sexta-feira, 8 de abril de 2022

Os bons velhos amigos


Sou amiga e gosto muito do Daniel e da Natália Proença de Carvalho. Conheço-os há tantos anos, que não consigo localizar no tempo quem nos apresentou. Sim, porque, creio, devemos ter sido apresentados algures, lá muito para trás.

Há dias, recebi o seu último livro - "Justiça, Política e Comunicação Social" - Memórias de um Advogado -, acompanhado do convite para assistir ao seu lançamento, no Auditório da Fundação Champalimaud.

Só se estivesse doente é que não iria. Felizmente fui e estou muito feliz por ter ido. Explico-me. A apresentação da obra decorreu num ambiente que eu chamaria de uma junção do lado institucional com o dos velhos amigos. Havia um sentimento de liberdade entre os convidados, que misturava muita gente conhecida - que ocupa ou ocupou lugares de destaque -, mas que ali estavam, sobretudo, pela amizade que as ligava ao autor. Era o caso de Marcelo Rebelo de Sousa, do General Ramalho Eanes, de Pinto Balsemão e muitos outros que partilharam a vida de Daniel.

Falo dos apresentadores. A primeira , Leonor Beleza fez o discurso que se esperava da anfitriã, que nunca deixa de referir os laços pessoais que a ligam ao autor. O segundo, o poeta Manuel Alegre que, do meu ponto de vista deveria manter-se como bom poeta que é, disse o que se poderia esperar que dissesse. Finalmente Miguel Sousa Tavares, que eu ouvia pela primeira vez, depois da sua escusa ao jornalismo, encheu de brio os corações atentos. Falou de todos nós portugueses, dos que estavam mencionados no livro e nos outros. E a mim, que até nem pertenço ao grupo das suas simpatias, deixou-me profundamente tocada. Talvez tenha sido uma das melhores apresentações a que assisti! Daniel encerraria agradecendo a todos com aquela inata capacidade de cativar os outros. Por fim, sem que se esperasse - pelo menos eu - Marcelo Rebelo de Sousa, falando enquanto Presidente da Republica, encerrou bem a comemoração. 

Mas, surpresa das surpresas uma canção em fundo de jazz, começaria a fazer-se ouvir enquanto o palco girava e aparecia a orquestra dos amigos que sempre o acompanharam nessa diversão / compensação que para si e para eles sempre foi a música. Seriam uns momentos de puro deleite para quem como eu, já tinha no passado assistido a outras mais familiares.

Confesso que vim para casa de alma cheia. De saudades, do tempo em que a pandemia me afastou deles, e que só compensei no estreito abraço que consegui dar-lhes. E também de ter gostado tanto de ouvir alguém, como o Miguel, finalmente me parecer ser a pessoa que sempre julguei que ele fosse,  mas que escondia atrás daquela que me costumava irritar.

Obrigada Natália e Daniel por ter tido a demonstração de que continuava a estar entre os vossos velhos amigos. Porque foi também isso -a amizade- que ali se celebrou!

HSC

2 comentários:

Silenciosamente ouvindo... disse...

Foi muito bom a drª. ter tido essa possibilidade.
São momentos que alimentam a alma.
Os meus cumprimentos.
Irene Alves

Anónimo disse...

Tenho por esse casal a maior estima!