Já vivi momentos assim. Que, por mais que nos esforcemos para
os descrever, se não conseguem explicar. As palavras não são suficientes para
dar uma pálida ideia daquilo que eles representam.
São
instantes que não passam. Apenas se recolhem em nós, como se o tempo, por
descuido ou gentileza, se tivesse esquecido de continuar.
Aquele “fragmento de eternidade” nasceu pequeno, quase
invisível, mas denso demais para caber no “agora”. Não durou mais que um
segundo — e, ainda assim, permanece em nós. Vive no intervalo entre a lembrança
e o sentimento, onde nada envelhece por completo.
Não era feito de grandes gestos. Era um olhar sustentado um
pouco além do necessário, um silêncio que dizia mais do que as palavras
ousariam, um respirar fundo, antes de tudo mudar. Nesse fragmento, o mundo
parecia suspenso, como se o infinito tivesse aceitado ser breve só para provar
que existe.
Talvez seja isso a eternidade: não um tempo sem fim, mas um
momento que se recusa a morrer. Algo que o corpo guarda, mesmo quando a vida
segue, mesmo quando tudo ao redor, insiste em continuar.
E assim, aquele fragmento permanece — não no relógio, mas em
quem o sentiu. Intacto. Inexplicável. Eterno, o suficiente.
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