Só soube ontem, tarde, quando vinha de um jantar que acabou
tardíssimo, que o Joaquim tinha falecido. Fiquei em choque, porque ia sempre
sabendo como ele estava.
A nossa amizade vem de longe. Vem de uma entrevista que ele me
fez, quando eu era ainda muito jovem, e que, na altura, deu que falar. Não
tanto por mim que ninguém conhecia, mas pelo modo bem original, como ele me deu
a conhecer.
Meses passados sobre essa entrevista, ele convidou-me para
trabalhar com ele numa proposta publicitária, que lhe haviam feito. Há coisas
que nunca rejeito, se vierem de alguém em quem confio e de quem gosto.
Embarquei!
Joaquim Letria era uma pessoa com uma vida para além da
figura pública: os seus afetos, as suas relações, a intimidade, as
fragilidades, a maneira de estar com os outros e de enfrentar o passar dos
anos.
Sobre a sua morte, há uma distinção importante: saber que
alguém morreu não é o mesmo que conhecer as circunstâncias humanas da sua
existência. Por isso no caso dele não quero inventar pormenores sobre o que
sentia, sobre quem o acompanhou ou sobre a forma como viveu os seus últimos
momentos.
Talvez o que procuro seja algo mais pessoal: como era Joaquim
Letria enquanto homem, nos seus afetos, na sua vida familiar e na maneira como
encarava a vida e a morte.
É por aí que devemos olhar para ele.

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