sábado, 10 de janeiro de 2026

O mais importante não é compreender

Vivemos numa época obcecada por explicações. Queremos entender tudo, dar nome a tudo, encaixar cada experiência numa lógica confortável. No entanto, há momentos da vida em que compreender, não é o essencial. Há sentimentos que não se explicam, dores que não cabem em palavras e encontros que só fazem sentido quando são vividos, não analisados.

Compreender exige distância. Sentir, ao contrário, exige presença. Quando tentamos entender demais, corremos o risco de nos afastar da experiência real, de transformar o que é vivo em conceito, o que é profundo em teoria. Nem tudo foi feito para ser decifrado. Algumas coisas existem, apenas, para ser acolhidas.

O amor, por exemplo, não precisa de ser compreendido para ser verdadeiro. A fé não depende de provas absolutas para existir. A arte não se esgota em interpretações. Há uma sabedoria silenciosa em aceitar o mistério, em reconhecer que nem tudo precisa de resposta imediata.

O mais importante, muitas vezes, não é compreender, mas escutar, sentir, permanecer. É permitir-se viver a experiência como ela é, com as suas ambiguidades e incertezas. É confiar que, mesmo sem entender tudo, ainda assim, podemos crescer, aprender e seguir em frente.

Porque há verdades que não se revelam à mente, mas ao coração. E há caminhos que só se mostram quando aceitamos caminhar sem mapa.

 

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