sábado, 30 de outubro de 2010

A telenovela

Vejo algumas telenovelas. Não as nacionais, confesso. Mas as brasileiras, sim. Não as sigo, não sei bem as "estórias" que contam porque falho muitos episódios, mas vou tirando o guião pelo sentido...
Nem sei explicar o porquê desta minha mediania, mas o facto é que me distraem e permitem que eu faça, pelo meio, outras coisas. Ninguém aqui em casa percebe o fenómeno e quando estou fora do país, sou objecto das maiores risadas por este meu pecadilho.
Mas ontem um amigo meu francês - não estou a escrever de Portugal -, dizia-me "mais oui, maintenant je comence a comprendre ta petite folie pour les series".
Tratava-se, como podem calcular, da telenovela política a que nós e o resto do mundo fomos assistindo. Este amigo é um ilustre francês que acompanha, vá lá saber-se porquê, com muito interesse o que se passa em Portugal. E, como vem aqui com muita frequência, conhece bem as nossas dificuldades. Aliás, tem sido, até, chamado a pronunciar-se sobre elas.
Felizmente que tudo acabou. Não porque tenha terminado bem, mas porque, para já, não há novos episódios.
Abstenho-me de dizer o que, politicamente, penso de tudo o que se passou. Mas, do ponto de vista económico, acredito que em Março teremos o FMI à porta, porque não vai ser este Orçamento 2011 que será capaz de resolver os nossos problemas estruturais, inexplicavelmente agravados em 2010.
Há, contudo, um lado otimista que convém não esquecer. É que a única vantagem desta crise e desta telenovela foi pôr a nú uma série de falsas verdades que andaram a tentar vender-nos...

HSC

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Trabalhar!

O lançamento do meu livro "Mulheres que amaram demais" foi na quarta feira. Fiquei feliz com a forma como decorreu e como o livro foi apresentado. Com efeito, o apresentador, O Dr. Pires de Lima, fez o que eu penso deve ser a sua tarefa. Falou do livro e não da autora, como costuma acontecer.
Estive rodeada de amigos e de pessoas que me apreciam. O que, para mim, é fundamental. Sem família e sem amigos não existo.
O problema surge, por norma, com a catadupa de entrevistas a que uma promoção obriga e nas quais me sinto, sempre, a repetir o que disse na anterior. O pior, contudo, é que como nem sempre os livros são lidos, as perguntas sobre a minha vida familiar tornam-se calistas. E eu reajo manifestamente mal. Torno-me dura e fechada, o que não é o meu estado normal.
Há muito que deixei de dar entrevistas em casa, porque me sinto devassada. Desta vez, em má hora, abri uma excepção porque fui pressionada pela editora. Resultado, veio a minha casa em todo o seu esplendor, como se de uma reportagem de decoração se tratasse.
Fiquei danada, porque tinha sido clara nas condições em que abrira essa excepção. Só fotografavam o local em que estava sentada. O resto seria esbatido, caso fosse apanhado. Nada foi respeitado, o que é paradigmático do modo como se encaram os compromissos. A revista em causa - nem refiro o nome para lhe não fazer publicidade - está banida, para mim, no futuro.
Ontem e ainda hoje estou, claro, de ressaca. Assinei setenta livros e já não tenho vinte anos. E, como sempre acontece, acabei por não estar com os amigos a gozar da sua estima, tanto quanto queria.
Daqui a uma semana sai mais outro livro meu. Este, de cozinha. Um clássico. Um retorno ao receituário tradicional, sem fotografias e com muitas e boas receitas. Um misto de Pantagruel e de Isalita, mas com récipes da minha família. Muito boas.
Passados dez dias sairá ainda outro, que será uma surpresa. A única coisa que revelo é o nome. Chamar-se-á "NÓS DE AMOR"!
Alguém do governo me poderá, alguma vez, dizer que preciso trabalhar, depois de publicar quatro livros num ano?! E, ao mesmo tempo, dar aulas e fazer televisão? Com a idade que tenho? Tomaram eles!

HSC

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O que os outros querem para nós...

"...José Cardoso Pires morreu, precisamente, há 12 anos. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é lê-lo. Foi um dos grandes escritores da língua portuguesa e um homem que sabia o que queria da vida e o que queria para a vida de nós todos".

( Em http://duas-ou-tres.blogspot.com/)


O excerto que acima trancrevo, extraído de um post do nosso Embaixador em Paris, e cujo bold é de minha responsabilidade, ficou a martelar-me na cabeça, ontem, uma boa parte do dia. Sobretudo, porque o li a seguir às notícias que davam por terminadas as negociações entre os dois maiores partidos, para aprovação do Orçamento 2011.
E porquê, se uma coisa nada tem a ver com a outra? Porque continuo a constatar que o mais difícil na existência de todos nós é conciliar, com o menor sofrimento possível, a liberdade individual com a organização do colectivo, dado que esta última representa, na maioria dos casos, uma forte limitação da primeira.
Um pequeno exemplo, banal, é o das medidas anti tabágicas. Eu tenho a liberdade de fumar ou não. Mas essa liberdade individual deixa de existir, quando o colectivo me impõe que dentro de certos espaços, eu não fume. A solução será não ir a esses espaços... ou deixar de fumar.
Logo, vontade cerceada e liberdade curta. Poderia, à exaustão, enumerar casos destes.
Assim, cada um tem que se submeter à vontade de uma maioria na qual, uma parte expressiva de todos nós delegou o poder de estabelecer regras. Mas, face ao que venho assistindo, tenho cada vez mais dificuldades em aceitar o que os outros querem para a minha vida. Porque o que eles querem para mim é, justamente, aquilo que eu não quero...

HSC

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os PEC'S

"Portugal vai entrar num período profundo de recessão "durante muitos anos" e "vão ser precisos outros PEC" considerou ontem Daniel Bessa. "Vamos entrar num período profundíssimo de recessão, durante muitos anos [...]. As medidas que estão tomadas vão fazer a economia entrar em recessão. Mais tarde ou mais cedo, o Estado vai perceber que as receitas não chegam", afirmou o economista, durante um debate na Universidade Católica".

(Notícia do Publico de hoje)

Quando lemos uma notícia destas, em que um economista respeitado prevê o que o governo nega, é caso para perguntar quando será que o país conhecerá a verdade toda sobre a sua real situação. Eu sei que há sempre gente que apelidará este discurso de pessimista. Mas isso não resolve o problema de andarmos a ser sucessivamente enganados e punidos como se a culpa fosse exclusivamente nossa.
Claro que todos temos uma parcela de responsabilidade no que se está a passar. Primeiro, porque este governo foi eleito com os votos da maioria do povo português. Depois, porque havendo vozes que chamaram a atenção para o excesso das despesas governamentais e familiares, não foram ouvidas e até foram enxovalhadas. E, finalmente, porque apesar de, mesmo agora, essas vozes dizerem que este PEC não chega, ninguém as leva a sério.
Portugal está doente. Mas grande parte do fardo dessa doença, compete aos medicamentos que o médico prescreveu porque ignorou os efeitos secundários. A outra parcela pertence ao doente que tomou sempre os remédios fora de horas...

HSC

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Fazer contas à vida!

Com algum masoquismo, confesso, decidi neste fim de semana, ver o que posso cortar nas minhas despesas de modo a situar-me, sem defice, nas novas condições que o excelso grupo que nos governa me irá impor.
A primeira realidade vem do lado da receita. Antes, eu trabalhava cinco meses para o Estado e sete para mim. Mais coisa, menos coisa. Agora, com quatro livros publicados neste ano, o mesmo Estado vai arrecadar cerca de sete meses do meu esforço e eu... cinco.
Logo a solução para o próximo ano, será trabalhar menos, para manter a anterior paridade. Mas como tudo vai ficar mais caro só tenho dois caminhos. Um, a troca directa - o meu trabalho contra trabalho de outrem que me faça falta - ou o meu trabalho contra os bens de que necessito. O outro caminho será o trabalho marginal. Não, não é esse que estão a pensar. O decoro e a idade não mo permitem. Falo de explicações dadas aos alunos maus das famílias boas. Esse é dinheiro limpo e não paga qualquer indecoroso imposto.
Do lado da despesa aqui vão os cortes. Tinha empregada doméstica nove horas por semana. Vai passar a seis. Enchia o depósito do carro de dez em dez dias. Vai passar a quinze. Ia ao cabeleireiro uma vez por semana. Vai passar a uma vez de quinze em quinze dias. Almoçava fora três vezes por semana. Passarei para duas. Ia ao gourmet do Corte Inglês duas vezes no mês. Passo a uma. Mantenho os livros, as pessoas que ajudo e continuo a viajar em leilão ou por pontos. Se nada mais se alterar o meu nível de vida desce mas é, ainda, suportável.
Se conseguir vender a casa, como pretendo, mando tudo às ortigas e vou viver para a minha segunda cidade de eleição, Paris, que sempre fica mais perto do meu neto que está em Bruxelas. É que nem ginjas, como diria o nosso povo.
Tenho uma imensa tristeza só de pensar em deixar a terrinha. Mas a minha tensão arterial volta ao normal, o sono reequilibra-se, as tristezas desaparecem e eu sobrevivo sem estas telenovelas políticas de baixa classe B...

HSC

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Financiamento dos partdos...

De acordo com uma notícia publicada hoje no jornal O Público, vem aí uma alteração à lei do financiamento dos partidos, que visa não só o corte dos gastos públicos em despesas eleitorais, como contemplar um aumento da entrada de donativos privados sem titulação bancária.
O coordenador do grupo de trabalho, é o deputado do PS Ricardo Rodrigues que confirmou haver "uma pequena possibilidade" de aumentar os limites daqueles donativos, embora saliente que "nada está decidido" quanto a montantes.
O aumento dos valores que os partidos podem receber em iniciativas de angariação de fundos ou em quotas em "dinheiro vivo", sem titulação por instrumento bancário, é uma proposta do PCP. Na anterior legislatura, os partidos haviam chegado a acordo para subir os limites máximos, mas a decisão, aprovada por unanimidade, foi vetada em 2009 pelo Presidente da República. A lei, entre outros pontos, aumentava para o dobro os limites então estabelecidos.
Devo dizer que o projecto, pessoalmente, não me agrada nada, pese embora resulte da necessidade de aliviar as despesas do Estado nesta matéria. Correr o risco de serem os que têm dinheiro aqueles que mais influenciem a nossa vida política, é prestar um mau serviço à democracia.
Prefiro que as águas sejam muito claras. A titulação bancária destes donativos só contribui para a transparência que se pretende imprimir à vida política. Não vejo nenhuma razão para fazer de modo diferente. Ou melhor, vejo muitas razões para o não fazer!

HSC

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A taxa...

"...Mais: e este aumento imoral da taxa de audiovisual encafuada na conta da electricidade? Só para pagar a boa vida da RTP, com os seus programas da treta e concursos em que se oferece tudo e mais alguma coisa - homessa! Isso é para os privados! Haja sentido do que é o diacho do serviço público, que para o resto temos os canais por cabo!
Eu andava a ver se não me enervava, mas isto de irmos sabendo o que se propõe para nos acabrunhar, num strip-tease económico-financeiro malvado, é demais..."

(www. Criativemo-nos.blogspot.com)

Hoje a Margarida tirou-me as palavras da boca com o seu post parcialmente reproduzido acima. Apenas junto uma acha. É que o grupo RTP vai fechar este ano com um endividamento de 801 milhões de euros, valor que representa, calcule-se, uma redução de 74,5 milhões de euros relativamente a 2009.
Só com muitíssimo otimismo é que nós continuamos na senda de acreditar que, um dia - certamente já não no meu tempo -, isto há-de acabar e Portugal voltará a resplandecer...

HSC