Alexandre,
Não te
escrevo com raiva, nem com a intenção de apontar culpados. Escrevo-te com a
calma triste de quem finalmente aceitou a verdade. O nosso amor acabou, e nós
dois sabemos disso, mesmo que continuemos a adiar a conversa e a partilhar a
mesma rotina mecânica.
Esquecemo-nos
dos aspetos mais importantes e daí resultaram, pelo menos para mim pequenos
desastres, como deixar de esperar pelo abraço que já não me aquece, libertar-te
dos compromissos que o tempo esvaziou, acabar com o esforço diário de
sorrir para disfarçar o vazio.
Aceito
que dar o nosso melhor não foi suficiente para nos salvar. Nem a mim, nem a ti!
Fomos a
história mais bonita da minha vida, mas hoje somos apenas duas pessoas que
partilham uma casa e uma solidão imensa. Cansa ver o teu olhar passar por mim
sem me ver. Cansa-me a cortesia fria que substituiu a nossa cumplicidade.
Esta carta é
a minha despedida silenciosa. Não me afasto por falta de carinho, mas por
respeito ao que fomos e ao que ainda merecemos ser. Merecemos a verdade, mesmo
que ela doa. Deixo-te ir para que tu, e eu também, possamos voltar a respirar
e, quem sabe um dia, a amar de verdade.
Obrigado por
tudo o que construímos. Fica em paz.
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