A paixão chega sem pedir licença. Ela rompe rotinas, baralha
pensamentos, acelera o coração e desorganiza a lógica. Por isso, muitas vezes é
associada à desordem: um estado em que a razão perde o controle e o equilíbrio
parece escapar. Mas será mesmo justo reduzi-la a isso?
A paixão é desordem porque desestabiliza o que estava quieto.
Ela desafia regras, ignora cálculos e nos empurra para escolhas impulsivas. Sob
a sua influência, o mundo ganha cores mais intensas, e aquilo que antes era
seguro passa a parecer insuficiente. Nesse sentido, a paixão confunde, tira o
chão e pode levar ao erro.
No entanto, essa desordem não é necessariamente negativa. Ao
quebrar a rigidez do quotidiano, a paixão também revela desejos escondidos, dá
sentido ao que era mecânico e movimenta a vida. É ela que impulsiona grandes
gestos, criações artísticas, descobertas e transformações pessoais. Onde há
paixão, há risco — mas também há verdade.
Talvez o problema não esteja na paixão em si, mas na ausência
de equilíbrio. Quando a paixão caminha sozinha, sem o diálogo com a razão,
torna-se excessiva e destrutiva. Mas quando ambas coexistem, a desordem se
transforma em movimento, e o caos ganha direção.
Assim, a paixão é desordem apenas à primeira vista. No fundo,
ela pode ser um tipo diferente de ordem, uma ordem emocional, intensa e viva,
que nos lembra que sentir também é uma forma de existir
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