A minha mãe nasceu no dia 11 de maio e foi sempre única.
Lindíssima e uma força da natureza a vencer barreiras e preconceitos.
Hoje sei que ela é alguém que não se abandona, mesmo quando
o mundo insiste em nos empurrar para longe. É a primeira morada que conhecemos,
antes mesmo de termos nome para as coisas. No silêncio do seu colo, aprendemos
que existir pode ser suave, que ha braços que nos seguram, quando tudo em nós
ainda é queda.
Há um tipo de amor na minha mãe que não pede tradução. Ele
vive, sobretudo, nos gestos mínimos: no cuidado distraído de ajeitar um cabelo,
no olhar que percebe antes da palavra, na presença que permanece, mesmo quando
já não está fisicamente ali. Ela é memória que respira dentro de mim.
Com o tempo, descobri que ela também é feita de cansaços, de
medos guardados, de noites mal dormidas. E isso não diminui o que ela é — pelo
contrário, torna o seu amor mais humano, mais vasto. Amar assim, apesar de
tudo, é quase um milagre quotidiano.
Há coisas que, por norma, nunca dizemos a uma mãe. Ficam
suspensas entre o orgulho e a timidez, entre a pressa da vida e a ilusão de que
haverá sempre tempo. Eu, felizmente, disse-lhe tudo, porque ela foi, sempre, a
minha maior amiga.
E talvez seja isso que, em simultâneo, mais dói e consola:
perceber que, dentro de nós, há sempre um pedaço da nossa mãe a viver nas
escolhas, nas palavras, nos gestos, que repetimos sem notar. Como se, no fundo,
nunca tivéssemos saído, realmente, de casa.
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