Há muitas formas de crucificar alguém, sem sequer tocar no
seu corpo. Às vezes, basta uma palavra maldosa, um julgamento precipitado, uma
acusação injusta ou um olhar carregado de desprezo, para fazer alguém sofrer em
silêncio.
Vivemos num mundo em que muitas pessoas se sentem no direito
de julgar a vida dos outros, apontar os seus erros e condenar as suas escolhas,
como se fossem perfeitas e nunca tivessem falhado. Esquecem-se, claro, de que
por detrás de cada rosto, existe uma história que desconhecem, feridas que não
veem e batalhas que não imaginam.
É fácil atirar pedras, quando não somos nós que estamos no
centro da tempestade. É fácil condenar, quando não conhecemos a verdade por
inteiro. Difícil é ter empatia, estender a mão, ouvir sem julgar e compreender
que todos somos humanos, todos erramos e todos precisamos, em algum momento da
vida, de compreensão e perdão.
Antes de crucificar alguém com palavras, convém lembrar as próprias fragilidades Antes de condenar uma
história, procure conhecer os seus capítulos. E antes de apontar o dedo, olhe
para dentro de si, porque ninguém é tão perfeito que tenha o direito de se
considerar juiz da vida alheia. Já basta os que foram incumbidos de tal função!
Que nunca nos falte humanidade para compreender, humildade
para reconhecer os nossos próprios erros e sabedoria para perceber que, muitas
vezes, o silêncio é mais nobre do que o julgamento.
Porque destruir alguém com palavras pode levar apenas alguns
segundos, mas as marcas deixadas no coração podem durar uma vida inteira.
Não crucifiquemos quem já tenta sobreviver às suas próprias dores. Sejamos abrigo, não tempestade; compreensão, não condenação. Afinal, o mundo já tem sofrimento suficiente para que sejamos nós a acrescentar-lhe mais.

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