segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A MÁGOA ESQUECE-SE?

Dizem que o tempo cura tudo. Mas será que cura mesmo? Ou apenas ensina a conviver com o que doeu?

A mágoa não desaparece de um dia para o outro. Ela instala-se devagar, às vezes silenciosa, outras vezes pesada como uma pedra no peito. Pode nascer de uma palavra dita sem cuidado, de uma promessa quebrada ou de um silêncio que magoou mais do que qualquer grito. No início, arde. Depois, parece adormecer. Mas esquecer… esquecer é outra história.

Com o tempo, aprendemos a olhar para a mágoa de forma diferente. Já não dói com a mesma intensidade, já não nos tira o sono como antes. Contudo, ela deixa marcas. E talvez não seja para ser esquecida totalmente. Talvez a mágoa exista para nos ensinar algo — sobre limites, sobre amor-próprio, sobre quem merece permanecer na nossa vida.

Esquecer pode não ser possível, mas perdoar — aos outros ou a nós mesmos — pode ser libertador. Não porque o que aconteceu deixou de importar, mas porque escolhemos não carregar o peso todos os dias.

A mágoa pode não se apagar da memória, mas pode perder a força. E quando isso acontece, já não é uma ferida aberta — é apenas uma cicatriz. E as cicatrizes contam histórias de dor, mas também de superação.

 

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