sexta-feira, 29 de agosto de 2025

A extraordinária beleza de dizer “não sei”

Vivemos num tempo em que a pressão por respostas imediatas e certezas absolutas nos envolve de todos os lados. Espera-se que tenhamos opinião formada sobre tudo, que possamos explicar, argumentar e responder sem hesitação. Mas existe uma beleza rara e poderosa em admitir o contrário: dizer “não sei”.

Esse gesto simples carrega uma honestidade profunda. Reconhecer que não sabemos é um ato de humildade, porque nos coloca diante dos limites do nosso próprio conhecimento. É, também, um ato de coragem, porque desafia a vaidade de parecer sempre seguro e informado.

O “não sei” abre espaço para a curiosidade. Ele convida à busca, à investigação e à aprendizagem contínua. Diferente da falsa certeza, que fecha portas, a dúvida sincera expande horizontes. Quem admite não saber está pronto para descobrir, ouvir e crescer.

Há ainda uma beleza ética nesse gesto: quando dizemos “não sei”, oferecemos ao outro a verdade, em vez de preencher o vazio com respostas precipitadas. Assim, cultivamos relações mais autênticas e transparentes.

No fundo, o “não sei” é um lembrete de que a vida não se resume a controlar tudo ou dominar todo o conhecimento. É a confissão de que somos viajantes num caminho infinito de descobertas. E talvez a maior sabedoria esteja justamente aí: no reconhecimento de que a incerteza é parte essencial de sermos humanos.

 

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