O Patriarca de Lisboa abençoou uma escola oficial, na
companhia de diversas entidades oficiais. Alguém, com inteligência e sentido de
observação, comparou a imagem de hoje com outra, tirada antes da Revolução.
A fotografia mudou. O tempo passou. O país transformou-se.
Mas será que mudou verdadeiramente aquilo que trazemos dentro de nós?
Há mais de cinquenta anos, certas imagens, certos gestos e
certas ideias faziam parte da normalidade de uma sociedade. Se hoje continuamos
a reconhecê-los como naturais, talvez devêssemos perguntar se evoluímos tanto
quanto gostamos de acreditar.
Porque um país pode modernizar as suas ruas, as suas casas, a
sua tecnologia e até as suas instituições. Mas a verdadeira evolução é muito
mais difícil: acontece quando se transformam as mentalidades, quando se
questiona o que durante décadas foi aceite sem reflexão e quando uma sociedade
deixa de confundir tradição com destino.
O tempo, por si só, não faz um país evoluir. Pode apenas envelhecê-lo. A evolução começa quando mudamos a forma de olhar para aquilo que sempre julgámos normal.
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