Com o passar dos anos a familia vai-se, infelizmente, reduzindo. É o meu caso. Perdi os avós, perdi os pais, perdi um filho, perdi um irmão. Também perdi marido, mas essa é outra "estória", porque ele está vivinho da costa, graças a Deus. Foram perdas difíceis, mas que fui ultrapassando, talvez porque quase diariamente me lembro deles, a propósito das mais diversas razões. É um cheiro, uma cor, uma frase, um por de sol, tudo mos traz até mim.
Provenho, quer do lado materno, quer do lado paterno, de clãs numerosas. Talvez por isso faça amizades com razoável facilidade. E, curiosamente, são-me tão necessárias as antigas como as mais recentes.
Vem este introito a propósito de um jantar a que fui esta semana, celebrar os 50 anos de uma recente mas grande amiga, como se pode deduzir da sua faixa etária. E falo-vos disto, porque ele decorreu no fim de semana passado, mais concretamente no sábado, e foi totalmente organizado pela aniversariante, para receber 25 amigos, em que tudo, mas mesmo tudo, foi pensado para dar prazer a esses amigos.
Há pessoas cujo maior gosto é dar prazer aos outros, estendendo àqueles que estimam, aquilo que só habitualmente se encontra na família. A casa estava linda e tudo emanava uma rara simplicidade, porque a beleza vinha de algo muito especial e que só quem ama muito os seus amigos, consegue transmitir.
A Rita, é este o seu nome, podia ser minha filha. Conheço-a há dois anos e não pode ter sido por acaso que a vida nos juntou num mesmo prédio. Quando olho para trás, não deixa de me emocionar que o local onde vivo, me tenha trazido duas das minhas melhores amigas. E que, de certo modo, as sinta como uma espécie de "compensação familiar" para os que amei e perdi.
Adorei fazer 50 anos. Foi a parte melhor da minha vida. Não me canso de o afirmar. Por isso, ver uma pessoa admirável entrar nessa idade e eu ter a sorte de partilhar esse momento, é algo que me torna muito feliz. Acredito que com ela se vá passar o mesmo, porque o merece amplamente!
HSC