Todos os que me lêem, sabem que sou católica e mãe de dois filhos que, por sua vez, me deram dois netos que não podiam ser mais diferentes. Parece uma reedição familiar, mais colorida e olhada com os olhos do século XXI.
Quer eu quer os meus primos sempre apreciámos o principio seguido na família, de que à refeição se não discutia política, para que o ambiente decorresse calmo e se tratasse de assuntos de interesse geral, nomeadamente cultural.
Terminada a refeição, enquanto os adultos tomavam café e um ou outro digestivos, as crias iam para a cama. Nessa altura, a conversa acabava sempre por fluir para a política. Enquanto não havia conversa apaixonada, a minha avó não intervinha. Se os decibéis se elevavam, ela decretava que se ia deitar e queria silencio. Foram anos desta vivência, em que era a familia a grande educadora e a escola a grande instrutora do nosso saber.
Quando, por minha vez, fui mãe segui o mesmo caminho. Todas as vertentes eram toleradas mas a discussão acesa era na sala e com as crianças deitadas. Quando estas cresceram...nada a fazer. Tornaram-se intervenientes activas no diálogo. E paulatinamente cada um cresceu com as suas convições e eu com as minhas. E fomos sempre uma familia unidíssima!
Agora, sei que se pretende que sejam as escolas a não só instruir como a educar os nossos filhos. Parece-me um caminho muito perigoso. Eu, por exemplo, jamais consentiria que ensinassem aos meus filhos com 10 anos ou menos o que hoje se pretende tornar obrigatório numa disciplina de cidadania.
Há idades para tudo. E aos 10 anos eu é que saberia como os ir educando. Não seria a escola, que não sabia como se vivia na minha casa e na minha família, que estaria habilitada a faze-lo. E julgo que, não tendo jamais abdicado deste direto/obrigação, não terei feito mau trabalho, pese embora o facto de terem, no mesmo caminho, seguido vias diferentes. Ainda bem. Foi um enorme sinal de que são os afectos e não a política que determina os nossos actos!
HSC