer novamente, como uma fênix que renasce das cinzas. Sua fragilidade é também a sua força, pois, apesar das adversidades, ele insiste em pulsar, em amar, em esperar.

O indefeso coração é um eterno sonhador, que acredita na bondade, na beleza e na possibilidade de um amor verdadeiro. Ele é um guardião de sonhos, mesmo quando as cicatrizes lhe lembram as batalhas perdidas. Ele é a prova viva de que, apesar de todas as quedas, a capacidade de amar é o que nos torna verdadeiramente humanos.

E assim, esse coração segue sua jornada, um batimento de cada vez, sempre esperançoso, sempre vulnerável, sempre disposto a amar novamente. Porque, no fim das contas, é na sua fragilidade que reside sua maior força e a razão de sua existência.

sábado, 6 de julho de 2024

UM CERTO SILÊNCIO

Imagine que está numa festa, cercado por amigos e conhecidos. A conversa rola solta e, de repente, surge um tema polémico. Todos parecem concordar, e você, por dentro, sente que tem uma visão completamente diferente. Olha ao redor, percebe que ninguém compartilha da sua opinião e, naquele momento, opta por ficar calado. Este é um exemplo bem quotidiano da Espiral do Silêncio em ação.

A Espiral do Silêncio é essa força invisível que nos faz engolir palavras e engavetar ideias. Quando era muito jovem, lembro várias situações em que preferi calar-me em vez de causar um desconforto ou, pior ainda, ser vista como “diferente”. É um sentimento bem comum, mas que muitas vezes nem percebemos que está acontecendo.

É curioso como os media entram nesta história, amplificando as vozes que já são maioritárias. Ligamos a TV, navegamos na internet, e o que vemos? Opiniões que parecem ser universais, como se todo mundo pensasse do mesmo jeito. Isso pode fazer-nos sentir ainda mais isolados com os nossos pensamentos divergentes.

Mas, e se todos aqueles que ficaram em silêncio decidissem falar ao mesmo tempo? Talvez descobríssemos que não estamos tão sozinhos assim. A Espiral do Silêncio, no fundo, é uma ilusão alimentada pelo medo de ser excluído. Cada vez que alguém decide falar, quebra um pouco dessa espiral, e encoraja outros a fazerem o mesmo.

Tenho pensado muito sobre como seria bom se nós pudéssemos criar mais espaços seguros, para que todos pudessem expressar as suas opiniões sem medo. Onde o diferente não fosse visto como ameaçador, mas sim como uma oportunidade de aprender e crescer. Afinal, são as vozes diversas que tornam uma conversa rica e interessante.

Em tempos de redes sociais, ainda temos muito que aprender. Por um lado, elas podem ser um alívio, dando voz a quem antes era silenciado. Por outro, podem criar novas espirais, onde nos fechamos em bolhas que reforçam apenas o que já pensamos. É um equilíbrio delicado, mas essencial para uma convivência mais saudável e democrática.

No fim das contas, a Espiral do Silêncio é um lembrete poderoso da importância de cada voz. A sua opinião importa, mesmo que pareça estar nadando contra a maré. E é só quebrando o silêncio que podemos, de verdade, começar a mudar o rumo das conversas ao nosso redor.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

O JOGO DA VIDA

"O Jogo da Vida", também conhecido como "The Game of Life", é um dos jogos de tabuleiro mais emblemáticos e duradouros do mundo, criado por Milton Bradley em 1860 e posteriormente modernizado por Reuben Klamer em 1960. Este jogo oferece uma simulação simplificada da jornada humana, desde a juventude até a aposentadoria, passando por marcos significativos como educação, carreira, casamento e filhos.

O objetivo do jogo é percorrer a vida tomando decisões financeiras e pessoais, acumulando riqueza e enfrentando os desafios que surgem ao longo do caminho. Os jogadores giram uma roleta para avançar no tabuleiro e devem tomar decisões em cada parada, como escolher uma carreira ou comprar uma casa. Cada decisão pode afetar o saldo bancário dos jogadores e suas chances de vitória.

Uma característica única do "Jogo da Vida" é a sua capacidade de refletir, de maneira lúdica, as escolhas e oportunidades que encontramos na vida real. Por exemplo, os jogadores podem optar por frequentar a universidade, o que geralmente resulta em uma carreira mais lucrativa, mas também em um começo mais lento devido ao tempo e dinheiro gastos na educação.

O jogo também aborda temas como seguros, impostos e investimentos, fornecendo aos jogadores jovens conceitos básicos de finanças pessoais de uma forma envolvente e interativa. Os espaços do tabuleiro são recheados de surpresas, tanto boas quanto ruins, imitando as incertezas da vida real.

Além de ser uma ferramenta educativa, "O Jogo da Vida" é, sobretudo, uma fonte de entretenimento. O fator sorte, proporcionado pela roleta, mantém a competição acirrada e imprevisível, garantindo que cada partida seja única. As interações entre os jogadores, que podem envolver negociações e decisões conjuntas, acrescentam uma camada social ao jogo, tornando-o uma experiência coletiva.

Ao longo dos anos, "O Jogo da Vida" passou por diversas atualizações e edições temáticas, mantendo-se relevante e atraente para novas gerações. Embora as regras e os elementos do jogo possam ter evoluído, a essência permanece a mesma: uma celebração das escolhas e das surpresas que fazem parte da jornada da vida.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

A memória e a saudade

Memória e saudade são como dois lados de uma moeda preciosa, entrelaçados num delicado ballet de sentimentos e recordações. A memória, com a sua capacidade de capturar momentos e transformá-los em eternidade, permite-nos revisitar o passado com os olhos do presente. Ela é um repositório de experiências, um baú de tesouros onde guardamos risos, lágrimas, aprendizados e amores. Cada lembrança é uma pincelada em nossa tela pessoal, criando uma obra de arte única que conta a história de quem somos.

A saudade, por sua vez, é a sombra suave que acompanha essas memórias. É a ausência sentida, o vazio que se forma onde antes havia presença. Mas a saudade não é apenas dor; ela também é prova de que algo foi significativo, de que existiu beleza, conexão e afeto. É a lembrança que pulsa com uma melancolia doce, um desejo de retorno ao que foi bom e ao que marcou profundamente. Saudade é a linguagem do coração, uma prova de que o que vivemos foi verdadeiro e valeu a pena.

Juntas, memória e saudade, permitem-nos transcender o tempo. Elas são um convite para honrar o passado e valorizar o presente, reconhecendo a importância de cada instante. No fundo, elas nos lembram que somos feitos de histórias, e que cada lembrança carregada de saudade, é um testemunho do amor que demos e recebemos, das vidas que tocamos e que nos tocaram. Assim, memória e saudade, entrelaçadas num eterno abraço, guiam-nos pelo caminho da vida, ensinando-nos a valorizar cada momento e a encontrar beleza até mesmo nas ausências.

 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

A eterna fragilidade do ser

A fragilidade do ser é uma constante da condição humana, uma característica intrínseca que permeia a nossa existência desde o início dos tempos. Essa vulnerabilidade não é apenas física, mas também emocional, psicológica e espiritual. É uma lembrança de nossa finitude e da efemeridade da vida.

Filosoficamente, a fragilidade humana é um tema central. Filósofos como Søren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche exploraram a angústia e o desespero que surgem do confronto com nossa fragilidade. Kierkegaard, por exemplo, destacou a ideia do "salto de fé", uma aceitação da própria finitude e fragilidade como um passo necessário para uma vida autêntica. Nietzsche, por sua vez, falou sobre a necessidade de abraçar essa fragilidade para transcender e encontrar significado na vida.

Na literatura, a fragilidade do ser é frequentemente retratada através de personagens complexos que enfrentam dilemas existenciais.

Biologicamente, somos frágeis por natureza. Os nossos corpos, sujeitos a doenças, envelhecimento e ferimentos, são lembretes constantes da nossa vulnerabilidade. A ciência médica avança, prolonga a vida e melhora a saúde, mas não pode eliminar completamente essa fragilidade.

A nível emocional e psicológico, a fragilidade humana manifesta-se através das nossas relações, medos, esperanças e sonhos. Sentimentos de amor, perda, alegria e tristeza são reflexos dessa vulnerabilidade.

Espiritualmente, muitas tradições religiosas abordam a fragilidade do ser como um caminho para a transcendência. O budismo, por exemplo, ensina que o reconhecimento da impermanência e da fragilidade é um passo fundamental para alcançar a iluminação. O cristianismo fala da fragilidade humana em termos de dependência de Deus e da necessidade de graça divina.

A eterna fragilidade do ser, portanto, não é apenas uma condição a ser superada ou evitada, mas uma parte fundamental da experiência humana. Ela desafia-nos a encontrar resiliência, significado e beleza no meio da incerteza e da vulnerabilidade. Aceitar a nossa fragilidade pode levar-nos a uma compreensão mais profunda de nós mesmos e dos outros, promovendo compaixão, empatia e um sentido mais pleno de humanidade.

domingo, 30 de junho de 2024

Independência e Espaço Pessoal

Embora relacionados, a independência e o espaço pessoal têm funções distintas.

Em relações saudáveis, as pessoas podem ser interdependentes, equilibrando as suas necessidades de independência com a interconexão e o suporte mútuo

Respeitar o espaço pessoal de outros é um sinal de maturidade e consideração. Da mesma forma, ser independente não significa ser isolado ou insensível às necessidades dos outros.

A comunicação clara e aberta é essencial para estabelecer e manter limites de espaço pessoal, assim como para promover a independência saudável.

Como Promover Independência e Espaço Pessoal

Definir claramente e respeitar os limites próprios e dos outros. Apoiar a tomada de decisões e a busca por experiências pessoais.

Reconhecer e valorizar a importância do tempo a sós para si mesmo e para os outros.

Manter um diálogo aberto sobre as necessidades e expectativas dentro das relações.

Independência e espaço pessoal são essenciais para o desenvolvimento pessoal e para a manutenção de relações saudáveis. Eles permitem que os indivíduos cresçam, mantenham a sua identidade e contribuam positivamente para as suas interações sociais.

 

sábado, 29 de junho de 2024

O CLARO E O ESCURO

A dualidade entre o claro e o escuro é uma constante na experiência humana. A vida desenrola-se, muitas vezes, nessa interseção, onde momentos de alegria e tristeza se entrelaçam. O claro representa a esperança, a luz que nos guia, enquanto o escuro simboliza os desafios, as incertezas e as sombras que enfrentamos. É nesse equilíbrio delicado que encontramos significado e crescimento.

Encontrar equilíbrio entre o claro e o escuro é uma busca constante em que se destacam sobretudo:

Autoconhecimento: Tirar um tempo para refletir sobre emoções, pensamentos e comportamentos. Conhecer-se a si mesma ajuda a entender como se reage às situações claras e escuras.

Aceitação: Aceite que a vida é uma mistura de momentos bons e ruins. Não podemos evitar o escuro, mas podemos aprender a lidar com ele.

Prática da gratidão: Mesmo nos momentos difíceis, procure coisas pelas quais ser grato. Isso ajuda a equilibrar as emoções.

Cuidado pessoal: Cuide do seu corpo e mente. Durma bem, faça exercícios e pratique técnicas de relaxamento.

Rede de apoio: Mantenha conexões com amigos e familiares. Compartilhar experiências, ajuda a aliviar o peso do escuro.

Mindfulness e meditação: Pratique a atenção plena, para ela estar presente no momento e aceitar tanto o claro quanto o escuro.

E, talvez o mais importante, lembre-se de que o equilíbrio não significa eliminar o escuro, mas sim, encontrar maneiras de navegar por ele, com resiliência e esperança.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2024

SER OU TER

As questões de "ser" e "ter" são amplamente debatidas em contextos filosóficos, psicológicos e culturais, e podem ser abordadas de várias maneiras. Aqui estão alguns pontos de vista sobre esta questão:

Filosófico

  • Existencialismo: Filósofos existencialistas como Jean-Paul Sartre, argumentam que "ser" é mais importante que "ter". Enfatizam a autenticidade e a essência da existência, sugerindo que a verdadeira realização vem de "ser" verdadeiro consigo mesmo e com os outros, em vez de "ter" posses materiais.
  • Materialismo: Por outro lado, filosofias materialistas podem argumentar que "ter" é fundamental para a sobrevivência e o bem-estar. Possuir recursos e bens materiais é necessário para satisfazer necessidades básicas e proporcionar segurança.

Psicológico

  • Teoria das Necessidades de Maslow: Abraham Maslow sugere que as necessidades humanas são hierárquicas. As necessidades de "ter" (como segurança, abrigo e alimentação) devem ser satisfeitas antes de que uma pessoa se possa focar no "ser" (como auto atualização e realização pessoal).
  • Psicologia Positiva: Estudos mostram que experiências e relacionamentos (aspetos do "ser") trazem felicidade mais duradoura do que posses materiais ("ter"). A busca por significado e conexões interpessoais é vista como mais gratificante a longo prazo.

Cultural

  • Valores Ocidentais vs. Orientais: Culturas ocidentais frequentemente enfatizam o "ter" como um sinal de sucesso e status social. Em contraste, muitas culturas orientais podem colocar mais ênfase no "ser" – na harmonia, na meditação, e na realização espiritual.
  • Minimalismo: Movimentos modernos como o minimalismo promovem a ideia de que "ter" menos pode levar a um "ser" mais pleno e significativo. Argumentam que a desordem material pode distrair das verdadeiras prioridades da vida.

Conclusão                                                                                                                                  A resposta à questão "ser ou ter" pode variar amplamente dependendo do contexto e da perspetiva individual. No entanto, muitas vezes, é um equilíbrio entre ambos que leva a uma vida satisfatória e significativa. Ter o suficiente para atender às necessidades básicas é essencial, mas ser autêntico, buscar realização pessoal e construir relacionamentos significativos são igualmente importantes para o bem-estar geral.

DAR TEMPO AO TEMPO

Dar tempo ao tempo é como fazer uma receita de um bolo: você mistura todos os ingredientes, coloca-os no forno e... espera. Você não fica lá, debruçado sobre o forno, implorando para o bolo crescer mais rápido.

Não, você aproveita o tempo. Talvez faça a dança da espera, talvez cante uma música, ou simplesmente se sente com uma chávena de chá e um livro. A vida, muitas vezes, é assim: mistura de paciência, esperança e uma pitada de fé.

Imagine agora, se a natureza decidisse não dar tempo ao tempo. Teríamos flores tentando brotar em segundos, árvores que crescem em minutos, e bebês que nascem com pressa de falar e andar. Um caos! O universo nos ensina, com sua calma infinita, que cada coisa tem seu momento certo para acontecer. Afinal, ninguém consegue acelerar a chegada da primavera, mesmo que cante "Chegou a hora dessa flor..." todos os dias.

Então, da próxima vez que se sentir ansioso por algo, lembre-se do bolo no forno. Relaxe, saboreie a espera e, quem sabe, descubra que o tempo, além de tudo, tem um sentido de humor delicioso. Dar tempo ao tempo não é só uma questão de paciência, é uma arte, um lembrete constante de que, às vezes, a melhor coisa que podemos fazer é simplesmente... esperar.

 

quarta-feira, 26 de junho de 2024

INSTANTES DE VIDA

"Instantes" é um poema frequentemente atribuído a Jorge Luis Borges, embora a sua autoria seja disputada y alguns creem que terá sido escrito por Nadine Stair, una mulher de 85 anos de Louisville, Kentucky. O poema reflexiona sobre a vida y os arrependimentos, propondo uma atitude mais plena e consciente ante a existência. Aqui fica a versão do poema

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, me relaxaria mais. Seria mais tolo do que tenho sido, na verdade, levaria poucas coisas a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, faria mais viagens, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a lugares onde nunca fui, comeria mais sorvetes e menos feijões, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e prolificamente cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar atrás, trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disto é feita a vida, só de momentos; não percam o agora.

Eu era um desses que nunca iam a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas; se pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no início da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas no carrossel, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez a vida pela frente.

Mas já viram, eu tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Este poema, belíssimo, inspira a uma reflexão profunda sobre como vivemos as nossas vidas, e encoraja-nos a aproveitar mais os momentos presentes e a  viver de maneira mais espontânea e menos preocupada, as trivialidades que nos rodeiam!

AMOR PAIXÂO E SEXUALIDADE

O amor é geralmente considerado um sentimento mais profundo e estável, baseado na conexão emocional e no compromisso a longo prazo. A paixão, por outro lado, é muitas vezes mais intensa e de curta duração, focada na atração física e no desejo. Enquanto o amor tende a crescer e se desenvolver com o tempo, a paixão pode arder intensamente e depois a desaparecer rapidamente.

O equilíbrio entre amor e paixão é importante num relacionamento porque cada um contribui de maneira diferente para a sua saúde e satisfação. O amor oferece estabilidade, segurança e uma base sólida para enfrentar desafios juntos. A paixão traz energia, excitação e uma química que pode manter o relacionamento vibrante. Um relacionamento saudável tem, muitas vezes, uma mistura de ambos, com amor fornecendo a constância e a paixão adicionando o tempero necessário para manter a conexão viva.

A sexualidade desempenha um papel fundamental na saúde e no bem-estar das pessoas. Ela está associada à autoestima, à autoconfiança e à qualidade de vida. Além disso, a expressão saudável da sexualidade contribui para o fortalecimento dos vínculos afetivos e para o desenvolvimento de relações interpessoais saudáveisA sexualidade vai além da mera atração sexual e engloba todos os aspetos da nossa personalidade, incluindo valores, crenças, desejos, relações, pensamentos e sentimentos2É uma parte importante, saudável e natural, de quem somos e do que seremos em todas as etapas das nossas vidas.

E com este texto – o terceiro – dou por terminada a abordagem dum tema - a sexualidade - que fazendo parte da vida de todos nós, ainda continua a ser mau-olhado por muitos. É pena!

terça-feira, 25 de junho de 2024

Interligação entre Amor e Sexualidade

Relacionamentos Íntimos: Muitos relacionamentos românticos incluem uma dimensão sexual. A intimidade física pode fortalecer a conexão emocional e vice-versa.

Diversidade de Experiências: A forma como amor e sexualidade se manifestam pode variar amplamente entre diferentes pessoas e culturas. Alguns podem experienciar uma forte ligação entre amor e sexo, enquanto outros podem vê-los como aspetos distintos de sua vida.

Desafios e Expectativas: As expectativas sociais e culturais podem influenciar como indivíduos vivenciam e expressam amor e sexualidade. Isso inclui normas sobre monogamia, fidelidade, papéis de gênero e a aceitação de diversas orientações sexuais.

Considerações Psicológicas e Emocionais

Intimidade Emocional: É um componente essencial tanto do amor quanto da sexualidade saudável. Implica confiança, comunicação aberta e respeito mútuo.

Saúde Sexual: Inclui não apenas a ausência de doenças, mas também uma atitude positiva e respeitosa em relação à sexualidade e às relações sexuais. Isso envolve consentimento, segurança e bem-estar emocional.

Desafios e Crescimento: Problemas relacionados a amor e sexualidade, como disfunções sexuais, infidelidade ou conflitos emocionais, podem ser difíceis, mas também podem oferecer oportunidades de crescimento pessoal e relacional.

Amor e sexualidade são partes fundamentais da experiência humana, influenciando profundamente nossa identidade, relacionamentos e felicidade. Compreender e respeitar a diversidade de experiências e sentimentos nesses aspetos pode promover uma vida mais saudável e gratificante.

 

segunda-feira, 24 de junho de 2024

AMOR E SEXUALIDADE

Amor e sexualidade são temas amplos e complexos que estão profundamente entrelaçados com a experiência humana. Vou tentar hoje explorar esses conceitos separadamente. Amanhã fá-lo-ei de modo conjunto.

Amor

Amor Romântico: O amor romântico envolve uma profunda conexão emocional, intimidade e muitas vezes uma forte atração física. Este tipo de amor pode evoluir para um compromisso de longo prazo, como o casamento ou união estável.

Amor Platónico: Refere-se a uma forma de amor que não envolve atração sexual. É caracterizado por uma profunda amizade e afeição, sem o componente físico.

Amor Familiar: Este é o amor entre membros da família, como pais e filhos, irmãos, avós e netos. É baseado em vínculos sanguíneos e conexões emocionais profundas.

Amor Próprio: Refere-se à valorização e respeito por si mesmo. É crucial para o bem-estar emocional e psicológico.

Sexualidade

Orientação Sexual: Diz respeito à atração que uma pessoa sente por outras, podendo ser por pessoas do sexo oposto (heterossexualidade), do mesmo sexo (homossexualidade), ambos os sexos (bissexualidade) ou independentemente do sexo (pansexualidade).

Identidade de Género: Refere-se à maneira como uma pessoa se identifica em termos de género, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento. Exemplos incluem pessoas cisgénero, transgénero e não binárias.

Comportamento Sexual: Refere-se às ações e práticas sexuais que uma pessoa pode realizar, que variam amplamente entre indivíduos e culturas.

Assim é muito duvidoso que se possam colocar rótulos terríveis sobre algo que nasce com o individuo e do qual ele não é diretamente responsável. Durante muitos anos esta área foi tabu e muitos foram os que levaram consigo um segredo visto como crime. 

domingo, 23 de junho de 2024

Sobre a Beleza

A beleza sempre foi um tema intrigante para mim. É algo que, enquanto parece fácil de reconhecer, é extremamente difícil de definir. A beleza está em toda a parte, mas a maneira como a percebemos é única para cada um de nós.

Quando penso na beleza, a primeira coisa que vem à mente são as pequenas coisas do quotidiano. O sorriso sincero de um amigo, o som da chuva batendo na janela, a luz suave do pôr do sol tingindo o céu de laranja e rosa. Esses momentos efêmeros, embora simples, têm uma capacidade incrível de tocar o coração e aquecer a alma.

A beleza também está presente nas pessoas que encontro. Não falo apenas da beleza física, que é frequentemente enfatizada pela média, mas daquela beleza que vem de dentro. Há uma luz especial em pessoas que são gentis, compassivas e genuínas. Elas têm uma capacidade única de iluminar qualquer ambiente com sua presença, e essa é uma forma de beleza que realmente admiro.

Certa vez, ouvi alguém dizer que a beleza está nos olhos de quem vê, e acho que isso é absolutamente verdade. Esta subjetividade faz da beleza algo ainda mais fascinante. Cada um de nós carrega uma visão particular do que é belo, moldada pelas nossas experiências, cultura e personalidade.

Lembro-me de um dia que sempre guardarei com carinho. Estava a caminhar por uma trilha num bosque e, de repente, deparei-me com uma clareira repleta de flores silvestres. O contraste das cores vibrantes contra o verde profundo das árvores ao redor foi um espetáculo de tirar o fôlego

Há também uma beleza indescritível na arte e na música. Perder-se num quadro ou ser transportado por uma melodia é uma experiência quase mágica. A arte tem o poder de capturar emoções e momentos de uma maneira que as palavras muitas vezes não conseguem

E, claro, existe a beleza interior, que se revela com o tempo, através das ações e palavras de uma pessoa que, para mim, são as que realmente me tocam.

Assim, a beleza é algo que nos toca de maneiras inesperadas e profundas. É um lembrete constante de que, apesar dos desafios e dificuldades da vida, sempre há algo por que vale a pena sorrir, que nos inspira a seguir em frente. A beleza está em todo lugar, basta abrir os olhos e o coração para percebê-la.

sábado, 22 de junho de 2024

A INICIAÇÃO À VIDA

A iniciação à vida é um conceito amplo que abrange diversas experiências e aprendizagens fundamentais ao longo da existência humana. Essas experiências podem ser divididas em várias áreas, como a familiar, a educacional, a social e a pessoal.

Desde o nascimento, a família é o primeiro núcleo social do indivíduo. A educação familiar influencia profundamente a personalidade e o caráter da pessoa.

Depois a escola é outro dos locais de socialização e aprendizagem formal que envolve o desenvolvimento cognitivo, a aquisição de conhecimentos e habilidades, bem como a formação ética e moral. Além disso, ela é um ambiente onde se aprendem a convivência, a disciplina e o trabalho em grupo.

A socialização é um processo contínuo que se estende por toda a vida. Desde cedo, aprendemos a interagir com os outros, a entender e respeitar as regras sociais e a construir relações interpessoais. Esta área diz respeito ao autoconhecimento e ao desenvolvimento pessoal e envolve a descoberta de interesses, paixões, habilidades e limitações. É um processo que inclui a formação da identidade, a construção da autoestima e a busca por um propósito de vida.

Na fase adulta, a iniciação à vida profissional é um marco importante. Envolve a escolha de uma carreira, a entrada no mercado de trabalho e o desenvolvimento de uma trajetória profissional. É um período de aprendizagem contínuo, adaptação e crescimento.

Para muitas pessoas, a espiritualidade desempenha um papel crucial na vida. A iniciação espiritual pode incluir a prática de uma religião, a busca por um sentido maior, a meditação e outras formas de conexão com algo transcendente.

A iniciação à vida é, assim, um processo dinâmico e contínuo, marcado por aprendizagens, desafios e transformações. Cada pessoa vivencia essa iniciação de maneira única, influenciada pelas suas experiências individuais, o seu contexto cultural e as suas escolhas pessoais. Compreender e valorizar cada etapa desse processo pode contribuir para uma vida mais plena e significativa.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

O MUNDO PARALELO

Viver num mundo paralelo é um conceito fascinante, frequentemente explorado na ficção científica, literatura e até em teorias científicas.

Um mundo paralelo, ou universo paralelo, refere-se a uma realidade alternativa coexistente com a nossa. Essas realidades podem ser semelhantes ao nosso mundo ou completamente diferentes, com leis físicas e eventos históricos distintos. Viver num mundo paralelo levanta várias questões filosóficas e existenciais, nomeadamente como seria a nossa identidade moldada num universo alternativo, ou, se existem múltiplas versões de nós mesmos, vivendo diferentes vidas, como afetaria isso a nossa compreensão do destino e do livre-arbítrio.

Pessoas e culturas exploram a ideia de mundos paralelos como uma forma de reflexão sobre as suas próprias vidas e realidades, imaginando uma versão alternativa de nós próprios que pode ajudar no autoconhecimento e no entendimento das nossas escolhas.

Enxergar um mundo paralelo, possibilita oferecer uma nova perspetiva sobre questões sociais e culturais, permitindo um maior entendimento e empatia. A ideia de mundos paralelos também é explorada no contexto da tecnologia e da inteligência artificial que estão a explorar experiências imersivas que se aproximam da ideia de viver num mundo paralelo.

Embora a existência de mundos paralelos permaneça uma hipótese sem confirmação científica definitiva, o conceito continua a inspirar a imaginação e a pesquisa. Explorar essa ideia pode oferecer insights valiosos sobre a nossa própria realidade e a natureza do universo.

 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

A RENUNCIA

A renúncia voluntária a alguém que se ama é uma das formas mais profundas e complexas de abdicação, carregando consigo uma carga emocional intensa e muitas vezes dolorosa. Esse tipo de renúncia pode ocorrer por diversas razões, como a busca pelo bem-estar do outro, a perceção de que o relacionamento não está funcionando de maneira saudável, ou mesmo devido a circunstâncias externas que tornam a união inviável.

Quando se escolhe renunciar a alguém que se ama, o indivíduo está, de certo modo, a colocar o amor num patamar altruísta. É uma forma de amor que transcende o desejo de estar junto e se transforma na vontade de ver a outra pessoa feliz, mesmo que isso signifique a sua própria ausência. Essa renúncia pode ser vista como um ato de profundo respeito e consideração pelo bem-estar do outro, reconhecendo que, às vezes, a melhor maneira de amar é permitir que o outro siga seu próprio caminho.

A renúncia voluntária pode surgir de uma compreensão de que as necessidades ou os caminhos de vida dos parceiros se tornaram incompatíveis. Pode ser uma decisão tomada para evitar maior sofrimento futuro, ou quando se percebe que permanecer juntos pode impedir ambos de alcançar seu pleno potencial.

Esse tipo de renúncia requer uma grande dose de maturidade emocional e coragem. É um momento de vulnerabilidade, onde se abre mão de um sonho partilhado em prol de uma realidade mais saudável e, potencialmente, mais feliz para ambos os envolvidos.

No entanto, a renúncia voluntária ao amor não significa necessariamente o fim do amor em si. Muitas vezes, esse tipo de renúncia é feito com carinho e respeito, mantendo a admiração e o apreço pelo outro. O amor pode continuar a existir de maneira diferente, transformando-se numa lembrança positiva ou num desejo de felicidade para a outra pessoa, ainda que à distância.

Em última análise, a renúncia voluntária a alguém que se ama é uma escolha dolorosa, mas que pode levar a um crescimento pessoal significativo. É uma forma de aprender a lidar com as complexidades das relações humanas, de se entender melhor a si mesmo, de respeitar tanto os próprios limites quanto os do outro e apesar de ser um processo difícil, pode resultar numa compreensão mais profunda do verdadeiro significado do amor e do sacrifício.

terça-feira, 18 de junho de 2024

OS ACASOS DA VIDA

Os acasos da vida são eventos inesperados que moldam o nosso destino de maneiras imprevisíveis. Muitas vezes, planeamos os nossos dias e temos objetivos claros, mas a vida tem uma forma curiosa de nos surpreender com reviravoltas inesperadas. Esses acasos podem manifestar-se de várias formas: um encontro fortuito com alguém que se torna um grande amigo, uma oportunidade de emprego que surge do nada, ou mesmo uma mudança repentina que nos obriga a repensar os nossos planos e prioridades.

Acontece que esses eventos aleatórios cabem ser tanto positivos quanto negativos. Às vezes, um contratempo parece um desastre no momento, mas, com o tempo, revela-se uma bênção disfarçada. Por exemplo, perder um emprego costuma ser angustiante, mas pode levar a uma nova carreira mais satisfatória. Da mesma forma, encontrar um novo amor ou descobrir uma paixão inesperada por um hobby tem hipóteses de enriquecer a nossa vida de formas inimagináveis.

Os acasos da vida também nos ensinam a ser flexíveis e adaptáveis. Eles lembram-nos de que não temos controle absoluto sobre nosso destino e que é importante estar aberto às possibilidades que surgem. Esta abertura conduz-nos, muitas vezes, a experiências enriquecedoras e a descobrir novos caminhos que jamais teríamos considerado.

Além disso, os acasos podem ensinar-nos lições valiosas sobre resiliência e  gratidão. Enfrentar desafios inesperados fortalece a nossa capacidade de superação e faz valorizar ainda mais os momentos de felicidade e sucesso. Cada desvio no caminho pode ser uma oportunidade para crescimento pessoal e autoconhecimento.

Em última análise, os acasos da vida mostram a beleza da incerteza. Convidam a abraçar o desconhecido e a confiar no processo, reconhecendo que, mesmo quando as coisas não saem como planeado, ainda podemos encontrar significado e alegria no inesperado. Afinal, são esses momentos do acaso que, muitas vezes, criam as memórias mais duradouras e moldam a história única de cada um de nós.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

UM PERDÃO

Espero que estas palavras te encontrem em paz. É com um misto de arrependimento e esperança que te escrevo esta carta, depois de tantos anos de silêncio. Faz trinta anos que deixei a tua vida de forma abrupta e inexplicável, e tenho carregado o peso dessa decisão comigo, desde então. Hoje, volto para pedir o teu perdão, sabendo que as palavras talvez nunca sejam suficientes para reparar a dor que te causei.

Há três décadas, eu era uma pessoa absorvida pelo trabalho e pelo sucesso, incapaz de lidar com os desafios que a vida me impunha. Naquela época, perante as tentações, pensei que a única solução era partir, acreditando erroneamente que a minha ausência seria menos dolorosa do que minha presença fragmentada. Fui covarde, e ao fugir, deixei-te com feridas profundas que sei que cicatrizaram de maneira difícil e dolorosa.

O tempo passou, e com ele veio a sabedoria que me faltava. Entendi que a fuga não resolve problemas, só os agrava, e que as pessoas que nos amam merecem mais do que a nossa ausência inexplicada. O meu coração pesa com o arrependimento por não ter sido forte o suficiente para enfrentar os desafios ao teu lado.

Sei que pedir perdão agora, depois de tanto tempo, é uma tarefa árdua. Não espero que esta carta apague as mágoas do passado, mas espero que ela seja um primeiro passo para uma possível reconciliação. A vida ensinou-me a valorizar as pessoas e os momentos, e gostaria de ter a oportunidade de te mostrar que mudei, que aprendi com os meus erros e que desejo reparar, tanto quanto possível, o mal que causei.

Quero que saibas que sempre te carreguei no coração, mesmo nos momentos mais sombrios da minha jornada. O que fiz não tem justificação, mas gostaria de abrir um diálogo, se a ele estiveres disposta, para que possamos encontrar um caminho de paz e compreensão.

Peço humildemente o teu perdão, na esperança de que possamos, de alguma forma, reconstruir uma ponte que foi destruída há tantos anos. Estou à tua disposição para te ouvir, para aceitar a tua raiva e tristeza, e para te oferecer, se permitires, a minha sinceridade e mágoa.

domingo, 16 de junho de 2024

O ABANDONO TOTAL

O divórcio é uma das experiências mais desafiadoras que uma pessoa pode enfrentar, marcando o fim de uma relação que, em algum momento, representou um compromisso significativo. Quando o divórcio implica um abandono total, as repercussões podem ser ainda mais profundas e dolorosas. Esse tipo de abandono pode envolver a ausência completa de contato, apoio emocional, financeiro e, muitas vezes, a perda do vínculo com os filhos.

O abandono total durante o divórcio pode levar a uma sensação de rejeição profunda, afetando a autoestima e a confiança da pessoa abandonada. Sentimentos de solidão, desamparo e desespero são comuns. A pessoa pode sentir que todas as bases emocionais e sociais da sua vida foram removidas de repente, resultando numa crise de identidade e de propósito

Quando um dos pais abandona totalmente a família, os filhos também sofrem consequências graves. Eles podem sentir-se culpados, acreditar que fizeram algo para provocar o abandono ou desenvolver sentimentos de insegurança e desvalorização. A ausência de um dos pais pode afetar o desenvolvimento emocional e social das crianças, causando problemas de comportamento, dificuldades escolares e relações futuras problemáticas.

O abandono total frequentemente acarreta dificuldades financeiras significativas. Sem o suporte financeiro do outro cônjuge, a pessoa abandonada pode enfrentar desafios para manter o padrão de vida, pagar contas e prover para os filhos. Esse estresse financeiro adiciona mais uma camada de dificuldade ao processo de recuperação pós divórcio

Mas o divórcio e o abandono total podem, também, ser uma oportunidade, embora dolorosa, para reavaliar a própria vida e fazer mudanças positivas. Muitas pessoas encontram novas fontes de força e resiliência, redescobrem interesses e paixões e constroem novas relações que lhes trazem alegria e satisfação

O divórcio já é uma experiência difícil, mas quando envolve abandono total, torna-se uma provação ainda mais complexa. As repercussões emocionais, financeiras e sociais podem ser profundas, mas com apoio adequado e uma abordagem proativa para a recuperação, é possível superar essa fase e encontrar, até, um novo caminho para a felicidade e realização pessoal.

sábado, 15 de junho de 2024

UMA CARTA

Estimados leitores,

Nos textos destes últimos quinze dias, tive o prazer de partilhar convosco uma nova fase na minha jornada como autora. Depois de muita reflexão e inspirada por diversas histórias de amor que encontrei ao longo do caminho, decidi, por aquele curto período, aventurar-me num mundo mais romântico. Esta mudança, temporária, é uma forma de explorar novos horizontes criativos e, principalmente, de entender como os meus fiéis leitores, reagiram a essa transformação no meu estilo de escrita.

O romance é um género que celebra as emoções, os encontros e desencontros que marcam as nossas vidas. Acredito que mergulhar nessas narrativas, pode trazer uma nova perspetiva e enriquecer a nossa experiência literária conjunta. Estou, por isso, curiosa para ver como essa mudança terá ressoado em cada um de vós.

Conto, assim, com o feedback de todos, para que esta experiência seja enriquecedora. Os vossos comentários e reações serão fundamentais, para moldar ou não, os próximos passos desta jornada. Gostei de partilhar estas histórias de amor, talvez menos alegres e, quem sabe, tocar os vossos corações de maneiras inesperadas.

Com o carinho e a gratidão da

Helena Sacadura Cabral

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Saudades de um Amor Passado

Nas páginas amareladas da memória, guardo o retrato desbotado de um amor. Era verão em Lisboa, e o Tejo refletia no brilho dos teus olhos, a promessa de calor.

Caminhávamos de mãos dadas pelas ruas, de Alfama ao Chiado, sem destino ou razão. O fado soava em cada esquina, como se cantasse a melodia do nosso coração.

Mas o tempo, implacável em sua marcha, levou-te para longe, além do meu alcance. Restaram-me as saudades, essa doce tortura e a esperança vã de um novo romance.

Agora, sentado à beira do cais das colunas, vejo os barcos partirem, levando sonhos pelo mar. E penso em ti, amor que foi embora, deixando em meu peito um eterno lugar.

Saudades, palavra que só a nossa língua conhece, descreve a falta que me fazes, amor antigo. E em cada pôr do sol que o horizonte tece, envio ao vento o meu sussurro amigo.

Volta, nem que seja em pensamento, nas noites em que a solidão aperta. Pois mesmo que o tempo nos tenha separado, em minha alma, por ti, a porta está sempre aberta.

Esse amor passado, que habita as lembranças, era feito de momentos simples, mas profundos. Não havia juras eternas nem grandes esperanças, apenas a verdade nua em segundos.

Era um amor de verão, intenso e fugaz, como a brisa que acaricia e depois se vai. Não deixou promessas, nem olhares para trás, apenas a saudade que dentro de mim cai.

Falávamos a língua dos gestos, não de palavras. E cada toque dizia mais do que mil versos. Mas como folhas que o outono desgarra, o nosso amor perdeu-se no universo.

Hoje, resta o eco daquela risada, o calor daquela tarde à beira-mar. Esse amor passado é, agora, uma estrada que se pode recordar, mas não caminhar.

E assim, entre o sonho e a realidade, vivo com a doce dor da nostalgia. Esse amor passado é saudade, uma chama que arde, mas que alumia.

AMAR É DIFICIL

Amar é difícil. Pode parecer um clichê, mas é uma verdade que se revela em cada relacionamento significativo que cultivamos. O amor exige de nós um compromisso constante de compreensão, paciência e vulnerabilidade. Não é apenas sobre os momentos de felicidade e paixão intensa, mas também sobre enfrentar os desafios e desentendimentos que inevitavelmente surgem.

A dificuldade do amor reside, em parte, na complexidade de conciliar duas individualidades distintas. Cada pessoa traz consigo um conjunto único de experiências, valores e expectativas. Aprender a navegar essas diferenças, sem perder a própria essência é uma tarefa árdua. Requer disposição para ouvir e entender o outro, mesmo quando as suas perspetivas parecem opostas às nossas.

Além disso, o amor verdadeiro desafia-nos a sermos honestos e transparentes, a expormos as nossas inseguranças e medos. Esse grau de vulnerabilidade pode ser assustador, pois abre a possibilidade de rejeição e dor. Porém, é precisamente essa abertura que permite a construção de uma conexão profunda e autêntica.

Algo que torna o amor difícil é a necessidade constante de crescimento e adaptação. As pessoas mudam com o tempo, assim como as circunstâncias da vida. Manter uma relação saudável requer a capacidade de evoluir juntos, de apoiar o desenvolvimento individual do parceiro e de se ajustar às novas dinâmicas que surgem.

Finalmente, amar é difícil porque exige a superação do egoísmo. É preciso colocar o bem-estar do outro ao lado do nosso, equilibrando desejos pessoais com a construção de uma vida partilhada. Esse equilíbrio nem sempre é fácil de encontrar, mas é fundamental para a longevidade e profundidade do amor.

Apesar de todas essas dificuldades, amar é uma das experiências mais enriquecedoras e gratificantes da vida. É no esforço de superar os desafios que encontramos crescimento pessoal e a verdadeira essência do amor. Afinal, é nele que descobrimos a beleza de ser compreendidos e aceites, e a alegria de dividir a nossa jornada com alguém especial.

 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

HOUVE UM TEMPO EM QUE TE AMEI

 "Houve um tempo em que te amei" é uma expressão que convoca a melancolia e a beleza das lembranças de um amor passado. Este tipo de frase recorda uma época específica, marcada por sentimentos intensos e momentos compartilhados que, embora agora pertençam ao passado, ainda têm o poder de tocar o coração.

Amar alguém é uma experiência transformadora. Durante aquele tempo, as cores do mundo pareciam mais vibrantes, e cada dia trazia consigo a promessa de novas descobertas e a alegria de estar ao lado de alguém especial. As risadas, as conversas profundas e os silêncios confortáveis, criaram um universo próprio, onde tudo parecia possível.

Todavia, como muitas histórias de amor, esta também encontrou um fim. O "tempo em que te amei" não sugere um fim amargo, mas sim uma aceitação tranquila de que tudo tem o seu momento. É uma declaração que reconhece a beleza e a importância do amor vivido, mesmo que ele não tenha perdurado.

Refletir sobre esse período é um exercício de memória e gratidão. É lembrar-se das lições aprendidas, do crescimento pessoal e das emoções que moldaram quem somos hoje. O amor vivido, mesmo que passado, deixa marcas indeléveis, influenciando as nossas futuras relações e a nossa visão do mundo.

Assim, dizer "Houve um tempo em que te amei" é honrar aquele momento da vida em que o amor floresceu, é reconhecer a sua importância e o seu impacto, sem arrependimentos ou mágoas. É uma maneira de agradecer pelo que foi, mesmo sabendo que cada amor, seja ele duradouro ou efémero, contribui para a jornada contínua do coração humano.

QUANDO TE OLHAVA NOS OLHOS

A emoção que sentia quando te olhava nos olhos era algo indescritível, uma mistura de sentimentos que se entrelaçavam num vendaval de sensações. Cada vez que os nossos olhares se encontravam, era como se o tempo parasse, e tudo ao nosso redor desaparecesse.

Uma corrente elétrica percorria o meu corpo, um arrepio começava na nuca e descia pela coluna, deixando-me completamente vulnerável e, ao mesmo tempo, invencível. Os teus olhos tinham um poder hipnotizante, capazes de desnudar a minha alma e revelar cada pensamento, cada desejo escondido.

Lembro-me bem. Era uma combinação de paz e de euforia, de conforto e excitação. Havia um calor que irradiava do teu olhar, que aquecia o meu coração e me fazia sentir segura. Ao mesmo tempo, existia uma intensidade que acelerava o meu coração, como se estivesse prestes a desbravar um território desconhecido, mas fascinante.

Essa ligação profunda, era como se as nossas almas se reconhecessem e se comunicassem de uma maneira que as palavras jamais poderiam expressar. Havia uma cumplicidade silenciosa, uma troca de sentimentos e promessas que só nós podíamos entender.

Olhando nos teus olhos, eu via um reflexo do meu próprio ser, mas também algo mais: uma promessa de futuro, de sonhos compartilhados, de uma jornada que estávamos destinados a trilhar juntos. Essa emoção era um misto de amor e desejo, de esperança e confiança, de admiração e respeito.

Era, enfim, um sentimento puro e avassalador, que me envolvia por completo e me fazia perceber que, nos teus olhos, eu encontrava não apenas um reflexo de mim mesma, mas também a razão de todo o meu ser.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

AS MINHAS MÃOS NAS TUAS

As minhas mãos nas tuas, um encontro silencioso onde palavras não são necessárias. É na suavidade desse toque que sentimos a essência de nossa conexão. As tuas mãos, que conhecem cada linha das minhas, são o refúgio onde encontro paz e segurança. Cada dedo entrelaçado é uma promessa silenciosa, um juramento de estarmos juntos, seja qual for o caminho à nossa frente.

Lembro-me da primeira vez que segurei as tuas mãos. Havia um misto de nervosismo e excitação, uma energia quase palpável que nos envolvia. Desde então, as nossas mãos tornaram-se cúmplices de segredos compartilhados, sonhos confessados e medos superados. Nas noites de incerteza, quando o mundo parece desmoronar, encontro força na firmeza do teu aperto. É como se nossas mãos soubessem comunicar-se numa linguagem própria.

No quotidiano, esse simples gesto de segurar as tuas mãos ganha uma profundidade indescritível. Seja caminhando lado a lado, partilhando uma taça de vinho ou apenas assistindo à chuva cair pela janela, a presença das tuas mãos nas minhas transforma o ordinário em algo extraordinário. Há um conforto imenso em saber que, independentemente dos desafios que a vida nos apresenta, sempre terei a firmeza e a delicadeza das tuas mãos para me ancorar.

E quando a vida nos brinda com momentos de alegria, elas celebram juntas, dançando em harmonia, como se quisessem eternizar cada instante. As nossas mãos são a testemunha de nossa história, marcada por cicatrizes e memórias, mas também por uma ternura que nunca se apaga.

Cada vez que sinto o calor das tuas mãos, é como se o tempo parasse, e tudo ao redor desaparecesse, restando apenas nós dois, ligados por esse gesto íntimo e profundo. As minhas mãos nas tuas são mais do que um simples toque, são um pacto de amor, de cumplicidade e de eternidade.

 

terça-feira, 11 de junho de 2024

O FUTURO RECORDADO

O conceito de "futuro recordado" tem o poder de despertar uma série de reflexões profundas no nosso imaginário. Ao pensar no futuro através das lentes de uma memória já vivida, embarcamos numa jornada que mistura nostalgia, esperança e uma consciência aguda do presente.

Primeiramente, o futuro recordado convida-nos a imaginar um tempo onde as nossas aspirações se tornaram realidade. É como se estivéssemos a olhar para um álbum de fotos de momentos que ainda estão por vir, mas que já carregam uma familiaridade calorosa. Esse exercício mental nos enche de otimismo, pois nos faz acreditar que os sonhos que hoje nutrimos, têm o potencial de se concretizar.

Ao mesmo tempo, essa perspetiva faz-nos ponderar sobre as escolhas que fazemos no presente. Se pudéssemos reviver o futuro, como gostaríamos que essas memórias nos afetassem? Quais decisões tomaríamos hoje para garantir que essas recordações fossem de alegria, realização e crescimento? O futuro recordado nos encoraja a ser mais intencionais e cuidadosos na nossa trajetória, sabendo que cada passo dado agora, molda as lembranças que teremos.

Além disso, o futuro recordado desperta uma curiosa combinação de controle e rendição. Por um lado, ele nos oferece a ilusão de que podemos planear e prever cada detalhe de nossas vidas futuras. Por outro, lembra-nos que o futuro, por mais que tentemos antecipá-lo, sempre guardará elementos de surpresa e incerteza. É uma dança entre a segurança de um destino imaginado e a aceitação das inevitáveis surpresas da vida.

Essa ideia também nos faz refletir sobre a natureza da memória e do tempo. Se pudéssemos olhar para o futuro como uma lembrança, perceberíamos que o tempo é uma construção muito mais fluida do que imaginamos. O futuro, de certa forma, já existe em potencial dentro de nós, esperando para ser vivido e lembrado.

Em última análise, o futuro recordado nos oferece uma perspetiva única sobre nossa própria existência. Ele nos encoraja a viver de maneira mais consciente, valorizando tanto o presente, quanto o que está por vir. Ao imaginar um futuro que já se tornou memória, somos inspirados a criar um caminho que seja digno de ser lembrado com carinho, gratidão e orgulho.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

DEIXEI-TE O MEU CORAÇÃO

Deixei o meu coração nas tuas mãos e tu não sabes. Todos os dias, ao teu lado, entreguei pedacinhos de mim sem que notasses. Cada sorriso, cada olhar, cada palavra que trocámos, carregava uma parte do meu ser, na esperança de que, um dia, perceberias o que significas para mim.

Em cada abraço, há um silêncio que guarda os meus segredos, um desejo não revelado. O toque suave das tuas mãos é como uma promessa não dita, uma esperança de que, talvez um dia, tu sintas o mesmo.

As noites são longas e solitárias, os pensamentos são incessantes. Pergunto-me se alguma vez repararás nos sinais, nas pistas subtis que deixo pelo caminho. Se, alguma vez, perceberás o quanto és importante, o quanto a tua presença ilumina os meus dias.

Mas, mesmo sem saberes, continuo a confiar-te o meu coração. Porque, de alguma forma, acredito que o teu também procura o mesmo, mesmo que ainda não te tenhas apercebido. E enquanto espero, deixo que o amor continue a fluir, na esperança de que um dia, finalmente, vejas o que sempre esteve aqui.

domingo, 9 de junho de 2024

RUGAS

As rugas, frequentemente vistas como sinais visíveis do envelhecimento, evocam uma variedade de sentimentos e reflexões nas pessoas. Para alguns, essas marcas no rosto e no corpo são testemunhos da passagem do tempo, da experiência acumulada e das histórias vividas. Elas podem ser vistas como símbolos de sabedoria, resiliência e maturidade. Cada linha pode ser associada a momentos específicos – risos, tristezas, preocupações e alegrias – e assim, tornam-se um mapa pessoal da vida de cada um.

Contudo, para outros, as rugas podem trazer sentimentos de desconforto ou até mesmo de rejeição. Na sociedade contemporânea, onde a juventude e a aparência física muitas vezes são excessivamente valorizadas, as rugas podem ser vistas como uma perda de vitalidade ou beleza. Este ponto de vista pode levar a uma busca incessante por soluções estéticas, como cremes anti idade, tratamentos de pele e cirurgias plásticas, na tentativa de retardar ou minimizar os sinais do envelhecimento.

Além disso, há uma dimensão psicológica significativa no confronto com as rugas. Elas podem ser um lembrete constante da nossa mortalidade, despertando sentimentos de nostalgia por tempos passados ou de ansiedade em relação ao futuro. À medida que o corpo muda, somos forçados a reavaliar nossa identidade e autopercepção. Este processo pode ser tanto doloroso quanto libertador, dependendo da perspetiva individual e da aceitação da própria história de vida.

Por fim, é importante reconhecer que as rugas não são apenas uma questão estética, mas também um reflexo da saúde e do bem-estar geral. Elas podem indicar a necessidade de cuidar mais da pele e do corpo, de adotar hábitos de vida mais saudáveis, como uma alimentação equilibrada, hidratação adequada, proteção solar e evitar o tabagismo.

Em suma, as rugas provocam uma gama de sentimentos que vão desde o orgulho e a aceitação até a preocupação e o desconforto. Elas são um lembrete tangível de nossa jornada pessoal, das escolhas que fizemos e dos momentos que vivemos. Ao acolher essas marcas com compaixão e respeito, podemos aprender a valorizar não apenas a nossa aparência externa, mas também a profundidade e a riqueza de nossas experiências e sabedoria acumulada ao longo dos anos.

sábado, 8 de junho de 2024

MOITA

Queridos amigos da Moita

Gostaria de expressar minha profunda gratidão pela forma tão afetuosa com que fui recebida no jardim da Biblioteca Municipal da Moita, para apresentar o meu livro Pensar Olhar Viver, naquele encantador fim de tarde de domingo. Desde o momento em que cheguei, senti-me logo acolhida e envolta por uma atmosfera de carinho.

O cenário do jardim e o som suave da natureza ao redor, criou o ambiente perfeito para um encontro especial. A hospitalidade de todos tornaram a experiência ainda mais especial, fazendo-me sentir como se estivesse entre velhos amigos.

A conversa tranquila, as risadas compartilhadas e os momentos de paz foram um bálsamo para o meu espírito. Cada detalhe foi pensado com tanto cuidado, que só posso agradecer do coração, o terem-me proporcionado um fim de tarde tão agradável.

Trago comigo as melhores lembranças deste encontro em que a Maria de Lurdes Cavaquinho foi a minha interlocutora, e espero ter oportunidade de vos voltar a ver.