A política não perdeu a credibilidade de um dia para o outro.
Foi-a perdendo aos poucos, através de promessas que ficaram por cumprir, de
discursos que não corresponderam às ações e de uma distância cada vez maior
entre aqueles que governam e aqueles que esperam ser governados com justiça.
O que desacreditou a política foi, sobretudo, a quebra de
confiança. Quando os políticos prometem mudança durante as campanhas
eleitorais, mas depois se esquecem das dificuldades de quem trabalha, de quem
luta para pagar as contas, de quem espera por uma consulta médica ou de quem
procura uma oportunidade para construir um futuro melhor, nasce a desilusão. E
quando essa desilusão se repete, transforma-se em desconfiança.
Também contribuíram para esta realidade os casos de
corrupção, a falta de transparência, os conflitos de interesses, os privilégios
de alguns e a sensação de que nem todos são tratados da mesma forma perante a
lei. Cada caso que fica por esclarecer, cada responsabilidade que não é
assumida e cada promessa abandonada, alimentam a ideia de que os interesses
pessoais podem estar acima do bem comum.
Mas seria injusto afirmar que toda a política é igual ou que
todos os políticos agem da mesma maneira. Existem pessoas que entram na vida
pública com vontade genuína de servir, de melhorar as condições de vida das
populações e de contribuir para uma sociedade mais justa. O problema está em
criar condições para que a ética, a competência, a responsabilidade e o
interesse público prevaleçam sobre a ambição pessoal e os interesses
particulares.
A política não deveria ser uma escada para alcançar poder,
mas uma responsabilidade ao serviço das pessoas. Governar não é apenas
conquistar votos, fazer discursos bonitos ou aparecer diante das câmaras. É
tomar decisões, prestar contas, reconhecer erros e ter a coragem de cumprir
aquilo que se prometeu.
O mais preocupante surge quando as pessoas deixam de
acreditar não apenas nos políticos, mas também na possibilidade de a política
transformar as suas vidas. Quando o cidadão sente que a sua voz só tem
importância no momento de votar, cresce a indiferença, o afastamento e a descrença
nas instituições democráticas.
Recuperar a credibilidade exige mais do que novas promessas.
Exige exemplos, transparência, justiça, respeito pelos cidadãos e consequências
para quem não cumpre as suas responsabilidades. A confiança não se exige:
conquista-se com atitudes consistentes e resultados concretos.
No fundo, o que desacreditou a política foi a distância entre
aquilo que se diz e aquilo que se faz. E o que poderá devolver-lhe a
credibilidade, será precisamente o contrário: menos promessas vazias, menos
privilégios, menos interesses pessoais e mais verdade, responsabilidade e
compromisso com as pessoas.
Porque a política só recuperará a confiança dos cidadãos quando deixar de ser vista como uma luta pelo poder e voltar a ser reconhecida como aquilo que deveria ser desde o início: uma forma de servir a sociedade e construir um futuro melhor para todos.

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