Há quem pense que uma mulher é definida pelo estado civil.
Mas uma viúva carrega a marca de um amor interrompido, enquanto ua divorciada
carrega a coragem de recomeçar. Nenhuma das duas deve ser reduzida à ausência
de um marido.
Por isso, é curioso observar como a sociedade olha de forma
tão diferente para duas mulheres que, no fim, também ficaram sozinhas.
A viúva costuma despertar compaixão. A sua dor é reconhecida,
o seu luto é respeitado e a sua solidão é compreendida. Já a divorciada, muitas
vezes, desperta desconfiança. Há quem procure culpados, quem questione as suas
escolhas ou quem a veja como uma ameaça, como se o fim de um casamento
diminuísse o seu valor.
No entanto, ambas perderam uma vida que um dia imaginaram
para sempre. A diferença é que uma foi separada pela morte e a outra pelas
circunstâncias da vida. Nenhuma merece ser definida pelo modo como a sua
relação terminou.
Talvez o verdadeiro sinal de maturidade de uma sociedade seja
deixar de idealizar umas e julgar outras. Porque tanto a viúva como a
divorciada carregam histórias, cicatrizes, saudades e uma enorme capacidade de
recomeçar.
No fim, o estado civil diz muito pouco sobre uma mulher. O
que a define é a forma como se levanta, ama, aprende e continua a viver.
Sem comentários:
Enviar um comentário