Vivemos num tempo em que a pressão por respostas imediatas
e certezas absolutas nos envolve de todos os lados. Espera-se que tenhamos
opinião formada sobre tudo, que possamos explicar, argumentar e responder sem
hesitação. Mas existe uma beleza rara e poderosa em admitir o contrário: dizer “não
sei”.
Esse gesto simples carrega uma honestidade profunda.
Reconhecer que não sabemos é um ato de humildade, porque nos coloca diante dos
limites do nosso próprio conhecimento. É, também, um ato de coragem, porque
desafia a vaidade de parecer sempre seguro e informado.
O “não sei” abre espaço para a curiosidade. Ele convida à
busca, à investigação e à aprendizagem contínua. Diferente da falsa certeza,
que fecha portas, a dúvida sincera expande horizontes. Quem admite não saber
está pronto para descobrir, ouvir e crescer.
Há ainda uma beleza ética nesse gesto: quando dizemos “não
sei”, oferecemos ao outro a verdade, em vez de preencher o vazio com respostas
precipitadas. Assim, cultivamos relações mais autênticas e transparentes.
No fundo, o “não sei” é um lembrete de que a vida não se
resume a controlar tudo ou dominar todo o conhecimento. É a confissão de que
somos viajantes num caminho infinito de descobertas. E talvez a maior sabedoria
esteja justamente aí: no reconhecimento de que a incerteza é parte essencial de
sermos humanos.
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