domingo, 17 de maio de 2026

ULTIMA CARTA

Alexandre,

Não te escrevo com raiva, nem com a intenção de apontar culpados. Escrevo-te com a calma triste de quem finalmente aceitou a verdade. O nosso amor acabou, e nós dois sabemos disso, mesmo que continuemos a adiar a conversa e a partilhar a mesma rotina mecânica.

Esquecemo-nos dos aspetos mais importantes e daí resultaram, pelo menos para mim pequenos desastres, como deixar de esperar pelo abraço que já não me aquece, libertar-te dos compromissos que o tempo esvaziou, acabar com o esforço diário de sorrir para disfarçar o vazio.

 Aceito que dar o nosso melhor não foi suficiente para nos salvar. Nem a mim, nem a ti!

Fomos a história mais bonita da minha vida, mas hoje somos apenas duas pessoas que partilham uma casa e uma solidão imensa. Cansa ver o teu olhar passar por mim sem me ver. Cansa-me a cortesia fria que substituiu a nossa cumplicidade.

Esta carta é a minha despedida silenciosa. Não me afasto por falta de carinho, mas por respeito ao que fomos e ao que ainda merecemos ser. Merecemos a verdade, mesmo que ela doa. Deixo-te ir para que tu, e eu também, possamos voltar a respirar e, quem sabe um dia, a amar de verdade.

Obrigado por tudo o que construímos. Fica em paz.

 

 

 

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