quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Elogiar ou encorajar?

Uma das questões que preocupa a psicologia positiva é desmistificar a confusão que muitas vezes se estabelece entre "elogio" e "encorajamento", que não são manifestamente a mesma coisa. 
Por exemplo, quando se diz a alguém, " tu és bonita", isso não tem que ver com a identidade da pessoa, já que a beleza é uma chance e não o fruto de uma acção deliberada. Ao invés, se disserem " a cor desse vestido põe em evidencia a cor dos teus olhos", a frase é um encorajamento, porque significa que a pessoa fez uma boa escolha do seu vestuário. Se os encorajamentos são construtivos a longo prazo, os elogios ficam pelo momento e podem, até, ser restritivos, comprometendo o futuro se neles se insistir.
Os primeiros visam alertar a consciência individual para o seu potencial a longo prazo. Fazem crescer o desejo de aprofundar uma qualidade e o sentido do esforço para a alcançar. Os segundos visam apenas o imediato. 
Quando os Pais dizem a um filho "tu és o melhor" cometem um erro, porque podem estar criar um "pequeno rei" que percebe que a estima de si mesmo não tendo fundamento na realização pessoal, tudo fará para manter esta dose de gratificação imediata, o que o pode tornar instável, agressivo e caprichoso. 
Se esses tais pais disserem "trabalhaste bem, bravo", estão a encorajá-lo, a mostrar-lhe que há um caminho para ele prosseguir.
Todos os estudos mostram que a "arte de encorajar" deve constituir uma preocupação não só de pais como de professores e que ela é mais desenvolvida nos países anglo saxónicos, porque neles se privilegia as forças individuais, a sua singularidade, em detrimento de sentimentos que só provocam narcisismos  que afectam a identidade.
Estas forças que cada um possui, hão-de ir-se transformando com a idade, e é por isso que se torna difícil prever o perfil de uma criança. Daí a necessidade de ir acompanhando a evolução das mesmas.
Mas isso não chega. É também preciso saber, descobrir, como um trabalho ou um modo de vida, nos vai permitir ser congruentes com esses aspectos essenciais de nós próprios. 
Daí que por volta dos quarenta anos, muitas  pessoas se coloquem a si mesmos a questão de saber o que fazer com as suas próprias forças, já então muito mais clarificadas. Ou de descobrir, nessa altura, que ainda as não conhecem...

HSC


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Um outro Novo Banco...

Meia década é demasiado tempo para fazer o Novo Banco, aquele que a Resolução do BES permitiu que ficasse no mercado.
Nestes últimos cinco anos a instituição apresentou as contas do primeiro semestre do ano e, claro, voltou a apresentar 400 milhões de euros de prejuízos e a antecipação de 540 milhões, a ser pedido ao Fundo de Resolução em Fevereiro do próximo ano. Isto, claro, a somar aos cerca de dois mil milhões já usados de uma garantia pública - o tal mecanismo de capital contingente - de 3,9 mil milhões de euros.
Três questões se levantam decorrentes da decisão da resolução e, posteriormente, da venda do Novo Banco ao Lone Star.
Uma é saber quanto é que o Estado vai recuperar dos milhares de milhões que já lá colocou, desde há cinco anos? 
A segunda é saber quando terá o Novo Banco condições para ser um banco independente? 
E a terceira é perguntar se ele deve ou não ser integrado num outro banco? 
Há quem admita que uma separação dentro do próprio Novo Banco, criando um Novo bom, “recorrente” que se separaria do Novo mau – onde é que eu já ouvi, antes, falar desta solução?! - poderia vir a constituir uma solução não para o Estado ganhar dinheiro, mas para deixar de o perder.
Nos bastidores há quem aposte num cenário, pós-Lone Star, que a mim me assusta particularmente - dado que sou cliente do BCP – que seria a fusão destas duas instituições de crédito, a realizar-se já em 2020. 
Faltará, enfim, definir os moldes em que a venda – apesar de se crer que a fusão seja o cenário mais viável – se irá realizar e acreditar que   a resolução em curso terá, mesmo, um fim. E ficam, ainda, claro, algumas contas para fazer, nomeadamente, as da justiça.

 HSC

domingo, 4 de agosto de 2019

O hábito de matar...

Há qualquer coisa de estranho, diria mesmo, inexplicável, na frequência com que se praticam "matanças" nos Estados unidos da América. E, de cada vez que isso acontece, acabo sempre surpreendida, o que já é menos aceitável.
Pertenço à geração do velho "sonho americano", daqueles que acreditavam que lá, independentemente da condição social, quem tivesse valor, poderia se quisesse subir na vida. Durante muito tempo acreditei nisso. Depois, depois vivi lá por uns tempos e a neblina apoderou-se dessa mirifica América.
Hoje considero - independente de existir ou não um Presidente Trump - que se trata de uma nação interiormente muito diferenciada e com, talvez, mais qualidades do que defeitos. Mas esse lado utópico, que antes lhe atribuía, está muito desvanecido.
E esta tendencia de praticar ataques que mais parecem ter cariz terrorista, decorrentes da liberdade com que naquele terra se compram e vendem armas, causa-me calafrios.
Esta semana, em dois dias seguidos e em locais distintos, as pistolas mataram e feriram, sem motivo aparente, uma serie de pessoas de forma indeterminada. 
Não se tratou de atacar um grupo escolhido, pré determinado. Tratou-se de levar por diante o hábito de matar...

HSC 

sábado, 3 de agosto de 2019

Votar em quem?

Não me lembro de ver um governo com tantas trapalhadas juntas. Se o país fosse de direita, onde não estariam já os respectivos responsáveis.
Ora é nesta pequena palavra que residem todos os nossos problemas. Há quem lhe chame corrupção, mas para mim, mais importante que a dita, é a falta de responsabilidade. Ou seja, Portugal é um país com grande dose de irresponsáveis.
Morrem militares em treino, roubam-se armas, juntam-se uns milhões de solidariedade nacional para ajudar nos incêndios e parte desse dinheiro vai para outras finalidades; empresas de electrodomésticos doam equipamento para as casas ardidas e o mesmo fica fechado a degradar-se e até a ser roubado; a saúde publica não cura e esperemos que não mate; os contratos do governo com os seus familiares são a norma que se aceita, apesar da lei os proibirem; compra-se, sem concurso, material anti fumo, a um familiar de um governante, pelo dobro do preço e afinal o dito abre buracos e deixa entrar o que tinha a obrigação de proteger. Tudo isto existe, tudo isto é triste e, a juntar, o país tem o azar de ter uma oposição tão fraquinha, que nada do descrito tem consequências.
Entretanto os ministros, ocupados com férias ou campanhas políticas, face à greve dos combustíveis, sugerem que nos abasteçamos. Como? Levando gasolina para casa, remédios em dose suficiente para não morrer e enchendo ao limite, a despensa? Para depois, quem não precisa, ir vender a alto preço no mercado paralelo?
Depois de todas estas benfeitorias, ainda querem que o pessoal vote em Outubro? Em quem? Na situação ou na oposição que não sabe se-lo? É difícil escolher, porque nem o critério do mal menor tem aqui qualquer validade.
Mas viva o Portugal moderno, tecnológico, culto e democrático. E viva o PS, claro!

HSC

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

"Depois de morto, trancas à porta"

Fontes oficiais da Altice e Vodafone confirmam que o período de testes continua a decorrer e que até ao momento a ANEPC não solicitou, este ano, o envio de qualquer SMS de alerta à população.
Fonte ligada ao processo, que prefere não se identificar, questiona o atraso do Estado neste processo que terá feito com que o novo sistema de interface com as operadoras tenha demorado tanto tempo a arrancar, estranhando a falta de avisos numa altura em que já existiram fogos graves nos concelhos de Mação, Vila de Rei e Sertã e em que as chamas já cortaram, no início da semana, a A2 entre Lisboa e o Algarve.
Questionada pela TSF sobre a falta de SMS em 2019, a Proteção Civil esclarece que estes envios só ocorrem quando é declarado, para um determinado distrito, o Estado de Alerta Especial de Nível Vermelho, de um risco extremo, "situação que ainda não se verificou este ano".
A Associação de Proteção e Socorro, que durante muito tempo defendeu (e ainda defende) a difusão de avisos de emergência pelos telemóveis, admite que aquilo que tem sido implementado "não está a funcionar bem" pois podia ser mais eficaz e mais eficiente.
João Paulo Saraiva, embora admita que não se podem enviar avisos por tudo e por nada para "não causar descrédito", discorda da opção de só enviar avisos por SMS em caso de alerta vermelho, dizendo que é "muito pouco" e que "corremos o risco das pessoas serem apanhadas desprevenidas como aconteceu em 2017".

                                      (Extraído da TSF)

Tudo isto é complicado. E mais ainda, se pensarmos em regiões onde vive muito pouca gente, que nem sempre tem acesso a meios tecnológicos da última geração. O que pode tornar estes SMS pouco eficazes. E já nem falo na iliteracia que persiste nas populações mais idosas, que não saberão sequer ler uma mensagem de aviso. 
Enfim, julgo que se torna urgente vir, no futuro, a encontrar meios alternativos mais eficazes, criando, quem sabe, uma rede de sirenes que sejam ouvidas por todos aqueles que correm riscos iminentes. Será assim tão difícil, tendo em conta o nosso desenvolvimento na área das tecnologias? É que, lá diz o ditado, "depois de morto, trancas à porta".

Para cabal esclarecimento dos que me lêem aqui fica o esclarecedor mapa






HSC

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Precaver-se? E como?

Perante a anunciada greve do dia 12 de Agosto o ministro Santos mandou que os portugueses se precavessem. Na altura nem percebi com o que é que me havia de precaver. 
Depois outro ministro veio fazer anuncio idêntico. Foi quando se me fez luz. Um alertava-me para ter gasolina ou gasóleo e o outro para a minha despensa familiar.
Fiquei um pouco estupidificada, sobretudo no que ao combustível dizia respeito. Como é que eu me  hei-de precaver de gasolina? Indo todos os dias abastecer-me de 3 copos da mesma? Enchendo um jerrican e trazendo-o para casa? Levando-o para a garagem do meu irmão? E estas coisas são legais? Garante-me, o senhor ministro, que não sou presa se for apanhada com o jerrican?
Quanto à despensa e já que a greve é por tempo indeterminado vou "saquear" o meu super, comprando quantidades substanciais de azeite, ovos, manteiga, açúcar, massas, arroz, conservas, enfim, tudo o que não pereça nos próximos meses? Mas é legal faze-lo?Creio que todos os que ouvimos isto andamos arregalados. Com mais olhos do que barriga...e sem sabermos como nos precaver. Acaso os ministros sabem? E se sabem - devem saber, porque para isso é que são ministros - não podem dar uma ajudinha?

HSC

O cancro do pulmão

A data de 1 de Agosto assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão. O facto de a maioria dos casos serem diagnosticados tardiamente explica o seu mau prognóstico e as elevadas taxas de mortalidade. No entanto, nas últimas décadas, temos assistido a uma evolução ao nível do seu tratamento.
Numa altura em que o consumo dos produtos de tabaco voltou a ser atraente para os jovens, levando a um aumento da taxa de novos fumadores, sobretudo na população estudantil, as estratégias de prevenção primária passam também por “campanhas dirigidas em particular a estes grupos etários, de forma a evitar o início do consumo e a vontade de o experimentar. É igualmente necessária a implementação e desenvolvimento de Consultas de Apoio Intensivo aos Fumadores tanto nos Cuidados Primários de Saúde como nos Hospitais.
Devido ao diagnóstico, geralmente tardio, a implementação de um rastreio eficaz que permita a identificação precoce deste tipo de cancro é algo há muito pretendido e é uma realidade já em alguns países, como os EUA. 
Na Europa ainda não está implementado de uma maneira abrangente, aguardando-se para breve os resultados de custo-eficiência. Relativamente à eficácia, o valor do rastreio de cancro do pulmão não é atualmente questionável, após dois grandes estudos de rastreio - um nos EUA e outro na Europa - terem demonstrado uma redução muito significativa da mortalidade por este cancro. Para além do impacto na mortalidade, o rastreio do cancro do pulmão permitiu aprender como lidar com nódulos que acidentalmente se identificam nos pulmões. Podemos concluir que os resultados da aplicação da metodologia de diagnóstico, vigilância e tratamento utilizada no rastreio permitiu aumentar muito as expectativas de cura”.

       (Elementos recolhidos em orgãos de comunicação social)

A mim, este tema toca-me de perto, tendo perdido um filho fumador, com um cancro de pulmão. Para desgosto meu, os meus netos que até essa data não fumavam, passaram a faze-lo após a morte do Pai. 
Lá no meu Alentejo diz-se que “quem boa cama fizer, nela se há-de deitar”. É, portanto, da responsabilidade de cada um, manter ou não, um vício que pode matar. 
Deveria ser também da responsabilidade do Estado, fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para afastar esta tragédia. Só que o Estado não dispensa a verba que recebe da venda do tabaco...

HSC