Aproveito quase sempre as viagens que faço por esse país fora com vista a sessões de autógrafos, para ir descobrindo as maravilhas gastronómicas que possuimos e que começam, felizmente, a ser divulgadas e conhecidas por esse mundo fora.
Há um ano, numa sessão de autógrafos nos CTT de Coimbra - onde acabei por conhecer um blogger de Lisboa de quem vim a tornar-me amiga - havia de ter uma conversa sobre leitões com o Luis Costa dos CTT de Leiria. Ele defendia uma casa e eu defendia outra. Acabámos por aprazar um almoço, para que eu comprovasse que a dele concorria com a minha, que já era conhecida de ambos.
Pois bem, foi ontem a almoçarada que contou, entre outros, com a presença do vice presidente da Junta de Freguesia de Santa Eufémia/Boa-Vista, Paulo Felício, em representação própria e do seu Presidente, ausente no estrangeiro. É uma pessoa encantadora e que me deu a imagem de um poder autárquico próximo das populações.
Começaram por chegar umas batatinhas às rodelas, finíssimas, como aquelas que, antes, fazíamos em casa. E, logo a seguir, um inesquecível leitão, já cortado com sabedoria, em pedaços pequenos que satisfaziam tanto os que gostavam de costela, como os que gostavam da carne mais alta. A pele, em crosta, fazia lembrar o pato lacado. O tempero, esse, era divino. Tudo impróprio para o colesterol e tensão alta. Deitei às urtigas um e outra e servi-me por quatro vezes, sem qualquer cerimónia, tal a iguaria. A acompanhar, um vinho frutado da região, pareceu-me ótimo.
Calculo que já estejam a querer saber onde se come esta preciosidade. Aqui vai. Foi no Café Centro - a tradição em leitão - na Rua Nossa Senhora das Dores nº120, na Boa-Vista/ Leiria, a cinco quilómetros da cidade e com o telefone 244 724 824. É preciso reservar porque ali não se guarda leitão de um dia para o outro. Quando acaba, não há mais!
Para culminar, Paulo Felício, teve a gentileza de me surpreender com uma embalagem de "letchero" para o jantar, que fez as minhas delicias e deve ter contribuido de modo expressivo para o meu arredondamento.
Moral da história. Estou como o Marco Paulo. Ou seja, fiquei com dois amores, o que, convenhamos, para alguém que que gosta de ser fiel, não dá muito jeito...
HSC





