terça-feira, 17 de novembro de 2020

Como fazer?

Uma boa parte das familias deve andar preocupada com as medidas sanitárias, que irão ser impostas para o chamado periodo das férias. Crentes ou não, esta Festa que se aproxima, entrou na tradição nacional, tal como aconteceu com os feriados religiosos católicos que tinham vindo para ficar.

Mas o homem põe e o destino dispõe, presenteando-nos com esta pandemia que todos, no inicio, julgaram ser apenas uma epidemia. Também aqui o inesperado surgiu e o mundo, que se vai finando aos poucos, viu aparecer uma segunda vaga. E os pessimistas dizem que a terceira ainda virá antes que as vacinas vençam o combate.

Assim, valia a pena que, com alguma antecedância, pudéssemos saber que rumo dar às nossas vidas e famílias que, suponho, numa maioria significativa não sairá de casa. O que representa uma enorme mudança nas nossas tradições e com ela uma profunda solidão para todos aqueles que reuniam o clã familiar à sua volta. Mas a mudança não fica por aqui. Na passagem do ano, não eram os de sangue que reuníamos, mas sim os amigos que, como se sabe, são a "familia escolhida". 

Pois bem. A entrada em 2021 não irá poder decorrer nos moldes habituais, porque as regras de segurança social o não irão permitir. Parece evidente que a junção destas duas soluções, irá provocar situações muito delicadas. Ora é isto que devemos, justamente, ter em conta. E não esquecer que, muito provavelmente, a nossa maneira de viver no futuro não será mais igual à que antes levávamos. Aceitar isso como um facto consumado e prepararmos-nos para uma "nova normalidade", vai ser indispensável se quisermos continuar a saber ser felizes.

Trata-se de uma evolução semelhanta àquela que vivemos quando nos preparamos para a reforma. Vamos ter de encontrar vias de satisfação que compensem o que perdemos e desenvolver caminhos que nos mantenham a alegria e a esperança. Acredito que saberemos faze-lo. Uns porque crêem e a espiritualidade os ajudará. Outros, porque não acreditando,  sentirão necessidade de inventar as ferramentas de que necessitem para encontrarem o seu caminho. Outros, ainda, porque a ânsia de viver se sobrepõe à vontade de morrer.

Esta pandemia, se por um lado nos esvaziou, levando-nos os entes queridos, por outro lado, permitiu-nos olhar para dentro de nós e confrontar-nos com o nosso "eu verdadeiro", aquele que não precisa de se esconder atrás da mascara social que, por vezes, constituia a sua vida. Oxalá sejamos capazes de fazer esse milagre!


HSC

11 comentários:

Anónimo disse...

A pandemia resultou dos estragos que temos feito no ambiente e já atingiram valores ultra.

Destruímos o habitat natural de muitas espécies, e ficamos totalmente expostos ao rompimento de barreiras, dos vírus.

Natal, Ano Novo, fazem parte de um mito e de uma nostalgia dos afetos, que nem sempre são reais.

Será que tudo isto vai permitir a nossa reflexão, mudança e inovação?

Vamos ter de ir mudando a nossa maneira de viver, e o dia a dia é mais importante do que as festas.

Para quê um quotidiano pobre de afetos, cheio de indiferença, e um Natal de faz de conta, em muitos casos?

Lembro-me de ter lido um livro, ou um texto, em que o autor (não me lembro quem é o autor) retratava com humor e perspicácia os verdadeiros sentimentos dos convivas de um jantar de Natal.

Anónimo disse...

Boa tarde Drª Helena! Concordo plenamente com a analise que faz neste testo sobre como viver os novos tempos e este "admirável mundo novo". Também penso que a nossa vida não será, tão cedo, feita nos moldes a que nos habituamos antes de 2020. Mas também podemos aceitar que tudo isto nos traz novas aprendizagens. Todos podemos tirar, desta situação, algumas lições. Bom será, para todos, que essas lições ajudem a melhorar a sociedade e os relacionamentos humano e familiar. Oxalá sejamos capazes de o fazer continuando a ser felizes em todas as dimensões da vida. Tendo sempre em conta as devidas alterações, os novos hábitos e as novas regras. Para que consigamos, ao mesmo tempo combater a pandemia e fazer uma vida o mais normal possível.
Gosto de ler os seus testo ajudam a pensar e refletir. Obrigada
Maria

Silenciosamente ouvindo... disse...

Oxalá drª. Helena o venhamos a conseguir.

Que cada dia que passa,( os que estamos a

sobreviver) consigamos arranjar forças e

métodos para conseguirmos ter forças.

Os meus cumprimentos.

Irene Alves

Anónimo disse...

TEM TODA A RAZÃO. PRECISAMOS DE ENCONTRAR OUTROS MODOS DE VIVER E CONSEGUIR SER FELIZES.
COMO A COMENTADORA ANTERIOR GOSTO CADA VEZ MAIS DE LER OS SEUS TEXTOS. TRAZEM-NOS SEMPRE EM QUE PENSAR OU COM QUE SORRIR. É UMA SORTE TE-LA ENCONTRADO HÁ 10 ANOS NESTE CANTINHO.

Anónimo disse...

Como presente de Natal, Marta gostava que o marido lhe oferecesse um novo automóvel. E arranjou uma maneira subtil de lho dizer «Gostava que o meu presente fosse algo que vai de 0 a 100 em segundos». E o marido não se esqueceu do presente, ofereceu-lhe uma balança!

Anónimo disse...

Poema de Eugénio de Andrade

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
de Pessoa ou nos bosques
de Nova Inglaterra.
Mas quem tem o Verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só
não devia.

Anónimo disse...

Glogg

Por motivos profissionais tive de passar, há uns anos, o Natal na Finlândia.
Brrrrr! são temperaturas muito baixas, por isso todos os finlandeses têm sauna em casa e no Natal bebem o Glogg, vinho quente com especiarias, tal como acontece na Suécia e penso que em toda a Escandinávia. É servido numas chávenas próprias (mais ou menos do tamanho da chávena de café), acompanhado com cubos de açúcar, que podem estar aromatizados (ou mel). Fiquei com a receita, mas a verdade é que nunca a usei, porque o nosso clima não «pede» o Glogg, é uma bebida do Inverno, do Natal em climas muito frios.

Outra coisa que verifiquei é que os nórdicos fazem uma espécie de arroz doce, a que chamam pudim de arroz (Risengrod) mas juntam creme, baunilha, amêndoas e por cima, um molho quente de frutos vermelhos. No Natal, quem tiver uma amêndoa no fundo da taça, recebe um presente.

Anónimo disse...

alguém disse que engordamos não com o que comemos no natal e no ano novo, mas com o que comemos entre o ano novo e o natal.

Anónimo disse...

A vida precisa de pausas.
Sigamos o ritmo da natureza.
Nenhuma árvore dá frutos todo o ano.
Nenhuma planta floresce em todas as estações.

As investigações sobre os fogos em colaboração internacional
têm seguido os ritmos da natureza.
Ancestralmente, os povos da floresta, praticavam o fogo posto
controlado, e a sua sabedoria, demarcava zonas queimadas que
impediam o fogo de se propagar. Estão tb a ser utilizados rebanhos
que comem os rebentos frescos e baixos, depois de um fogo.
Hoje existem países que estão a por em prática estas sabedorias
actuando de forma preventiva.

Em Portugal faz-se prevenção? Não, todos criticam todos, e entram em pânico, impotentes perante essa calamidade, sem entender o fenómeno.
Em vez de nos acharmos os maiores, e ficarmos cristalizados no tempo dos heróis que deram mundos ao mundo, que colonizaram de forma soft, temos de pensar que somos como os outros, e que somos ignorantes.
Todos criticam todos e entram em pânico, por desconhecimento
e falta de estudo de como se propaga um fogo, e como esse fenómeno
pode ser controlado, evitando os seus perigos e promovendo os seus benefícios, que também existem, desde que usada a sabedoria.

Anónimo disse...

as 4 idades do homem:
- a idade em que acredita no pai natal
- a idade em que já não acredita no pai natal
- a idade em que se veste de pai natal
- a idade em que parece o pai natal

Anónimo disse...

Segundo Bill Gates o Novo Normal vai acentuar o teletrabalho e isso determinará um descongestionamento das cidades, porque as pessoas estarão muito mais fora dos escritórios, e com o trabalho à distância, poderão estar onde desejarem. As tecnologias envolvidas no teletrabalho vão ter um desenvolvimento surpreendente. Duas empresas ou mais poderão usar o mesmo escritório em horas diferentes. Haverá menos viagens de negócios, as companhias de aviação serão as primeiras a sofrer com isso. As pessoas vão socializar menos com os colegas de trabalho e mais na sua comunidade. Bill Gates que há cinco anos previu esta pandemia, diz ainda que a próxima epidemia não será tão grave, porque estaremos mais preparados. Diz também que as melhorias da Covid-19 com as vacinas, serão desiguais a nível mundial, nuns países será vencida, mas noutros manter-se-á ativa.