Muitas pessoas acreditam que, para seguir em frente, é
preciso esquecer o que nos magoou. No entanto, esquecer nem sempre é possível —
e talvez nem seja o mais importante. O perdão, ao contrário do esquecimento, é
uma escolha consciente. Ele não apaga o passado, mas transforma a forma como
lidamos com ele.
Esquecer pode ser apenas uma consequência do tempo. As
lembranças enfraquecem, os detalhes se apagam, e a dor perde intensidade.
Porém, o sentimento pode continuar guardado, mesmo que silencioso. Já o perdão
exige reflexão, maturidade e, muitas vezes, coragem. Perdoar é decidir não
alimentar o ressentimento, mesmo lembrando claramente o que aconteceu.
Perdoar não significa concordar com o erro, justificar
atitudes ou permitir que a situação se repita. Significa libertar-se do peso da
mágoa. Quando alguém escolhe perdoar, deixa de ser prisioneiro da própria dor.
O esquecimento pode aliviar, mas o perdão cura.
Além disso, o perdão fortalece relações e promove crescimento
pessoal. Ele desenvolve empatia, compreensão e humildade. Em muitos casos, é o
que permite reconstruir laços e restaurar a confiança. Mesmo quando não há
reconciliação, o perdão interior traz paz.
Portanto, o perdão vale mais que o esquecimento, porque é um
ato ativo de libertação. Esquecer pode depender do tempo; perdoar depende de
decisão. E é essa decisão que transforma feridas em aprendizagem e sofrimento
em amadurecimento.
Sem comentários:
Enviar um comentário