Já aqui contei que, no período da pandemia, sofri três intervenções cirúrgicas. Duas ao coração e uma á mão direita que, de tanto escrever, resolveu rebelar-se e deixar o canal cárpico em estilhaços. Só quem já passou por este problema pode avaliar as dores terríveis que provoca.
Esta situação, ligada ao risco Covid19, levou a que tudo o que antes me mantinha em ordem, fosse à vida e eu tivesse engordado cerca de 10Kg. O Natal fora o ponto de partida, com as malvadas doçarias de toda a espécie, que comi, e o resto era a compensação para tudo o que eu gostava e, não podia fazer.
Até que há três meses olhei para mim e não me reconheci. Não sou uma pessoa para pactuar com aquilo de que não gosto e, aquela visão, deu-me a noção de como, sem dar por isso, eu deixara de gostar de mim. Foi nesse preciso momento, há três meses, que decidi que "tinha mesmo" de voltar ao meu peso antigo. De voltar a ser eu.
Não se tratava , com esta idade, de um concurso de beleza. Mas, sempre fui uma pessoa que gostava de se arranjar, e as obrigações sociais da minha vida profissional, também muito contribuíram para isso. Cada idade tem a sua beleza, o seu interesse, o seu encanto e eu não estava disposta a abdicar do que tivesse. Penso que a minha cabeça valeu sempre mais do que a minha beleza, mas isso não era determinante de eu abandonar qualquer delas.
Foi, confesso uma luta draconiana, mas hoje celebro o resultado dessa força de vontade com que Deus me dotou, oferecendo-Lhe os 10Kg que perdi. Voltei a ser a Helena que era e aprendi que, se quiser continuar a sê-lo, não poderei mais fazer, o que durante o ultimo ano fiz. E aprendi também a ser feliz com esta pequena limitação. Se um dia faço asneira, no outro compenso, com a frugalidade necessária.
É, de facto, verdade que querer é poder. Mas para querer, a força de vontade é a arma indispensável!
HSC