Alguns amigos me têm feito esta pergunta, sabendo que não
ganho nada com isto e que, até hoje, sempre recusei ser patrocinada por uma das
boas marcas que me procuram. Ainda há bem pouco tempo, alguém me dizia que eu
devia receber um balúrdio por escrever diariamente nas redes. Sorri e respondi
que recebia muito mais que um balúrdio. Talvez por isso, que, para mim, foi
quase ofensivo, resolvi dissertar sobre o assunto. Convosco.
Escrevo nas redes sociais apesar de elas serem tão
criticadas. Talvez precisamente por isso. Escrevo porque escrever me dá prazer,
porque a palavra é o lugar onde penso, respiro e me organizo por dentro. E
porque, mesmo num espaço ruidoso e tantas vezes superficial, ainda acredito na
força de um texto que toca, provoca ou simplesmente acompanha.
Não escrevo porque tenho certezas, nem porque tenho
respostas. Escrevo porque não possuo outro trabalho senão este: o de tentar
dizer. De partilhar o que penso e sinto, sem grande utilidade prática, mas com
uma intenção simples — oferecer palavras a quem passa. Talvez isso seja uma
forma modesta de voluntariado: não de grandes gestos, mas de presença. Uma
tentativa de humanizar o fluxo, de criar pequenas pausas num lugar que corre
depressa demais.
Se as redes falham, nós também falhamos. E talvez seja
exatamente aí, que escrever ainda faça sentido.
Sem comentários:
Enviar um comentário