segunda-feira, 19 de junho de 2017

Três dias de luto

No Domingo, Luís Marques Mendes, no seu comentário habitual na SIC, dizia que tinha sido um crime contra o país não só acabar com os serviços florestais e com a rede de guardas florestais, como terem sido afastados da liderança da gestão e defesa da floresta, os engenheiros florestais, cujo conhecimento técnico seria essencial na prevenção e combate aos fogos.
Todos sabemos a partir de que altura os incêndios começaram a devorar o país e porquê. De ano para ano é sempre a mesma “conversa”. Chegam, até, a anunciar-se verbas e programas para tal combate, esquecendo que o essencial é investir na prevenção. O resto é favorecer um negocio que vive deste tipo de incúria.
A primeira causa dos incêndios em Portugal é a manifesta ausência de uma política para as florestas. É, aliás, esse facto que explica que o pais tenha, só ele, mais  fogos do que o conjunto dos quatro países europeus constituído pela Espanha, França, Itália e Grécia.
É por isso que três dias de luto nacional são, para muitos, aquilo de que não deveríamos necessitar, uma vez que este padrão de comportamento já em 2005 tinha sido registado!

HSC

domingo, 18 de junho de 2017

O nosso garante

Há períodos na vida das pessoas em que o esforço que se lhes pede é superior às suas forças. O que sofreram e estão a sofrer as vitimas deste malogrado incêndio, deixa de rastos o nosso país. Sobretudo, pela forma como as coisas ocorreram.
Não é altura para divisões nem para os partidos se aproveitarem do que aconteceu. É altura para pensar em solidariedade e cada um de nós prescindir um pouco do que tem para ajudar aqueles que tudo perderam. Mas é, também, altura de pensar e de não fazer afirmações controversas.
Ouvi as palavras do nosso Presidente sobre a tragédia de Pedrogão Grande. E julgo que se excedeu ao afirmar, de forma categórica, que "era impossível ter feito mais". Percebo a sua intenção. Mas a sua posição no país impõe-lhe responsabilidades especiais. E, em casos como este, antes do apuramento de tudo o que se terá passado, é prematuro e pode ter consequências sérias, fazer este tipo de declarações.
As palavras que eu esperava ouvir do Presidente, para além do conforto para com os que sofrem e de louvor para com os bombeiros, era que esta tragédia, no futuro, não se repetirá, porque ele, Marcelo, será disso o nosso garante.

HSC

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Esse tempo...


"...Helmut Kohl morreu hoje. Nunca falei com ele mas conheço muito bem o seu papel na História da Europa e do seu país. E também sei, porque o ouvi a alguns que com ele privaram ou acompanharam de perto a sua ação, que foi uma personalidade a quem nunca foram indiferentes os interesses de Portugal, que soube entender as nossas razões, que nos ajudou, com compreensão, em momentos delicados da nossa adesão e participação no processo europeu.

Só por isso, dá-me gosto dizer que ainda sou do tempo de Helmut Kohl."

                          in http://duas-ou-tres.blogspot.pt/


Também eu sou do tempo de Helmut Kohl que foi, talvez, o primeiro político que verdadeiramente me interessou, pela sua ideia de reunificar a Alemanha dividida nas suas entranhas pelo muro de Berlim. 
Vivi no seio de uma família em que se falava muito dele. Uns apreciando, outros nem tanto, como era normal nesse tempo, em que coexistiam anglófilos e germanófilos.
A sua morte, hoje, lembrou-me a casa dos meus avós e o meu irmão mais velho, recentemente falecido. E, confesso, por uns minutos, tive saudade desse tempo e da calma com que as questões políticas, então, se discutiam...

HSC

quarta-feira, 14 de junho de 2017

À Maria Helena Sequeira


Só hoje consigo escrever umas linhas sobre a Maria Helena, tal a comoção que a sua morte me causou. Embora não a conhecesse, selecionei-a para vir trabalhar comigo na Aeronáutica Civil e, esses anos que passámos juntas, haviam de sedimentar uma amizade que nada, nem a distancia quebrariam. 
Trabalhámos e viajámos muito. Mas, sobretudo, tivemos uma cumplicidade à prova de bala. Conhecia-a como Maria Helena Sequeira, o seu apelido de solteira. Assumiria o nome de Serras Gago pelo casamento e, por causa deste, teve de ir viver para Paris, criando um hiato na nossa relação, já que, quando ela voltou, começava eu a ir para lá. Mas a alegria com que nos víamos era sempre a de outrora, como se nos tivéssemos despedido na véspera.
A Maria Helena, economista como eu, era um coração de ouro que tentou realizar-se plenamente na maternidade do seu único filho, o Frederico, a quem proporcionou uma esmerada educação assente em tudo o que de melhor esteve ao seu alcance. São os dois que se vêm na foto acima, por ocasião dos 30 anos deste último.
Conhecemo-nos muito bem. E eu só me penalizo de não ter sabido, a tempo, da doença que em seis meses a matou. Desde então, volta, não volta, lembro-me do muito que ela ainda tinha por fazer. Nomeadamente, tomar nas suas mãos a sua vida e o seu destino, e, finalmente, viver!

HSC

terça-feira, 13 de junho de 2017

Lá vamos cantando e rindo...


Num país pequeno como Portugal, convém aos governantes terem uma a consciência aguda de que a prudência não é uma virtude mas uma necessidade; a formalidade institucional não é um protocolo de antanho, ultrapassado, mas sim uma táctica perante os poderosos do mundo e o sentido de Estado está longe de constituir um patriotismo bacoco e deve, pelo contrário, ser a mais valia de um País que não pode esbanjar recursos na hora de se fazer valer.
Tudo isto vem a propósito da decisão, em 2017, que o Presidente do Brasil teve o desplante de tomar, ao considerar-se suficientemente à vontade para anular os encontros que tinha marcado – num 10 de Junho -, com o Presidente da República e o Primeiro-ministro de Portugal.
Ou estou muito enganada, ou esta atitude releva de um menosprezo inqualificável por Portugal, em particular tratando-se de Temer, um presidente cuja cabeça está segura apenas por um voto.
Não acredito que tal cena fosse possível, por exemplo, com um Dr Mario Soares e não compreendo como o duo que nos rege, se deixou enredar numa situação deste tipo, continuando a sorrir como se nada tivesse acontecido. É que há limites para tudo. Até para o sorriso!

HSC

Nota A Sra D. Dilma já cá tinha vindo para dizer dizer que não investia em Portugal, porque só o fazia em paises com "triple A". São de topete, estes "nossos amigos"...

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Igreja: Santo António (11)


É um dos santos mais amados do mundo. Não só por católicos, mas também por muçulmanos, budistas e hindus, que a ele rezam. Nasceu no ano de 1195, em Lisboa.
Falamos de Santo António, filho de uma família nobre que lhe deu como nome Fernando. António foi o nome que escolheu, quando decidiu seguir os passos de outro grande santo, Francisco de Assis. Foi um homem culto, um fino teólogo, uma pessoa muito atenta aos problemas sociais. Atribuem-se-lhe muitíssimos milagres. Morreu em Pádua, em 1231, onde chegou após muitas vicissitudes.
Pouco menos de um ano após a sua morte, o papa Gregório IX proclamou-o santo. Todavia já em vida era grande a sua fama de santidade.

HSC

sábado, 10 de junho de 2017

O dia de Camões

"...A idade traz-nos outros saberes e outros sabores e li, reli e voltei a reler deliciada a fantástica epopeia de um povo fantástico cujas façanhas, apesar de se terem perdido um pouco na memória do tempo, poderão renascer a qualquer momento, qual fénix a quem basta uma acha em mão apropriada.

Pela história relatada por Camões aceito bem o dia de Portugal, o dia da Raça, mas aceito ainda melhor que o 10 de Junho seja para sempre indissociado de Camões e da nossa Lusitanidade."

         Comentário de Maria Dulce Fernandes no blog Delito de Opinião

O extracto que acima reproduzo aborda um tema que considero muito importante. Para mim, o 10 de Junho foi, sempre, o Dia de Camões. De facto, há muito quem pense que o dia de Portugal deveria ser o 5 de Outubro, data da fundação da nacionalidade e do Tratado de Zamora, quando Leão reconhece a independência de Portugal. 
A propósito da data, a Patrícia Reis recorda e bem, no seu texto para o Porto Canal, que "este 10 de Junho, celebrado na cidade do Porto, é porventura um momento para pensar se temos uma estratégia cultural que acompanhe o facto de Portugal estar na moda, ter tão bons indicadores ao nível do Turismo, e se apostamos ou não em quem insiste em ser agente cultural, artista plástico, escritor, músico, etc.
Há ainda uma reflexão adicional que deveremos fazer, sobretudo num país que parece estar cada vez mais deslumbrado pela juventude: apoiamos ou não apoiamos os mais velhos que contribuem significativamente para este património que é nosso, a Cultura Portuguesa?"
Faço minhas as suas palavras já que, hoje, temos um Ministro da Cultura que, além de excelente diplomata, é um dos poetas vivos que mais aprecio.

HSC