Ontem cheguei a casa e, ao ligar a TV, zás, catrapáz, apanhei de seguida os dois infantes. Primeiro um, logo o outro.Rumei ao frigorífico para me retemperar da intempérie. Comi tudo o que não devia e me faz mal. Pronto, paciência. Mas acalmei.
Pus-me, de imediato, pronta para a indispensável terapia: Bach e arrumações. O primeiro bem alto. As segundas bem baixas, porque me atirei a tudo quanto eram armários e gavetas junto ao solo.
Decorrida uma hora, terminada a peça musical, voltei-me para o Coltrane e para um passado amontoado em pastas de documentos. Foi-se o divórcio - ufa! que demorei -, foi-se a empresa que já tinha fechado há dez anos, foram-se umas cartas, enfim, foi-se um bocado, desnecessário, de mim! E com tudo isto haviam voado perto de três horas. No lixo estavam três sacos cheios. Confesso que me sinto, desde ontém, mais aliviada...
Acontece a todos. Mas comigo é mais em campanhas eleitorais. Com as duas que se avizinham, talvez deixe, mesmo, de existir!
H.S.C



