Levei a minha vida inteira a ouvir louvar a unanimidade. Por
razões de natureza pessoal sempre me senti melhor entre gente de pensamento
diverso do meu, porque isso aguçava a minha mente! Vejamos.
A unanimidade costuma ser associada à harmonia, consenso e
legitimidade, mas o seu valor, depende muito do contexto em que ocorre. Em
situações técnicas ou científicas, por exemplo, a unanimidade pode indicar que
diferentes análises independentes convergiram para a mesma conclusão,
reforçando a confiança nos resultados. Ainda assim, mesmo nesses casos, a ausência
de dissenso não garante verdade definitiva, pois o conhecimento é sempre
provisório e aberto à revisão, diante de novos dados ou métodos.
Em contextos sociais, políticos ou organizacionais, a
unanimidade tende a ser mais ambígua. Decisões unânimes podem resultar não de
concordância genuína, mas de pressão social, hierarquias rígidas ou medo de
conflito. Nesses cenários, a unanimidade pode ocultar problemas, silenciar
perspetivas minoritárias e reduzir a qualidade das decisões. A diversidade de
opiniões, ao contrário, costuma ampliar o campo de análise, revelar riscos não
percebidos e estimular soluções mais robustas.
Portanto, a unanimidade não é, por si só, um valor absoluto
nem um problema intrínseco. Ela pode ser um sinal positivo quando resulta de
debate aberto, informado e livre. Mas torna-se questionável quando substitui o
pensamento crítico, ou impede a expressão do desacordo. Avaliar o valor da
unanimidade exige atenção aos processos que a produziram, e não apenas ao facto
de todos terem chegado à mesma posição.
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