O Professor Carlos Portas foi meu cunhado. Faleceu ontem. A
sua morte deixa um silêncio difícil de preencher.
Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam apenas uma
recordação; outras deixam uma marca. Um professor pertence, muitas vezes, a
esta segunda categoria. Porque ensinar nunca é apenas transmitir conhecimentos.
É também despertar curiosidades, formar consciências, estimular perguntas e, de
alguma maneira, participar na construção das pessoas que os seus alunos virão a
ser.
A partida do Professor Carlos Alberto Portas é, por isso, uma
perda que ultrapassa o círculo daqueles que lhe eram próximos. Perde-se um
professor, mas perde-se também uma presença, uma voz, uma forma particular de
olhar o mundo e de o partilhar com os outros.
A morte obriga-nos a reconhecer a fragilidade de tudo aquilo
que julgamos permanente. Mas há uma espécie de permanência que a morte não
consegue apagar: a das palavras que ficaram, dos ensinamentos que foram
assimilados, dos gestos que foram lembrados e da influência que, muitas vezes
sem o sabermos, alguém exerceu sobre nós.
É essa a verdadeira herança de um professor. Não os livros,
os programas ou as aulas que ficaram para trás, mas aquilo que permanece dentro
de quem o ouviu.
Que o Professor Carlos Alberto Portas descanse em paz. E que
a memória da sua vida e do seu trabalho possa continuar viva naqueles que
tiveram o privilégio de o conhecer, de o escutar e de aprender com ele.
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