A beleza exterior atrai mais depressa, mas a beleza interior
é a que permanece.
Vivemos num tempo em que o olhar se tornou veloz. Antes de
conhecermos alguém, vemos o seu rosto, o seu corpo, a maneira como se veste,
como se apresenta, como sorri. A aparência chega primeiro porque é aquilo que
os olhos conseguem reconhecer sem esforço. A beleza exterior é imediata: não
exige tempo, não pede intimidade, não precisa de explicação.
A beleza interior é diferente. Não se revela num primeiro
olhar. Exige convivência, escuta, atenção e tempo. Descobre-se na forma como
alguém trata quem não lhe pode oferecer nada; na delicadeza com que fala; na
capacidade de perdoar; na honestidade quando ninguém está a observar; na
serenidade diante das dificuldades; na generosidade que não procura aplauso.
Talvez seja por isso que a beleza exterior atraia mais: porque
chega antes de tudo aquilo que verdadeiramente importa.
O rosto pode despertar curiosidade. Um corpo pode provocar
desejo. Um sorriso pode encantar. Mas nenhuma dessas coisas, por si só,
consegue sustentar uma relação, uma amizade ou uma vida partilhada.
Com o tempo, aprendemos que há rostos belíssimos que se
tornam indiferentes quando conhecemos a pobreza do coração que os habita. E há
pessoas que talvez não nos tenham impressionado no primeiro instante, mas que,
à medida que as conhecemos, se tornam cada vez mais bonitas aos nossos olhos.
Porque existe uma beleza que não se vê — sente-se. A
aparência pode abrir uma porta. Mas é o carácter que nos faz querer ficar.
E talvez uma das maiores aprendizagens da maturidade seja
precisamente esta: compreender que aquilo que os olhos procuram, nem sempre é
aquilo de que o coração precisa.
A beleza exterior modifica-se, perde o brilho que um dia
pareceu eterno. A beleza interior, quando é verdadeira, pode amadurecer com os
anos.
Por isso,
talvez a pergunta não seja apenas “porque é que a beleza exterior atrai
mais?”, mas também: “Que espécie de beleza estamos nós a aprender a
reconhecer?”
Porque os
olhos apaixonam-se muitas vezes pelo que veem. Mas é a alma que decide aquilo
que merece permanecer.
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