Aos 91 anos,
decidi mudar de vida.
Não por crise existencial — essa já passou umas cinco vezes — mas porque
percebi que continuar igual daria muito trabalho.
Primeiro
mudei a agenda.
Antes, eu tinha pressa. Agora, tenho prioridade.
Se algo pode ser feito amanhã, ótimo. Se puder ser feito semana que vem, melhor
ainda. Urgente mesmo só levantar da cadeira sem fazer barulho nos joelhos.
Também mudei
de opinião.
Passei a concordar com mais gente, não porque eles estejam certos, mas porque
discutir cansa. A experiência ensina: nem toda batalha merece um discurso,
algumas só pedem um “é… pode ser”.
Resolvi
mudar o estilo de vida.
Troquei excessos por cuidados, ambições por histórias, e planos de longo prazo
por bons cafés. Descobri que o futuro existe, sim, mas ele começa depois do
cochilo.
Mudei o
jeito de amar.
Aos 90, o amor não corre, ele senta. Não promete, acompanha. Não exige,
agradece. Amar virou um verbo silencioso, desses que se conjuga melhor com
presença do que com palavras.
E mudei a
relação com o tempo.
Antes eu o perdia. Agora ele é que me encontra — devagar, educado, quase
pedindo licença. Cada dia é um bônus, não uma obrigação.
Mudar de
vida aos 91 não é começar do zero.
É finalmente entender o que vale a pena manter.
E se alguém
perguntar se não é tarde demais, eu respondo com toda a serenidade do mundo:
tarde é não mudar nunca!
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