domingo, 23 de agosto de 2026

AS PEDRAS DO CAMINHO

Há pedras no caminho de todos nós. Umas são pequenas, quase impercetíveis, e obrigam-nos apenas a abrandar o passo. Outras são enormes, surgem de repente e parecem impedir-nos de continuar.

Durante muito tempo, talvez pensemos que a vida seria mais fácil se o caminho fosse liso, sem obstáculos, sem perdas, sem desilusões. Mas são precisamente as pedras que nos obrigam a olhar para onde pomos os pés. Ensinam-nos a escolher, a resistir, a cair e, sobretudo, a levantar-nos.

Algumas pedras chegam através das pessoas. São palavras que ferem, gestos que dececionam, ausências que deixam marcas. Outras vêm das circunstâncias: um sonho que não se concretiza, uma porta que se fecha, um destino que não escolhemos. E há ainda aquelas que nós próprios colocamos no caminho, feitas de medo, orgulho, hesitação ou arrependimento.

Nem sempre conseguimos afastá-las. Às vezes, temos de aprender a contorná-las. Outras vezes, precisamos de reunir forças para as ultrapassar. E há pedras que, depois de muito tempo, percebemos que não eram apenas obstáculos: eram lições.

A vida não se mede pela quantidade de pedras que encontramos, mas pela maneira como caminhamos entre elas. Porque um caminho sem dificuldades talvez fosse mais cómodo, mas dificilmente nos ensinaria quem somos.

No fim, cada pedra vencida fica para trás como testemunho da nossa caminhada. E talvez seja essa a verdadeira aprendizagem: não esperar que o caminho se torne fácil, mas tornarmo-nos nós mais fortes para o percorrer.

Porque as pedras estarão sempre lá. O que muda é a nossa maneira de caminhar.

 

Sem comentários: