O fator aleatório na nossa vida é aquela força invisível que
rompe a ilusão de controle. Planejamos, calculamos, tomamos decisões racionais
— e, ainda assim, um encontro casual, um atraso, uma palavra dita no momento
errado (ou certo) pode mudar tudo.
Esse acaso não significa ausência de sentido. Muitas vezes,
ele atua como um catalisador: revela quem somos quando o roteiro falha. Uma
demissão inesperada pode abrir um caminho mais autêntico; um erro pode gerar
aprendizagem; um imprevisto pode criar vínculos que jamais existiriam se tudo
fosse previsível.
Vivemos numa tensão constante entre escolha e sorte. As nossas
ações importam — moldam probabilidades —, mas não determinam totalmente os
resultados. Reconhecer isso pode ser libertador. Em vez de buscar controle
absoluto, aprendemos a cultivar flexibilidade, resiliência e atenção ao
presente.
Talvez a sabedoria esteja em fazer o melhor possível com o
que depende de nós e, ao mesmo tempo, aceitar que o aleatório faz parte do
jogo. Afinal, é justamente essa imprevisibilidade que torna a vida menos
mecânica e, paradoxalmente, mais humana
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