terça-feira, 16 de setembro de 2025

ADOLESCER

Adolescer é atravessar uma ponte que não tem corrimão.
É estar no meio do rio: já não se pertence à margem de onde se partiu, mas também não se alcançou ainda a outra.
É sentir o corpo se alongar antes que a alma aprenda a caber nele.

Há uma pressa que arde por dentro e, ao mesmo tempo, um medo de crescer rápido demais.
O mundo, de repente, parece grande demais, exigente demais, mas também cheio de portas abertas que antes não se viam.
O coração se torna um tambor inquieto: pulsa por amizades intensas, por amores de instante, por sonhos que mudam de forma a cada semana.

Adolescer é aprender a dizer "eu" sem perder o "nós".
É buscar liberdade e, às vezes, desejar colo.
É se perder em silêncios e se encontrar em gritos.

E no meio de tantas contradições, há beleza: a coragem de ensaiar quem se é, de experimentar rascunhos de identidade, de se reconstruir sem pedir licença.
Adolescer é nascer outra vez — só que de dentro para fora.

 

domingo, 14 de setembro de 2025

ENVELHECER

Envelhecer não é recuar — é permanecer.
É aprender a estar inteiro no silêncio, a ouvir os gestos que o tempo sussurra na pele, a encontrar beleza naquilo que não precisa provar mais nada.

Há quem veja no envelhecer um retrocesso, como se a vida fosse um rio que só tem força quando corre rápido. Mas permanecer é outra coisa: é ser raiz, tronco firme, memória que respira. É continuar a existir com a dignidade dos que já caminharam por muitas estradas e, mesmo assim, não perderam a capacidade de se maravilhar com o pôr do sol.

Permanecer é escolher não se apagar diante das perdas, mas transformar cada ausência em espaço de florescer. É não ser refém da pressa, mas guardião da presença.

Envelhecer, afinal, é permanecer no que importa.
No afeto.
Na verdade.
Na vida que ainda pulsa.

 

sábado, 13 de setembro de 2025

PASSOS PARA SOBREVIVER À DESILUSÃO


 1.     Permita-se sentir

Não tente fingir que não doeu. Chorar, se frustrar, até sentir raiva é parte do processo. Reprimir só prolonga a dor.

2.     Não se culpe sozinho(a)
Muitas vezes, a desilusão envolve expectativas, e isso faz parte da vida. Não significa que você falhou ou não é suficiente.

3.     Afaste-se do gatilho (quando possível)
Se for uma pessoa, situação ou ambiente que reabre a ferida, dê um tempo de contato até se sentir mais forte.

4.     Apoie-se em pessoas seguras
Conversar com amigos, familiares ou até com um terapeuta ajuda a colocar as emoções em perspetiva.

5.     Cuide do corpo para cuidar da mente
Exercícios, boa alimentação e sono regulado têm impacto direto no humor e na clareza mental.

6.     Resgate coisas que lhe dão sentido
Hobbies, aprender algo novo, projetos pessoais… ajudam a reconstruir a autoestima e a criar novas fontes de alegria.

7.     Aceite que o tempo faz parte do processo
Não existe "atalho". Aos poucos, a dor perde força e você vai perceber que consegue enxergar o que aconteceu com mais maturidade.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

12 DE SETEMBRO

Hoje, caminho por dentro de mim,

como quem percorre um labirinto silencioso.
Não há ruas, apenas corredores de lembranças.
Cada porta que abro revela um eco, um rosto, um vazio.

Pergunto-me se viver é colecionar ausências.
Ou se é apenas aprender a sentar-se diante delas, sem fugir.
Sinto que o tempo não corre aqui dentro — ele se dobra,
como uma chama que vacila, mas não se apaga.

Não sei se busco consolo ou apenas sentido.
Talvez nada se revele. Talvez a travessia seja só isso:
um passo após o outro, dentro da própria solidão.

O 12 de setembro não é data — é estado.

Mas também é o dia em que um filho nasceu de mim!

 

Quando o tempo quiser

Há coisas que não podem ser arrancadas da vida à força. O tempo tem sua própria respiração, e nela cabem pausas que não entendemos. É no silêncio dessas pausas que aprendemos a esperar, mesmo sem querer.

Quando o tempo quiser, o que hoje parece distante, tornar-se-á próximo; o que agora pesa como ausência, um dia transformar-se-á em presença. Há dores que só se dissolvem quando os dias as abraçam devagar, e há caminhos que só se mostram quando aprendemos a caminhar com calma.

Não é a pressa que faz a vida acontecer. É a entrega. É confiar que existe um instante certo para cada revelação, mesmo que o coração se inquiete na espera.

Quando o tempo quiser, tudo se ajeita. E, quando esse instante chegar, iremos perceber que nada foi atraso, mas apenas preparação.

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

A INFIDELIDADE FÍSICA

A infidelidade física costuma ser uma ferida que não se vê de imediato, mas que se sente no corpo inteiro. É o toque que não foi dado, o beijo que se perdeu em outro rosto, o espaço do abraço que já não é só nosso. Carrega a violência do concreto: pele com pele, desejo materializado fora do vínculo que se acreditava exclusivo.

No entanto, mais do que o ato em si, é o silêncio que o envolve que pesa, o segredo que se instala entre duas pessoas como um muro invisível. A cama, que antes era refúgio, torna-se palco de perguntas mudas: onde mais? quando mais? porquê?

A infidelidade física traz uma estranheza íntima, como se o corpo amado já não coubesse no mesmo lugar dentro da memória. É o choque de perceber que o que parecia inteiro pode, de repente, se romper num gesto breve, num encontro escondido.

Mas, por mais duro que seja, também abre espaço para olhar para dentro: o que ainda se deseja, o que já se perdeu, o que é possível reconstruir. Ou, o que é, talvez, melhor… deixar partir.

 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

A Entrega

Entregar-se é dissolver a fronteira do corpo e da alma,
é deixar que o toque do outro invada sem pedir permissão,
mas com a mais profunda aceitação.

É o instante em que os olhos já dizem o que a boca não ousa,
e o desejo se torna oração silenciosa.
A pele arde, o coração dispara,
e o tempo perde importância.

Na entrega não há resistência,
há confiança absoluta,
há o convite para ser desfeito e recriado
nas mãos que sabem, na boca que busca,
no ritmo que nasce entre dois.

É mergulhar sem medo no abismo do prazer,
sabendo que lá em baixo não existe queda,
apenas o encontro.

Entregar-se é permitir-se ser descoberto,
é despir não só o corpo,
mas a alma inteira,
e ainda assim sentir-se inteiro no outro.