quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

DA UNANIMIDADE

Levei a minha vida inteira a ouvir louvar a unanimidade. Por razões de natureza pessoal sempre me senti melhor entre gente de pensamento diverso do meu, porque isso aguçava a minha mente! Vejamos.

A unanimidade costuma ser associada à harmonia, consenso e legitimidade, mas o seu valor, depende muito do contexto em que ocorre. Em situações técnicas ou científicas, por exemplo, a unanimidade pode indicar que diferentes análises independentes convergiram para a mesma conclusão, reforçando a confiança nos resultados. Ainda assim, mesmo nesses casos, a ausência de dissenso não garante verdade definitiva, pois o conhecimento é sempre provisório e aberto à revisão, diante de novos dados ou métodos.

Em contextos sociais, políticos ou organizacionais, a unanimidade tende a ser mais ambígua. Decisões unânimes podem resultar não de concordância genuína, mas de pressão social, hierarquias rígidas ou medo de conflito. Nesses cenários, a unanimidade pode ocultar problemas, silenciar perspetivas minoritárias e reduzir a qualidade das decisões. A diversidade de opiniões, ao contrário, costuma ampliar o campo de análise, revelar riscos não percebidos e estimular soluções mais robustas.

Portanto, a unanimidade não é, por si só, um valor absoluto nem um problema intrínseco. Ela pode ser um sinal positivo quando resulta de debate aberto, informado e livre. Mas torna-se questionável quando substitui o pensamento crítico, ou impede a expressão do desacordo. Avaliar o valor da unanimidade exige atenção aos processos que a produziram, e não apenas ao facto de todos terem chegado à mesma posição.

 

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