sábado, 17 de outubro de 2026

JOAQUIM LETRIA

Só soube ontem, tarde, quando vinha de um jantar que acabou tardíssimo, que o Joaquim tinha falecido. Fiquei em choque, porque ia sempre sabendo como ele estava.

A nossa amizade vem de longe. Vem de uma entrevista que ele me fez, quando eu era ainda muito jovem, e que, na altura, deu que falar. Não tanto por mim que ninguém conhecia, mas pelo modo bem original, como ele me deu a conhecer.

Meses passados sobre essa entrevista, ele convidou-me para trabalhar com ele numa proposta publicitária, que lhe haviam feito. Há coisas que nunca rejeito, se vierem de alguém em quem confio e de quem gosto. Embarquei!

Joaquim Letria era uma pessoa com uma vida para além da figura pública: os seus afetos, as suas relações, a intimidade, as fragilidades, a maneira de estar com os outros e de enfrentar o passar dos anos.

Sobre a sua morte, há uma distinção importante: saber que alguém morreu não é o mesmo que conhecer as circunstâncias humanas da sua existência. Por isso no caso dele não quero inventar pormenores sobre o que sentia, sobre quem o acompanhou ou sobre a forma como viveu os seus últimos momentos.

Talvez o que procuro seja algo mais pessoal: como era Joaquim Letria enquanto homem, nos seus afetos, na sua vida familiar e na maneira como encarava a vida e a morte.

É por aí que devemos olhar para ele.

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