quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mais uma



"SPA não adopta o novo acordo ortográfico perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria
A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.
Lisboa, 9 de Janeiro de 2013"

Este foi o comunicado feito pela Sociedade Portuguesa de Autores aos seus associados.
É mais um a juntar a tantos outros de entidades oficiais de que temos conhecimento. Como corresponde à posição que defendo fico contente.

HSC



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Reencontro...



Mais um pequeno presente absolutamente delicioso. Mas que exige ouvidos especiais...

HSC

Em Berlim

Agora em Berlim. Qualquer dia em Lisboa. Quando isto se aplicar a todas as áreas da vida é capaz de ser um pouco fastidioso. Mas que é prático, lá isso é!

HSC

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A afronta

"O pontapé no porco que andava fugido na A1, em Alverca, há pouco mais de uma semana, na sequência de um acidente, pode valer uma punição até 120 dias de suspensão e respetiva retenção no salário. Essa é a medida disciplinar mais grave que o militar arrisca, caso o processo de averiguações conduza a um processo disciplinar em que seja condenado. Entretanto, o porco já seguiu destino para ser abatido"
"...Ao que o JN apurou, no caso do militar ser condenado num processo disciplinar - o mais provável é que seja punido com uma repreensão escrita (podendo ser considerada grave) - que fica na ficha da carreira e pode condicionar futuras promoções...". (In Jornal de Notícias)

Assim vai o burgo. O polícia deveria ter pedido, educadamente, ao animal para se afastar. Este não deve ter compreendido o pedido e achou imensa graça em andar pela auto-estrada sem se arredar. A autoridade insistiu, mas o bicho não estava nem aí. Tinha outras preocupações, nomeadamente ver como se podiam enfeixar os carros uns nos outros, o que lá na porqueira onde vivera até então, não seria fácil. Esse era o seu grito do Ipiranga, a sua liberdade transitária.
Agora, o policial que o tentou afastar com o pé, num exercício de uma inaudita violência sobre o frágil animal, esse, fica em risco de sofrer castigo e perda de salário e com a folha de serviço maculada. Em Portugal, claro. Que mais nos irá acontecer?!

HSC

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Um domingo diferente

Como é que eu hei-de explicar isto? Vou tentar, apesar de saber que a amizade como o amor não se explicam. Acontecem.
Tenho um grupo de amigas da minha idade com quem, confesso, estou pouco. Gosto muito delas, mas o meu mundo é completamente diferente daquele em que as mesmas gravitam. Foram excelsas mães e óptimas companheiras dos seus maridos mas, porque nasceram ou casaram abonadas, nunca trabalharam e limitaram-se a fazer da carreira dos cônjuges e da dos filhos, o seu mister.
Ao contrário, eu não nasci nem casei abonada, não recebi heranças, não fiz da vida dos meus a minha vida, e trabalho e estudo desde os treze anitos. De uma maneira muito carinhosa, porque gostam de mim - continua felizmente, a haver quem goste -, reclamam que eu não lhes ligo nenhuma. Fico aflita porque lhes reconheço alguma razão, mas não lhes posso dizer que o nosso convívio só é possível em doses homeopáticas porque os nossos interesses não são exactamente os mesmos.
Assim, de vez em quando, muito de vez em quando, marco um almoço com o apoio de uma que, pertencendo ao meio, teve uma carreira de fotógrafa excelente que acabou por abandonar para seguir a profissão agitada do marido, mas mantém uma vida bastante activa.
Hoje foi o dia do almoço. Éramos cinco e não fossem algumas cautelas da minha parte, teríamos sido oito, número que é manifestante excessivo para a capacidade da minha camioneta afectiva.
Diverti-me, marquei um restaurante familiar que elas não conheciam, gozei da sua presença, mas cheguei a casa a pensar como a minha vida é distinta. Depois, deu-me um daqueles ataques de riso sobre mim própria e as minhas boas acções, que hão-de levar-me ao paraíso. É que sendo adoráveis criaturas, tão diversas de mim, pergunto porque me estimarão tanto? São os insondáveis desígnios da Providência. Só pode ser!

HSC

Amor impossível


Gosto muito deste disco de Melody Gardot e da sua voz rouca. Hoje apeteceu-me ouvi-la depois de um domingo cheio de boas acções mas algo desgastante. Melody tem em mim um efeito terapeutico. Partilho-o convosco!

HSC

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A agressividade e a bonomia

Todos nós temos características próprias, ou seja, defeitos e qualidades muito particulares. Eu, por exemplo, não sei viver em conflito. Outros, porém, fazem dele a sua mola vital.
As minhas relações com os outros podem passar pela divergência de ideias, que aprecio, mas não passam pela divergência de atitudes que considero indispensáveis. E, quando no plano ideológico as diferenças transformam o adversário num inimigo, ligo à terra e salto logo.
Conheço pessoas cuja catarse é a violência verbal que vem da sistemática incompreensão do que é distinto. O seu equilíbrio pessoal tem, sempre, de ser feito à custa do desprezo pelo diverso. São os chamados "elementos fortes", quer seja na família, no trabalho ou nas amizades. Amam ou odeiam com a mesma intensidade.
O meio político é, aliás, fertil neste tipo de relações. Não há diálogo. Apenas uma verdade. E os que não professam essa verdade são apelidados de tudo. Deixa-se que o passional substitua o racional. É o que se vê, por exemplo, nas campanhas eleitorais. Todos prometem, todos acusam, dizem-se barbaridades, ataca-se a vida pessoal, inventa-se se for preciso. À direita como à esquerda, o tom é igual.
Talvez seja por questões desta natureza que o género feminino é minoritário na res publica. Não tendo coloração partidária, estou à vontade para lembrar duas, Maria de Belém e Helena Roseta, cujo estilo ilustra um pouco o que acabo de dizer. Ambas interventivas, mas uma mais guerrilheira do que a outra.
É justamente este belicismo permanente em que vive a actividade política nacional que leva a que muitas mulheres se não sintam atraídas pela política e só intervenham quando é a cidadania que está em causa.
Já fui aliciada à direita e à esquerda. Sempre sorri a esses insólitos aliciamentos, sabendo perfeitamente o que queriam de mim. E sempre recusei, porque entre a agressividade e a bonomia, escolho sempre esta última. É muito mais eficaz e menos desgastante!

HSC