quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

COMO SE PASSA DE POBRE A MENOS POBRE (com leveza, porque rir é de graça)


Passar de pobre a menos pobre é espécie de videogame: começa-se sem itens, sem moedas e com um monstro chamado “conta de luz a perseguir-nos. Mas dá para avançar.

Primeiro, terá de descobrir para onde seu dinheiro se some, ou melhor, foge. Controlar gastos é, basicamente, pôr uma coleira neste bicho.

Depois, vem o ritual de expulsar dívidas. Não é exorcismo, mas quase. Renegoceia aqui, corta juros ali e, de repente, sobram uns trocados que antes se evaporavam misteriosamente.

A seguir, aparece a fase de ganhar um qualquer extra. Vender algo, fazer um biscate, aceitar, sim, aquele concerto que não queremos, mas que o dono quer. Cada moeda a mais, deixa-nos menos na masmorra.

Aprender algo novo também ajuda. Quanto mais habilidades, mais valemos — tipo Pokémon evoluindo, só que mais cansado.

E, claro, começa a guardar um pouquinho. Mesmo que seja tão pouco, que nem vale a pena pensar “para quê?”.  

Calma: isto é a armadura anti- imprevistos. Sem ela, qualquer problema vira desastre total.

No fim, ficar “menos pobre” é isto: controlar o caos, ganhar uns extras, aprender coisas e juntar migalhas até virar pão.

E quando se dá conta… ops! Já subiu um degrauzinho. Não é riqueza, mas já dá para respirar (e talvez até para pedir sobremesa de vez em quando).

É assim que, uma modesta economista, explica como se fica menos pobre, sem ter, sequer o suficiente!

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O ESPANTO

O espanto é uma das experiências humanas mais antigas e fundamentais. Ele surge no intervalo entre o que conhecemos e o que excede a nossa compreensão, abrindo uma fissura no quotidiano pela qual percebemos, ainda que por um instante, a dimensão profunda do real. Não é apenas surpresa; é um estremecimento que reorganiza o olhar, uma chamada silenciosa que nos faz reconsiderar aquilo que julgávamos estável.

Diante do espanto, a mente suspende os seus automatismos. As explicações prontas perdem força, e o mundo revela aspetos que passam despercebidos quando estamos presos ao ritmo habitual da vida. Esse estado desperta uma lucidez particular: ao mesmo tempo em que nos sentimos pequenos perante o desconhecido, reconhecemos a vastidão das possibilidades que existem além das fronteiras do familiar.

O espanto é também fértil. Dele nascem perguntas, investigações, teorias, obras de arte. A filosofia, por exemplo, encontra na capacidade de espantar-se a sua origem. É quando algo nos desacomoda que começamos a pensar com profundidade. A ciência, igualmente, avança quando o espanto diante de um fenómeno desafia certezas e exige novas respostas.

Num tempo marcado pela pressa, cultivar o espanto é quase um ato de resistência. Exige atenção, presença e a disposição de admitir que não sabemos tudo — talvez, nem mesmo, o essencial. Mas é justamente essa abertura, que permite que o mundo continue a ser uma fonte inesgotável de sentido.

O espanto, portanto, não é, apenas, uma emoção. É uma forma de despertar. Ele lembra que a realidade é maior do que as nossas explicações, e que a vida, em toda a sua complexidade, ainda pode — e deve — surpreender-nos!

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A IMPORTÂNCIA DE UM TIL

Vamos, hoje, aprender um pouco da língua portuguesa. Julgam que sabem tudo? Vamos ver e brincar um pouco com o til.

O til (~) é um sinal gráfico fundamental na língua portuguesa e exerce um papel importante na correta pronúncia e compreensão das palavras. Ele aparece principalmente sobre as vogais a e o, formando as sequências ã e õ, que indicam nasalização. Essa nasalidade muda completamente o som e, muitas vezes, o sentido das palavras.

Sem o til, diversas palavras ficariam ambíguas ou teriam significados completamente diferentes. Por exemplo, “maca” e “maçã”, “pelo” e “pêlo”, “cor” e “côr” eram tradicionalmente diferenciados por acentos e sinais gráficos; no caso específico do til, ele é indispensável em termos como “cão”, “irmã”, “maçã”, “nação” e tantos outros, nos quais a nasalização é parte essencial da forma correta.

Além disso, o til cumpre uma função histórica, já que muitos de seus usos derivam de abreviações de antigas letras ou combinações de vogais nasais. A sua presença ajuda a preservar a identidade sonora da língua portuguesa e garante que a leitura e a escrita sejam coerentes com a fala.

Portanto, o til não é apenas um detalhe gráfico, mas um elemento que assegura clareza, precisão e musicalidade ao idioma. Sem ele, a escrita perderia parte de sua expressividade e dificultaria a comunicação. Então, sabiam?

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

A TRADIÇÃO COMO VANGUARDA

Num mundo que avança a ritmo vertiginoso, onde cada inovação parece superar a anterior, antes mesmo de amadurecer, há um movimento silencioso — porém cada vez mais evidente — que resgata o valor do que já existiu. A tradição, muitas vezes vista como algo estático ou ultrapassado, ressurge como força criativa, como fonte de identidade e como instrumento de resistência cultural.

A verdadeira vanguarda de hoje não está apenas no rompimento com o passado, mas na capacidade de revisitá-lo com novos olhos. O antigo torna-se matéria-prima para o novo: as técnicas artesanais ganham releituras contemporâneas, as narrativas ancestrais inspiram expressões artísticas modernas, e os valores que pareciam esquecidos reaparecem como contraponto ao excesso de superficialidade do presente.

A tradição, quando reinterpretada, não limita — expande. Ela ancora, dá profundidade, oferece autenticidade. É justamente essa combinação entre raízes sólidas e olhar renovado que define o espírito da nova vanguarda. Um futuro que não teme dialogar com o seu passado.

 

ANIVERSARIANDO

Hoje é meu aniversário – dizem, porque eu não me lembro de nada. Acreditando que assim seja, parabéns a mim própria, que consegui sobreviver mais um ano, sem virar meme, sem fugir para um planeta desabitado e sem ser abduzida (embora eu não descartasse a última opção).

Trata-se daquele dia especial, em que as pessoas dizem “aproveita muito!”, como se eu fosse fazer algo extraordinário… tipo pular de paraquedas, aprender mandarim e reorganizar minha vida inteira entre o bolo e os parabéns…
A realidade? Julgo que com a gripe que apanhei, vou comer, rir, fingir que estou mais sábia e aceitar que a minha maior conquista do dia, é não dormir durante os festejos longos demais.

Também vou receber mensagens do tipo “mais um ano de vida!”, como se eu tivesse ganhado isto numa promoção. Adoraria ganhar cupons, inclusive. Ou cashback. Mas não. Ganhei mais responsabilidades, rugas e a chance de preencher mais formulários. E perdi, de acordo com a futura legislação, a minha liberdade de conduzir para onde quisesse e quando me apetecesse.

De qualquer forma, aqui estou eu a comemorar convosco mais um capítulo da minha saga anual, torcendo para que este, seja o ano em que, finalmente, descubro o segredo da vida… ou pelo menos onde deixei as minhas chaves.

Enfim, ironicamente, parabéns para uma das mulheres mais interessantes do país, a quem desejo que venham mais 365 dias de caos estiloso, expectativas duvidosas e boas histórias para contar.

 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LEMBRAR OS VIVOS SEM ESQUECER OS MORTOS

Há épocas do ano em que o tempo parece diminuir o passo, convidando-nos a olhar para dentro. São dias em que os encontros ganham outro brilho, e a memória, silenciosa, também pede lugar à mesa. É então que percebemos, como é importante lembrar os vivos sem esquecer os mortos.

Porque aqueles que estão connosco a hoje precisam do nosso cuidado, da nossa presença inteira, dos gestos que constroem o que ainda pode ser vivido. São eles que continuam a escrever, ao nosso lado, a história que segue adiante.

Mas os que partiram também permanecem — não no mesmo lugar, não da mesma forma, mas naquilo que deixaram em nós. Honrar a sua memória é reconhecer que uma parte do que somos foi moldada pelos passos que já não ouvimos, mas que ainda nos acompanham. Lembrá-los não é ficar no passado; é permitir que o amor, mesmo transformado, continue a iluminar o presente.

Assim, entre o que permanece e o que falta, aprendemos a equilibrar a saudade com a gratidão. Celebramos os vivos com alegria e abraçamos os mortos com a ternura da lembrança. E é nesse gesto duplo que a vida encontra profundidade — porque nenhuma ausência apaga o valor de uma presença, e nenhum luto impede que a esperança continue a crescer.

A minha mãe morreu no dia de Natal e levou com ela, uma parte da minha alegria nesta época. Mas o mano mais novo adorava reunir todos em casa dele e até há dois meses era assim que faríamos. A sua morte, completamente inesperada, vai tornar este período mais difícil. Primeiro lembraremos os ausentes e só depois abraçaremos os presentes. Para o ano será melhor!  

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O LAMENTÁVEL DESÂNIMO

Pessoalmente, não sou dada a desânimos. Mas, às vezes, fico verdadeiramente impressionada com “os desânimos” que vejo por aí. E ontem pensei bastante no assunto, porque uma malvada gripe me deixou num estado lamentável.

O desânimo chega silencioso. Às vezes, ele não anuncia a sua chegada: apenas se encosta ao nosso lado, pesa nos ombros e sussurra que nada vale a pena. Ele é aquele intervalo sombrio entre o que queremos ser e o que conseguimos fazer, entre o que sonhamos e o que, na prática, enfrentamos.

É normal sentirmo-nos assim. O desânimo faz parte da experiência humana. Ele aparece quando estamos cansados, quando algo não saiu como esperávamos ou quando o caminho parece maior do que as nossas forças. Mas é importante lembrar que o desânimo é um estado, não uma sentença. Ele não define quem somos, nem determina onde vamos chegar.

Há momentos em que parar é necessário. Respirar. Reorganizar. Permitir-se sentir. Mas, após essa pausa, vale a pena olhar ao redor e perceber que ainda há motivos para continuar. No fundo há pequenos progressos que talvez não tenhamos notado, pessoas que torcem por nós, capacidades que ainda nem sequer foram exploradas.

Superar o desânimo não é dar um salto. Muitas vezes, é apenas, dar o próximo passo — pequeno, simples, mas na direção certa. E cada passo feito com coragem, mesmo quando a vontade falta, é uma vitória silenciosa que fortalece o coração.

O desânimo pode até visitar, mas não precisa morar em nós. Há luz que espera, para além do momento escuro. E nós, mesmo sem perceber, carregamos o brilho necessário para a alcançar. Talvez seja esta a razão, para eu não ser dada a desânimos, mesmo quando a gripe ma apanha…