"Portugal é um país muito
dado à semântica". Assim começa, hoje, a crónica de Tiago Freire no Jornal
Económico. Com base nesta afirmação séria, decidi tecer algumas considerações sobre
sinónimos especiais para uso publico, de modo a ajudar aqueles que tenham de discursar no
exercício de funções oficiais, mas não queiram ser vaiados.
Dando corpo ao exercício fiz uma pesquisa das palavras mais utilizadas na actual oratória, às quais entendi dar um cunho pessoal de modo a que, quem necessite, possa ir mais longe na utilização
das mesmas.
Assim, sugere-se que a
mentira seja apenas uma inverdade, e a miséria uma questão de ajustamento económico.
Continuando, teremos a salvação nacional como sinónimo de simples acordo entre
partidos do arco da governação e os swaps uma encrenca financeira que utilizada em
certos contextos é uma excelente opção e noutros uma péssima escolha. O
problema aqui reside na definição do dito contexto, como deverão ter percebido.
Já a expressão saber deve significar, sempre, o conhecimento atempado de tudo e não
apenas de uma parte, excluindo portanto daquele conceito o estar informado.
Finalmente austeridade será, pelos tempos mais próximos, sinónimo de rigor e
seriedade. E, para não ser criticada, irrevogável será tudo o que, a seu tempo e por motivos alheios à vontade de cada um, se torne reversível.
Acredito que com este novo
léxico ninguém ficará mal visto nas diversas ocasiões em que for chamado a
pronunciar-se sobre o que quer que seja!
HSC


