quarta-feira, 23 de setembro de 2026

EVOLUÇÃO E MEMÓRIA

O Patriarca de Lisboa abençoou uma escola oficial, na companhia de diversas entidades oficiais. Alguém, com inteligência e sentido de observação, comparou a imagem de hoje com outra, tirada antes da Revolução.

A fotografia mudou. O tempo passou. O país transformou-se. Mas será que mudou verdadeiramente aquilo que trazemos dentro de nós?

Há mais de cinquenta anos, certas imagens, certos gestos e certas ideias faziam parte da normalidade de uma sociedade. Se hoje continuamos a reconhecê-los como naturais, talvez devêssemos perguntar se evoluímos tanto quanto gostamos de acreditar.

Porque um país pode modernizar as suas ruas, as suas casas, a sua tecnologia e até as suas instituições. Mas a verdadeira evolução é muito mais difícil: acontece quando se transformam as mentalidades, quando se questiona o que durante décadas foi aceite sem reflexão e quando uma sociedade deixa de confundir tradição com destino.

O tempo, por si só, não faz um país evoluir. Pode apenas envelhecê-lo. A evolução começa quando mudamos a forma de olhar para aquilo que sempre julgámos normal.

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