segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Parole, parole...

Por norma, os comentários neste blogue são elogiosos para a autora dos posts. Eventualmente, até, demasiado elogiosos. Terá sido por isso, creio, que em quatro anos de blogosfera, apenas cortei dois. E publiquei alguns que mereceriam, talvez, que o não tivesse feito, dado que só visavam ataques políticos. Mas eu não tenho qualquer medo de ter uma família de políticos de largo espectro. Tenho pena da desinteressante ocupação, o que é muito diferente!
No princípio, por acanhamento - também tenho, de quando em vez, reacções deste tipo -hesitei em publicar tanto elogio. Depois, pensei que pior seria não publicar por me sentir menos à vontade. Finalmente, entendi ser uma prova de má educação da minha parte, cortar a palavra a quem só me manifestava estima e apreço. 
Com efeito, quem aqui comenta, fá-lo em total liberdade. E, se gosta do que eu escrevo ou do que eu penso, ainda bem, porque ninguém escreve para o próprio umbigo. Assim, deixei-me de vergonhas ridículas e, neste blogue, haviam de ficar as palavras que me foram dirigidas, ao ritmo daquelas que fui escrevendo.
Dizem-me que há quem neste espaço elogie e noutros locais comente de outro modo. Porque não o haviam de fazer, quando a duplicidade parece não incomodar ninguém? Será uma mera perda de tempo comigo. Não tenho qualquer tipo de poder nem desempenho qualquer tipo de funções ligadas a ele. Logo, pessoalmente, não me afecta. Se o que se pretende é afectar os meus, é bom saber que, nesse campo, eu sou coriácea. Distingo, de modo exemplar, o que é profissional, o que é raiva e o que é ódio, do que é pessoal. E sei que quem se arrisca na blogosfera, conhece o que ela tem de bom e o que ela tem de mau. Eu só aproveito o primeiro lado. 
Neste canto não bolso rancores nem iras. Tão pouco faço catarse de dramas pessoais. Seria desperdiçar a excelência do dom de viver, e eu não existo para alimentar conflitos, políticos ou outros, porque a minha vida vale muito mais do que isso.
Portanto, elogiando ou criticando o meu trabalho - e não a vida dos outros, que só a eles diz respeito -, as nossas conversas virtuais serão sempre muito bem vindas e apreciadas.

HSC

sábado, 24 de agosto de 2013

As "nossas" histórias

«A ideia de que todo o escritor escreve forçosamente sobre si mesmo e se retrata nos seus livros é uma das puerilidades que nos foram legadas pelo Romantismo (...) As obras de um homem retratam muitas vezes a história das suas nostalgias ou das suas tentações, quase nunca a sua própria história, sobretudo quando se pretendem autobiográficas. Nenhum homem ousou jamais pintar-se tal como é.»

Albert Camus

Hoje perguntaram-me se escrevo sobre mim. Também, respondi. Mas, acrescentei, escrevo sobretudo sobre o que vejo e o que oiço, que é bem mais interessante.
Quando me sentei à secretária para trabalhar, dei com a transcrição feita acima, que foi retirada pelo Pedro Correia de um livro de Marcelo Mathias. Como gosto dos três, lembrei-me da conversa que acabara de ter e sorri por causa da coincidência (que a Margarida Rebelo Pinto diz não existir, e é capaz de ter razão).
Não sendo, como é evidente, nem escritora - costumo dizer que sou escrevinhadora - nem comparável a Camus nem a Marcelo, ou mesmo ao meu querido Pedro, aquilo sobre que "peroro" tem muito pouco a ver com a minha história pessoal. Tem, sim, a ver com o meu olhar sobre o que me rodeia, o que , parecendo ser o mesmo, é, de facto, bem diferente. O que eu vejo, o que eu oiço, o que eu penso, não é o que eu vivo. O que eu vivo vai muito para além do que escrevo e, em certas ocasiões, vai mesmo para além de mim própria.
Talvez seja por tudo isto, que nunca publiquei um romance, apesar de ter dois quase escritos e o meu saudoso Mario Castrim me ter incitado a faze-lo...

HSC

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Inesquecível milonga


Verdadeiramente surpreendente esta milonga. Há algum tempo que a vi dançar. Um destes dias conto-vos a história desta dança que como o tango tem raízes que vale a pena conhecer, porque são populares e não elitistas. Aconselho a visão em ecrã grande para se poder apreciar bem os movimentos dos pés. E vá até ao fim, ao "encore", a segunda milonga depois dos aplausos. Uma maravilha!

HSC

Tanguíssimo


Veja em ecrã grande e aprecie a sensualidade, a precisão, a beleza deste tango, versão electrónica. Silvana Capra e Roberto Herrera são magníficos. Este é um daqueles que elegi para o meu trabalho e prometi que aqui iria dando conta. Deliciem-se com esta perfeição!

HSC

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Não dei por isso...é das férias!

Depois de rechear com farinheira e ameixas pretas um lombo de porco, deixei-o a marinar num sumo de laranja com coentros e tomilho. Amanhã asso-o em banha e alho e espero deliciar, à noite, os meus amigos...(gaba-te cesto que não é vindima)!
Vim aqui e, como ando despistada, só agora reparei nos meus já 2102 leitores mais assíduos. Dá muito prazer olhar o número. Sempre me senti uma formiguinha que vai fazendo o seu caminho, mas chegar ao fim de quatro anos com tão elevado número de "fiéis", dá gosto. Vá, deixem-me "pavonear" a satisfação pessoal. Não é bonito, mas é autêntico. Sobretudo quando escrevo sobre coisas do quotidiano de muitos de nós e muito raramente me ocupo de filosofias.
Muito obrigada a estes que me seguem mais de perto e também aos outros que o fazem sem estar "inscritos". Tem sido uma caminhada feliz, com gente simpática a comentar e a trocar opiniões. E, creio não mentir, ao dizer com que todos aprendemos um bocadinho!

HSC


Também a missa

Comecei o dia, como era de esperar, com missa de corpo presente, em Areias. Mas, embora triste com a tristeza da minha amiga, saí de lá apaziguada. Rezei pelos dela e pelos meus mortos e encantou-me ver tanta gente a encher o adro da capelinha, que fica situada numa pequena aldeia. Confesso que era bonito ver um rol de amigos à volta de quem perde um ente querido.
Chegada ao lar, fui carpir para a cozinha e preparar dois repastos que irei dar aqui no meu doce canto, amanhã e sábado. Há tantos meses que não recebia ninguém, que agora tenho-me vingado. Como reduzi o apoio doméstico apenas a seis horas semanais para limpezas, sou eu que faço tudo. E sabe-me bem!
Mas vou pôr-me à escrita porque a editora quer o trabalho pronto até ao fim do mês e eu tenho preguiçado muito. Porém, vou faze-lo ao som de muito boa música, por isso não tenham pena de mim!

HSC

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A morte também

Nestas férias lisboetas em que só eu me divirto - e, também, só eu estou branca como a cal - faltava um dia negro. Foi hoje. 
Às oito da manhã, quando me preparava para seguir o caminho da SIC, o telemóvel tocou. Como tenho a família toda em Moçambique, assustei-me. Afinal era a Prosegur a dizer que o alarme do meu irmão havia disparado. Passei, assim, a manhã entre idas a casa dele, a televisão e o especialista do sistema de vigilãncia.
Parecia uma barata tonta, quando cheguei aqui a casa. Não fosse o milagroso ar condicionado que duramente adquiri e ter-me-ia tornado num pastel de nata. Mal refeita, ainda, da moleza que se apoderara de mim, recebo a mensagem de que havia falecido o pai de uma querida amiga minha e que o velório hoje e missa amanhã seriam em Areias.
Comi mal porque fiquei triste e abalei para estar um pouco com ela. Claro que encontrei uma série de amigos que não via há muito, como sempre acontece nestas tristes ocasiões.
Quando voltei a Lisboa resolvi atacar o frango da Valenciana. Onde, pese embora a crise, a azáfama retrataria um país em forte ascensão. Tirei o ticket 36 e estava-se no 16. Passei quinze minutos à espera e, no final, o empregado que me partia o frango segredou-me se eu não era a mãe do Paulo Portas. E eu, de jacto, respondi-lhe que, "naquele momento, era só mesmo a avó dele". Há dias assim. Mas não deviam acontecer em férias... 

HSC