Uma das questões que preocupa a psicologia positiva é desmistificar a confusão que muitas vezes se estabelece entre "elogio" e "encorajamento", que não são manifestamente a mesma coisa.
Por exemplo, quando se diz a alguém, " tu és bonita", isso não tem que ver com a identidade da pessoa, já que a beleza é uma chance e não o fruto de uma acção deliberada. Ao invés, se disserem " a cor desse vestido põe em evidencia a cor dos teus olhos", a frase é um encorajamento, porque significa que a pessoa fez uma boa escolha do seu vestuário. Se os encorajamentos são construtivos a longo prazo, os elogios ficam pelo momento e podem, até, ser restritivos, comprometendo o futuro se neles se insistir.
Os primeiros visam alertar a consciência individual para o seu potencial a longo prazo. Fazem crescer o desejo de aprofundar uma qualidade e o sentido do esforço para a alcançar. Os segundos visam apenas o imediato.
Quando os Pais dizem a um filho "tu és o melhor" cometem um erro, porque podem estar criar um "pequeno rei" que percebe que a estima de si mesmo não tendo fundamento na realização pessoal, tudo fará para manter esta dose de gratificação imediata, o que o pode tornar instável, agressivo e caprichoso.
Se esses tais pais disserem "trabalhaste bem, bravo", estão a encorajá-lo, a mostrar-lhe que há um caminho para ele prosseguir.
Todos os estudos mostram que a "arte de encorajar" deve constituir uma preocupação não só de pais como de professores e que ela é mais desenvolvida nos países anglo saxónicos, porque neles se privilegia as forças individuais, a sua singularidade, em detrimento de sentimentos que só provocam narcisismos que afectam a identidade.
Estas forças que cada um possui, hão-de ir-se transformando com a idade, e é por isso que se torna difícil prever o perfil de uma criança. Daí a necessidade de ir acompanhando a evolução das mesmas.
Mas isso não chega. É também preciso saber, descobrir, como um trabalho ou um modo de vida, nos vai permitir ser congruentes com esses aspectos essenciais de nós próprios.
Daí que por volta dos quarenta anos, muitas pessoas se coloquem a si mesmos a questão de saber o que fazer com as suas próprias forças, já então muito mais clarificadas. Ou de descobrir, nessa altura, que ainda as não conhecem...
HSC
