segunda-feira, 6 de abril de 2015

Página de um diário (5)

Um diário serve para fazer a catarse daquilo que nos apoquenta. E eu hoje estou apoquentada com a Joana. Almoçámos e senti-a triste. Mas o que me preocupa é a razão da sua tristeza. 
Chegara à conclusão de que só tinha cometido erros. Quando lhe perguntei a que é que se referia contou-me que se, por acaso, os seus três maridos se encontrassem para falar dela, nenhum deles a reconheceria. Perante a minha surpresa explicou-me que no seu primeiro casamento se tinha enganado sobre quem era o João e que este se tinha enganado sobre quem ela era. Percebera, quando se divorciara, que decerto, uma parte deste engano, adviera de pistas falsas que involuntariamente haveria dado.
Meditando sobre isto decidira que, num novo casamento, não cometeria os mesmos erros. Encontrou o Tiago e casou. Mas de novo se divorciou. E, agora, porque a mulher por quem este se apaixonara era aquela que ela havia deixado de ser.
Finalmente decidiu ser ela própria. E encontrou o Manuel. Apesar da sua profissão o levar a ausências regulares que lhe eram dolorosas, a verdade é que, apesar disso ou por causa disso, eram felizes e Joana sentia-se compensada. Até ao dia em que descobriu... que o Manuel era igualmente feliz com a sua outra família a residir no Porto.
De facto, o que é que se pode dizer a alguém, depois de ouvir uma história destas? Eu só consegui dizer-lhe que, pelo menos, ela tinha três histórias para contar. É pouco e fraco consolo, mas há quem nunca tenha vivido sequer uma...

HSC 

7 comentários:

Anónimo disse...


Bom dia Helena!
Embora fectícias as histórias, é certo que haverá muitas vidas parecidas, reais.
Gostava de ver o filme “Suite francesa”, parece interessante o argumento.

Carla




Virginia disse...


Até certa altura na minha família os casamentos eram todos muito fiáveis e parecia que a palavra divórcio não constava do nosso dicionário. Filhos crescidos, vieram os dramas. e depois foi quase como um dominó, tudo a cair...quatro de nós divorciámo-nos, uns mais cedo que outros. O engraçado é que só um voltou a casar, os outros sentem-se melhor sozinho/as. Penso que um casamento preso com molas da roupa só para inglês ver já não se coaduna com os dias de hoje em que a mulher trabalha e é independente. Mas deve ser um pouco complicado envelhecer só.

Anónimo disse...

Deve ser, ou é?????

Virginia disse...

Para ja nao e! 😊

Anónimo disse...


Bom dia Helena!
Um homem, importante na minha vida, o meu irmão enviou-me esta frase.

Nunca te esqueças que existe uma força superior que podemos chamar Deus/Natureza/universo seja aquilo que for... mas esta força está presente em cada momento, temos que cuidar dos pensamentos, das intenções.

As melhoras do seu familiar...

Carla

Anónimo disse...

Adorei o texto, como sempre!
Há pessoas que têm o dom de acreditar sempre que algo melhor pode acontecer. Admiro essas pessoas onde a esperança não morre e acredito que assim são felizes porque para elas a felicidade não está presa no passado mas algures no futuro num amor que ainda vão encontrar.

FL

malmequers disse...

Boa tarde,

Esta foi a forma que encontrei de lhe fazer chegar um projecto que estou a acarinhar.
Há alguns meses o Doutor.Paulo Ferreira pediu-me para fazer uma leitura crítica de um livro de economia e fotografar para uma possível capa. Apesar de ter ficado apreensiva, aceitei o desafio. Mas a maior surpresa foi quando descobri que em diálogos carinhosos se pode explicar economia a uma criança de seis anos, com pacotes de leite de chocolate, copos de sumo e muitas outras coisas da realidade das nossas crianças.



O projecto dele foi ganhando asas com o apoio da editora Rei dos Livros e foi acarinhado pelo Prof. Doutor João César das Neves, que virá a Évora no próximo dia 20 fazer a apresentação pelas 17h no Fórum Eugénio de Almeida.



Uma parte da receita reverterá para a Cercidiana, uma instituição de apoio social fundamental para a cidade.



Poderá obter mais informações em: http://economiaexplicadaaomeufilho.blogspot.pt/

Licínia Serôdio