Vivemos numa época obcecada por explicações. Queremos
entender tudo, dar nome a tudo, encaixar cada experiência numa lógica
confortável. No entanto, há momentos da vida em que compreender, não é o
essencial. Há sentimentos que não se explicam, dores que não cabem em palavras
e encontros que só fazem sentido quando são vividos, não analisados.
Compreender exige distância. Sentir, ao contrário, exige
presença. Quando tentamos entender demais, corremos o risco de nos afastar da
experiência real, de transformar o que é vivo em conceito, o que é profundo em
teoria. Nem tudo foi feito para ser decifrado. Algumas coisas existem, apenas,
para ser acolhidas.
O amor, por exemplo, não precisa de ser compreendido para ser
verdadeiro. A fé não depende de provas absolutas para existir. A arte não se
esgota em interpretações. Há uma sabedoria silenciosa em aceitar o mistério, em
reconhecer que nem tudo precisa de resposta imediata.
O mais importante, muitas vezes, não é compreender, mas escutar,
sentir, permanecer. É permitir-se viver a experiência como ela é,
com as suas ambiguidades e incertezas. É confiar que, mesmo sem entender tudo,
ainda assim, podemos crescer, aprender e seguir em frente.
Porque há verdades que não se revelam à mente, mas ao
coração. E há caminhos que só se mostram quando aceitamos caminhar sem mapa.
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