quinta-feira, 8 de setembro de 2022

The Queen

"Elisabeth Windsor, Queen of the United Kingdom, passed away. A role model of dedication to people and country. RIP"

A frase acima descreve, em poucas palavras, uma vida grandiosa de alguém que dedicou setenta anos da sua existência à frente dos destinos da Commonwealth. Quando nasci, ela tinha 10 anos e nada a preparava para o destino que viria a ter. Lembro-me bem dos momentos e situações que ditaram a sua vida.

E, não sendo monárquica - porque cresci numa família republicana -, esta forma de organização politica não me incomoda nada porque, entretanto, fui crescendo e aprendendo que são os países que devem escolher a forma como são governados. E, confesso, encontrei muitos príncipes entre os republicanos que conheci.

Então porque eram republicanos? A resposta a esta questão já deu origem a alguns bons livros que li. Mas cá bem no fundo, julgo que grande parte deles não o confessava por receio, medo mesmo, de ferir o "politicamente correto".

A rainha Isabel não poderia nunca ser uma Presidente da Republica. Deu, aliás, uma bela lição de como nós podemos, quando queremos, exercer um cargo para o qual não fomos preparados e exerce-lo de uma forma exemplar.

A rainha Isabel de Inglaterra foi rainha de outros países porque teve a suprema inteligência de nunca os abandonar. Para mim, representou uma rainha a nível mundial e , creio, como tal será sempre lembrada.

Que descanse em paz, ao lado do seu marido, já que sem ele, a viúva, apenas cumpriu os seus deveres de rainha!

HSC

sábado, 20 de agosto de 2022

Autopromoção


Não sou das pessoas que falam muito acerca do que escrevem, embora perceba quem o faça, porque os livros são escritos para serem lidos. Por isso, aqui venho eu dizer-vos que gostaria muito de ver na Feira, neste dia, aqueles que apreciam o que escrevo. Espero-vos muito contente.

Estarei igualmente no Stand da Penguin Random House pelas 16 horas, para quem queira ter os meus livros desta editora autografados.

A todos os que quiserem e puderem ficarei muito grata.

HSC

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Será uma questão de idade?

Durante muito tempo, convencionou-se que nas ligações sentimentais, o homem deveria ser mais velho do que a mulher. Ninguém discutia esse principio, nem mesmo, como no caso dos meus pais, um tinha o dobro da idade da outra.

Os tempos foram correndo e começámos a ter notícia de que, no outro lado do Atlântico, se dava inicio a um processo contrário, em particular no Brasil. Primeiro foram as atrizes, mas depois o movimento alargou-se e  começou a ser natural que tal acontecesse fora do meio artístico. 

Com a ligação especial que os dois países mantêm este posicionamento chegou cá, também. Hoje conheço vários casais nesta situação e a duração do matrimónio não dependeu do fator idade.

Amar tem um lado físico muito importante. A sexualidade é um dos vetores que convém ponderar, antes de uma união se tornar algo de mais sério. Mas essa sexualidade não depende da idade. Depende de um entendimento comum por aquilo que dá prazer a um lado e a outro. E mesmo esse prazer ir-se-á modificando ao longo dos anos. Melhorando nuns casos, piorando noutros. Por causa da idade? Não creio. É a nossa cabeça que comanda os nossos comportamentos. E se ela evoluir, em ambos, da mesma forma  teremos a chance de viver uma sexualidade fecunda e harmoniosa, porque qualquer deles procura cada vez mais, ter maior satisfação.

Claro que a idade traz, também, alguns problemas. Sobretudo, para a mulher cuja fertilidade tem limites. Assim, se para alguém ter filhos for uma prioridade, deve ter em atenção esse ponto. Mas também é verdade, que para os homens a partir de uma certa altura, a virilidade sofre, igualmente, alterações.

Todos nós sabemos isto. Mas não foi isto que impediu o jovem Macron, hoje com 44 anos, de casar com a sua professora, que vai fazer 70 anos, ou seja mais 24 do que ele. 

Escândalo? Na altura, claro que sim, embora se fosse o contrário, ninguém se admirasse. Depois, foi o ataque. O casamento teria sido o disfarce para uma eventual homossexualidade do marido. Depois, depois, habituaram-se e os franceses consideram, agora, que a sua primeira dama tem as mais belas pernas da França.

O amor é demasiado complexo para se adaptar a normas como esta. Como sempre, primeiro estranha-se e depois entranha-se. É mesmo isto que o amor é: algo que se entranha e apodera de nós!

HSC 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

OS IL DIVO






Numa passagem por Lisboa, uns amigos arrastaram-me para o concerto dos IL DIVO, de quem sabiam  eu ser grande admiradora. 

Depois da trágica morte de Carlos Marín por Covid, os restantes membros dos Il DIVO – David Miller, Sebastien Izambard e Urs Bühler, depois de várias dúvidas – tinham cantado juntos 17 anos - decidiram prosseguir com a sua tournée, mas agora em tributo ao colega falecido.

A digressão, anteriormente chamada For Once in My Life Tour, avançou agora com um novo nome –Greatest Hits Tour e incluiu um convidado especial – o barítono americano Steven LaBrie. É este espetáculo tão especial que os IL DIVO trouxeram dia 24 à Altice Arena e que a mim me deixou deliciada.

LaBrie é um excelente barítono, mas não é espanhol, nem tem a presença física de Marín, que era um belíssimo homem. Mas trouxe à segunda parte do programa uma série de canções moderníssimas que mostraram bem a capacidade vocal dele e do grupo que o acompanhou.

Pode ter-se saudades do grupo inicial e eu tive. Mas senti-me refrescada por dentro, por ter amigos que se lembram, na minha ausência, daquilo que eu gosto.

Foi uma bela noite que terminou num passeio por uma Lisboa renovada, limpa, com casas modernas que eu não conhecia, porque não ando habitualmente por aquelas zonas que, agora, se tornaram bairros de elites.

E vivo eu, na fina Lapa, onde tudo parece estar igual há 30 anos, quando para aqui vim…

HSC 

terça-feira, 19 de julho de 2022

Adeus Maria de Lourdes


Fui totalmente apanhada de surpresa com a morte da minha querida Maria de Lurdes.

Será muito difícil explicar como a nossa amizade nasceu. Mas guardo bem presente o almoço que tivemos depois da saída de "A minha cozinha" e do que ela então me disse.

"Eu sei que você é economista, tem um emprego invejável, mas é uma pena se deixar de publicar receitas que são um misto da cozinha da sua avó  e da cozinha da própria Helena. Se o continuar a fazer com a qualidade, gosto e fotos deste, eu prometo que lhe o apresentarei!

Assim foi. Daí nasceu uma ligação que jamais esqueci, nem esquecerei. Obrigada, minha querida, por toda a força e sobretudo pela bondade de ouvir as minhas experiências gastronómicas, que sempre nos divertiram muito.

Eu continuarei a ser a sua "cozinheira" e a fazer experiências pensando em si!

HSC

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Segredos de familia

Por mero acaso, ontem, liguei a televisão enquanto, deliciada, tomava no meu quarto o pequeno almoço. Raramente ligo a caixa das mentiras, porque dou ao tempo que estou comigo própria, muito valor. Cada vez mais..

No écran as imagens pareceram-me interessantes e, facto  mais raro ainda, voltei ao principio do filme. O título em inglês WE ONLY KNOW SO MUCH, traduzido, entre nós, por Segredos de Família, relata a vida  de uma constituída por seis membros que vivem juntos, mas cuja particularidade é estarem a passar por estádios muito diferentes da sua existência. No fundo, eles fazem desfilar os sonhos, as preocupações e os arrependimentos de uma certa América contemporânea. Mas o que antes foi um tipo de existência tipicamente americano é, na atualidade, um fenómeno que respeita a todos nós.

Fiquei a ver o filme até ao fim, porque, para quem tenha feito psicanálise, ele é um retrato, por vezes admirável, de um dos grandes problemas do mundo atual. Trata-se da  demência e das formas de que ela se reveste no mundo em que vivemos. E também, como é natural, da consciência que os próprios e os seus próximos acabam por ter dela.

As duas personagens mais velhas , pai e mãe, que vivem com os filhos estão senis. A geração que se segue, está desnorteada e a convivência com os progenitores, começa a fazer-lhes ter dúvidas sobre quem são. Recorrem, cada um por seu lado, aos meios de que dispõem para perceberem que vivem a vida que não querem mas que escolheram. E, finalmente os filhos, a nova geração, percebe que é necessário desfazer todos aqueles laços familiares, para poderem viver a sua própria vida, que nada garante, claro, consiga um modelo melhor, quando baseado, apenas, nos interesses individuais.

É um facto que o individuo se conhece muito mal a si próprio, embora considere justamente o contrário. Aqui, neste drama, isso é evidente. Na trama que se desenrola, normalmente dominada pela a dor, se despoleta algo de melhor, há alguém que sai a ganhar. O problema reside, justamente, no facto de ser pela dor que as pessoas se tentam reconstruir e não pela alegria, a qual, afinal, abre tantas possibilidades, que não exploramos nem aproveitamos, porque o individualismo como forma de existência, só contempla o próprio umbigo.

Quando o filme acabou, lembrei-me de um outro, que vira há pouco tempo, com essa atriz notável que se chama Annette Bening e que conta a história de um velho casamento falhado, no qual só quando este se dissolve é que cada um dos intervenientes. percebe e avalia os reais sentimentos que tem pelo outro. Só que já é tarde...

Estamos todos a atravessar um período, já longo, de incertezas que começam na guerra, nos valores, nas crenças, na saúde e até no amor. A família já não é o que era e os laços de sangue foram trocados pelos laços ideológicos. Os velhos põem -se em lares ou instituições luxuosas, porque ninguém os quer em casa. Os novos lutam para ser gente conhecida e bem paga e para isso usam de todas as formas de guerrilha e os outros, acabam por aceitar a vida que lhes é imposta.

No fundo, ninguém se questiona sobre a felicidade própria. Experimente o leitor listar o que o torna feliz e verá a dificuldade que existe em saber o que ela é, o que ela significa. Normalmente as respostas representam a satisfação dos nossos desejos. Mas será que a felicidade é só isso?!

HSC

domingo, 17 de julho de 2022

Abandono ou isolamento?

No tempo que atravessamos e a que curiosamente apelidamos  de "novo normal", há algo que me impressiona profundamente. É o abandono a que muitos de nós ficámos sujeitos, sobretudo após a pandemia. Esta, se por um lado, obrigou ao corte quase total com os nossos amigos e aos hábitos que com eles mantínhamos, por outro, veio obrigar os membros de algumas famílias a um convívio permanente, debaixo do mesmo teto, para o qual não estavam preparados. O que, de certo modo, também acentuou o isolamento de que muitos careciam para suportar o dia a dia. Assim, as medidas de controle da doença, trouxeram consigo movimentos contraditórios, que só acentuaram uma forma de vida propícia ao isolamento.

É este sentimento que o Cardeal Tolentino abordou numa interessante entrevista concedida ao jornal Público e que me atrevo a referir neste texto, porque. afinal, a sua preocupação é também a nossa, de que o isolamento possa vir a conduzir, sobretudo nos jovens, a um estádio de analfabetismo nas relações.

Mais do que a solidão, o que esta situação permitiu detectar foi a vulnerabilidade da sociedade em que vivíamos, na qual não nos demos conta de que estávamos doentes e não sabíamos, como o Papa Francisco  salientou recentemente.

Com efeito, esta, de "qualquer modo, ainda se define em relação ao outro, ao desejo ou a nostalgia de uma presença". O isolamento é pior, é uma forma de solidão negativa, de desagregação própria  e consequentemente da sociedade em que estamos inseridos..

Então o que é que nos pode pedir o futuro? Ou, de outro modo, como é que podemos encarar esse futuro? Para o Cardeal o futuro pede-nos uma capacidade de ler com maior realismo o que somos e o que podemos ser. E exige seguramente uma maior consciência do limite. 

Mas para isso, cada um, cada pais, cada continente, terá que olhar sem defesas o passado, encarar sem preconceitos o presente e sonhar o futuro que desejamos para o mundo. Mas sabendo que esse objetivo só se alcançará, um dia, pela educação e pela solidariedade. Porque, como disse acima, é preciso ter consciência dos limites.

Nós sabemos muito pouco sobre nós próprios. Mesmo quando julgamos que nos conhecemos, um pequeno incidente externo a nós, pode por em causa esse conhecimento e revelar que os fios que nos ligavam a uma serie de pessoas, deixou de existir. É nessa altura que se tem consciência da necessidade de "criar um novo futuro" em que cada fio se liga aos fios dos outros de uma forma mais consistente e verdadeira. 

É possivel? Francamente, não sei. É necessário. E para os que pensam como eu, a esperança faz parte integrante da vida!

HSC


sexta-feira, 1 de julho de 2022

Editor versus autor


Conheci Rui Couceiro, editor, de uma forma curiosa. Um dia, recebo uma mensagem sua dizendo-me que gostaria de falar comigo. O encontro não foi imediato, mas acabou por realizar-se e eu fiquei curiosa  de saber quem era aquele jovem editor que, na altura, me pareceu uma pessoa que tratava as questões ligadas ao seu trabalho de forma um pouco fria e pragmática, mas que inspirava uma enorme confiança. Talvez , quem sabe, porque a nível profissional, eu sou das autoras que nunca falhou até hoje, um compromisso e pareço quase germânica em tudo o que a ela respeita. Foi esse, o lado essencial, que me pareceu que o Rui também possuía. 

Porém eu sou menos formal, talvez porque na idade dele, me comportava de um modo muito semelhante ao seu. A idade e o prazer de viver, foram torneando, aquecendo, enfim, desformalizando mesmo, alguns dos meus contatos. Curiosamente, apesar de nada se ter concretizado profissionalmente entre nós, eu fiquei com uma vaga pena - coisa que raramente acontece comigo - de não termos trabalhado em conjunto.

O tempo passou e eu fui estando atenta ao seu trabalho. Por isso há dias, foi com enorme surpresa que recebi uma mensagem sua a convidar-me para o lançamento de um livro seu. Primeiro achei que tinha lido mal. Depois confirmei a verdade. O editor que eu conhecera, dera um salto para o meu lado, numa altura em que, por acaso, sei muito mais do seu percurso profissional, do que à época do seu contato sabia.

Assim e porque estava fora do pais, devo confessar que tive de subverter a minha agenda, para estar em Lisboa e poder estar presente no lindíssimo salão do Casa do Alentejo, repleto, mas repleto, de gente muito conhecida, de amigos e de uma massa literária muito especial.

A apresentação foi um sucesso e devo confessar que gostei particularmente de ouvir Luis Osório que, no fundo, queria tanto como eu, saber a razão do salto dado. do que levara o Rui a dá-lo. Não pude ficar até ao fim da explicação dada pelo autor, mas do que ouvi, muito dificilmente acredito que naquele local e já no avançado da hora, ele pudesse ir muito fundo nessa questão. 

Mas será que nós sabemos, sempre, de forma clara, as razões profundas pelas quais em determinada altura do nosso percurso, fazemos o inesperado? Duvido. Habitualmente há um conjunto de razões tão complexo que apenas intuímos que umas são mais importantes do que outras.

O Rui resolveu dar um salto e continuar o seu caminho. Escolhendo um lado ou mantendo-se nos dois. Quem vai ganhar não sei, mas sei, isso sim, que o salto valeu a pena, o livro é mesmo muito bom. O futuro do Rui será o que ele quiser e o fizer mais feliz. Tem quase todos os dados na mão. 

Eu só posso sugerir, vivamente, que leiam o BAIÔA SEM DATA PARA MORRER, da Porto Editora. E  desejar-lhe que ele enverede pelo lado que maior prazer lhe dê!

HSC

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Desta vez, em Alvalade


De novo, há uns dias, tive uma sessão de autógrafos nos CTT de Alvalade. O mesmo interesse, a mesma simpatia, a mesma alegria com que as lojas de livros daquela empresa, sempre me recebem.

Admiti que, por ser em Lisboa e num horário de trabalho, a  festa fosse menor. Nada disso. As pessoas apareceram , as encomendas também e as caras conhecidas dos CTT igualmente. Porque, quem tanto os visita, como eu, é natural que reconheça algumas pessoa que já estiveram noutras agencias.

Desta vez, senti que nem sempre temos a noção de quanto um livro, pode influenciar a vida do vizinho do lado. E, neste caso, um livro nosso!

Tenho quarenta livros publicados e muitos deles com várias reedições. Não sei se, ou quando, me apetece escrever outro. Possivelmente o que vai sair em outubro, será o ultimo. Mas, hoje, tenho a convicção de que valeu mesmo a pena, tê-los publicado!

HSC 

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Esta guerra

 Quando era pequena atravessei uma guerra, na qual não entrámos, mas cujas consequências sofremos. Trata-se, como é evidente da 2ª Guerra Mundial. Só anos mais tarde compreendi o que era a minha vida nessa altura: simulacros aéreos, tiras de papel a segurar os vidros e as famosas senhas racionamento em que cada família tinha de mostrar a sua composição. Assim, tive muitas vezes de aguardar horas em filas de abastecimento com a minha caderneta, para evitar os abusos. Porém, aquilo que relembro de forma mais nítida, eram as sirenes para que aprendêssemos a procurar refugio próximo.

A minha família não era o que se pudesse dizer rica, mas vivíamos felizmente todos bem e, como era hábito no tempo, todos habitávamos perto da casa dos avós maternos e, alguns mesmo, ainda dentro dela, porque o clã era numeroso e os filhos eram muitos. Ao Domingo era sagrado o almoço familiar e a lembrança que guardo é que todos juntos éramos algo indestrutível, pese embora a variedade de posições politicas dos seus membros. 

Foi aqui, com estes avós que aprendi tudo o que era importante saber, ou seja, o que era o verdadeiro amor. A serenidade que possuo perante dores profundas, foi aprendida neste núcleo familiar, comandado e corporizado na figura da minha doce e segura avó Joana, que eu venerava. 

Quando, agora, olho para o espetáculo de uma guerra espetáculo, em que o dizimar de cidades  se alterna com visitas presidenciais e ministeriais aos locais onde ela decorre, vêm-me à memória os outros tempos, em que as despedidas se faziam nos cais de embarque e as noticias eram dadas, muito espaçadamente, na radio ou por cabogramas.

Com efeito, mudámos muito. Hoje a história do martírio vai sendo contada ao sabor da televisão e do enquadramento politico, com dezenas de comentadores, militares ou civis, que surgiram, de repente, não se sabe bem de onde, e que para ajudar, fazem as mais variadas interpretações sobre a eventual evolução do conflito. Tal como a  Maya faz com os signos do Zodíaco. 

E eu, no fundo, penso diariamente, na fome que se mataria em África ou noutras partes recônditas do mundo, com os milhões e milhões de dólares e euros gastos nesta guerra, em que todos vamos ficar vencidos e muito mais pobres do que já éramos. E, possivelmente, sem conseguirmos estancar este suicídio coletivo!

HSC

domingo, 1 de maio de 2022

Um dia Feliz

Hoje é um dia muito especial para mim. Comemoro a mãe que fui e sou, e celebro o aniversário do meu filho Miguel, que faria 64 anos de vida, se não tivesse desaparecido cedo demais.

Perdemos dez anos de convívio, mas aproximamo-nos mais do encontro final. É por isso que sinto a data como muito feliz e na qual agradeço a Deus ter podido chegar até este dia, único, de celebração conjunta da mãe e do filho!

Parabéns Miguel!

HSC

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Agora é com os leitores!

 


Acabo de ter uma boa notícia, que quero partilhar com todos aqueles que têm o prazer e a paciência de me lerem. Estou muito satisfeita com esta novidade, em que dois dos meus livros foram escolhidos para o "Livro do Ano" das Livrarias Bertrand. Um em ficção - os Amores Imperfeitos - editado pelo Clube do Autor e outro em não ficção - o Passo a Passo - editado pela Penguin Random House.

Agora está nas mãos dos leitores escolher entre as vária obras selecionadas para figurarem naquela lista.. Se alguma obra minha merecer essa atenção, fico muito mais contente. Mas, para quem já escreveu 40 livros, ter chegado até aqui, em ambos os campos, confesso que toca algo lá bem no fundo do meu coração. Estaremos pois, eu e todos os outros, nas vossas mãos. Para mim é uma primeira eleição e, não sendo politica, só prometo continuar até que as mãos me doam!

HSC

Tanto carinho!




Já por mais de uma vez, aqui falei da excelência dos CTT de Coimbra, no tratamento dado aos autores que a loja disponibiliza.  Nas sessões de autógrafos corre sempre tudo com tanta naturalidade, que é muito fácil sentirmo-nos em casa. 

Deve ser a terceira ou quarta vez que estou com eles. A maioria das caras já as conheço e o prazer que tenho de as rever, diz muito da estima que lhes tenho.

Ontem mais uma vez receberam-me de braços abertos. Terei assinado cerca de uma centena de livros mas, como me tinha reforçado, almoçando no meu restaurante preferido da Mealhado, o Pedro dos Leitões, onde já sou conhecida, as assinaturas fluíram sem grande esforço.

Depois, porta já fechada, aquele maravilhosa equipe, ainda tinha para mim umas surpresas. Além de um lindo ramo de flores e de um precioso livro de filatelia, esperava-me uma mesa com um bolo cópia da capa do livro Amores imperfeitos, cuja precisão era impressionante. Mais uma vez se provou que os nossos pasteleiros são capazes do mais inesperado e não ficam a dever nada a ninguém dos laureados.

Confesso-vos que fiquei comovida, pelo que aquele gesto representava de carinho. E eu, com a idade, aprecio cada vez mais as manifestações de afeto de que sou alvo. Podia ser um bolo qualquer, e já seria muita gentileza. Mas levar o meu livro para que o bolo reproduzisse a sua capa, tocou um cantinho do meu coração e esta sessão de autógrafos será sempre lembrado como uma sessão  muito especial!

HSC

terça-feira, 26 de abril de 2022

Sessão de autógrafos em Coimbra


 A quem interessar saber, irei estar esta quinta feira, em Coimbra, nos CTT Fernão de Magalhães para uma sessão de autógrafos. Quem quiser e puder, será muito bem vindo, à Av. Fernão de Magalhães nº 223.

HSC

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Uma década

Há dez anos que o Miguel partiu. O meu filho Paulo e o meu neto André cumulam-me de ternura e de mimo, para que a ausência seja menor. E é esse amor que vem preenchendo aquela metade do coração que ficou vazio.

Nada nem ninguém substitui um filho. Mas o carinho deles foi o suporte indispensável do meu luto, que há dois anos, decidi terminar, para que a alegria pudesse voltar a ser o meu norte.

Continuo, como ele me pediu, a manter a minha vida afetiva e profissional. Quase sempre acompanhada por algo que substitui a sua presença. É difícil explicar, porque é como se fosse uma brisa, um cheiro, um halo que me acompanha e está entranhado em mim.

Agora, é tempo de lembrar, com alegria, tudo o que de bom o meu filho me deixou e rezar por ele!

HSC

terça-feira, 19 de abril de 2022

O Meu Corpo Humano


Deixem-me começar por dizer que "O MEU CORPO HUMANO" é o ultimo livro de Maria do Rosário Pedreira, uma cuidadosíssima edição da Quetzal.

Maria do Rosário é uma mulher muito especial, de quem se pode gostar muito e por razões bastante diversas. Eu nutro por ela uma profunda admiração que nasceu de tudo o que li dela. Considero-a, aliás, uma das nossas grandes poetisas.

Os livros são o seu mundo. Mas este a que me refiro marcou-me muito profundamente. Como sempre faço, a primeira leitura foi em voz alta. A segunda já foi recolhida no silêncio do meu quarto e confesso-vos alguns poemas fizeram mesmo com que os meus olhos se turvassem.

Do meu ponto de vista é um livro sobre  as emoções pelas quais o nosso corpo passa. Com efeito, a sua arquitetura liga cada uma das emoções, sensações e memórias a uma parte do corpo ou mesmo a determinados órgãos. Assim passamos da cabeça aos rins e aos tornozelos, dos olhos às mãos e ao coração, havendo sempre uma relação entre as partes do corpo e o sofrimento ou a saudade que habita a vida de cada um de nós, a nossa memória e as marcas que deixámos passar. 

É quase uma aula de anatomia em que se procuram todos os segredos, todas as recordações em cada pedaço do corpo que habitamos e de que nos não desfizemos. Vivemos anos sem nos darmos conta, que desse corpo fizeram parte outros corpos, a quem nos entregámos ou de quem fugimos, para um dia olharmos para o espelho e só vermos quem fomos e não quem somos.

Não sou especialista da matéria, mas sou consumidora. A autora, que eu conheço de outras leituras, está toda aqui neste seu livro. Mas a densidade que, entretanto, adquiriu, faz desta obra, para mim, uma pequena maravilha, que mexeu com o meu corpo, a minha mente, as minhas emoções. Obrigada Maria do Rosário!

HSC 

domingo, 17 de abril de 2022

Belfast


Dei-me ontem o presente pascoal de uma ida ao cinema em a sala que teria, talvez dez pessoas contando com os dois que éramos nós. Uma delicia de ambiente, sem pipocas nem criaturas enroladas umas nas outras fazendo da sala o local do "crime", a que nos obrigam a participar. Tanto sítio romântico que há por aí, vazio, e os pombos elegem o escuro e a presença da plateia. Enfim, desígnios da Providência para quem está á sua volta.

O filme a branco e preto é realizado por um excelente ator, Kenneth Branagh. Passa-se na Irlanda do Norte dos anos 60, onde um menino de 9 anos experimenta o amor, a alegria e a perda. No meio de conflitos políticos e sociais, o garoto tenta encontrar um lugar seguro para sonhar, enquanto a sua família busca uma vida melhor. Tudo decorre numa rua, mas ela ilustra muito bem a tremenda  violência de que aquela guerra se revestiu.

Ver este filme a poucos dias do aniversário da morte e nascimento de um filho querido, num ambiente que perto ou longe, é de guerra, mostrou-me duas coisas. Uma, que o ser humano em seis  décadas não aprendeu nada do que seja a imperiosa necessidade de conviver  e aceitar a diferença. Outra, que por mais anos que passem sobre mim, as saudades do Miguel vão-se adensando.

Já não é luto. Já não será tristeza. É uma ausência, um bocado de mim, um ar que se não respira. É, enfim, uma saudade imensa de ouvir os dois irmãos falarem sobre aquele filme e sobre o nefasto que representa a ideologia ou a religião, quando servem para afastar e não para unir, naquilo que possam ter de comum, que é o desejo de felicidade do ser humano.

Belfast é um soco no estomago, nesta época de uma guerra ideológica, em que todos somos arrastados e pode, até num extremo imprevisível, acabar com o planeta.

Não deixe, quem possa, de ver o filme, que é dedicado por igual aos que fogem da guerra e aos que ficam a lutar contra o inimigo. E que é, também, um admirável elogio às mães de uns e de outros!

HSC

sábado, 9 de abril de 2022

Adeus Maria de Jesus


Há meses, por ocasião da sua morte, escrevi aqui, o quanto me ligava ao António Serra Lopes e à sua mulher Maria de Jesus. Foram anos muito importantes na minha vida, aqueles que compartilhei com ambos.

Deus permitiu sempre que as minhas  mágoas pudessem ser amenizadas com aqueles amigos cujo ombro nunca falta. Foi o caso da Maria de Jesus e do António. Com eles foram os maus bocados e os bons conselhos que sempre me deram.

Há pessoas com quem nos cruzamos porque Alguém dispôs que elas seriam uma presença benéfica nas nossas vidas. Minha querida Maria, despeço-me de ti, com lágrimas nos olhos, porque fui apanhada completamente de surpresa. Mas levas contigo os segredos que te confiei, as risadas que por causa de alguns deles demos e a imensa ternura que nos uniu. Que descanses em paz, junto ao Antonio! 

HSC

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Os bons velhos amigos


Sou amiga e gosto muito do Daniel e da Natália Proença de Carvalho. Conheço-os há tantos anos, que não consigo localizar no tempo quem nos apresentou. Sim, porque, creio, devemos ter sido apresentados algures, lá muito para trás.

Há dias, recebi o seu último livro - "Justiça, Política e Comunicação Social" - Memórias de um Advogado -, acompanhado do convite para assistir ao seu lançamento, no Auditório da Fundação Champalimaud.

Só se estivesse doente é que não iria. Felizmente fui e estou muito feliz por ter ido. Explico-me. A apresentação da obra decorreu num ambiente que eu chamaria de uma junção do lado institucional com o dos velhos amigos. Havia um sentimento de liberdade entre os convidados, que misturava muita gente conhecida - que ocupa ou ocupou lugares de destaque -, mas que ali estavam, sobretudo, pela amizade que as ligava ao autor. Era o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, do General Ramalho Eanes, de Pinto Balsemão e muitos outros que partilharam a vida de Daniel.

Falo dos apresentadores. A primeira , Leonor Beleza fez o discurso que se esperava da anfitriã, que nunca deixa de referir os laços pessoais que a ligam ao autor. O segundo, o poeta Manuel Alegre que, do meu ponto de vista deveria manter-se como bom poeta que é, disse o que se poderia esperar que dissesse. Finalmente Miguel Sousa Tavares, que eu ouvia pela primeira vez, depois da sua escusa ao jornalismo, encheu de brio os corações atentos. Falou de todos nós portugueses, dos que estavam mencionados no livro e nos outros. E a mim, que até nem pertenço ao grupo das suas simpatias, deixou-me profundamente tocada. Talvez tenha sido uma das melhores apresentações a que assisti! Daniel encerraria agradecendo a todos com aquela inata capacidade de cativar os outros. Por fim, sem que se esperasse - pelo menos eu - Marcelo Rebelo de Sousa, falando enquanto Presidente da Republica, encerrou bem a comemoração. 

Mas, surpresa das surpresas uma canção em fundo de jazz, começaria a fazer-se ouvir enquanto o palco girava e aparecia a orquestra dos amigos que sempre o acompanharam nessa diversão / compensação que para si e para eles sempre foi a música. Seriam uns momentos de puro deleite para quem como eu, já tinha no passado assistido a outras mais familiares.

Confesso que vim para casa de alma cheia. De saudades, do tempo em que a pandemia me afastou deles, e que só compensei no estreito abraço que consegui dar-lhes. E também de ter gostado tanto de ouvir alguém, como o Miguel, finalmente me parecer ser a pessoa que sempre julguei que ele fosse,  mas que escondia atrás daquela que me costumava irritar.

Obrigada Natália e Daniel por ter tido a demonstração de que continuava a estar entre os vossos velhos amigos. Porque foi também isso -a amizade- que ali se celebrou!

HSC

quarta-feira, 30 de março de 2022

Um nome, um feito!

Não me é fácil escrever sobre a efeméride aérea que hoje completa o seu centenário. Trata-se como  decerto já terão compreendido, da primeira viagem aérea do Atlântico Sul ligando, deste modo, Portugal e Brasil, assunto sobre o qual já muitos antes de mim, com propriedade, bastante falaram.

Por isso, estas linhas são muito pessoais. Falo de um tio - o irmão mais velho de meu pai - que na perda do seu progenitor, soube ocupar-se do futuro dos restantes dez e do apoio a sua mãe nessa tarefa. Só esse facto chegaria para ter sempre muito orgulho no nome que uso. O feito heroico estimulou-me a tentar ser, durante toda a minha vida, uma pessoa à sua altura

Com alguma pena minha, os meus filhos, embora na sua identificação usem o nome da mãe, limitam-se como é habito entre alguns de nós, a usar apenas o nome do pai que, curiosamente, eu nunca usei.

Dizia-me o meu pai que eu era, de feitio, muito parecida com ele. Creio que se referia ao que ele chamava da "mania de ser a melhor em tudo o que fazia". É verdade. Tenho um enorme respeito pelos compromissos assumidos e só razões de saúde me podem afastar das obrigações.

Seja por semelhança ao meu tio, seja porque nasci assim, tenho uma enorme alegria em pensar que vivi o tempo suficiente, para me ter sido dada a oportunidade de assistir a estas comemorações. O país não é muito dado a vangloriar os seus heróis. E a própria palavra já foi, mesmo,  um pouco banida do jargão nacional.

É pena, porque mostrar aos jovens que houve outros jovens, que quiseram fazer da sua vida uma prova do amor à pátria e do orgulho de ser português, não faz mal a ninguém e pode ajudar-nos a compreender melhor aqueles que o conseguiram!

HSC

terça-feira, 15 de março de 2022

AS CASAS

Há quem passe pelas casas em que viveu e quase se não lembre delas. Talvez porque as escolheram como um mal menor, porque não foram opções próprias ou até porque apenas as utilizaram como quarto e não têm qualquer consciência do que existe para além dele.

Ao invés há quem nutra uma verdadeira paixão pelo local em que vive e nem se imagine a habitar um qualquer outro lugar. No meio há os que se lembram de umas, mas se esqueçam das outras.

Pertenço a uma categoria estranha de definir. Com efeito, ao longo da minha vida conheci cinco casas. Mas só uma é que foi e é propriedade minha. Assim vivi na dos meus pais, na dos meus avós, na minha enquanto não tive filhos, na minha já com filhos e na minha, de novo já sem os filhos. É esta que possuo e na qual resido há cerca de trinta anos.

A todas me ligam profundas recordações e em todas ficaram bocados de mim. Nesta última que é, sem dúvida, uma casa agradável, pensei durante muito tempo, acabar os meus dias. Nela vivi os momentos mais emocionantes e felizes e nela também vivi a maior tristeza que é, sem dúvida, a perda de um filho.

Curiosamente, é dela que, hoje, quero sair. Só muito recentemente percebi porquê. Nela amei profundamente e nela chorei as mais amargas lágrimas que a morte de um filho pode arrastar. Mas a pandemia provocou em mim grandes alterações de objetivos e formas de vida.

Talvez por isso, aos poucos, tudo o que ela representava se foi transformando. E, de repente, um dia, tomei consciência que esta casa tão desejada, tinha começado a tornar-se pesada. De início eram apenas sintomas que se manifestavam por nem sempre ter flores a alegrá-la, ter ido progressivamente retirando para a arrumação bibelôs que sempre me acompanharam, ter feito desaparecer certas fotos, enfim, um conjunto de atitudes que me alertaram para um fato: eu tinha deixado de gostar viver aqui.

A partir de então, o meu desejo é passar a residir num T3 num local calmo, sem subidas nem descidas e, se possivel, com vista para o mar. E não quero mais ser proprietária de uma casa. Quero ser arrendatária.

E esta, hei-de vendê-la porque aqui estão as poupanças de uma vida. As viagens que não fiz. Os vestidos que não comprei. Os concertos a que não assisti. Enfim, todos os prazeres de que me privei para a ter. E fugirei da Lapa, claro!

 HSC

terça-feira, 8 de março de 2022

Lado a lado


Continuamos a celebrar o Dia da Mulher. Mas que mulher? A mãe, a companheira, a filha, a empregada administrativa ou a que já alcançou o direito a ocupar lugares de topo?

É que há uma substancial diferença entre todas estas categorias. Foi para que essas diferenças se atenuassem que se criou o “regime de quotas” como sendo o melhor que se podia arranjar. Ou seja 33% para umas e 67% para os outros, apesar de a percentagem de mulheres instruídas ser superior à dos homens. Mas ficaram todos satisfeitos pelo acordo alcançado.  

Sempre o senti como sendo discriminatório. Não quero chegar a um lugar de direção por ser mulher. Quero-o porque sou competente. E esse devia ser o critério para qualquer dos sexos e qualquer das raças: a competência para exercer as funções que lhes são atribuídas.

Hoje celebrei entre mulheres, o 8 de março. Celebrei entre aquelas que têm voz e que decidiram dá-la, em favor das que a não têm!

HSC

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

 Aqui fica a entrevista que concedi à revista Pontos de Vista

QUESTIONÁRIO DA REVISTA PONTOS DE VISTA

 1-Personalidade conhecida, a Helena Sacadura Cabral é um caso claro que sucesso e de credibilidade na praça pública, sendo uma Mulher que ao longo do seu trajeto foi sempre ultrapassando todos os desafios. Para os mais distraídos, quem é Helena Sacadura Cabral?

Uma pessoa normal, com as preocupações e as alegrias toda a gente. Mas que teve a sorte de tirar um curso superior, e de obter uma bolsa pelas altas classificações obtidas.

 2-Licenciada em Economia, ocupou diversas posições de liderança na Administração Pública, sendo ainda jornalista e escritora. De que forma é que avalia o seu percurso e quais são aqueles momentos que considera fundamentais para ter singrado como Mulher, Líder e Profissional?

Foi um caminho de muito trabalho e também de muita satisfação pessoal. Não distingo momentos especiais. Tudo o que fiz teve como base fundamental o trabalho e a ousadia de arriscar.

 3-Que análise perpetua do papel da Mulher no universo dos negócios e das empresas nos dias que correm? Sente que ainda temos um longo caminho a percorrer para que a igualdade seja cada vez mais uma realidade?

Há ainda um caminho a percorrer. Mas importa ter consciência da diferença que existe entre o meio laboral de hoje e aquele que existia quando comecei a trabalhar.

 4-É legítimo afirmar que as organizações portuguesas estão atrasadas e o papel da mulher na sociedade, em particular no mercado de trabalho, continua a pertencer a um grupo vulnerável? O que temos de fazer para inverter este paradigma?

Não sejamos exagerados. É claro que ainda é o homem que manda na área laboral. Mas as mulheres vão ocupando cada vez mais o seu lugar. Sobretudo, as instruídas, que hoje são em número superior aos homens. Para as outras, é que temos ainda de lutar e criar condições que permitam conciliar profissão e família.

 5-Ao longo da sua carreira e do seu trajeto, sentiu alguma vez que o facto de ser mulher funcionou como um obstáculo à sua progressão e crescimento? Como se deve lidar com tal panorama?

Nunca senti esse problema e trabalhei sempre em meios muito masculinos. Por isso, tenho alguma dificuldade em responder a essa questão.

 6-Muito se fala em igualdade, em diversidade do género e boas práticas de inclusão empresarial. Na sua opinião, temos levado cada um destes segmentos com a seriedade que merecem? Qual deverá ser o papel das Mulheres que pretendem chegar à Liderança de um qualquer projeto?

A inclusão por decreto, só resolve o problema estatístico. A forma de vencer essa batalha é, na minha opinião, ter orgulho em ser mulher e não querer ser igual ao homem. Mas exigir, sim, ser sempre respeitada como mulher, que tem iguais oportunidades.

 7-Acredita que existem diferenças entre as denominadas Lideranças Feminina e Masculina ou, do seu ponto de vista, a liderança positiva, inclusiva e credível não tem género?

Para mim a liderança positiva, inclusiva e credível, não tem nem género nem cor.

 8-Além de diversos blogues, é ainda autora de vários livros. Se tivesse de escolher só um, qual seria e porquê? O que lhe dá motivação e inspiração para escrever um livro?

O facto de ser uma economista que se interessa pelo mundo à sua volta e que continua a estudar para saber mais e melhor.

 9-O que podemos continuar a contar da sua parte para o futuro e que mensagem gostaria de deixar a todas as Mulheres que dia após dia lutam para chegarem mais longe?

Que não desanimem, porque o caminho faz-se caminhando!

NOTA 

A vermelho estão as minhas respostas. Resolvi publicar om questionário para que aqueles que me leem possam ficar a conhecer melhor o meu pensamento sobre algumas questões importantes do mundo em que vivemos. 

Helena Sacadura Cabral                                                                   21-1-22

domingo, 23 de janeiro de 2022

Civismo e utilidade

Eram oito e trinta da manhã, lá estava eu em Belém, a votar por antecipação. Como não tenho, felizmente, filiação partidária - basta-me a filiação familiar, que é rica - o voto é algo que, para mim, vale ouro. Calculo o que não valerá para aqueles que se anicham num partido e nele ficam presos até ao resto dos seus dias...

Desta vez tive que pensar bem. E o meu pensamento assentava numa equação com algumas constantes e bastantes variáveis. Quem saiba um mínimo de matemática perceberá bem o meu problema. Aliás, para ser verdadeira, creio que uma grande parte dos portugueses, encarou hoje ou vai encarar no dia 30, problema idêntico.

Colocada a "cruz" no seu lugar, senti um alivio semelhante aquele que senti, quando assinei o papel de divórcio. É uma sensação de irreversibilidade e, em simultâneo, de questionar sobre o que se irá seguir. Tal e qual como, quando um grão de areia emperra uma máquina  e, só depois de várias tentativas, é que o dito se solta e tudo volta ao normal. Eu tive a consciência de que fui um grão de areia, para todos aqueles em quem não votei! 

Confesso que cheguei a casa meia grogue, porque isto de saltar da cama, ao domingo, às 7 da matina para cumprir um dever/direito cívico, é bonito mas dói. A vontade era voltar, de novo para a cama, desligar telefones, desligar tv, colocar um qualquer daqueles discos de música zen e relaxar até pegar o sono outra vez.

Não fiz nada disto, claro. Peguei no teclado do computador e recomecei a escrever, já que penso, lá para Outubro, ter um novo livro, se tudo correr bem.

HSC

sábado, 1 de janeiro de 2022

Há 14 anos...


Faz 14 anos que entrei na blogosfera. Tinha setenta e fui muito "gozada" pelo atrevimento. À exceção do meu neto André, que me compreende melhor que ninguém, lá fui fazendo o percurso, perdendo textos, ignorando por completo como se faziam certas operações, bisbilhotando o que me interessava noutras redes sociais e até aguentando, quem pretendia que eu desistisse, ao tentarem identificar-me com o pensamento politico do filho que ficou. Sempre pensei pela minha cabeça e hoje, creio, poucos serão os que me leem que tenham dúvidas acerca disso.

Mais tarde, acerquei-me do Face, mas neste caso não para escrever, mas para postar frases que resumiam muito do que eu pensava. Seguir-se-ia o Twitter, quando deixei de ter a politica sediada na minha casa, o Instagram que me diverte com os seus podcast e, finalmente o LinkedIn de que faço, aliás, muito pouco uso.

E assim, nestes catorze anos construí a minha rede, dentro das redes sociais. Aprendi muito com elas, pese embora os aspectos negativos que possuem e dos quais a pessoa precisa de saber livrar-se. Mas tornei-me mais conhecida através delas, do que através de outros cargos que desempenhei. Conheci gente diferente das minhas relações habituais e, curiosamente, travei amizades que ainda hoje se mantêm.

Portanto, ainda bem que persisti na minha ideia. Devo às redes sociais aspetos muito positivos e elas foram, para mim que vivo da escrita, um precioso meio de promoção. Sinto, por isso, que lhes devo um profundo obrigada e que, no inicio do décimo quinto ano de aqui estar, é justo que vos deseje um 2022 com saúde e um retorno aos saudosos abraços que tanta falta nos fizeram durante a pandemia!

HSC