A ambição é um daqueles temas que mexem connosco. Pode ser
força propulsora ou armadilha, dependendo da forma como se lida com ela.
No sentido positivo, ambição é o que nos faz querer mais da
vida — crescer, conquistar, realizar sonhos. É aquela faísca interna que nos
move, que não nos deixa acomodar. Mas, quando vira obsessão, ou quando vem sem
propósito, pode cegar. Pode faze atropelar valores, relações ou até a própria
saúde.
No aspeto pessoal, a ambição costuma nascer do desejo de ser
mais do que se é hoje. Às vezes vem da falta, às vezes do excesso. Pode vir da
infância, de traumas, de querer provar algo para o mundo (ou para si mesmo). Em
muitos casos, ela é um espelho: mostra o que valorizamos, o que tememos e até
onde estamos dispostos a ir por um ideal.
Quando Fernando Pessoa diz: "Tenho em mim todos os
sonhos do mundo." , está a referir-se a uma ambição poética, quase
dolorosa, de quem sente que carrega o peso de possibilidades infinitas e, ao
mesmo tempo, a angústia de nunca realizar tudo.
Na literatura, a ambição é um motor dramático fortíssimo. Dá
origem a heróis, vilões, tragédias e epifanias como Macbeth, de
Shakespeare, um estudo brilhante sobre ambição desmedida. Ou a O Grande Gatsby, de Fitzgerald
onde temos uma ambição romântica. Já em Dom Casmurro, a ambição de controle, certeza, pureza e o que ele perde
no caminho, é justamente o que ele mais amava (ou julgava que amava).
A literatura mostra que a ambição, quando escrita com profundidade, revela mais sobre o humano do que qualquer outro sentimento, porque envolve desejo, ego, medo, esperança, identidade.
1 comentário:
Ambição desmedida é uma das piores maleitas que conheço.
Que induz comportamentos inacreditáveis.
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