quarta-feira, 25 de março de 2020

Poetar a vida

Quando me apercebi de que esta pandemonia ia tomar proporções bem mais graves do que se previa, decidi tomar a decisão radical de não publicar em Abril o meu novo livro, que está pronto para sair. Foi uma decisão dolorosa, quer para mim, quer para a editora, e que terá, como se calcula, no imediato alterações no meu orçamento já por duas vezes corrigido. A cada medida mais exigente que saía, impunha-se uma adaptação. Vivo exclusivamente do meu trabalho. Mas, apesar de felizmente não depender apenas da escrita,  o rombo, no médio prazo, vai ser sensível.
Felizmente tenho grande capacidade de adaptação e, depois da morte de um filho, aprendi que nada me pode ser pior. Por isso, espero que tudo o que me venha a acontecer, seja recebido com a maior serenidade e com a consciência de que, dentro dos meus limites, cumpri o que me pediram que fizesse. Por azar já estava confinada à casa,  por ter tido uma estranha pneumonia no fim do ano, pelo que desde Janeiro terei saido, talvez, meia dúzia de vezes, para estar com a familia. A maior adaptação, agora, é a que resulta de ter de somar aos três meses já decorridos, uns quantos que ainda ninguém sabe definir.
Talvez por estes factos, comecei a escrever um diário desta pandemia, em que misturo factos reais com estados de espirito pelos quais estes me fizeram passar. Como ando um pouco preguiçosa não escrevo todos os dias, mas quando o faço, tenho a noção da catarse que a escrita me permite.
Possivelmente irão aparecer muitas obras deste tipo, mas julgo que a forma como estou a faze-la é capaz de ser original. Esperemos pelo futuro próximo porque esse, sim, é que é a preocupação do presente. E que cada um, conforme as suas capacidades possa fazer algo que lhe lembre, para sempre, a provação pela qual estamos a passar.

HSC

9 comentários:

Ricardo Valério disse...

Boa tarde:- Desejando o maior sucesso para o livro que um destes dias sairá, bem como, para o que um dia, relembrando esta maldita doença do coronavírus, estamos a passar, surgirá, nas mais famosas editoras.
.
Votos de um dia de Paz, Amor, Felicidade.

Anónimo disse...

Muita Saúde para si e seu filho (é um gosto vê-lo na televisão, sempre fazendo o possível por apresentar a sua opinião, mas, sempre reforçada com fontes credíveis) e para a restante família

Pedro Coimbra disse...

Vamos todos sair desta provação.
Diferentes, esperemos que melhores.
Para já temos que nos proteger.
A nós e aos que connosco convivem.

Anónimo disse...

A Srª _ que já sofreu outros abalos sísmicos "interiores", daqueles que não podem ser medidos por nenhuma escala, porque a ultrapassam em grau de devastação e dor _ saberá, melhor ninguém, captar com a sua Sabedoria e Resiliência, o significado desta nova provação que está/estamos a passar.
Encontrou uma forma de superação na escrita.
Eu, que era dada ( em tempos ) aos Haikais japoneses, também voltei a eles. São o que melhor condiz com o que sinto: uma sensação, uma emoção e uma pincelada curta e breve sobre tudo isto, que a vida é fugaz...
Tenho um pequeno jardim, um tanto descuidado agora, e vejo como tudo cresce, indiferente a nós e a Natureza segue, em "verdes tenros"e "luz macia" (como dizia o Eça). Atrás dos vidros chegam os sons da passarada, cores, perfumes... mas só consigo pensar que há uma Realidade visível que se cumpre ciclicamente e uma outra, a Humana, demasiado transgressora. Às vezes, dou comigo a pensar nos Mitos gregos, entre outros. Em quase todos eles há uma espécie de advertência: Quem ousa demasiado, tentando igualar-se aos deuses, sofre-lhe as consequências, a punição. A Humanidade tornou-se demasiado soberba, ávida, com desejos e ambições sem limites, um querer tudo "já" sem regra, sem norma, sem medida. Em consequência, convenceu-se que pode contrariar e subverter a ordem da Natureza e a ordem cósmica a seu favor. A par de muitas e extraordinárias conquistas alcançadas pelo Homem, sem dúvida que esquecemos o equilíbrio, a harmonia, a justa medida (a "áurea medida") das coisas. Temos de desacelerar e repensar o nosso modo de vive, sem dúvida.

Desculpe-me por tão longo desabafo.
Tenha cuidado consigo. Fique bem.
Gl

Anónimo disse...

Fusão de micro pensamentos sensoriais e intelectuais entraram em des-h-armonia no meu ser. Fecham portas , empurram

janelas e chegam distorcidos àquela Caixa pensante a que chamam raciocínio. É um corropio de incógnitas em caos desordenado

a tentar intuir explicações. E a resposta surge dúbia e não serena na locomotiva da vida ; apenas diz : É o estado a que a saúde

chegou.

Mas, não nos fiquemos por aqui. É preciso agir mas também é preciso amar , ternurar ,abraçar… pela mesma resposta mas

futura:: É o estado a que a saúde chegará !

AM

Com votos de Boa Saúde

Anónimo disse...

Senhora,para poetar alguns minutos da sua catarse

https://youtu.be/FMrtSHAAPhM

Ambrósio

Silenciosamente ouvindo... disse...

Pois é drª. Helena estamos a passar por um período
muito difícil, e quem tem familiares a viver no
estrangeiro, como é o meu caso, ainda se torna
mais difícil.
Tento ocupar o meu tempo o melhor possível, mas
não é fácil.
Estou também preocupada pelo SNS ter deixado de
funcionar para outros tipos de doenças em que as
consultas foram anulados e exames médicos também
não estarem a ser feitos.Que queiram salvar o
maior número de pessoas do Covid-19 acho muito
bem, mas não podem ignorar outros tipos de doentes.
Os meus cumprimentos.
Irene Alves

Anónimo disse...

🌹

João Menéres disse...

Estou com o receio dos portugueses ( grande parte ), quando se virem livres desta fatalidade importada involuntariamente, façam uma carteada de asneiras, em vez de se continuarem a proteger, pois não há nenhuma certeza que este maldito vírus não volte em segunda vaga.
Na minha opinião, alguém devia, desde já, chamar a atenção para esse facto.


Melhores cumprimentos e votos muito sinceros para que permaneça num estado de plena saúde.