terça-feira, 2 de abril de 2013

O dom da ubiquidade

Contei-vos aqui como fora o meu Domingo de Páscoa. Eis que mão amiga me fez chegar a prova de que nesse dia de Páscoa o meu filho estaria na Tailândia, hospede do Embaixador Torres Pereira e acompanhado de um grupo de empresários e de outros diplomatas, nomeadamente o Dr Francisco Seixas da Costa.
Sobre a detalhadíssima notícia, que o meu filho desconhece e a mim me deixou de olhos esbugalhados, só podem existir três interpretações, a saber :
1) tratar-se uma inventona do 1º de Abril, do autor do blogue, que, alíás, ainda não foi desmentida, ou
2) o meu filho e o meu amigo Seixas da Costa possuírem, sem o saberem, o dom da ubiquidade, visto que um estava comigo e o outro não estava na Tailândia.
3) tratar-se de uma mentira com um objectivo que não descortino, mas a que estou habituada e portanto completamente imune.
Como sou uma criatura com humor, opto pela primeira versão, embora - certamente insuficiência minha -, não veja onde está a graça da invenção.
A segunda opção cientificamente não tem pernas para andar pelo que a clonagem de qualquer dos dois personagens citados, me parece, para já, bastante difícil.
Convém acrescentar que se publico esta ninharia, é apenas porque não tenho por norma mentir e não gostaria que um post de características pessoais como o meu foi, pudesse vir a ser desvirtuado por este tipo de humor bizarro, para não dizer o que penso do que por ali vi.
Feito o esclarecimento, nada mais há a acrescentar. Em Portugal ou fora dele, certos portugas biliosos são sempre homens de grande imaginação quando se trata de boatos...

HSC

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A importância das cores

Eu sou bélica nas cores de inverno. Gosto de encarnado - já sei, vermelho é mais fino - de roxo, de preto, de castanho muito escuro, de azul noite e de branco. É verdade gosto muito de branco em tempo frio.
Os meus fatos de sky - aqui sou fina - são todos de tom bem vivo. Um é rosa shocking e outro amarelo lima. São lindos e fico uma velhota catita com eles. Como vêem, modéstia é que não me falta.
Há cores que nunca uso, como o azul claro, o rosa, o laranja e o verde vivo. Se tentasse não seria eu. Mas aprecio os verdes secos.
De verão gosto de beijes, de lilases e de brancos, todos com algo forte à mistura. Nomeadamente echarpes, lenços grandes e flores. No tempo quente uso e abuso desses acessórios.
À semelhança dos nomes, também as cores revelam uma pessoa. Sempre que cruzo alguém que aprecia ou está próxima desta minha panóplia cromática sei de imediato que há ali um possível  entendimento entre nós.
E a verdade é que a minha primeira paixão ficou a dever-se a um lindo vestido encarnado que eu tive a ousadia de usar sob o olhar encorajante da minha Mãe e outro algo censurante do meu Pai, que o considerou demasiado "apelativo". Tinha razão.
Não fora o apelo e o apoio materno e eu teria perdido uma bela "estória" de amor que só me deixou recordações felizes...

HSC

domingo, 31 de março de 2013

A importância do nome

Não, não é do apelido que falo. Esse, no meu caso, às vezes, pesa mais do que devia...
Falo do nome próprio. A mim chamaram-me Helena. Não Maria Helena, felizmente. Gosto muito de Maria quando usado em exclusivo. Quando acompanhado não gosto nada.
Este post nasce porque, uma vez, confessei no blogue Um Jeito Manso que gostava de me chamar Bárbara. A sua autora, a partir daí, passou a manifestar-me a sua ternura, juntando os dois nomes. Que começam até, já, a fazer-me sentido.
Na minha gente materna, os nomes foram os da época. A minha mãe chamava-se Ivone e a minha querida avó era Joana, outro nome que muito aprecio. Do lado paterno a coisa complica-se, porque o meu Pai chamava-se Zeferino, que, mesmo para uma boa filha, não é louvável. 
Quando me casei, o marido tinha um nome lindo, Nuno Rodrigo. Mas já a minha sogra chamava-se Umbelina, nome horrível, a contrastar com o encanto de pessoa que ela era. Felizmente o meu sogro, que eu adorava, era um belo homem e chamava-se Leopoldo, de que gosto muitíssimo.
Quando o meu primeiro filho nasceu eu queria que ele se chamasse Gonçalo. O pai opôs-se terminantemente, por causa do ministro Correia de Oliveira. A tolerância dos católicos progressistas dava uma saga que, um dia, ainda escrevo. Propôs, então, que fosse Pedro. Era evidente que eu ia recusar. Assim, do compromisso, nasceu Miguel. E nasceu bem.
Voltando ao meu gosto por Barbara. Ele nasce da preferência que tenho por nomes grandes e fortes.
Leopoldo, Rodrigo, Alexandre, Francisco, Gonçalo e Afonso são os meus preferidos para o sexo oposto. Barbara, Micaela, Vitória, Francisca, Joana, Marcela, e Laura para as mulheres.
Não sei se como Barbara a minha história teria sido diferente. Mas dá-me imenso prazer pensar que sim!

HSC

A minha Páscoa

Tempo houve em que, na semana santa, se visitavam as Igrejas, todas de roxo vestidas. E depois na missa de sábado da Aleluia, à meia-noite, no adro, lançava-se uma pomba branca, sinónimo de paz. Recordo estes cerimoniais que encantavam os olhos da criança que eu então era. E, confesso, nesta época, tenho alguma saudade dessa urbe tão rural.
Hoje muito desta tradição está perdida e a que ainda existe é apenas praticada pelas pessoas mais velhas. Por mim, consegui felizmente, uma missa pascal lindíssima sábado à noite!
Neste Domingo almocei com a Família num restaurante onde há vinte anos o fazemos. E lá encontrei conhecidos que há muito têm o mesmo hábito.
Era um dos locais de eleição do meu filho Miguel, contrariando um pouco a ideologia. Mas como era eu que pagava a consciência política ficava queda e muda...
Hoje o meu outro filho decidiu que lá deveríamos voltar numa espécie de homenagem póstuma ao irmão. Primeiro hesitei, mas depois compreendi e desta vez foi ele a convidar e a querer que o meu sobrinho e a minha cunhada Paula também estivessem connosco, uma vez que o meu mano mais novo teve de prolongar a estadia em Moçambique, essa terra onde nasceu e onde se sente sempre em casa.
Foi tudo muito agradável e de algum modo constituiu também uma espécie de compensação pelo próximo dia 24, data da morte do Miguel e o início de uma via sacra que só eu e Deus conhecemos!

HSC

sábado, 30 de março de 2013

Da dignidade

Carta aberta ao ministro das Finanças alemão
"O Senhor Ministro afirmou que há países da União Europeia que têm inveja da Alemanha. A primeira observação que quero fazer, Senhor Ministro, é que as relações entre Estados não se regem por sentimentos da natureza que referiu. As relações entre Estados pautam-se por interesses.
Queria dizer-lhe também, Senhor Ministro, que comparar a atitude de alguns Estados a miúdos que na escola têm inveja dos melhores alunos é, no mínimo, ofensivo para milhões de europeus que têm feito sacrifícios brutais nos últimos anos, com redução muito significativa do seu poder de compra, que sofrem com uma recessão económica que já conduziu ao encerramento de muitas empresas, a volumes de desemprego inaceitáveis e a uma perda de esperança no futuro.
E acrescentou o Senhor Ministro: “Os outros países sabem muito bem que assumimos as nossas responsabilidades…”. Fiquei a saber que a nova forma de qualificar o conceito de poder é chamar-lhe responsabilidade!
E disse mais o Senhor Ministro: “Cada um tem de pôr o seu orçamento em ordem, cada um tem de ser economicamente competitivo”. A este respeito gostaria de o informar que já tínhamos percebido, estamos a fazê-lo com muito sacrifício, sem tergiversar e segundo as regras que foram impostas.
Quando o ministro das Finanças do mais poderoso Estado da União Europeia faz afirmações deste jaez, passa a ser um dos responsáveis para que o projeto europeu esteja cada vez mais perto do fim.
Passo a explicar. O grande objetivo do projeto europeu foi garantir a paz na Europa e como escreveu um antigo e muito prestigiado deputado europeu, Francisco Lucas Pires, “… essa paz não foi conquistada pelas armas mas sim através de uma atitude de vontade e inteligência e não como um produto de uma simples necessidade ou automatismo…”. A paz e a prosperidade na Europa só foram possíveis porque no desenvolvimento do projeto político de integração europeia teve-se em conta a grande diversidade de interesses, as diferentes culturas e tradições e os diferentes olhares sobre o mundo. Procurou-se sempre conjugar todas essas variedades, tons e diferenças dos Estados-membros numa matriz de valores comuns.
Esta declaração de Vossa Excelência põe tudo isto em causa, ao apontar o sentimento da inveja como o determinante nas relações entre Estados-membros da União Europeia. Quero dizer-lhe, Senhor Ministro, que o sentimento da inveja anda normalmente associado a uma cultura de confrontação e não tem nada a ver com uma outra cultura, a de cooperação.
Com esta declaração, Vossa Excelência quer de forma subtil remeter para outros Estados a responsabilidade pela confrontação que se anuncia. Essa atitude é revoltante, inaceitável e deve ser denunciada.
A declaração de Vossa Excelência, para além de revelar uma grande ironia, própria dos que se sentem superiores aos outros, não é de todo compatível com a cultura de compromisso que tem sido a matriz essencial da construção do sonho europeu dos últimos 60 anos.
Vossa Excelência, ao expressar-se da forma como o fez, identificando a inveja de outros Estados-membros perante o “sucesso” da Alemanha, está de forma objetiva a contribuir para desvalorizar e até aniquilar todos os progressos feitos na Europa com vista à consolidação da paz e da prosperidade, em liberdade e em solidariedade. Com esta declaração, Vossa Excelência mostra que o espírito europeu para si já não existe.
Eu sei que a unificação alemã veio alterar de forma muito profunda as relações de poder na União Europeia. Mas o que não deveria acontecer é que esse poder acrescido viesse pôr em causa o método comunitário assente na permanente busca de compromissos entre variados e diferentes interesses e que foi adotado com sucesso durante décadas. O caminho que ultimamente vem sendo seguido é o oposto, é errado e terá consequências dramáticas para toda a Europa. Basta ler a história não muito longínqua para o perceber.
Não será boa ideia que as alterações políticas e institucionais necessárias à Europa venham a ser feitas baseadas, quase exclusivamente, nos interesses da Alemanha. Isso seria a negação do espírito europeu. Da mesma forma, também não será do interesse europeu o desenvolvimento de sentimentos anti-Alemanha.
Tenho a perceção de que a distância entre estas duas visões está a aumentar de forma que parece ser cada vez mais rápida e, por isso, são necessários urgentes esforços, visíveis aos olhos da opinião pública, de que a União Europeia só poderá sobreviver se as modificações inadiáveis, especialmente na zona euro, possam garantir que nos próximos anos haverá convergência entre as economias dos diferentes Estados-membros.
As declarações de Vossa Excelência vão no sentido de cavar ainda mais aquele fosso e, por isso, como referiu recentemente Jean-Claude Juncker a uma revista do seu país, os fantasmas da guerra que pensávamos estar definitivamente enterrados, pelos vistos só estão adormecidos. Com esta declaração, Vossa Excelência parece querer despertá-los.
José da Silva Peneda
Presidente do Conselho Económico e Social"


São atitudes destas que se esperam de políticos responsáveis. Silva Peneda merece todo o nosso respeito!


HSC

sexta-feira, 29 de março de 2013

Mensagem

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa

Que cada um possa da leitura que lhe proponho, tirar as conclusões que entender por mais justas!

HSC


Sebastianismo

D. SEBASTIÃO, Rei de Portugal...

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?


Nesta sexta feira da Paixão, cinzenta, chuvosa e fria deixo-vos este poema sempre tão pré monitório. De facto, todos nós vivemos à espera de que, um dia, D. Sebastião voltará para nos salvar. De nós mesmos!

HSC