segunda-feira, 7 de julho de 2025

Porque gosto do silêncio

Sempre fui atraída pelo silêncio, mas não soube nomear isso até que a vida começou a fazer barulho demais. Ruídos externos, obrigações, notificações, vozes apressadas e expectativas que não me pertenciam. Foi nesse caos disfarçado de rotina que descobri o refúgio silencioso que há em mim.

O silêncio acolheu-me sem perguntas. Nele, aprendi a ouvir o que a minha mente dizia quando ninguém mais falava. Descobri que o silêncio não é ausência, é presença — uma presença densa, íntima, que revela aquilo que o som tenta esconder. É no silêncio que as verdades sussurram.

Aprendi a respeitar a minha própria companhia. No início, o silêncio parecia incómodo, como quem nos encara tempo demais. Mas aos poucos, fui entendendo que ele não exigia nada de mim. Ele apenas me oferecia espaço: para sentir, para lembrar, para me esquecer do que não importa.

O silêncio me ensinou a escutar com o coração. A perceber as entrelinhas de um gesto, o eco de uma saudade, a paz que mora num momento sem palavras. Descobri que, muitas vezes, o que cura não é o que se diz, mas o que se permite sentir quando tudo em volta se cala.

Gosto do silêncio porque ele é sincero. Ele não finge, não interrompe, não julga. Ele apenas existe — e permite que eu exista também, sem máscaras, sem pressa. Num mundo que grita, o silêncio virou o meu lar particular.

E, curiosamente, quanto mais me aprofundo nele, mais aprendo sobre mim — sobre o que preciso, sobre o que devo deixar ir, sobre o que realmente importa.

 

5 comentários:

Anónimo disse...

Hello Ma’am

Me 2

Ghost

Pedro Coimbra disse...

E se lhe confidenciar que muito barulho me provoca tonturas??
Silêncio, sossego.
São essenciais.
Vivo num dos locais mais tranquilos de Macau, na montanha.
A casa de Gaia é à beira rio.
A de Coimbra numa zona de reserva agrícola.
Escolhidas sempre com esse objectivo em mente.
Tenha uma excelente semana

Davi Machado disse...

Pois, não sei se me corrompe a juventude. Sá silêncio, logo, berro, grito, lato! Pois para ter resposta antes há uma pergunta, para haver pergunta, há o perguntador! Se tudo se cala, e isso me apraz, se minha voz tem valor, um falso valor, o qual imponho, ditatorial.
Mas isso é o meu silêncio, o silêncio da senhora é tão mais elegante!

Anónimo disse...

As suas reflexões são sempre enriquecedoras.Há umas melhores que outras,mas todas nos tocam e fazem pensar.Despertam em nós aquilo que já suspeitávamos,mas não tinha ainda subido cá acima.
Posso ainda acrescentar que aprecio a sua forma otimista de encarar a vida,ou pelo menos de no-lo transmitir.
Continue!

Anónimo disse...

🌻