domingo, 11 de janeiro de 2026

UM SOPRO DE ETERNIDADE

Já vivi momentos assim. Que, por mais que nos esforcemos para os descrever, se não conseguem explicar. As palavras não são suficientes para dar uma pálida ideia daquilo que eles representam.

São instantes que não passam. Apenas se recolhem em nós, como se o tempo, por descuido ou gentileza, se tivesse esquecido de continuar.

Aquele “fragmento de eternidade” nasceu pequeno, quase invisível, mas denso demais para caber no “agora”. Não durou mais que um segundo — e, ainda assim, permanece em nós. Vive no intervalo entre a lembrança e o sentimento, onde nada envelhece por completo.

Não era feito de grandes gestos. Era um olhar sustentado um pouco além do necessário, um silêncio que dizia mais do que as palavras ousariam, um respirar fundo, antes de tudo mudar. Nesse fragmento, o mundo parecia suspenso, como se o infinito tivesse aceitado ser breve só para provar que existe.

Talvez seja isso a eternidade: não um tempo sem fim, mas um momento que se recusa a morrer. Algo que o corpo guarda, mesmo quando a vida segue, mesmo quando tudo ao redor, insiste em continuar.

E assim, aquele fragmento permanece — não no relógio, mas em quem o sentiu. Intacto. Inexplicável. Eterno, o suficiente.

 

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