
É comum em Portugal esperar que um D. Sebastião nos venha salvar em tempos difíceis. Uma espécie de Nossa Senhora de Fátima em versão ateia...
O Ministro das Finanças andava ausente. O que pressagiava não só maus ventos, como piores casamentos.
Mas ontem, qual D. Sebastião dos tempos modernos, o ministro reapareceu. E fê-lo para, zangado, nos deixar a todos boquiabertos. Porque a culpa de tudo o que está a acontecer no país era dos portugueses, da oposição, da falta de solidariedade institucional, etc, etc.
Ou perdi todos os neurónios, ou a idade tolda o meu raciocínio, ou o Ministro está irritado e descarrega em todos nós. Que não temos culpa nenhuma. Todos nós, os que pagamos impostos, vemos diminuir o nosso poder aquisitivo, lutamos para manter os filhos a estudar, não temos prémios nem carros topo de gama para levar crianças às escolas, nem temos cartão de crédito para despesas ditas de representação, pagas pelo erário público ou seja pelos que trabalham e cumprem. Sem um agradecimento, sequer!
Tenho muito respeito pelo Dr. Teixeira dos Santos. Sei que se lhe está a pedir um enorme esforço. Mas foi ele quem aceitou o desafio. Não foi obrigado. É isso que costumo dizer aos meus filhos.
Ontem as suas palavras não foram as do técnico competente. Foram as do político que não sabe fazer política. Ao Ministro das Finanças pede-se competência. Pede-se verdade. Pede-se coragem. Coragem para abandonar coisas como o TGV. E pulso firme para evitar a vinda do FMI. Se é que alguma vez isso será possível.
E ainda há quem nos chame pessimistas... Depois das palavras que ontem ouvi, gostaria de saber quem é que é pessimista!
HSC