domingo, 14 de junho de 2020

Principios fundamentais

Nunca me importei de pedir desculpa se erro, como também sou tenaz se tenho a certeza de que estou certa.
Uma das atitudes que mais me revolta é ver a facilidade com que se julgam factos de há duzentos ou trezentos séculos, não com o o olhar do tempo, mas com o olhar de hoje. É´como se eu tentasse julgar a educação que os meus Pais me deram, pelos critérios que hoje existem...
E por mais que estes120 dias de reclusão em casa me tivessem custado, deram-me algo que não tem preço. Não quero, nunca mais, julgar a História fora do contexto em que ela foi vivida. Não quero pertencer ao grupo de pessoas que, atacadas por algo demoníaco, se sentem no direito de de destruir estátuas de gente à qual a ciência, a cultura e a política devem muito, só porque centena de anos depois, "descobriram" que elas tinham defeitos inqualificáveis para os dias de hoje.
Chega-se ao rídculo de retirar da lista de filmes da distribuidora HBO, uma das obras clássicas do cinema, como foi E TUDO O VENTO LEVOU, por razões lamentáveis. Não sou cliente. Se fosse, amanhã, no mínimo, cancelaria a minha adesão.
O ser humano dominado pela ideologia é capaz das maiores barbaridades. E se, de algum modo, a sociedade civil se não envergonhar e punir tal comportamento é porque, de facto, já não temos solução...


HSC

sábado, 6 de junho de 2020

A Esperança

Tenho diversos tipos de amigos, Dentre estes, uns são velhos amigos e outros são recentes. Como gosto de conviver, a primeira tentação numa sala cheia de gente é aproximar-me de alguém cujo olhar me diga alguma coisa.
Dado que tenho muitos amigos brasileiros, cada vez que nos reunimos vou conhecendo mais gente interessante. Aconteceu com uma delas essa empatia, esse adivinhar que lá dentro dentro dquela alma havia coisas boas para aprender.
Quando me preparava par os convidar para um jantar em minha casa - o marido é uma pessoa encantadora - juntamente com outros comuns conhecidos, o casal viajou para ver filhos e netos e quando voltou foi o inicio da pandemia.
Pois acreditem que desde essa data nos damos o bom dia e o boa noite diariamente, por vezes acompanhados de comentários que demonstram que já temos alguma confiança.
Esta manhã recebi dela a seguinte mensagem que partilho convosco:

"É preciso falar de Esperança todos os dias só para que ninguém esqueça que ela existe"

Já viram quanta verdade está contida nesta frase tão simples? E já tomaram consciência que se não falarmos dela diariamente ela se irá esboroando?!
Obrigada Selma, por me lembrares, sempre, que para tudo há uma saída. Basta ter esperança e paciência de esperar!

HSC

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desconfinei...


Depois de 4 meses passados entre os corredores da casa e duas idas ao Hospital, no ultimo sábado dei o grito do Ipiranga e resolvi fazer o que mais gostava, isto é "flanner". Não como em Paris que o fazia diariamente, mas adaptando-o ao sol intenso e ao mau estado geral das ruas onde moro dividida entre "queques" e gente pobre. Ou seja uma razoável mistura daquilo que, ainda hoje, é a população nacional.
Estes 120 dias de vaguear entre a sala, o escritório e o quarto. se foram completamente insólitos, permitiram que eu me pensasse, me analisasse, tomasse decisões e encarasse com alguma bonomia o que Ele, lá em cima, determinar que devo andar cá em baixo. Foi, sei-o hoje, uma dádiva cruel, mas de grande útilidade.
Neste preciso momento, não sei quem são as pessoas que voltarei a beijar ou abraçar. Nem sequer filho ou neto, que pouparei enquanto puder. Mas descobri, na realidade, que na vida nada mais importa que o afecto. E hei-de contar-vos como uma pessoa otimista como julgoo ser, viveu cada um destes dias em que fiz imensas descobertas sobre mim própria  e sobre ou outros!

HSC

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Em homenagem aos meus amigos

Desconfinei sábado. Bebi ar, sol, amigos e gargalhei como já me não acontecia há muito tempo. Tudo numa quinta fresquinha e com um menu delicioso. De retorno ao meu refúgio, lembrei-me de Fernando Pessoa e do seu - Poema do Amigo Aprendiz - que aqui partilho e dedico a todos os amigos que me apoiaram e suportaram nesta solitária caminhada, que durou cerca de quatro meses, ou sejam 120 longos dias, que tentei aproveitar para me conhecer melhor. A TODOS O MEU OBRIGADA!

Quero ser o teu amigo
Nem demais nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber,
Sem tirar-te a liberdade sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar, quando for hora de calar
E sem calar, quando for hora de falar
Nem ausente nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças, 
Dá-me tempo de aceitar nossas distâncias

HSC

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Clara de Sousa



Não sei há quantos anos conheço a Clara de Sousa. Mas há muitos, porque eu sou da fundação da Sic que abriu a 6 de Outubro e eu fui a autora do primeiro programa de entrevistas da estação, que foi para o ar a 11 desse mês. Durante muito tempo, para mim, abrir a televisão era ligar a Sic. Acredito que terá sido por essa altura que nos conhecemos. 
Tinha e tenho por ela grande admiração, que não vem de uma relação de amizade, mas sim do que sei que ela faz e é capaz de fazer. Já nos encontrámos nalguns trabalhos profissionais extra televisivos e a sua correção é sempre a mesma. Sabe o que vale, mas não necessita de o exibir.
Vem este introito a propósito de quê, perguntarão? Explico.
A Clara não só recebe muito bem - já comi maravilhosamente na sua casa - como cozinha com alto nível, embora discretamente chame aos seus cozinhados de comida caseira. 
Pois bem, há um meses ela inaugurou o Clara de Sousa.pt, site onde para além de receitas ótimas  mostra uma vasta linha de produtos ligados às várias actividades domésticas que vão da decoração aos bens específicos.
Quem assina sua "letter", tem todas as quintas feiras ótimos cozinhados e dicas para aproveitamento de materiais pelos quais, normalmente, nem se interessaria.
O site é muito clean, os vídeos muito bem explicados e acabamos por ter a surpresa de ver no computador, uma outra Clara, mais friendly e mais perto de nós. 
Mais uma vez não escondendo nunca as suas origens, esta novidade parece-me ser uma outra forma de homenagear a cozinha da sua mãe, como já fizera, antes, com os seus livros.
Bravo Clara, que sabe sempre levar por diante todos os seus projectos e que tem a gentileza de nos proporcionar que possamos partilhar deles!


HSC

domingo, 24 de maio de 2020

Adeus Maria


É com imensa comoção que escrevo estas linhas sobre Maria Velho da Costa - na vida real, Fatima Bivar - uma pessoa a quem me liga metade da minha vida e dos meus filhos.
De facto, ela é madrinha do Miguel e, na sala de partos, assistiu ao nascimento do Paulo de quem gostava muito. Este dois factos dão-vos, certamente, a natureza dos elos que nos ligavam e, portanto, a medida da minha dor. Apesar de no fim das nossas vidas, só esporadicamente estarmos juntas, cada vez que nos falávamos,  esse simples telefonema, era em si mesmo, uma alegria. 
Já partiu outra nossa comum amiga, a Isabel Barreno, que juntamente com ela e a Teresa Horta - que não conheço - havia de escrever um livro que provocou um abanão sério na sociedade portuguesa. 
Teve uma vida profissional preenchida e, acredito que, a seu modo, terá tido através dela, momentos de grande felicidade. Foi casada com um outro grande amigo meu, o Prof. Adérito Sedas Nunes - que, para muitos foi o pai da Sociologia em Portugal - de quem tem um filho - que segue as pezadas profissionais do progenitor.
De uma enorme cultura, com um sentido apuradíssimo do humor, ela foi uma parte importante da parte mais desinteressante da minha vida. Talvez por isso, os momentos que, nesse período,  passámos juntas - e foram muitos - são absolutamente inesquecíveis!
Adeus Fátima, com o meu abraço ao teu filho João.

HSC

terça-feira, 12 de maio de 2020

Ferias idilicas

Muito possivelmente já conhecem o texto que vou publicar. Mas eu recebi-o hoje deu-me um ataque de riso imenso. Aliás, depois de 125 dias confinada creio que até as desgraças acabam por ter um lado cómico que ninguém descobriria a não sermos nós... Aqui vai então o texto:

"Recebi finalmente no dia 29 de setembro o e-mail a confirmar para daí a 4 dias, segunda-feira, a minha reserva para duas pessoas no areal da Figueira da Foz (Praia da Claridade, sector KHR, fila 13, coluna 44). Conseguimos apanhar um “slot” horário jeitoso, das 11:35 às 11:50, e ainda por cima com vista para o mar, olhando por cima da cerca de acrílico, é certo, mas não se pode ter tudo. Como a reserva para o restaurante (avisadamente, comprei um pack em finais de maio, mal sairam as regras da DGS) estava marcada para as 14:05, teríamos ali duas horas para preencher, que nos autorizaram a passar confortavelmente dentro dos nossos carros, sem máscara com janela fechada, ou com máscara se aberta. Como não conseguimos manter a distância de dois metros dentro do carro entre mim e a minha namorada, que não reside comigo, cada um levou a sua viatura. O meu lugar para estacionamento, respeitando a regra de segurança lugar sim lugar não, ficava apenas a 500 metros da praia e o da Martinha (assim quis o destino que se chamasse a minha namorada) a 200. 
Como se pode ver, tudo previsto e excelentemente organizado, ou não fossemos nós considerados pela imprensa europeia como um exemplo de cidadania balnear, e pelo presidente da república como os melhores do mundo. Com grande excitação, logo pela manhã daquele dia limpo e completo telefonei para a Martinha, não se fosse ela esquecer a cópia autenticada do e-mail, atestado de negatividade Covid-19, alcool-gel, máscaras, toalha de praia descartável, luvas e botas de proteção. Chegámos à Figueira da Foz quase à mesma hora, e assim que arrumamos os carros foi só esperar que o segurança nos desse autorização para sair. 
Corremos um para o outro até ficarmos a uns sensuais 2 metros de segurança e piscarmos o olho numa ousada manifestação de paixão. Assim que sentimos o drone a sobrevoar as nossas cabeças foi só acompanhá-lo até aos nossos lugares com separação controlada por webcam. Cerca das 11:40 ouvimos pela instalação sonora a tão ansiada mensagem: “cidadãos com o código de sector KHR, fila 13, coluna 44, podem dirigir-se ao mar, à vossa esquerda, tendo permissão para entrar na água até à cintura, mantendo a etiqueta respiratória e distância de segurança. Dispõem de 7 minutos.”
Ainda hoje nos é difícil esquecer aqueles momentos felizes de liberdade. Só mesmo o almoço, passadas duas horas, se pode comparar em emoção. Como não residimos juntos, tivemos que ficar em mesas separadas, por acaso em salas diferentes, mas os telemóveis e o Skype resolveram tudo a contento, e pudemos saborear umas deliciosas courgettes com cenouras caramelizadas, sem glúten, de produção biológica da horta do restaurante. Divinal. 
Espero que não contem a ninguém, mas ainda nos conseguimos cruzar a caminho do wc e tocar de raspão nas mãos. Às 16 horas já estávamos de regresso a casa. Quase à saída da Figueira passámos por um grupo de 500 pessoas que dançavam ao som de uma banda a tocar musica popular portuguesa. Estupidamente, ainda perguntei a um policia se era algum festival, ao que ele me respondeu: “acha? Não sabe que isso é proibido? Não percebe que é uma atividade política?” Esclarecido e amansado, lá rumei à minha casa e a Martinha à dela.Enfim, um dia memorável. Para o ano há mais!"

Eu que já duvido que volte a ter férias, porque depois desta pandemia outras se seguirão - mais fortes ou mais fracas, consoante o pessimismo ou o otimismo de cada um - ao ler este texto lembrei-me da crítica que os meus filhos me fazem de querer marcar tudo com antecedência. De facto, neste caso não foi famoso!

HSC

domingo, 10 de maio de 2020

Uma carta de amor

Entre os bons amigos que tenho conta-se uma mãe de vários filhos, viúva há alguns anos,  e que eu considero, tê-los educado primorosamente. E num destes destes whatsapp que troco com alguns amigos para saber com estão, disse-lho e fiz um rasgado e merecido elogio à familia que ela havia sabido criar e da qual, sinto, também fazer parte.
Em resposta recebi esta surpreendente mensagem, que passo transcrever e que me emocionou bastante:

Minha querida Helena

Obrigada pelas suas palavras amigas. Mas quanto aos rebentos elas requerem uma explicaçãozinha.
Esforcei-me sim. Porem, o grande mérito foi dum Pai .... bem.... esse sim e  sempre a tempo inteiro com uma arte, sensibilidade, pedagogia, um bom senso, um pragmatismo, uma mistura certíssima de liberdade e responsabilidade muito bem doseada, muita alegria, entusiasmo pelo conhecimento, sabedoria e leveza, enfim, tudo todos os dias em cima da mesa como se nada estivesse preparado a utilizar porque o Amor era em abundancia. Depois, factor sorte. Aí eles rápidamente compreenderam que os que mais sabem, são os que gostam e querem apreder todos os dias. Sem dúvida, até eu, fui sempre mais aluna do que Mãe. Bjos 

Quando acabei de ler esta carta perguntei a mim própria quantas de nós seríamos capazes de a escrever, ao fim de uma longa caminhada a dois que, infelizmente, terminou cedo demais. Que lhe poderia eu responder depois de uma tal declaração de amor, tantos anos passados? Ainda bem que existem pessoas assim. São elas que nos dão esperança nos dias de amanhã!

HSC

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Tudo pode ser melhor

Se alguma vantagem esta pandemia trouxe a alguns foi uma profunda mudança na hierarquia dos seus valores. Não será em todos para melhor, mas acredito que para a maioria de nós, o saldo será bem positivo.
Sou muito independente e no principio disto tudo já me via rodeada de obrigações não assumidas mas que eram naturalmente necessárias. Durante anos o que eu mais apreciava - e aprecio - é o silêncio da minha casa. Vivo numa rua tranquila onde de manhã ainda se conseguem ouvir o cantar dos passarinhos e alguns trinados dos amoladores. Apesar de não gostar do local onde habito, marcadamente residencial, não posso deixar de concordar que, à noite e ao fim de semana , isto tem algo de provinciano. Talvez seja por isso que os meus filhos sempre se opuseram a que eu vendesse esta casa... Mas agora, quando os preços descerem, alugo uma pequenina em Campo de Ourique e vou para lá viver. Nunca me santi como pertença da Lapa, apesar de aqui ter bons amigos.
No mesmo sentido, se antes a família era o meu porto de abrigo, agora sinto-os como uma das minhas razões de querer viver. Dá-me um imenso prazer ver crescer os meus sobrinhos e ver envelhecer o meu irmão mais novo, que faz 70 anos e continua um engenheiro apreciado e requisitado porque escolheu uma área, onde bons existem muito poucos. E, como vive muito bem, tem prazer em partilhar com a familia as mordomias de que goza.
Os verdadeiros amigos, aqueles que gostam de nós nos bons e maus momentos foram tantos que eu pergunto se realmente os mereço e como os vou compensar quando isto terminar.
A espiritualidade, ao longo de 4 meses de confinamento, foi lentamente ajudando a cumpri-los da melhor maneira e a mostrar-me que em todo este período houve pessoas que estiveram muito mais abandonadas do que eu. 
Deus tornou-se maior e as nossas conversas bem mais longas, o que permitiu que o primeiro ano sem o luto da morte do meu filho Miguel, tivesse atenuado as nossas diferenças -não eram mais que ideológicas porque, no resto, eramos muito parecidos - e tornado a semana de 24 de Abril a 1 de Maio, datas da sua morte e nascimento, num gostoso relembrar de boas recordações.
Enfim, se esta pandemia nos roubou muita coisa, também pode ser um caminho novo para os dias que nos faltem viver.

HSC

sábado, 2 de maio de 2020

SAMS: um esclarecimento

Acabo de ler no jornal Observador  uma noticia que refere que está marcada para o próximo dia 7, às 15h, na Rua Fialho de Almeida, uma manifestação de bancários reformados pela "reabertura imediata" do Centro Clinico do SAMS, na qual se refere a intenção de convidar algumas personalidades que escreveram ou se pronunciaram sobre o assunto e no qual o meu nome é referido.
Dentro das minhas magras possibilidades, fui uma das primeiras sócias a pronunciar-se sobre o mal estar que a situação me estava a criar, dado que todos os meus médicos, à excepção de um, pertenciam ao dito Centro.
Escrevi e assumo toda a responsabilidade sobre o que escrevi. Voltaria a faze-lo. Mas isso é diferente de  participar ou não de uma manifestação cujas características desconheço completamente e para a qual, até à data, não fui convidada. 
Pessoalmente entendo que este tipo de manifestações, para que sejam eficazes devem ser conduzidas de forma clara e transparente nos objectivos que com ela se pretendem e sabendo muito bem a que responsáveis se dirigem. Porque a situação criada tem, hierarquicamente, responsáveis. E é a eles que as manifestações devem ser feitas e não à porta do Centro Clínico que acaba por diluir essa personalização da responsabilidade. Neste caso haverá intenções várias mas, verdadeiramente, só a Ministra da Saúde pode esclarecer, com autoridade, porque o consentiu e porque o manteve. Assim do meu ponto de vista é a ela que em primeiro lugar, deveríamos dirigir-nos ou a quem ela indicasse.
Para além disto e no meu caso especial, gostaria de ter sido ouvida e convidada -se fosse o caso- com tempo e informação. Porque se há algo verdadeiramente importante para mim é o meu bom nome, que não quero ver utilizado em vão em manifestações cujos moldes desconheço totalmente!

HSC

Nota 1 Não deveriam ser só os reformados a manifestarem-se. Porquê a ausência  de todos os outros sócios?! Não se sentem lesados? Muito estranho!

Nota 2 Tive informação que a DGS irá começar a tomar medidas para alargar a saude oral a situações não urgentes e que o mesmo ir´acontecer com as restantes especialidades. E garantiram-me que o SAMS irá aplicar essas directivas. Se for verdade e não demorar uma eternidade, bem. Se tal não acontecer então importa clarificar muito bem o/os objectivos da greve, para que ela seja feita no local mais indicado e mais útil, com todos os sócios e não só os reformados.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

As liberdades fundamentais

Creio que uma das melhores noticias que o fim do confinamento nos traz, será a abertura dos cabeleireiros e barbeiros, o poder tomar uma bica fora de casa levantando a ponta da máscara, o poder ir ver o Tejo e sentir-lhe o cheiro, o poder sair de automóvel para dar a volta ao quarteirão, o poder fazer dez vezes a rua do Prior na parte em que não sobe e achar que se fez dois quilómetros de caminhada, o dizer adeus aos vizinhos que estão à janela, o poder ir passear o cão ou o gato desde que este esteja registado e, finalmente, o não caber em qualquer das roupas da estação anterior com as quis ficávamos francamente bem!
Não estão contentes com tudo aquilo que vos vai ser possível fazer quando arranjarem um fato em que caibam? Eu estou felícissima, porque tendo vivido demais e engordado mais, vou continuar em casa. É mesmo uma felicidade...até que chegue a vacina!

HSC

quinta-feira, 30 de abril de 2020

A falta de um abraço

Hoje, sei lá porquê, eu que não sou dada a romantismos, acordei com uma enorme vontade de dar e receber um abraço. Era uma sensação tão estranha, um vazio tão grande, uma secura tão profunda que quase me tirava o fôlego. Felizmente tenho no quarto a fotografia do Miguel agarrado a mim e o irmão a rir-se de nós. Foi o que me valeu, para retomar o ar e a normalidade. 
Elas não matam, mas moem...e o Miguel amanhã fará anos!

HSC

terça-feira, 28 de abril de 2020

O que esquecemos facilmente

Depois desta pandemia algumas certezas que eu tinha tornaram-se mais fortes. Já não falo de ideologias ou crenças religiosas. Falo do ser humano em geral.
Hoje saí para ir ao cabeleireiro, porque a imagem que o espelho refletia, já nem o telemovel reconhecia. 
Dias houve em que o que mais me apetecia era sair do duche e vestir um pijama acabadinho de lavar,  e continuar assim o dia inteiro.
Porquê? Porque não ia sair de casa e portanto ficava mais cómoda. Porém, à terceira vez que cedi a esta moleza, aconteceu o meu filho vir almoçar e ficar perplexo a olhar para mim.
- Mãe, estás doente? 
- Não. Porquê?
- Porque estás de pijama à hora do almoço
- Mas se só vens tu qual é o mal?
- Essa agora, mãe... então eu não mereço almoçar com a minha mãe arranjada?
- Ó filho. tu és familia
- Não é isso que está em causa. O que está em causa é o respeito por si. E não é o confinamento que decerto a vai pôr a andar de pijama. Sempre me deu o exemplo do que gostava de si. O que é que se passa? Em 3 meses deixou de gostar? Que decisão mais estapafúrdia. Sabe que mais? não me desiluda nesta idade. E mais não digo!
Quando ele saíu, eu fiquei a pensar na nossa conversa. Tinha carradas de razão. Se não me prevenisse, era muito natural que os lindos pijamas que tenho, passassem a ser traje diurno... 
Fiquei muito envergonhada, mas cortei o mal pela raiz. Gostar de mim é uma obrigação . Por-me bonita é uma opção. É nestas duas escolhas que assentei uma boa parte da minha vida. Não vai haver Covidus que as altere, nem pijama que volte a sair do quarto!

HSC 

segunda-feira, 27 de abril de 2020

O 25 de Abril em Itália

   

Neste 25 de Abril a Itália também celebrou a sua liberdade, a insubmissão a Mussolini e à sua política. Será para os italianos uma data tão importante quanto ´é para os portugueses. Mas a maneira como cada país homenageou essa celebração é que foi completamente diferente.
O Presidenta Sergio Mattarella foi, sozinho e de máscara, assinalar a data junto ao monumento Altare Della Patria. O mesmo momento, o mesmo valor, o mesmo empenho, o mesmo orgulho. Mas o estrito cumprimento das regras impostas a todos pela saúde publica. Um gesto que marca a diferença entre os povos!

HSC

sábado, 25 de abril de 2020

À procura de Grandola


Tive azar. Na minha área nem um pio. Nem sequer uma janela aberta. Silêncio sepulcral. Resolvi meter-me no carro e dar uma volta. Nadinha. Estava tudo afónico.
Não sei como foi na Assembleia da Republica. Se cantaram ou só ouviram discursos. A única coisa que sei é que sem selfies o nosso Professor não é um homem feliz. O discurso bem podia ser mais curto. E, sobretudo, falou-se pouco do que se devia  e mais do que se não devia. Do restante nada sei e, confesso, nada irei saber. Porque cada um só é obrigado a saber o que pode...

HSC

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Embaixador Leonardo Mathias


Foi com enorme pesar que tomei conhecimento da funesta notícia. Era alguém de quem se gostava naturalmente.
Amiga que sou da Família, em particular do seu irmão Marcelo, também ele Embaixador, avalio a dor imensa que tal morte trará, nas condições actuais em que vivemos. À família o meu abraço e os meus pêsames.

HSC

À beira do ataque de nervos

Tranquilizem-se, não sou eu quem está à beira de um ataque de nervos. É uma parte importante dos portugueses ,que não têm a preparação necessária ao confronto com a situação pela qual estamos a passar. E estes não valem menos do que os outros , eventualmente mais habilitados .
Nós somos o resultado da sociedade em que vivemos, da familia em que nascemos e do modo como fomos educados. Depois da infância, aos poucos, vai-se definindo o peso de cada uma dessas variáveis e da vontade própria, surgindo, assim, seres muito diferentes, mesmo quando à partida, possuíam idênticas circunstâncias.
Assim uma parte substancial da nossa população está a viver horas de angústia, medo, desespero e outra, ao contrário aceita o inevitável, cumpre a quarentena e pensa sempre que há gente que está muito pior e a quem é preciso atender.
Tenho a sorte imensa de ter feito análise e portanto saber reconhecer os sinais que o corpo ou a psique me dão de que algo está a perturbar-me. E, reconhecido o sinal, eu sei que técnicas usar para controlar a causa desses sinais. 
Porém, penso imensas vezes em como ajudar quem não tem essas ferramentas e o que poderia fazer-se no sentido de minorar essas dores. Nem todos têm o refugio dos livros e da música, ou da meditação, como eu tenho. Por isso, creio que talvez fosse possível, por freguesias, organizar grupos para combater esses estados de alma e fazer um trabalho comunitário que interligasse as pessoas. 
Não sabemos ainda como tudo vai acabar, nem quando. Por isso. talvez esta sugestão pudesse ser aproveitada para, no entretanto, tentar fazer alguma coisa!

HSC

Entrevista Portugal em Noz* - Helena Sacadura Cabral

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A terceira vaga

Ouvi há pouco o Dr Machado Vaz falar de uma mensagem que tinha recebido e que levantava a questão de nos termos de preparar para uma "terceira vaga". No inicio não percebi bem o que iria seguir-se, porque, creio, ainda andamos a fugir da segunda e a tentar sair da primeira.
Mas, como sempre, depois veio a claríssima explicação. Se uma segunda houver ela será ainda do domínio sanitário. A terceira, essa que há-de chegar, resultará da exaustão dos profissionais de saude, situação que só compreenderá quem tenha assistido ao que se lhes tem pedido e à forma inexcedível como eles têm correspondido.
Não quero sequer falar de uma noticia que ouvi, de que eles não seriam aumentados quando toda a função publica será. Acredito que seja falsa porque, se for verdadeira, eu começo a perguntar em que país vivo. Vamos por isso, considera-la uma fake new.
Quando isto passar estes profissionais vão obrigatoriamente ter que rever a sua vida. Muitos deles não vão a casa, não vêem cônjuge e filhos há semanas. Alguém avalia o que podem ser as consequencias emocionais e psicológicas que resultam de uma tal situação? 
Vai ser necessário mobilizar psicólogos, psiquiatras e analistas para recuperar parte da população e parte dos clínicos que a trataram, ao mesmo tempo que vão ser necessários mais médicos para acompanhar  as doenças tradicionais, um pouco abandonadas pelo medo do contágio hospitalar.
Será esta a tal terceira vaga que nos cairá em cima, num período em que a situação económica e financeira constituirá, só por si, uma avalanche de ondas gigantes. É para isto que temos de nos preparar, unidos. Porque uma rotura ideológica, por mais idiota que seja, pode dar cabo de todos nós. Como dizia o filósofo, "os países não desaparecem, mas as pessoas sim"!

HSC

terça-feira, 21 de abril de 2020

Ainda eu e o SAMS


O Senhor tem por hábito testar-me. Demorei algum tempo a habituar-me, mas hoje convivo com o facto, com algum à vontade, porque sei que é uma manifestação do seu Amor por mim.
Durante todo o tempo que tem durado este confinamento, andei de credo na boca, com medo que me pudesse acontecer necessitar de um dentista ou de um oftalmologista. No primeiro caso porque tenho um canino que já me deu problemas e no segundo porque tenho de fazer uma benigna intervenção cirúrgica.
Os problemas do canino advieram das diatribes a que me sujeitou um médico de uma Clinica finíssima, para me desvitalizar o dente. Profundamente insatisfeita, decidi procurar o Prof. Francisco Salvado que me disse que a raiz estava partida e só havia duas soluções; ou um implante ou uma cirurgia em que ele tiraria o dente, colaria a raiz e voltaria a pô-lo no lugar. Neguei o implante, porque achava que já tinha tido implantes suficientes na minha vida. Contrariado, mas bom profissional lá fez a cirurgia, avisando-me logo que o resultado duraria o tempo que durasse.
Dito e feito. Há uma semana acordei com dor no tal dente. Prevenida face à situação do Centro Clínico do SAMS e das outras clínicas dentárias estarem fechadas deitei mão do Clamoxyl e no fim das pastilhas, telefonei-lhe a pedir orientação. Sempre atencioso disse-me para eu ir ao Centro Clinico às 11h que a Dra Ana Vieira, que eu já conhecia, me veria. Fiquei tão espantada que até tive dúvidas se teria ouvido bem. Ouvi.
Hoje lá estava eu num Centro quase deserto para ser tratada. A Dra Ana que já me tinha visto noutra ocasião, recebeu-me com a simpatia de sempre e, dentro das limitações – por exemplo não se pode usar broca – fez o que podia fazer. Pelo que percebi, mas sem certezas, a saúde oral vai, para já, funcionar duas vezes por semana.
À saída comecei a pensar no futuro. E as perguntas vieram em catadupa. É que os meus olhos estão entregues ao Dr. Pedro Cruz e a mesoterapia que faço está entregue à Dra Cecília Vaz Pinto e o meu corpinho está nas mãos do Dr. Faustino Ferreira que nunca me abandonou. Ora, à exceção de um, todos eles trabalham no Centro Clínico. E a todos agradeço a forma amiga como sempre se ocuparam de mim.
Então a quem é que eu vou pôr as questões de saber qual o meu futuro sanitário próximo? Ao Dr. Sorriso que preside ao maior sindicato do país e tem acompanhado toda esta situação? À ministra da saúde que seguramente sabe dela? À Dra Graça Freitas? À administração? Alguém me explica?
É que, agora, só falta mesmo uma inflamaçãozinha ocular. É evidente que não sou eu nem as minhas maleitas, que estão aqui em causa. Estão, sim, em causa, milhares de sócios que querem saber o futuro dos seus dividendos, neste caso, o que vai acontecer ao que pagam pela sua saúde...

HSC