O voto é um dos pilares fundamentais da democracia
precisamente porque é livre, pessoal e protegido do olhar alheio. A sua
natureza secreta não é um detalhe técnico, mas uma garantia essencial contra
pressões sociais, julgamentos morais e alinhamentos forçados. No entanto,
assiste-se cada vez mais à tendência de expor publicamente em quem se vota,
como se essa revelação fosse, por si só, um ato de virtude cívica.
Esta prática pouco acrescenta ao debate democrático. Pelo
contrário, empobrece-o. Em vez de se discutirem ideias, propostas ou
consequências políticas, privilegia-se a exibição da escolha individual como
marcador identitário. O voto deixa de ser resultado de reflexão crítica e passa
a funcionar como instrumento de validação social ou afirmação de pertença a um
grupo.
A democracia não se fortalece com listas públicas de votos
nem com a transformação da política em palco de aprovação moral. Fortalece-se
com confronto de argumentos, diversidade de pensamento e respeito pela
autonomia individual. Confundir participação cívica com exposição pessoal é um
erro que fragiliza o espaço público e reduz a política a um exercício de algum
exibicionismo., erro que fragiliza o espaço público e reduz a política a um
exercício de vaidade.
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