sábado, 20 de abril de 2019

Happiness


Nada mais verdadeiro. A felicidade é uma escolha e não o resultado de algo. A gratidão também. Por isso, apenas o que está dentro de nós poderá fazer-nos felizes. E só quando tivermos essa percepção é que estaremos em condição de partilharmos ambas com os outros.
Mas a maioria das pessoas não faz essa escolha. Limita-se a esperar que a felicidade lhe caia no colo. Talvez por isso é tão difícil ser feliz e tão fácil ser infeliz. É que infelizes somos todos um pouco...

HSC

Sexta Feira Santa

Esta sexta feira foi inteiramente dedicada a mim e vivida em silêncio. 
O filho queria levar-me para férias e dois grandes amigos queriam levar-me para o Alvito, onde seria tratada como uma princesa. Mas eu precisava de estar comigo e com Ele. Foi a opção mais acertada.
A perda daqueles de quem gostamos traz frequentemente consigo a imagem da finitude. Que pode, por estranho que pareça, focar-nos no essencial. Que, para a maioria de nós, se centra na resposta à pergunta "o que é que fizemos com a nossa vida?".
Questiono-me muito sobre este tema. Este ano mais ainda, porque no tempo da Paixão, a morte tem sempre mais impacto. Julgo que as minhas contas pessoais, nesta matéria, estão feitas. Como mulher, como filha, como mãe, creio ter cumprido a minha missão. Mas ela não está terminada. Amanhã vem a Páscoa para lhe dar uma nova dimensão!

HSC

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Adeus, Julio!

Ainda não estava refeita da morte da Ana Braga, quando recebi a noticia de que o meu velho amigo Julio Correa Mendes tinha partido. Tive um aperto no coração e relembrei cerca de 50 anos de histórias e vivências comuns. 
Ha muitos anos, já advogado, quer ele quer a mulher, igualmente advogada, foram meus  alunos de Economia. Havia de nascer dessa docência uma amizade que dura até hoje.
O Julio era uma pessoa especial, com enorme sentido do humor e uma total disponibilidade para os amigos.
Esta tarde, sozinha junto ao caixão, relembrei uma fase da minha vida, que sendo dolorosa, ele sempre soube adoçar. E sorri, ao lembrar-me de algumas peripécias, pelas quais ele tivera de passar, na tentativa de resolver os problemas daqueles de quem gostava.
As filhas e os netos, para além da mulher Rosy - que sempre habitou num mundo, também ele bastante especial -, foram a vida inteira o seu suporte. E ele contou a vida inteira com o esteio familiar e com aqueles que o estimavam sem reservas. 
Que à chegada tenhas todos os amigos à tua espera! Qualquer dia vamos ter contigo...

HSC

domingo, 14 de abril de 2019

A propósito da Semana Santa

"...Uma das grandes tarefas das lideranças da Igreja – bispos, párocos e congregações religiosas – consiste em ajudar as pessoas a perceber o que perdem se não aprofundarem o sentido das celebrações da fé e o que ganham quando são fiéis ao seu espírito e finalidade.
Não adianta muito insistir no que está mandado ou proibido, quanto a práticas religiosas. Importa que se tornem apetecíveis pela sua beleza e sobriedade. Que falem à sensibilidade, ao coração e à inteligência. Que nos comovam.
Quanto à Semana Santa, existem vários tipos de recuperação das tradições e da qualidade das celebrações marcadas pelas exigências do Vaticano II. O turismo religioso explora tradições. A liturgia viva procura uma linguagem de beleza que mostre a urgência de nascer de novo. Só podemos saber se celebramos a Páscoa, se crescer em nós a vontade de servir aqueles que precisam da nossa dedicação: sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos."

                              Frei Bento Domingues in jornal Publico

HSC

sábado, 13 de abril de 2019

Hoje morreu a Ana Braga


Nem todos a conhecem por este nome, já que nasceu como Ana Nobre Guedes. Mas casou com o fadista João Braga e decidiu assumir o nome do marido.
Era uma mulher discreta, uma amiga verdadeira, uma companheira e mãe fiel aos seus princípios e o motor do clã que criou. Foi na sua casa que, muita gente de direita conviveu com gente de esquerda, apesar de ter sido obrigada a fugir para o Brasil para conseguir sobreviver, e disso não guardar rancor.
Era, enfim, alguém cuja vida foi dedicada à familia, como tantas outras mulheres que ninguém conhece, e que põem, na sombra, o país a funcionar. 
Conheci bem o casal e a descendência que construiu. Possivelmente, ninguém falará da sua morte. Mas eu tenho uma imensa tristeza por a ter perdido e sei que muitos amigos nossos, dirão o mesmo. Que Deus a receba de braços abertos! 

HSC

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Tempo de esperança


Abril é um mês duro para mim. Digamos que até ao dia 24 - em que um filho me morreu nos braços -, é uma caminhada árida. Por isso, este ano resolvi que era chegada a altura de dar uma "virada" ao assunto e convocar para essa data algo que me desse prazer. Foi o que fiz.
Assim, no dia 23 de Abril, véspera dessa fatalidade que me aconteceu, chegará às livrarias um novo livro meu, cujo título Tempo de Esperança, diz muito dessa minha intenção de encerrar um ciclo doloroso. É preciso que chegue uma brisa de bonança que encha o meu e os nossos corações. Espero te-lo conseguido!

HSC

terça-feira, 9 de abril de 2019

Os amigos, a familia e a Rita

Com o passar dos anos a familia vai-se, infelizmente, reduzindo. É o meu caso. Perdi os avós, perdi os pais, perdi um filho, perdi um irmão. Também perdi marido, mas essa é outra "estória", porque ele está vivinho da costa, graças a Deus. Foram  perdas difíceis, mas que fui ultrapassando, talvez porque quase diariamente me lembro deles, a propósito das mais diversas razões. É um cheiro, uma cor, uma frase, um por de sol, tudo mos traz até mim.
Provenho, quer do lado materno, quer do lado paterno, de clãs numerosas. Talvez por isso faça amizades com razoável facilidade. E, curiosamente, são-me tão necessárias as antigas como as mais recentes.
Vem este introito a propósito de um jantar a que fui esta semana, celebrar os 50 anos de uma recente mas grande amiga, como se pode deduzir da sua faixa etária. E falo-vos disto, porque ele decorreu no fim de semana passado, mais concretamente no sábado, e foi totalmente organizado pela aniversariante, para receber 25 amigos, em que tudo, mas mesmo tudo, foi pensado  para dar prazer a esses amigos.
Há pessoas cujo maior gosto é dar prazer aos outros, estendendo àqueles que estimam, aquilo que só habitualmente se encontra na família. A casa estava linda e tudo emanava uma rara simplicidade, porque a beleza vinha de algo muito especial e que só quem ama muito os seus amigos, consegue transmitir. 
A Rita, é este o seu nome, podia ser minha filha. Conheço-a há dois anos e não pode ter sido por acaso que a vida nos juntou num mesmo prédio. Quando olho para trás, não deixa de me emocionar que o local onde vivo, me tenha trazido duas das minhas melhores amigas. E que, de certo modo, as sinta como uma espécie de "compensação familiar" para os que amei e perdi.
Adorei fazer 50 anos. Foi a parte melhor da minha vida. Não me canso de o afirmar. Por isso, ver uma pessoa admirável entrar nessa idade e eu ter a sorte de partilhar esse momento, é algo que me torna muito feliz. Acredito que com ela se vá passar o mesmo, porque o merece amplamente!

HSC